sexta-feira, 20 de abril de 2018

ISTO É QUE VAI POR AQUI UMA AÇORDA !

                 AFINAL O HOMEM ANDAVA A TOUREAR-NOS A TODOS !
Ricardo Salgado vai ser constituído arguido no chamado processo EDP. O homem forte do GES é suspeito de pagar um milhão de euros a Manuel Pinho, através de transferências mensais, metade das quais quando Pinho era ministro da Economia.


SUGESTÕES



Cinema Alandroal - 22 Abril - 17,00H


                                         APLAUDIR
                                            PATEAR


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DE RUI MENDES


                                                           A LEITURA DOS NÚMEROS
Uma das bandeiras do Governo tem sido a redução da dívida pública.
Da forma como a coisa é referida dá a ideia que a divida nominal tem sido reduzida de uma forma significativa, e alude-se para a continuidade da redução nos próximos anos.
Em sede de Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo refere-se que a dívida reduzirá para 122,2% do PIB em 2018, e para 102% em 2022.
Sendo a divida medida de uma forma % em relação ao PIB, sempre que o PIB aumente a divida reduz, ainda que em termos nominais tal possa não acontecer.
Na verdade o que tem acontecido em Portugal, nestes últimos anos, é que a redução da divida é apenas na sua forma percentual, porquanto tal redução decorre do aumento do Produto Interno Bruto do país e faz-se pela relação % entre a seu valor absoluto e PIB. Ou seja, para o Governo não interessará quando representa a dívida em termos absolutos, mas sim quanto ela representa em termos relativos do PIB.
Interessa ao Governo dizer que a divida foi reduzida por que o sentido de tal afirmação é-lhe favorável. Nem passa pela cabeça do primeiro-ministro esclarecer que o valor da divida em termos absolutos é uma coisa, e o rácio da divida em relação ao PIB é outra.
Obviamente que dá a notícia da forma que lhe é favorável.
Já quanto à carga fiscal, que está em limites máximos desde 1995, o mesmo Governo alega que tal é uma consequência do crescimento económico e do aumento do emprego, gerando-se mais receitas fiscais e mais contribuições para a segurança social.
Ou seja, entende o Governo que o aumento da carga fiscal é algo natural em resultado dos efeitos do crescimento económico.
Neste caso, não se mede o problema pela sua avaliação percentual, ou outra, que mostre o real crescimento dos montantes arrecadados pelo Estado nos diferentes impostos, seja pelo IRS, IRC, IMI, ou outro qualquer imposto.
A verdade é que a receita fiscal é hoje “anormalmente” alta e não será apenas pela razão invocada pelo Governo. O crescimento económico poderá explicar uma parte, mas a outra deve-se à elevada carga fiscal que pagamos e que não dá sinais de reduzir.
Só que não interessa ao Governo dizer muito mais, os esclarecimentos ficam-se por uma curtíssima justificação – em consequência do crescimento económico – não importando referir mais nada, como se as taxas de imposto que cada cidadão paga não resultassem de determinação governamental e todo este aumento fiscal fosse apenas em resultado do crescimento económico.
Os números são o que são, mas os portugueses já vão percebendo que não estamos no país das maravilhas, e que o discurso construído não reflecte a realidade. Contudo, o Governo já não apresenta mais do que um optimismo moderado.
 Até para a semana
Rui Mendes



DIVULGAÇÃO - CINEMA MONTEMOR


DESPORTO

                                                                                      FUTEBOL
                                                                                         INATEL
Campeonato Distrital – FASE FINAL
Afeiteira – Orada
Alandroal – Graça do Divor
                                            Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Portel – Viana
Corval – Cabrela
Alcaçovas – Arcoense
Perolivas – União
Redondo – Canaviais
Lusitano – Reguengos
Monte Trigo – Juventude.
LIGA A.F.E.
Valenças – Arraiolos
Bencatel – Tourega
Outeiro – Calipolense
Aguiar – Estremoz
Giesteira – Cortiço.
                                                                    F.P. F.
CAMPEONATO DE PORTUGAL
Olhanense – Vendas Novas
Moura – Castrense.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

PROCUREM QUE AINDA ENCONTRAM MAIS....

A espécie Occidenchthonius alandroalensis (descoberta numa gruta no Alandroal, no Alentejo) é uma das 5 novas espécies de pseudoescorpiões descobertas em território nacional pela bióloga Ana Sofia Reboleira e cujo estudo já foi publicado no prestigiado "Journal of Arachnology".

CINEMA - TEMÁTICA PRESIDENTES U.S.A.

                                   “Um General na Presidência”
O filme é americano e é inspirado na fase final do segundo mandato presidencial de Dwight David Eisenhower. Eisenhower foi o 34.º Presidente dos Estados Unidos da América e governou de 1953 a 1961, isto é, depois de Harry Truman e antes de John Kennedy. O realizador do filme é Gustavo Menendez. (Este tal Gustavo Menendéz teve uma vida que, só por si, dava um filme, mas disso não me ocuparei hoje, no entanto fica aprazada para breve essa conversa.) Hoje a conversa é sobre o general Eisenhower, herói de guerra e comandante-chefe das tropas aliadas que desembarcaram na Normandia durante a 2.ª Guerra Mundial, e que mais tarde foi eleito presidente dos Estados Unidos, levando como vice-presidente Richard Nixon que, ao que sei, mais tarde se veio a qualificar como uma boa peça. O Partido Democrata estava no poder há vinte anos e alguns dos seus dirigentes estavam presos porque tinham cometido roubos e falcatruas várias: Matthew J. Connally, secretário do presidente cessante, tinha metido no bolso dinheiro que não lhe pertencia; Theron Lamar Caudle, chefe do Departamento de Justiça, estava atrás das grades pelo mesmo motivo; e a imprensa noticiava todos os dias escândalos em negócios sujos de armas, fardamentos e outros equipamentos militares em que o Pentágono estava envolvido. Este era o contexto em que decorreram as eleições presidenciais de Novembro de 1952. E foi com uma diferença de cerca de cinco milhões de votos que o republicano Dwight Eisenhower ganhou ao seu adversário, o democrata Adlai Stevenson. 
 Título Original: “IKE”
Título Português: “Um General na Presidência”
Ano de Produção: 1960
Realização: Gustavo Menendéz
Argumentista: Gustavo Menendéz
Música: John Bundy (apenas marchas militares)
Elenco: George Hageman, Leo Meek, Walter Harling, Peter Mcintire….
O enredo fixa-se no segundo mandato de Eisenhower. Até ali, o amplo e acolhedor sorriso do presidente e a mítica lenda americana dos fabulosos anos cinquenta, tinham dado conta do recado. Mas no Outono de 1957, os soviéticos lançaram o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik. Foi aí que a porca começou a torcer o rabo. Foi aí que os americanos se aperceberam do atraso tecnológico, nas áreas de ponta, em que viviam comparativamente à União Soviética. Nos Estados Unidos todos andavam de nariz no ar, com receio daquele acende e apaga a luz e do bip-bip do satélite, com medo que lhes caísse um estalinho na cabeça. Foi o tempo das universidades se queixarem das reduzidas verbas atribuídas ao ensino -- pudera, diziam os reitores -- o dinheirinho ia todo para o armamento, e era por isso -- continuavam a dizer os reitores -- que os estudantes russos tinham muito mais matemáticas, físicas e químicas, dando assim melhores cientistas que os americanos, pois os estudantes americanos só queriam saber de basebol e de basquetebol. E zás, desataram todos a construir abrigos antiatómicos nos jardins das traseiras das casas e a enchê-los de latas de conservas e garrafões de água, a fim de aguentarem o máximo de tempo possível lá em baixo, quando os soviéticos começassem a descarregar as ameixas. Tudo isto vem no filme. Uma autentica paranoia, segundo o Gustavo Menendéz. Anda por aí uma cassete, sistema betha, aonde tudo o que acabei de dizer se pode comprovar.
E foi assim que o general/presidente Eisenhower teve um fim de mandato pouco fulgurante e o seu famoso e radioso sorriso, que tinha animado a década de cinquenta, começou a murchar. Ainda por cima, nas vésperas de terminar o mandato, o Fidel Castro tomou conta da Ilha de Cuba. Foi outra dor de cabeça, mas desta livrou-se ele bem. Passou-a para o presidente que veio a seguir, que foi, nem mais nem menos, o John Kennedy, como já se disse.
Em todo o filme se nota a má vontade do realizador em relação ao biografado. Tenho  cá para mim que certamente foi um ajuste de contas.   
Rufino Casablanca – Monte do Meio – Novembro de 1997     
  


                       LIDO   E   APUPADO
                      LIDO   E   APLAUDIDO






A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DA AUTORIA DE EDUARDO LUCIANO


                           UMA EXPOSIÇÃO, UM LIVRO, UMA PEÇA DE TEATRO
Ontem o final de dia foi intenso e emotivo. Inaugurámos uma exposição sobre o êxodo da população de Málaga após o bárbaro ataque das forças fascistas, com o apoio dos regimes de Mussolini e Hitler, e a consequente tomada da cidade em 8 de Fevereiro de 1937.
Trata-se de uma exposição documental da Junta da Andaluzia sobre o que ficou conhecido como o êxodo da estrada de Almeria com a fuga de milhares de pessoas de uma das mais ferozes repressões que aconteceram durante a guerra civil de Espanha, onde a população em fuga foi metralhada pelas tropas de Franco e pela aviação alemã.
Durante a apresentação da exposição, a representante da Junta da Andaluzia levou-nos pela mão numa viagem através dos dramas da derrota da república espanhola, descrevendo acontecimentos de há 80 anos, conseguindo nós vislumbrar cenários recentes após as intervenções dos donos do mundo em países como a Síria, a Líbia ou o Iraque.
Não faltou na descrição o relato da forma como os refugiados de Málaga foram ostracizados na sua chegada a Almeria, com os mesmos argumentos que são hoje travados os refugiados das guerras actuais.
À noite fomos à Sociedade Joaquim António de Aguiar e tivemos a ilustração de proximidade destes factos, com a apresentação da peça “as espingardas da senhora Carrar” da autoria de Brecht.
Uma lição sobre como a neutralidade é sempre o caminho da derrota e de como uma besta não abandona a sua natureza apenas porque não lhe oferecemos resistência.
Lê-se na folha de sala distribuída durante a representação “Podia Teresa Carrar, em 1937, não tomar partido? Pode o homem atento ao mundo, nos tempos que correm, não tomar partido?”. A resposta encontramo-la nos ensinamentos da história que a exposição evoca e que não nos podemos dar ao luxo de ignorar.
Entre a exposição e a peça de teatro, ouvimos Manuel Gusmão falar sobre o seu mais recente livro de poesia, que é, também ele, a afirmação de que a neutralidade é uma forma de rendição perante os mais poderosos.
No livro de Manuel Gusmão a poesia não é disfarce ou rodriguinho para fazer cócegas nas emoções mais básicas, é a afirmação de que não é possível estar equilibrado em cima do muro escolhendo à vez o lado mais confortável. É o elogio da terceira coisa, “aquela coisa simples que é difícil de fazer”. “Quando uma multidão deixa de ser / um rebanho de escravos para começar a ser / Uma assembleia de humanos livres”.
Não se esqueçam, nestes tempos de agressões militares e de mentiras repetidas, que é urgente e necessário tomar partido e que os que dizem que não vale a pena porque são todos iguais, já tomaram partido por aqueles que os exploram e os condenam à servidão.
O livro está à venda, a exposição pode ser vista no Palácio D. Manuel. Incomodem-se. É do primeiro incómodo que surge a consciência de que é preciso lutar.
Até para a semana



IMPRENSA REGIONAL DE HOJE


quarta-feira, 18 de abril de 2018

VIDA AUTÁRQUICA

                             Deliberações última reunião Vereadores C.M.A.

COLABORAÇÃO TIAGO SALGUEIRO


Florbela Espanca - Um nome esquecido em Vila Viçosa
Nasceu em Évora em 1975. Licenciado em Antropologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Museologia pela Universidade de Évora. Foi Bolseiro no Bourguiba Institute of Modern Languages na Universidade de Tunis e na Facultad de Filosofia y Letras da Universidad de Cádiz. Diplomado em Gestión del Patrimonio pelo ILAM – Instituto Latinoamericano de Museus.
Florbela Espanca foi diferente. Nascida em Vila Viçosa no dia 8 de Dezembro de 1894, desde cedo a sua vida foi marcada por diversas vicissitudes, que influenciaram profundamente a sua obra literária.~
Irreverente, ousada e sonhadora, abriu horizontes que contribuíram para uma mudança de mentalidades, relativamente ao papel da mulher na sociedade portuguesa. O seu legado representa um novo ciclo a nível literário, a partir de uma perspetiva feminina. Largamente valorizada no mundo lusófono, do ponto de vista académico, foi precursora de uma moderna poesia, que a tornou lendária.
Tendo em conta o seu valor poético e a forma como soube defender os seus ideais, Florbela é um nome incontornável da cultura em Portugal. Lutou, até ao fim, pela sua poesia.
Infelizmente, na sua terra natal, o seu nome tem sido sistematicamente esquecido nas últimas décadas. Em 2015, em virtude de se poderem perder memórias e objetos relacionados com Florbela Espanca, decidi avançar com uma petição pública dirigida ao município calipolense, de modo a que fossem criadas condições para a instalação de uma Casa-Museu.
O objetivo desta iniciativa teve sobretudo a ver com a necessidade de salvaguarda de uma identidade local que está em risco e que poderá ser importante, do ponto de vista cultural, social e turístico.
Para além da petição, procedi também ao levantamento de objetos integrados em coleções particulares, diretamente relacionados com Florbela Espanca e com a sua família. Esse trabalho está em desenvolvimento e poderá servir de base a um futuro programa museológico.
Uma associação local, o Grupo “Amigos de Vila Viçosa”, criada em 1935, detém também um espólio considerável, de objetos, livros e fotografias, que foram já estudados pela Universidade de Évora.
Esta coletividade, desde a sua criação, sempre lutou pela dignificação do nome de Florbela e conseguiu, depois de muita insistência, trazer os restos mortais da Poetisa, de Matosinhos para Vila Viçosa, em 1964. No edifício dos Paços do Concelho, encontram-se também alguns quadros pintados por João Maria Espanca e que são reveladores do gosto familiar pelas artes. Um deles representa a sua filha.
Para além disso, existem mais manuscritos e fotografias inéditas de Florbela em coleções privadas, que serão certamente elementos fundamentais do discurso expositivo que está a ser construído, juntamente com o acervo documental da Biblioteca Florbela Espanca, fundada na localidade em 1949 e que se encontra inativa.
Neste âmbito, uma referência importante deve ser feita em relação à Fundação da Casa de Bragança, que adquiriu dois manuscritos inéditos da poetisa, publicados em 2017 e aos Encontros Florbelianos, tertúlias culturais que tiveram um papel importante na evocação da obra da autora.
Com esta iniciativa relativa à criação da Casa-Museu, na sequência das anteriores, pretende-se perpetuar o nome da poetisa e preservar o seu legado, na terra onde nasceu, reunindo a estudando uma herança que corre o risco de se perder, definitivamente.
Uma ideia que surgiu de forma quase imediata foi a proposta para a negociação da casa onde Florbela residiu, na antiga Rua da Corredoura e que está votada ao abandono. Apenas uma singela placa em mármore informa os visitantes sobre o facto de ali ter vivido, durante algum tempo. Inexplicavelmente, em tempos recentes, junto da fachada, foram colocados pontos de recolha de lixo...
Há uns anos, o diálogo com os proprietários para aquisição do imóvel, por parte da autarquia, não terá seguido pelo caminho desejado. Mas com uma nova ronda de negociações, talvez fosse possível “chegar a bom porto”. É necessário diálogo e alguma diplomacia. Seguramente que todos ficariam a ganhar com um eventual acordo.
Como alternativa, foi igualmente criado um “plano B”.
O lugar onde Florbela nasceu já não existe. A Rua do Angerino, próxima do Castelo de Vila Viçosa, foi arrasada aquando das intervenções do Estado Novo, em 1939-40, para que fosse criada a Avenida Duques de Bragança, que faz a ligação ao Paço Ducal. Um memorial, criado pelo município em 2013, em forma de pórtico em mármore, faz alusão à data do nascimento, naquele local.
Na Rua Gomes Jardim (antiga Rua de Três), está uma outra casa que pertenceu à Família Espanca e onde João Maria Espanca residiu, até à sua morte, ocorrida em 1954. Muitos calipolenses ainda se recordam de ver aqui o patriarca sentado, na porta da rua. Foi nesta casa da família que Florbela casou, em 1913, com Alberto Moutinho. Seria uma outra alternativa à primeira opção, tendo em conta que o imóvel também não está ocupado na atualidade. Ideias não faltam!
Gostaria que as instituições locais e a comunidade se unissem em torno desta causa. Seria benéfico que Vila Viçosa desenvolvesse um projeto associado ao nome de Florbela. Existem espaços, coleções e uma memória que permanece viva. São muitos os que visitam Vila Viçosa e perguntam pela Poetisa. Está na hora dessa homenagem.

SAIBA MAIS SOBRE MONTEMOR




DA IMPRENSA DIÁRIA

                                DE APLAUDIR
                                 DE ASSOBIAR

O presidente do PS e líder da bancada socialista, Carlos César, considera que a duplicação de apoios de deslocação aos deputados das ilhas é “legal” e “eticamente irrepreensível”, não ponderando apresentar a demissão.



A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DA RESPONSABILIDADE DE JOSÉ POLICARPO

                                                            TUDO DO AVESSO
A notícia de que ala pediátrica do Hospital de S. João do Porto não é digna para receber doentes, quanto mais para acolher as crianças que padecem de doença oncológica, alarmou o país e ainda mais os moralistas. A notícia de que os deputados eleitos pelas regiões autónomas abusam das prerrogativas que têm, igualmente causou o mesmo efeito e, aqui, sobretudo nos falsos moralistas. Impõe-se a pergunta: o que é que os moralistas da pátria fizeram para evitar estas duas situações? Muito pouco ou nada.
Há, todavia, a meu ver um problema que o país das falsas moralidades faz de conta que não vê. Qual seja: as instituições públicas estão na iminência de ruírem se nada for feito. E explico na minha opinião o porquê desta afirmação. Quando se sabe que o problema, o do caso da ala pediátrica, está identificado há mais de dez e que nada fora feito pelo menos a fazer fé no que diz a comunicação social, tudo falhou. Administração central, a regional e os vários conselhos de administração do Hospital em causa.
Para que o ramalhete ficasse concluído, o da ineficácia do Estado, as explicações do ministro da saúde para explicar o inexplicável vieram compô-lo em absoluto. Disse este senhor, pelo menos foi essa a sua intenção, que não era responsável, porque os governos anteriores não tinham resolvido o problema da ala pediátrica. Esta desculpa é inqualificável, seja dada pelo mais insignificante quadro do ministério, quanto mais dada pelo responsável máximo do setor. Haja decoro Senhor ministro que os seus administrados não são todos tontos.
Relativamente à questão dos alegados abusos dos deputados eleitos pelas regiões autónomas, com a exceção da deputada do PSD Madeira, para além de outras consequências politicas e legais a tirar, os deputados, porque são os representantes dos cidadãos que constituem este país, devem clarificar a questão o mais rapidamente possível no sentido de que o regime legal que concede as ditas regalias, não possa, nem deva suscitar dúvidas a ninguém.
Por fim, a liberdade de imprensa é um princípio estruturante dos regimes democráticos. Mas um país não deve ser gerido pela comunicação social, sob pena de que só é prioritário aquilo que faz noticia. Há muitos exemplos e maus de que o acessório passou a ser prioritário e este constitui-se acessório. Viver num país assim não será nada fácil para a maioria da população e muito menos para os mais desprotegidos. É nosso dever estarmos atentos.



terça-feira, 17 de abril de 2018

POETAS DA MINHA TERRA - Jerónimo Major


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINATURA DE Cláudia Sousa Vieira

                                                         CRÓNICA VINTAGE AO90
Corria o ano de 1990 quando cheguei a Évora e comecei a leccionar também Língua Portuguesa a futuros Professores Primários, como então ainda se dizia. Recordo de, com os alunos, discutirmos as primeiras notícias sobre essa possibilidade de haver um acordo para uniformizar a ortografia entre os PALOP. As discussões, confesso que um pouco dirigidas, acabavam sempre com o argumento de que as diferenças entre os usos do Português iam muito para além da ortografia, pelo que o acordo não serviria, provavelmente, nem alguns interesses económicos. Passados 28 anos, cada vez me convenço mais que o assunto, um problema (e por isso com resolução) de alguns nos quais me incluo, é substancialmente da responsabilidade da comunidade académica. O elefante está no meio da sala da Academia e vou, por causa do seu tamanho, tratá-lo hoje (não me lembro se já terei feito alguma crónica sobre o tema, nestes oito anos que levo delas) cortado em duas fatias que poderão sempre ser discutidas depois, dissecadas em meios, ou quartos, ou pedaços ainda mais pequenos por quem o quiser fazer, e o souber, melhor do que eu. Julgo até que daria um estudo muito interessante percorrer as várias posições públicas de académicos e políticos ao longo destes anos. Cumpre-me apenas dizer que não gosto nem sei usar o AO90. Tentei e não consigo fazê-lo naturalmente, o que me leva sempre o dobro do tempo cada vez que tenho de escrever um documento oficial.
Primeira fatia: Tenho para mim que este é um assunto que ficou durante anos nas mãos de quem quis, no meio dos estudos linguísticos, ganhar a eternidade. Os que queriam ser eternos porque fizeram um Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, os que queriam ser eternos por terem combatido esse movimento revolucionário. Para quem não é de áreas nem tangenciais ao assunto e fica sentado à espera que os académicos e cientistas da Linguagem cheguem à melhor solução para o que podia ser um problema (seria mesmo?) a resposta chegou, como imposição, ao fim de duas décadas de possibilidades de alteração de legislação que veio, naturalmente, uniformizar uma prática. Terá havido muita gente descontente ao longo destas duas décadas em que o AO90 “marinou” antes de ir para o forno “assar” um dos maiores elementos de um sistema cultural e que é a Língua usada por mais do que uma Nação. A pergunta que se me impõe é saber onde estariam os que, agora, se unem em petições e lutas constantes, depois de o “assado” estar pronto e apresentado como prato único aos que, como eu, têm dificuldade em engoli-lo. Esperaram pela legislação (quase) definitiva para tentar fazer de cada inculto nesta nova forma de escrever em Português um fora da lei? Lamento, mas não me parece uma prática ela própria moralmente legítima. Legítimo, intelectualmente, teria sido enfrentar em tudo quanto era fórum e júri de provas académicas os que, mais graduados, defendiam o AO90 sem medo do “chumbo” ou da não promoção na carreira. Isso sim era de resistente e lutador. Mas a imagem deixada à sociedade em geral é a de que se foi deixando passar o assunto, como se este tivesse sido feito pela calada.
E passamos à segunda fatia. As mais recentes intervenções do PCP, que votou contra a lei no início e nunca mais mexeu uma palha sobre o assunto de forma eficiente e talvez até eficaz, são oportunistas. Não sendo nenhuma novidade para mim, vem mais uma vez pôr a nu o simulacro da importância que sobre a Língua Portuguesa e as Políticas culturais dizem ter e defender. O habitual monopólio da Cultura de que se acham únicos detentores, legitimada por certos have been da praça público-política, actuais comentadores de bancada. Parece que o que disto resultou terá sido devolver-se o problema à Academia que, já agora, talvez devesse de facto ter a coragem para o discutir em termos de Política e não com interesses corporativos e pessoais. Não sei quanto tempo durará a discussão, mas prevejo-a longa e que o resultado chegue quando eu já cá não estiver e fique na “minha história” como a que confiou no mundo das Ciências da Linguagem e morreu a desconfiar dessa confiança. Oxalá me engane, quer na solução quer, já agora, no tempo de vida que me resta.
Até para a semana.



                      AO QUE NÓS CHEGAMOS…
                         PUDERA!...


DIVULGAÇÃO -ALANDROAL - MONTEMOR - REDONDO

                            
                              Em Abril Contos Mil. CONTOS DOUTRA HORA
Contos Doutra Hora é um ciclo de programação na cidade de Montemor-o-Novo e nas suas localidades rurais, que antecede a Festa dos Contos. Acontece desde 2009. Entre Fevereiro e Maio inúmeras sessões de contos com narradores profissionais acontecem na Biblioteca Municipal e na Oficina da Criança de Montemor-o-Novo e ainda nas freguesias rurais até chegarmos, finalmente, à 9ª FESTA DOSCONTOS

Contos Doutra Hora está integrado no Festival da Palavra e é uma iniciativa da ALGURES em parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.