quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

VAMOS APOIAR...


CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                            TU, QUE NUNCA TRABALHASTE…
Era uma vez um homem que tinha opiniões. Toda a sua vida foi dirigente de qualquer coisa e habituou-se a dizer banalidades e boçalidades de cada vez que lhe colocavam um microfone à frente da boca.
Durante os vinte anos que esteve à frente da CIP, foi coleccionando afirmações que se poderiam colocar na boca de um qualquer economista ou sociólogo de mesa de café, todas elas no mesmo sentido.
Para esta figura de herdeiro de posição económica relevante, os trabalhadores sempre foram meros recursos para a construção da riqueza de um certo empreendedorismo de boca cheia de saber como explorar mais e melhor o trabalho alheio.
Agora, à frente de um denominado “Forum para a competitividade”, continua na senda do disparate que a comunicação paga pelos seus pares transforma em ideias para uma suposta reforma que nos transformará no supra sumo da competitividade.
Afirmou, confundindo frontalidade e desassombro com boçalidade, que os portugueses não queriam trabalhar, atribuindo a essa suposta característica identitária dos seus compatriotas o deficit de disponibilidade de mão-de-obra para alguns sectores da economia.
A verdade é que, de facto, em todas as actividades económicas encontramos portugueses a trabalhar e outros portugueses que sem nunca terem trabalhado beneficiam do produto do trabalho alheio.
Quando vamos a um supermercado de uma qualquer cadeia de distribuição, são portugueses que fazem a reposição dos produtos, atendem-nos no talho ou na charcutaria e fazem as contas na caixa. Nunca encontraremos nenhum accionista desses grupos económicos a alinhar os pacotes de esparguete na prateleira.
Os automóveis fabricados em Portugal são produzidos maioritariamente por portugueses e não há memória de alguém ter visto um accionista na linha de montagem excepto em visita para registo de comunicação.
Quando ficamos alojados numa unidade hoteleira de um dos grandes grupos do sector, não costumamos ser recebidos pelos donos do grupo mas por trabalhadores mal pagos para servirem na recepção.
Poderíamos percorrer todas as actividades económicas que em todas elas encontraríamos a mesma realidade que desmente a afirmação bolsada pelo homem.
Se os portugueses não quisessem trabalhar teríamos que ficar sujeitos a que toda a produção ficasse nas mãos de gente como o dirigente do “Forum para a competitividade” e como nunca ninguém os viu a trabalhar estávamos tramados.
António Aleixo, que não conheceu Ferraz da Costa, dedicou-lhe uma quadra. Sim é possível dedicar uma quadra a alguém sem se conhecer, quando esse alguém é tão velho como a exploração do trabalho.
Disse o poeta…
Ainda não reparaste
Que és tal qual um cão na palha?
Tu, que nunca trabalhaste,
Censuras quem não trabalha!
Até para a semana
EDUARDO LUCIANO

PREOCUPANTE....





Tomada de Posição Pela Defesa do Serviço Postal e Pelo Controlo Público dos CTT

A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, tal como toda a população, tem assistido nos últimos tempos ao desaparecimento do Serviço Público e Universal de Correios.

A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo não pode ser insensível à realidade que a crueza dos números revela, até ao presente: o aumento de 47% no preço das tarifas, o encerramento de 564 postos e 21 estações de correio por todo o país, a redução de 900 trabalhadores e um serviço postal está mais lento que há 30 anos.
De referir também que ao longo dos anos foram encerrando todos os postos públicos de correio existentes no concelho de Montemor-o-Novo, tendo os serviços sido paulatinamente transferidos para particulares ou para as autarquias locais, à custa do seu orçamento, existindo apenas uma Estação de Correios na sede do concelho, situação que consideramos extremamente lesiva para a população, muita dela envelhecida e com dificuldades de mobilidade.


IMPRENSA REGIONAL - HOJE



VASCULHAR O PASSADO - Por Augusto Mesquita

In Montemorense - Fevereiro 2018

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

VIDA AUTÁRQUICA

          DELIBERAÇÕES DA ÚLTIMA REUNIÃO VEREAÇÃO CÂMARA ALANDROAL

VEJAM LÁ SE GOSTAM? EU GOSTEI MUITO!



Foto : AlSimoesHenriques -  http://olhares.sapo.pt/

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                     CUIDADO COM OS ABRAÇOS DE URSO!
Agora que as lideranças políticas dos partidos que têm assento no parlamento estão estabilizadas, creio eu, que estão reunidas todas as condições para que haja oposições ou oposição à atual solução governativa. Nunca é de mais relevar e salientar que não há democracia sem dialética e, por maioria de razão, sem a parlamentar.
Na minha opinião pessoal, que, por isso, só mim me vincula, não obstante os resultados positivos verificados na nossa economia, emprego e crescimento, os encargos financeiros das dívidas dos portugueses são manifestamente altos, dos mais elevados dos países da zona euro. Significa isto que, se a conjuntura externa modificar-se de um dia para o outro, bastando para o efeito, a subida do preço do dinheiro, os juros, teremos sérios problemas. As famílias, as empresas e o Estado, por razões obvias, serão logo penalizados.
Ora, se a oposição não der o enfoque necessário aos aspetos negativos da nossa vida em sociedade, não só não estará a cumprir um dever patriótico, como, também, defraudará os seus eleitorados. Mais do que acordos de regime, na atual conjuntura politica, económica e social, dever-se-á colocar em cima da “mesa” politica a sustentabilidade financeira do atual Estado. Não me parece, e, não é preciso ser economista, quem gasta 10 e ganha 8, mais cedo ou mais terá um grande problema. E nessa altura, não haverá consumo privado e turismo que nos valha, porque ninguém nos emprestará dinheiro.
Isto dito, a oposição, porque os partidos que apoiam a atual solução governativa não querem reformar nada, a única coisa que os perturba é não chegarem às próximas eleições legislativas com sondagens desfavoráveis, terá, por conseguinte, que falar claro aos portugueses. No diagnóstico que faz e nas propostas que defende para que seja assegurado um futuro digno a todas e a todos os portugueses. De contrário, mais uma vez, iremos perder uma oportunidade para mudar de vida e não deixaremos de ter uma vidinha, pelo menos a maioria dos portugueses. Será que é isso que queremos.
JOSÉ POLICARPO


SI NUESTROS HERMANOS LO DICEN...


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                                   A CARREIRA E O CARREIRO
Andou por aí a notícia de que Passos Coelho deixaria a vida política para regressar não à vida empresarial, por onde terá circulado em tempos, mas para ingressar na vida académica, dando aulas em várias Universidades deste País e, quiçá, até estrangeiras quando aprender a falar inglês. O assunto toca em matérias que conheço e, como tal, sinto-me impelida a partilhar convosco algumas reflexões sobre a notícia, se esta for de facto uma notícia e não mais uma daquelas coisas que se fazem passar por elas.
É sabido que ser-se político de carreira é algo de mal visto por (quase) todos, para além de ser actividade inexistente na tabela CIRS das Finanças (aparece uma categoria de “Profissionais dependentes de nomeação oficial” mas vai-se a ver é coisa para Notários e Revisores Oficiais de Contas). Trata-se de uma carreira altamente precária por princípio, sujeita à expressão pelo voto da vontade popular. Mesmo quando os lugares políticos são de nomeação, são-no por parte dos que foram eleitos e a estes, como aos eleitores, devem também prestação de contas do seu desempenho. Como qualquer precário, findo o período de actividade é natural que se façam à vida. Alguns aproveitam o tempo de estadia na vida política para ir preparando esse futuro incerto, o que assim dito até não parece criticável. Mas também todos sabemos que há diferentes maneiras de o fazer, havendo quem se dedique de facto a uma carreira e a quem se dedique de facto a procurar carreiros para chegar a uma meta, nem sempre final. Eu cá teria preferido que Passos Coelho ficasse funcionário do Partido com quem manteve desde tenra idade uma relação seguramente muito benéfica para ambos, ou não teria chegado a PM.
Depois, a carreira universitária tem etapas, e requisitos para que se atinjam essas etapas, actualmente com uma avaliação regular por triénio e outras avaliações públicas ou concursais para se mudar de categoria. Muitas vezes nessas carreiras estão excelentes investigadores e docentes que articulam os requisitos exigidos pelas instituições de ensino superior da qual a extensão à comunidade é um deles, e que demonstra a necessidade de que os seus membros não se ensimesmem e se alheiem do mundo que os rodeia, para o qual devem contribuir, e que, sendo eles funcionários públicos, lhes paga o ordenado ao final do mês. Muitas vezes o que se ensina nas Universidades requer que se incorporem mais testemunhos e contributos de quem vive mais no mundo de fora do que de dentro da instituição e, por isso, se convidam indivíduos que cumprem essas funções. Não acho, pois, estranho que um ex-PM tenha muito para partilhar com vários alunos de cursos universitários, sobretudo os que lidam com questões de Política. Caberá aos devidamente certificados como responsáveis desses cursos, avaliar da importância de o receber ou não na sua equipa de docentes e investigadores. Isso também dirá mais da Universidade que convidar do que do convidado.
Também é verdade que muitos políticos iniciaram a sua vida profissional na Universidade, cumprindo com as regras que lhes foram permitindo fazer aí uma carreira que depois interromperam ou desviaram para a carreira política, por melhores ou piores atalhos…ou carreiros. Até conheço quem, entre dois períodos de exercício político de eleição, com alguns meses de intervalo para regressar ao que soe chamar-se alma mater (onde deve ter seguramente feito alguns seguidores que é o que faz quem dá aulas e consegue “fazer escola”), que lhe permitirão, com alguma sorte e astúcia (pronto, e mérito validado por eleições democráticas), perfazer 32 anos de serviço na carreira política e, ainda assim, continuar a dizer que é docente de uma Universidade. Isto é tudo muito discutível e, por isso, discuta-se. Até para a semana.
Cláudia Sousa Pereira


APOIAR E VALORIZAR O QUE É NOSSO



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

CINEMA - Por Egas Branco

                                      SUGESTÕES CINÉFILAS – Por Egas Branco
Que pena não ter ultrapassado uns certos clichés da época da Guerra Fria (o filme passa-se em 1964) com uma visão um tanto ou quanto reaccionária (para agradar aos patrões dos estúdios hollywoodenses?), embora não poupe a política norte-americana.
Porque em termos gerais é uma maravilha de Cinema!
Do cineasta mexicano Guillermo del Toro, actualmente a residir e a trabalhar em LA.
A FORMA DA ÁGUA (The Shape of Water)
Quem gosta de Cinema que não perca.

A não perder. Do melhor Spielberg. Obviamente que a crítica de direita não gostou: diz mal dos patrões deles. Sobre o Jornalismo que não se acobarda perante os poderosos, perante os grandes interesses económicos. Infelizmente o jornalismo actual no nosso País está de rastos... Excepcionais interpretações, principalmente de Meryl Streep e Tom Hanks. Qual delas a melhor...
THE POST, de Steven Spielberg.
Egas Branco Fev-2018

A MERECER ATENÇÃO DAS ENTIDADES LOCAIS



VEJA DESENVOLVIMENTO DA NOTÍCIA AQUI

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


Este domingo estive em Serpa numa sessão sobre monoculturas, sobre o que está a acontecer no Baixo Alentejo – mas também por cá.
Ao longo da estrada para Beja, ainda se vêm algumas chapadas brancas e amarelas, com a margaça a anunciar uma primavera precoce. Mas à medida que os quilómetros se fazem, cada vez mais se vão vendo grandes extensões, manchas verdes de olival, terras rasgadas para a instalação de novos olivais ou amendoais superintensivos, mostrando visíveis alterações da morfologia dos solos para a instalação dos sistemas de rega.
Com a água que o Alqueva nos proporcionou, veio a promessa de riqueza para o Alentejo, a promessa de uma agricultura a florescer e postos de trabalho a serem criados.
Mas será que essa promessa se realizou?
Será que estamos hoje mais ricos? Temos um desenvolvimento mais sustentável? Há mais emprego e com mais rendimento para quem trabalha?
Ou, pelo contrário, estamos confrontados com problemas graves para os quais não foram tomadas medidas preventivas.
Hoje, quando vamos por esses campos fora, principalmente no Baixo Alentejo, nas zonas de Serpa ou de Ferreira do Alentejo, já não é a paisagem tradicional e que é a marca do Alentejo o que vemos.
Hoje vemos milhares e milhares de hectares, em mancha contínua, cultivados com oliveiras de variedades não tradicionais, que mais não são que arbustos, em “investimentos” desenvolvidos por empresas maioritariamente estrangeiras, que garantem o início da produção em pouco tempo e logo uma rentabilidade mais elevada. Ou, mais recentemente, plantações de amendoal, em regime também superintensivo.
Mas todos sabemos que são culturas que rapidamente, em meia dúzia de anos, esgotam a capacidade dos solos. Aconteceu em outras regiões e aqui ao lado em Espanha e naturalmente é o que nos espera por cá.
Também o emprego que criam é uma miragem: de muito curta duração e muitas vezes com recurso a imigrantes.
Por outro lado, este tipo de exploração em monocultura tem impactos enormes, e não apenas ao nível da biodiversidade. Impactos que as politicas públicas dos últimos anos deveriam ter acautelado mas não acautelam.
Desde logo a instalação destes olivais superintensivos causa fortes impactos no solo, na sua morfologia, com a destruição de várias camadas para instalação dos sistemas de rega. A erosão que se segue é brutal.
Tratando-se também de culturas com forte utilização de químicos, e por isso é bom que nos questionemos sobre qual o seu impacto nos aquíferos, sabendo já que é enorme o impacto na água das barragens, o que em períodos de seca como o que atravessamos aumenta os riscos para a saúde pública.
Acrescente-se que estamos a falar de dezenas de milhares de hectares de monoculturas, que se diz fazerem uso eficiente da água, mas que são altamente consumidoras de água. Quando temos também cada vez mais fenómenos extremos de seca, vão sendo cada vez mais as vozes a alertar para o facto de, apesar de termos o Alqueva, a água não ser inesgotável.
O cenário que vemos em Serpa não é, felizmente, ainda um cenário generalizado no Alentejo Central. Mas por isso mesmo importa que as políticas públicas promovam o desenvolvimento sustentável, o emprego, a qualidade ambiental.
Está anunciado o aumento em 50.000 hectares do regadio. Que não sejam mais 50.000 hectares de olival ou amendoal superintensivo, mas que sejam antes aproveitados para diversificar culturas, para criar efectivamente emprego na região.
Nesta matéria os municípios podem desempenhar um papel importante. Têm nos PDM, instrumentos de gestão territorial, boas ferramentas a que podem deitar mão para promover o desenvolvimento sustentável dos seus territórios.
Também a próxima revisão da lei de bases do Ambiente terá que olhar para esta nova realidade, reforçando os mecanismos de controlo.
As políticas nesta matéria têm que garantir sustentabilidade e qualidade ambiental, não apenas por nós mas também pela responsabilidade que temos perante as gerações futuras.
Até para a semana
MARIA HELENA FIGUEIREDO



POETAS DA MINHA TERRA - Jeronimo Major - Manuel d´Sousa

                                        X
                                                        OS VELHOS SOBREIROS
                                                        Estou na horta a pensar
                                                           Que podia aqui viver,
                                                         Quem sabe até cá morrer
                                                         Sem ninguém me chatear.
                                                              Podia ir a sepultar
                                                      Debaixo dos velhos sobreiros,
                                                        Seriam meus companheiros
                                                             Nas horas d'aflição...
                                                          Eu entregava o coração
                                                          Aos amigos verdadeiros!

Manel d' Sousa