sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

RELEMBRAR

            MEMÓRIAS DO CARNAVAL - Por Chico Manuel
Sempre gostei do Carnaval,
Não porque fosse um danado brincalhão, mas sim por ver que nesses dias as pessoas eram felizes, divertidas, deixavam as tristezas à porta e com mais ou menos sacrifícios nunca faltavam “os fritos” (azevias, filhós, nógados, borrachos) e o respectivo arroz doce.
No meu tempo de menino minha mãe fazia sempre questão de arranjar uma fatiota para eu me mascarar. Emprestada claro. Confesso que era “coisa” que não me agradava (não só pelo desconforto, como pelo cheiro a naftalina que se entranhava nas narinas e comentários que sempre surgiam em termos comparativos.
Adorava isso sim acompanhar a Banda tocando coisas alegres (felizmente hábito que ainda hoje se mantém), as contradanças vindas das Freguesias e à noite ir aos bailaricos em especial a casa da Teonila, onde o Carnaval sempre se comemorava.
Guardo na memória a saída dos foliões sempre da oficina do Mestre Manuel Luís com o “Forma das Caraças” a comandar a troupe. Era lá que também se iniciava na quarta-feira de Cinzas o Enterro do Entrudo, que percorrendo as Ruas da Vila era acompanhado por elementos da Banda.
Contava-se, que numa dessas folias, foram todos presos, porque tiveram a ousadia de acompanhar o morto Entrudo tocando a Marcha Fúnebre, ensaiada para ser estreada na Procissão do Senhor Morto, que se efetuava sexta feira de cinzas.
Já na mocidade relembro os bailes nas respectivas Sociedades: Artística, e Musica. Iniciavam-se Sábado de Carnaval e prolongavam – se pelos quatro dias, com ambas sempre a abarrotar de gente. As matines, mais na Sociedade da Musica, duravam até à hora de começar o baile.
Os tempos entretanto mudaram. As Sociedades desapareceram e com elas os bailes tradicionais.
Com a fundação da Associação dos Bombeiros Voluntários e no intuito de se angariar algum capital os bailaricos de Carnaval voltaram a ser uma realidade no Alandroal.
No casão que servia para albergar as viaturas, foram na altura realizados grandes bailes. Com a casa sempre à cunha, e a preços de entrada simbólicos a função tornava-se divertida, por vezes até em excesso, pelo hábito de usar farinha para esfregar na cara de cada um (enfarinhar).
Felizmente, e nas noites de Sábado e Segunda-feira, com bailes, e Domingos com Matine a tradição continua a cumprir-se.
Recordo no entanto outros Carnavais passados noutras localidades e que me permitiram muitas horas de alegria e francas gargalhadas.
Na Póvoa de Santa Iria, onde vivi os 18/19 anos não esqueço o Enterro do Chouriço, onde a multidão acompanhava o funeral do Entrudo com padre e sacristão (mascarados) que faziam declamação de versos alusivos aos “escândalos locais” parando à porta dos visados, que ainda por cima os obsequiavam.
Também em Reguengos os bailes das Sociedades eram grandiosos, com muitos mascarados e onde num certo Carnaval me vi a contas com a Justiça, pois à falta de melhor serviu-me de máscara a Bandeira Nacional, ao que a G-N.R. não achou muita graça,
Mais recentemente já aqui em Montemor nunca perco as brincadeiras proporcionadas pelos foliões das agremiações recreativas.
Umas vezes os Bombeiros, com alegres divertimentos, outras a Sociedade Carlista, adaptando situações politicas, programas de televisão, situações vividas pela população, satirizam ou na Serração da Velha ou em Mini Peças de Teatro, momentos de verdadeira alegria e onde o riso nos acompanha desde o inicio.
Vejamos este ano o que nos proporciona a “Casa dos Enredos”.
Uma coisa é certa: muitos vão ser os que vão ficar com “as orelhas a arder” – mas é Carnaval ninguém leva a mal.
Tenham então um bom Carnaval e divirtam-se. Vamos pelo menos por três dias esquecer que vivemos num Portugal tristonho e sombrio.


Chico Manuel

E OS MAIS NOVOS JÁ INICIARAM A "FOLIA" - Reportagem Claré




SUGESTÕES P´RÓ CARNAVAL






OUTRAS SUGESTÕES

Hoje Alandroal - 21,30
     

Redondo


DESPORTO FIM-DE-SEMANA

                                                                         FUTEBOL
                                                  INATel - Campeonato Distrital
Orada – Santiago Maior
Alandroal United – S. Domingos
Foros F. Seca – Bencatelense
Stº Amaro – Barbus – 26/02
Bairrense – Pardais – 26/02

.                                      CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série G – Manutenção
Viana – Casa Pia
Loures – Sintrense
Aljustrelense – Fabril
Oriental - Armacenense
                                                            FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃo

Atlético C.P. – União Montemor


AMANHÃ VAMOS VER A VOLTA


IMPRENSA REGIONAL RECENTE


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DA RESPONSABILIDADE DE RUI MENDES

                                                      O ESTADO DO PAÍS
Aos poucos vamos alienando toda a nossa economia. A globalização terá tido algum efeito, mas acima de tudo fazemo-lo pela debilidade financeira a que o país chegou.
Lembro que a preocupação há alguns anos era que o centro de decisão da banca e das empresas se mudasse de Lisboa para Madrid.
Hoje essa deixou de ser uma preocupação. Não existe sequer.
Hoje o anseio é conseguir vender, em especial a banca, por um preço minimamente aceitável.
Hoje o desejo é que entre no país capital que permita resolver problemas financeiros, criados por políticas erradas.
Hoje a preocupação é reduzir as imparidades dos bancos, as quais atingiram dimensões verdadeiramente dramáticas, e que não se conhece quem responda por elas. Parece que aconteceram porque aconteceram, como se fosse algo normal. Aconteceram porque não se avaliaram devidamente os riscos, porque se permitiu dar crédito a quem não se devia, porque houve interesses que se sobrepuseram à boa gestão.
Hoje, e de uma forma resumida, poderemos dizer:
A divida do país aumentou;
O crescimento em relação ao PIB diminuiu;
O rating do país continua a ser lixo, e continuamos a necessitar de beneficiar do programa de compra da divida por parte do BCE, o qual será este ano reduzido por decisão do BCE;
A taxa de juro que nos é aplicada aos novos empréstimos vai fazendo o seu caminho ascendente.
O volume de transferências de verbas para o exterior, para offshores e para outros destinos, é uma realidade, e será um sinal em como os níveis de confiança dos investidores no país é baixo. Em contraponto os emigrantes continuam a transferir para o país as suas poupanças, algo absolutamente louvável e que se regista pela positiva.
É certo que reduzimos o défice, tanto por mérito do anterior governo, que fez descer o défice em 8 pontos percentuais em 4 anos, como por mérito do actual que assumiu a necessidade de acatar os compromissos europeus e deu continuidade a esse objectivo, permitindo que Portugal possa sair do Procedimento por Défice Excessivo,
É também certo que o desemprego desceu, como vem descendo desde 2013.
E que o país vive uma calma social, a qual é derivada pelo contexto governativo e pelas forças que o apoiam, as mesmas que no passado promoviam uma permanente contestação social.
Que a tensão que se sente hoje no debate político é grande e parece que a tendência será para um agravamento.
É este o contexto em que nos encontramos.
Até para a semana

Rui Mendes

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

EVENTOS JÁ PROGRAMADOS PARA A MOSTRA PEIXE DO RIO 2017



     PROGRAMA COMPLETO - CLIK : AQUI

E A VOLTA AO ALENTEJO VISITOU O ALANDROAL - Claré




Reportagem: Claré

DUQUES E CENAS - Pelo Prof J.L.N.

                                Valentim

Começo estes rabiscos exactamente à meia-noite e um minuto do dia 14 de Fevereiro. E nem por um segundo senti qualquer diferença. Dizem que é o Dia dos Namorados. Nada contra. Nem contra este dia nem contra todos os outros que se celebram, uns a propósito, outros a esmo, sem fundamento nem mais-valias. Mas é bonito fazer-se uma festa, seja por que motivo for.
O que me aborrece com esta e outras celebrações é que muitas entram em campos tão vastos que nós nunca sabemos se devemos ou não celebrar aquilo que alguém nos “obriga” a celebrar. Não sei se todos os casais de namorados vão celebrar este dia da mesma maneira: com flores, bombons, beijinhos e um jantar diferente, protegido que está o seu amor por São Valentim, que recordam à luz de uma vela para a ocasião. Ou se alguns desses casais preferem comemorar a sua relação de forma coerente, com mais uns empurrões, umas bofetadas e uns nomes menos românticos à mistura, tal como fazem no decorrer do resto do ano.
Seria bom acabar com esta comemoração? Não. Isso seria afundar negócios de milhões um pouco por todo o mundo, criando ainda mais desemprego e instabilidade. O ideal é que não fosse preciso um dia para comemorarmos o que nos move todos os dias – o amor.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Fevereiro de 2017

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DE EDUARDO LUCIANO

                          O QUE É IMPORTANTE
No passado domingo fui surpreendido pela notícia que me recusei a esperar. Tinha morrido o Joaquim Soares, o homem que teimou em trabalhar o cante em Évora durante mais de três décadas.
Tentei escrever uma pequena nota na minha página de facebook e não fui capaz de dizer nada. Que poderia eu dizer, que outros já não tivessem dito, sobre o operário da cultura, sobre o mestre que dirigiu os Cantares de Évora, sobre o cidadão que foi presidente de junta e vereador, sobre o teimoso defensor da cultura popular, sobre o homem que, apesar de recusar mexer na tradição, arriscou cruzar o cante com a música dita erudita ou com outras formas de música popular, em trabalhos com a Ronda dos Quatro Caminhos, ou com Amílcar Vasques-Dias e Pedro Calado.
Tendo eu memória de tudo isso, reconhecendo o seu papel em tudo isso, percebendo que a sua ausência se reflectirá em tudo o que ficou por fazer, o que mais falta me fica a fazer é a existência de um homem bom, num mundo onde escasseiam cada vez mais as pessoas com essa qualidade, que leva à acção sem construções de reservas mentais, sem desconfianças de tudo e de todos, sem o mesquinho interesse no ganho pessoal, ou da inveja que destrói por dentro gente aparentemente decente.
Quando, durante as cerimónias fúnebres me pediram para dizer algo sobre o homem que ali jazia, o que estava presente na minha busca de palavras foi o percurso que fizemos juntos, durante quatro anos, como vereadores sem pelouro na Câmara Municipal e como em todos os momentos, em particular os mais difíceis, a lealdade do Joaquim Soares esteve presente.
Perdemos todos um mestre do cante, eu sinto que perdi um dos raros (muito raros) amigos cuja lealdade era inquestionável.
Com ele aprendi que uma simples moda pode ser um hino e que pode ficar debaixo da pele de tal forma que é inevitável chorar sempre que, depois de um petisco, os Cantares de Évora se juntavam naquele canto atrás do balcão e a voz clara do Soares dizia, com a força que só ele sabia emprestar a uma moda, “O Sol é que alegra o dia, Pela manhã quando nasce. Ai de nós o que seria, Se o Sol um dia faltasse!”
Até para a semana

Eduardo Luciano

VIDA AUTÁRQUICA - CONVOCATÓRIA A.M. ALANDROAL


CRONICAS DE CINEMA – Pelo Dr. Egas Branco



Homenagem do Al Tejo a Domingos Maria Peças

 SILÊNCIO (Silence), de Martin Scorsese
O que mais impressiona os espectadores deste filme, julgo eu, é o dilema que se põe aos que são perseguidos, entre o ceder perante o sofrimento provocado pela tortura, pela visão da tortura usada contra outros ou pela morte quase certa se se persistir na crença ou a recusa em falar, mantendo a posição, aconteça o que acontecer, que deverá ser a tortura e a morte.
Neste caso trata-se da perseguição aos cristãos no Japão do século XVII (cerca de 1640), movida pelo poder imperial preocupado com tudo, incluindo as novas ideias, que pudesse vir a pôr em causa o Japão feudal. É essa situação que missionários jesuítas portugueses vão encontrar na sua missão de tentar difundir, clandestinamente, as ideias do cristianismo, em que a maior parte deles acredita.
Alguns cedem (apostatam, termo religioso para a negação da fé), chegando a integrar-se completamente na sociedade japonesa, tornando-se inclusive budistas. Outros persistem na sua missão e são mortos, juntamente com os japoneses que eles conseguiram catequizar e que começam a revoltar-se contra a repressão religiosa e a exploração social do povo (figura da rapariga na prisão). O filme de Scorsese mostra-o através das suas várias personagens.
O realizador norte-americano adaptou uma obra homónima de um escritor católico japonês, Shusaku Endo (1923-1996). Os que apostatam lamentam não ter conseguido ouvir o seu deus. Daí o título da obra, Silêncio. Hoje o Japão conta com cerca de 1% de cristãos, entre os quais, 0,3 % de católicos. E o budismo continua a ser a principal religião do país. 

O mesmo tema, baseado no romance de Endo, foi já abordado no cinema português no filme "Os olhos da Ásia", de João Mário Grilo. Curiosamente, o português filmou em Sintra e o norte-americano em Taiwan (território chinês ainda autónomo). As razões parecem ter sido, nos dois casos, económicas...
 A questão da língua utilizada acaba por ser importante para o espectador português porque no filme de Scorsese só se fala japonês e inglês... o que não deixa de ser um pouco chocante, apesar da convenção hollywoodiana... Aliás só já com o filme adiantado é referido que os jesuítas que partem em missão são portugueses e afinal poderiam talvez ser de outra nacionalidade qualquer que pouco adiantaria para a questão em causa - o que pode levar à apostasia, tal como Scorsese a põe.
Para um ateu, como é o meu caso, o grande interesse da obra acaba por residir na relação que tem com outras situações de repressão extrema, e não só religiosa, como a repressão política principalmente. No nosso País tivemos aliás os dois casos, ambos protagonizados no poder por católicos apoiados pela hierarquia religiosa - a inquisição (no século XVII a XIX, ao longo de 285 anos) e o fascismo salazarista (no século XX, ao longo de 48 anos), com a sua perseguição aos que se batiam pela liberdade. Neste último caso no comportamento na prisão perante as terríveis torturas, algumas acabando na morte, usadas para tentar que os prisioneiros falassem denunciando os companheiros de luta. No primeiro nas inimagináveis torturas, sempre acabando na morte para os que não cediam, para que se convertessem ao catolicismo.
Grande parte da obra de Scorsese mostra a violência de seres humanos contra os seus semelhantes e fá-lo, reconheça-se, sem nunca ser gratuito. Aliás entre os seus melhores filmes estão os que se dedicam a mostrar o gangsterismo no seu país, os EUA. Mas também aqui, em "Silêncio", há todo um repositório de métodos de violência extrema, desde à morte pela fogueira até à decapitação pura e simples. Não chega a chocar porque sabemos que é a realidade em períodos feudais semelhantes, no Ocidente ou no Oriente - em que "o povo é carne para canhão" e todas as arbitrariedades eram permitidas ao poder.
No entanto a coerência de Scorsese falha num ou noutro aspecto dos seus filmes e um deles que convém referir tem justamente por protagonistas, apresentados como vítimas, os budistas, mas num grande país do Oriente, vizinho do Japão e algumas vezes vítima do imperialismo japonês, a China, que se libertava do opróbrio do colonialismo ocidental de séculos, acabando por se converter num filme de propaganda anti-chinesa e anti-comunista, porque as novas ideias sociais são afinal as que entram em choque com o budismo mais tradicionalista. 
O que "Silêncio" vem uma vez mais demonstrar é o saber fazer cinema do grande realizador, ajudado por uma magnífica fotografia, que sublinha a miséria e as condições deploráveis em que viviam os camponeses no Japão no século XVII e, principalmente, o facto desta obra nos fazer pensar.
Egas Branco

OBS. Este filme será exibido amanhã pelas 21,30 no Forum Cultural do Alandroal

HOJE NO REDONDO REVIVE-SE O DIA DAS COMADRES


DIVULGAÇÃO - TAUROMAQUIA - FESTIVAL RÁDIO CAMPANÁRIO

O mediático matador de touros espanhol Ortega Cano regressará às arenas portuguesas no próximo dia 11 de março, na Praça de Touros de Vila Viçosa, num festival taurino promovido pela Rádio Campanário.
Ortega Cano regressa a Portugal 12 anos depois de ter pisado a arena da Praça de Toiros da Moita.
Ortega Cano irá alternar com os cavaleiros Rui Fernandes, João Moura Jr, Leonardo Hernandez e Manuel Telles Bastos, bem como com os matadores de touros Morenito de Aranda e Manuel Dias Gomes. Para as pegas estarão os Forcados Amadores de Évora e Académicos de Elvas.
Serão lidados novilhos/touros de Maria Guiomar Moura, Francisco Romão Tenório, El Capea e Calejo Pires.

As reservas poderão ser feitas através do site www.radiocampanario.com ou pelos telefones 268980222/961349379



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

INÁCIO JOSÉ MELRINHO, FOI UM DELES - (PRECURSOR DA DEMOCRACIA

Ao folhearmos a “Folha de Montemor” do presente mês deparámos que na rubrica «À Soleira da Porta» de Eduardo M. Raposo se fazia referência às memórias dos precursores da democracia portuguesa e que entre outos como Abílio Fernandes, Alfredo Barroso, Fernanda Ramos, Jerónimo Loios, José Chitas, Vitalina Sofio, Vitor Martelo, etc, se incluía também o nome do primeiro Presidente da Câmara do Alandroal, pós 25 Abril – Inácio Melrinho.
Trata-se de uma pequena homenagem prestada pelo Autor da rubrica que transcreve parte das entrevistas concedidas à Revista Memória Alentejana, e divulgadas na íntegra na referida publicação.
Aqui fica a transcrição do publicado na Folha de Montemor:

                  « A limpeza era feita por uma mula e o meu transporte era uma Zundap

Inácio Melrinho, santiago Maior, Alandroal (1939) era motorista em 1974 quando foi convidado pela Comissão Administrativa para presidir à Junta de Freguesia da sua terra, tendo vindo a ser eleito para a Câmara Municipal em 1976, nas listas FEPU, onde foi edil durante quatro mandatos.
Refere que quando tomou posse a limpeza pública era garantida por uma mula que durante a tarde transportava o lixo recolhido na vila, depois de na parte da manhã transportar a carne do matadouro para o talho. E ele, presidente da Câmara, tinha como transporte uma motorizada Zundap e havia ainda uma carrinha Peugeot que era utilizada para transportar os trabalhadores das aldeias e para tudo o que era necessário e que ele ás vezes também utilizava. Posteriormente foi adquirido um dumper para ajudar na realização das obras e uma Renault 4L  - o que era considerado quase um “luxo”.
Nesse sentido a rede de saneamento básico, a água e a electrificação do concelho foi completado, os arruamentos, a construção da escola secundária e das casas para os professores e os médicos, mas também os centros culturais ou o lar de idosos ou a criação do Grupo de Teatro do Alandroal. O que o terá marcado mais como autarca terá sido a amizade que se estabeleceu entre os Presidentes das Camaras da região Alentejo Central – a camaradagem que ultrapassava barreiras ideológicas, e dá o exemplo do Victor Martelo, Presidente socialista da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz.
Melrinho é um conhecido poeta popular e a tal fazendo jus presenteou-nos com uns versos –quatro décimas e o respectivo refrão, a quadra – sobre esta temática e o seu colega, o nosso amigo José Chitas, exímio conversador que assim inicia:
O pobre Chitas coitado
É amigo dos leais
Estando sempre calado
Dizem que fala demais.

Eduardo M. Raposo

O QUE SE ESCREVE SOBRE O ALANDROAL

                Instabilidade política e crise financeira têm marcado o                                                                 Alandroal

Por SÉRGIO MAJOR
Alandroal, um dos concelhos mais pobres e despovoados do Alentejo, tem sido marcado nos últimos anos por instabilidade política municipal e pela grave crise financeira da câmara, com uma dívida de 20 milhões de euros. Nos últimos 15 anos, a Câmara de Alandroal, no distrito de Évora, teve três presidentes: além da atual autarca Mariana Chilra (CDU), os principais “rostos” da oposição João Nabais e João Grilo também já passaram pela presidência. O PCP, através das coligações FEPU, APU e CDU, liderou os destinos do município entre 1976 e 2001, ano em que a então presidente da câmara,  Margarida Godinho, que cumpria o primeiro mandato, não se recandidatou por divergências com o partido. Nas autárquicas de 2001, após a desistência de Margarida Godinho, a CDU apostou em Mariana Chilra, mas foi o PS a ganhar a câmara, com João Nabais a conseguir a maioria absoluta. Nabais cumpriu dois mandatos, mas, em 2009, desentendeu-se com o então vice-presidente do município, João Grilo, desvinculando-se ambos do PS e concorrendo separadamente por movimentos independentes. Nas eleições autárquicas desse ano, Grilo conseguiu conquistar a câmara, mas, quatro anos depois, em 2013, a sua recandidatura foi inviabilizada pelo Tribunal Constitucional, devido a alegadas irregularidades no processo de recolha de assinaturas.  A comunista Mariana Chilra, que já tinha tentado a eleição em 2001, venceu com maioria absoluta, após a desistência de João Grilo por causa da decisão do tribunal, na sequência de uma queixa de João Nabais.  Esta “é uma situação artificial”, adverte o antigo presidente da câmara João Grilo, alegando que o seu movimento foi afastado das eleições por “pormenores burocráticos”, quando “as expectativas” apontavam para a sua continuidade no poder.  Para o antigo autarca, o seu afastamento “acabou por prejudicar muito o futuro do concelho”, porque foi interrompido “um ciclo de renovação e um conjunto de estratégias e de projetos que foi abandonado pela atual gestão” comunista.  “Se juntarmos ao que aconteceu nas últimas eleições outros aspetos do passado, talvez consigamos perceber porque é que o Alandroal acaba por ir perdendo todas as oportunidades que tem para se desenvolver”, observa.  Contudo, defende que “nem toda a estabilidade política é boa”, considerando que o Alandroal “teve quase 30 anos de estabilidade CDU e a única coisa que fez foi afastar o concelho dos seus vizinhos em termos de desenvolvimento”.  A atual presidente do município, Mariana Chilra, tem uma opinião diferente, uma vez que considera que a estagnação do concelho resulta de “duas gestões desequilibradas” de Nabais e Grilo, que “fizeram com que seja uma das câmaras mais endividadas do país”. “Creio que estamos a inverter um ciclo dos 12 anos de gestões anteriores. Desde o início deste mandato, conseguimos inverter a tendência do aumento da dívida e estamos a reduzi-la em mais de um milhão de euros por ano”, destaca.  Mariana Chilra reconhece que existiu instabilidade política “sobretudo nos últimos mandatos”, que atribui a processos internos no PS, mas entende que a situação está ultrapassada e que a gestão CDU garante “estabilidade política”. “Estamos num processo de recuperação e reequilíbrio e a aguardar o visto do Tribunal de Contas para um empréstimo do Fundo de Apoio Municipal (FAM) no valor de 16,5 milhões de euros”, indica, adiantando que a dívida ronda os 20 milhões de euros. João Nabais, também antigo presidente da câmara, considera, por seu turno, que a mudança de gestão municipal nas duas mais recentes eleições “é o resultado da democracia a funcionar” e que, no caso do mandato de João Grilo, “houve um fracasso do projeto”. “A população, sentindo-se desiludida, não lhe deu continuidade”, afirma o atual vereador da oposição, insistindo que “a alternância democrática, de forma alguma prejudica o desenvolvimento e o bem-estar de uma população”. Nabais assinala, no entanto, que o resultado das autárquicas de 2009 “não teve a ver com alternância democrática”, mas sim “com o surgimento de um projeto unicamente pessoal”, referindo-se ao movimento independente criado por João Grilo. Esse projeto teve como “único objetivo a vingança pessoal” e de o “abater politicamente”, refere o autarca, considerando que este “foi o aspeto mais negativo que aconteceu nos últimos anos no concelho de Alandroal”. No atual mandato, Mariana Chilra dispõe de maioria absoluta e lidera um executivo composto por três eleitos pela CDU, um do movimento Defesa da Integridade Territorial e Desenvolvimento de Alandroal (DITA), de João Nabais, e outro do PS.

AMANHÃ A VOLTA AO ALENTEJO VISITA O ALANDROAL


HOJE É DIA DE LER "O MONTEMORENSE"


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINATURA DE JOSÉ POLICARPO

                                 ONDE NOS LEVA ESTE CAMINHO?
Vivemos tempos demasiados confusos e de difícil compreensão. A eleição do atual presidente dos Estados Unidos trouxe ao debate público matérias que há uns anos atrás eram impensáveis de sucederem. Refiro-me concretamente ao que é dito por alguma comunicação social a despeito da competência e da sanidade do Presidente Trump. Não sei se é verdade o que se publica, porque desconheço as razões dessas afirmações.
Com efeito, a ser verdade que o Presidente da maior potência mundial é um impreparado e “pouco normal”, para não usar alguns adjetivos utilizados pela comunicação social, talvez fosse de colocar uma pergunta que para mim é bastante óbvia: como é que chegou ao mais alto cargo de uma nação um individuo que não tem qualidades para o exercer, se o mesmo fora sujeito a um sufrágio universal e direto?
Partindo da premissa de que é verdade o que dizem os detratores do Presidente Trump, talvez possamos concluir que a esmagadora maioria dos seus votantes ou estava mal informada, ou no mínimo, é totalmente irresponsável. Duvidando que estas duas condições sejam reais, só poderemos concluir que a maior parte dos americanos sente-se defraudada com a anterior presidência.
Porém, o presidente Obama tinha uma grande aceitação na media internacional e europeia. Todos se devem lembrar do slogan da campanha do presidente Obama; “YES WE CAN”, nós podemos. Fora criado um sentimento de esperança e de mudança muito grande no mundo ocidental. Só que povo americano na sua maioria não sentiu nas suas vidas a mudança proclamada e por isso votou no candidato republicano.
Ora, há um aspeto que eu tendo a concluir: A opinião publicada rara vezes vai ao encontro das expetativas da maioria e, numa democracia são as maiorias que determinam o modo como realizar o futuro, sem obviamente o desrespeito dos direitos das minorias. Porém, temo que os poderes que interferem na formação da opinião pública, não querem ou ainda não perceberam. E, quando muitos começam a estar insatisfeitos, normalmente, e, aqui a história poderá ajudar-nos, sucedem inevitavelmente conflitos belicistas. Mais ou menos generalizados. É isto o que pretendem? Então continuem a caminhar no mesmo sentido.

José Policarpo

OBRA PRONTA

  Dois anos depois posto da GNR de Alandroal está concluído
Está finalmente concluída a obra do novo quartel da GNR. Recorda-se que esta obra foi iniciada em Janeiro de 2015, tendo decorrido com vários atrasos da empreiteira Constrope, e que o Investimento total deste equipamento é de 518.898,00 €. 
A Câmara aguarda a entrega da obra que será disponibilizada de imediato ao Ministério da Administração Interna para instalação do quartel da GNR.

Fonte: site C-M-A-

SÓ PARA LEMBRAR!

        CONCURSO DE POESIA POPULAR