segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

LOCAIS QUE NÃO SE ESQUECEM

Quando há pouco tempo aqui nos debruçamos sobre as TABERNAS DO ALANDROAL, deixamos a sugestão de abordar também as Sociedades (Musica e Artística) que em tempos foram locais de encontro e convívio no Alandroal

Vamos então hoje recordar a: 

                                                 A SOCIEDADE ARTISTICA
Foi local que durante a minha “meninice”, nunca vi com “bons olhos”. E porquê? Enquanto os meninos da minha idade, lá podiam entrar, e mais tarde, com mais ou menos verdade, me relatavam os acontecimentos realizados naquele “snobe” local, a mim era-me pura e simplesmente negada a entrada. E porquê? Porque na altura, e quando da sua fundação, os “inteligentes” de então, “decretaram” que os associados só poderiam ser “artistas”, com profissão definida, funcionários públicos, ou então provenientes de “famílias”. Assim, eu filho de trabalhador rural, e de doméstica, não tinha acesso a tal espaço, enquanto outros que eram filhos de gente abastada, eram os “donos e senhores” da S.A.R.A.
Outros tempos, outras mentalidades, que mais tarde deram azo, à degradação da mesma, a tal ponto que acabou por pura e simplesmente por desaparecer.

Só já quando “homenzinho”, e após conclusão do ensino liceal, depois de muitas “cunhas” e empenho dos colegas fui admitido como sócio. 
Quem me havia a mim de dizer, que mais tarde iria desempenhar todos os cargos administrativos daquela colectividade, desde Presidente da Direcção, Conselho Fiscal, Assembleia-geral, e inclusive Contínuo dado que me vi  com a obrigação de abrir e fechar as portas, após a demissão da Direcção e do Contínuo na altura em que  o Presidente da Assembleia-geral...  era eu.

Situava-se a Sociedade Artística na Rua Brito Camacho sensivelmente ao meio da rua cuja fotografia via Google lhe mostramos. 
Funcionava em imóvel alugado pertença do Capitão Reis e constituído por muitas divisões. A entrada, não muito digna era de “pedrinhas de calçada” e ao lado funcionava uma ampla divisão que servia como sala de espectáculos onde alem de esporadicamente se exibir teatro, era o local onde semanalmente se projectava cinema durante os meses de Inverno, dado que no Verão o mesmo se transferia para os chamados Casarões, nos Arquizes, agora um bonito Parque Infantil. Uma escadaria em mármore levava-nos ao primeiro andar, onde à esquerda se situava uma pequena divisão pomposamente chamada de gabinete da direcção. Perdura na minha memória um quadro devidamente emoldurado com as fotografias dos fundadores da S.A.R.A. (onde terá ido parar?).
À direita um corredor levava-nos ao Bar, com extenso balcão por detrás do qual existia uma chaminé, com lume sempre acesso que alem de servir para a assadura das iguarias a consumir, fornecia as brasas para as braseiras destinadas às mesas de jogo ( póquer , lerpa, loba, montinho e raramente sueca ou manilha). Uma porta dava acesso à sala principal, onde se realizavam os bailes, e era por essa mesma porta onde os jovens entravam aos primeiros acordes da orquestra para solicitar a dança à donzela sentada e acompanhada pela mãe ao redor da referida sala. Entrava-se por essa porta e terminada a função saia-se por uma outra colocada ao cimo das escadas.
Mais tarde essa sala enchia-se diariamente para ao preço de 10 tostões se assistir aos programas transmitidos até à meia-noite pela televisão. Não foi a S.A.R.A. pioneira nesse negócio, pois a Sociedade da Musica tomou-lhe a dianteira.
Ainda no primeiro andar uma pequena divisão albergava um rádio onde os mais jovens se entretinham.
Ao lado uma sala mais ampla, servia como recanto para petiscar, e muitas vezes para grandes noites de jogo da lerpa.
A seguir a sala devidamente equipada com mesa própria e destinada apenas a jogadores de póquer.
Um lance de escadas levava-nos ao segundo andar onde mais duas salas de alguma dimensão, serviam em alturas de bailes para as famosas ceias ao intervalo, mas mais assiduamente para os fregueses menos abonados tentarem a sua sorte com as cartas.

Mas o certo é que nos anos sessenta e parte dos setenta, a Sociedade Artística foi um ponto de referência, na Vila do Alandroal. Era para aquele espaço que toda a juventude convergia. Enquanto “os mais velhos” “as batiam” na sala vedada a menores, em que o póquer ditava as leis,  nós jovens iamos tomando o primeiro contacto, com a realidade da vida. E enquanto o rádio nos debitava Beatles, Bee Gees, Carlos do Carmo, Simone, Madalena, Elis Regina, Aznavour, Becaud, ou o Artur Agostinho, nos relatava os golos do Eusébio, a postura do Coluna, os frangos do Costa Pereira, tecíamos as nossas conjecturas sobre o assassinato do Kennedy, a morte do Luther King, a violência da guerra nas colónias, e o que seria de nós quando chegasse a altura de “ir para a tropa”... O que eu não aprendi naquela mesa oval!
Mas...havia os bailes, no Ano Novo, na Páscoa, no Carnaval, o da Pinha e o do Natal. Salão sempre cheio, ao intervalo era servido o chá e as bolachas às Senhoras e os Cavalheiros era de bom-tom terem lugar reservado para a ceia. 
Também os torneios de bilhar, os jogos de damas...e então quando “os abonados”  resolviam jogar ao “tacho”, era grande a noite de “suspense”, com a assistência a vibrar quando algum jogador à beira de “rapar” tocava com a bola no pires já a abarrotar de moedas.
O 25 de Abril e as apregoadas “amplas liberdades”, que muitos confundiram com libertinagem, vinganças pessoais, impreparação democrática (mal que ainda hoje perdura), trouxeram a morte à Sociedade Artística. Está certo que o mal já vinha detrás, quando, por motivos óbvios se aboliu o conceito de descriminação em que os estatutos se baseavam, mas nessa altura ainda se mantinham o respeito, a boa apresentação e educação, coisa que se deixou de verificar, quando pela força, certas “forças”, tentaram pura e simplesmente “usurpar” o lugar.
E por aqui me fico...pois se desapareceu...não há nada a fazer.
Saudações Marroquinas
Chico Manel

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM


                                                    A Cultura de questionar

Sempre fui educado no sentido de perceber a importância de questionar o mundo. Sempre me ensinaram que apenas encontramos respostas quando somos capazes de fazer perguntas, especialmente as difíceis e as que mais doem. Será esta a minha cultura de base? A verdade é que nunca tive medo de questionar quem quer que fosse, começando por mim mesmo. É uma atitude que não agrada a muitos. O questionamento constante é, de facto, um aborrecimento e é encarado como uma grande afronta para alguns, especialmente os que se acham donos da razão, os que querem que o mundo seja feito à sua imagem e que quem os rodeie seja tão só um rebanho amorfo e cinzento.
Nunca gostei do cinzento. Gosto do mundo a cores. Gosto do mundo de todas as cores e, como tal, gosto de quem pensa e de quem questiona. Atrever-me-ia a dizer que tenho um carinho especial por quem pensa diferente de mim. Não serão estas pessoas as que mais me fazem questionar, e como tal me fazem crescer?
Quando vejo alguém que pensa levantar uma questão e vejo como resposta de alguém com responsabilidade política a ofensa gratuita ao ponto de colocar em causa a honestidade intelectual de quem questiona, fico com os poucos cabelos que tenho em pé (será por isso que a calvície me está a chegar tão cedo?).
Mas como já percebi que para certas pessoas o questionamento dói. Cá estou eu, humildemente, a juntar questões ao pouco esclarecido e nubloso. A matéria em questão era a Cultura em Évora, pelo que aqui ficam as minhas questões:
o    Os donos da razão acharão que se pode conceber um acesso democrático à Cultura sem uma cultura democrática por parte do programador político?
o    É ou não importante que todos os agentes culturais do Concelho beneficiem das mesmas oportunidades e que o acesso aos espaços públicos seja para usufruto de todos?
o    É ou não importante avaliar objectivamente se o Teatro Municipal ganha ou perde com a existência de uma companhia residente? E nesta avaliação que variáveis são importantes avaliar? Número de espectáculos? Público que acede aos espectáculos? Diversidade e natureza dos espectáculos? Acesso equitativo dos agentes culturais ao Teatro Municipal?
o    Deve o Município apoiar os agentes e associações culturais? E se sim, deve ou não definir, com clareza, os critérios de atribuição de apoios, em condições de transparência e equidade?
o    Deve ou não haver uma estratégia cultural para o Concelho? E esta estratégia deve ou não envolver todos os agentes culturais, independentemente de quaisquer outras considerações de valor?
o    Deve ou não o município privilegiar o apoio aos agentes culturais sedeados no Concelho em detrimento de outros provenientes de outras zonas do país?
o    Deve ou não a Cultura ser um pilar do desenvolvimento económico, social e educativo do Concelho? E se sim, é possível haver este desenvolvimento sem a criação de espaços ecléticos e democráticos?
Várias questões, uma certeza: por mais que o pensamento seja monocromático o espaço público tem de ser de todas as cores.
Até para a semana!

Bruno Martins

 comentários Não Autorizados

domingo, 22 de janeiro de 2017

DESPORTO - RESULTADOS

                                                                       FUTEBOL
                                                INATel - Campeonato Distrital
Orada – Sto Amaro
Alandroal United 0 – Bairrense 0
Foros Fonte Seca 5 – Montoito 2
S. Domingos 2 – Barbus 2 
Bencatelense 4 - Pardais 0
                                             CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Fabril 1 – Moura 2
Lusitano V.R.S.A. 0 – Louletano 1
Almancilense 1 – Farense 6
Aljustrelense 1 – Pinhalnovense 0
Armacenense 1 - Viana 1
                                                       FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO

Albufeira 4 – União de Montemor 4

DIREITO DE OPINIÃO

Na sequência do que muitas vezes aqui temos alertado Al Tejo está aberto a todas as correntes de opinião, desde que os autores assinem as mesmas e se responsabilizem pelas afirmações proferidas.
É o caso que se segue enviado de mail para mail que se disponibiliza se solicitado pelo visado.
Al Tejo é  um espaço colocado  ao serviço de todos, onde certas e determinadas afirmações e sugestões sugeridas em artigos de opinião não vinculam o responsável pelo conteúdo das mesmas, tão pouco se revendo em certas e determinadas afirmações e termos utilizados.
Administrador


« Sr. Francisco aqui vai um desabafo que gostaria que fosse publicado na integra, como sabe eu identifico-me e vou enviar de seguida este meu comentário para o seu bloog pessoal, assumo na integra o que escrevo e como escrevo, aliás não digo mentira nenhuma, e como se diz por todo o MUNDO, quem fala verdade não merece castigo.
Um bom sábado para o meu amigo.

Sem nada ter a ver com o assunto e sem querer ser advogada de ninguém, acho que comparações entre o Sr. Berbem e o Sr. Grilo podem sempre ser feitas, um é mais pequenino, outro é maior, um é mais magro, outro é mais gordo e por aí fora. O que na verdade acontece é que um não tem fama de mentir, já outro andou a dar entrevistas nas rádios a fazer afirmações que depois neste mesmo bloog, com provas físicas, se provou que afinal o dito não falou verdade.
Para muitos isso pode não ter importância nenhuma, afinal vivemos num mundo onde é normal a mentira e a dita muito bem aceite, como se fosse natural,como já tenho alguma idade faz de facto toda a diferença comparar um homem integro de um que mente.

Carlos Tavares »

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

SERÁ QUE VAMOS SER ESCLARECIDOS?

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,
Em 2016 foi apresentado o Revive, programa lançado pelo Governo para recuperar e valorizar património histórico através do turismo. O Estado tem como objetivo integrar no Programa Revive um conjunto de edifícios, entre mosteiros, fortes, antigos quartéis ou conventos que, sem utilização, que têm sido condenados ao abandono e alguns estão em estado de ruína. A recuperação dos edifícios será feira por privados, através de concessões, estimando-se um valor de cinco milhões por edifício, com um valor final de cerca de 150 milhões de euros. Depois de feitos os concursos, os espaços abrirão portas como hotéis, restaurantes ou até museus.
Numa primeira fase de apresentação do Programa REVIVE, constava na listagem de imóveis do Estado a concessionar a privados a Fortaleza de Juromenha (Alandroal).
Identificado como projeto 14 – Fortaleza de Juromenha (Alandroal), descrevia o seguinte:
“Segundo os especialistas, “É um caso de estudo, um modelo de evolução da fortificação dentro da Península Ibérica. Nas ruínas é possível ler, numa conjugação rara, a série continua dos períodos históricos – medieval e moderno, islâmico e cristão, de taipa, de pedra, vertical e horizontal – numa sintonia de numerosas e fortes torres, em contraste com poucos, mas robustos e extensos baluartes...”.
Dada a sua situação em plana raia fronteiriça passou de mãos várias vezes. só sendo recuperada definitivamente em 1808. A partir de então foi entrando em progressiva decadência, e em 1920 ficou despovoada. No ano de 1950 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais iniciou obras de recuperação do espaço, numa campanha que se prolongou até 1996. “
Verifica-se que no documento final divulgado pelo Turismo de Portugal, onde consta a lista dos monumentos que vão ser abrangidos pelo Revive, já não consta Fortaleza de Juromenha (Alandroal).
É com estranheza que verificamos esta situação. Não parece que exista uma justificação plausível para ter sido retirado este importante monumento do concelho do Alandroal.
Assim, ao abrigo, das normas constitucionais e regimentais, solicita-se a V. Exa., que se digne a obter junto dos Sr. Ministro da Cultura, resposta às seguintes questões
1 – Quais as razões que levaram a retirar a Fortaleza de Juromenha (Alandroal) da lista final dos monumentos que vão ser abrangidos pelo Revive?
2 – Está previsto ser reintegrado?
3 – Se sim, para quando?
4 – Caso o investimento não venha a ser realizado por privados ao abrigo do programa Revive, como pretende o Governo fazer face ao financiamento para a recuperação deste monumento?
Palácio de São Bento, 20 de janeiro de 2017
Deputado(a)s
António Costa da Silva
Luís leite Ramos
Pedro Pimpão
Joel Sá
Paulo Rios Oliveira
Fátima Ramos
José Silvano
António Ventura
Álvaro Batista
Berta Cabral

SUGESTÕES

Alandroal - 22 Jan. 17,00H
               





A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE PELA DIANA/FM

          O INICIO DE UM NOVO CICLO MUNDIAL
Trump toma hoje posse como o novo presidente da EUA.
Inicia-se hoje um novo ciclo.
Uma nova fase das relações dos Estados Unidos com o mundo. Um novo período de imprevisibilidade financeira.
O mundo está, de alguma forma, em estado de espera para ver no que vai resultar esta presidência.
É o resultado das atitudes do novo presidente e dos novos possíveis alinhamentos. Esses sim são elementos mais perturbadores.
E se a nova presidência dos EUA trás alguma preocupação aos líderes europeus e mundiais, a fase que se inicia do Brexit não deixa de ser menos preocupante.
Não só porque a UE perde território e um dos seus fortes membros, mas também pelo impacto que a saída poderá gerar em outros membros.
O estranho, ou não, é Teresa May declarar que não quer ter acesso ao mercado único, mas admitir pretender uma parceria estratégica que permita ao Reino Unido aceder ao mercado único.
O mesmo país que quis sair da UE pretende manter o acesso ao mercado único.
É que a UE é projecto que integra várias vertentes. É um projecto que corporiza uma vertente económica, mas também outras de natureza distinta, seja a social, a ambiental, a política, ou outras.
É um projecto de compromissos. E é por isso mesmo que importa que os países que integram a UE assumam posições de compromissos. Todos têm de cumprir esse papel, é essa a forma da UE funcionar.
E aqui se inclui o problema da imigração, Diz respeito a todos. Todos terão de contribuir para a sua resolução. E não é pelo facto da Reino Unido sair da UE que deixa de ter de confrontar este problema. Os fluxos migratórios são hoje, mais de que nunca, um problema global, pelo que há que encará-lo e não fechar a porta para fugir dele.
Mas nada haverá a dizer, quer a eleição de Trump, quer o Brexit, resultam duma vontade popular. E por isso assumem uma legitimidade acrescida.
Mas não se pense que estes acontecimentos não vão influenciar as novas vidas. Certamente que irão. Os seus efeitos, num mundo globalizado, chegarão até casa de cada um de nós.
Até para a semana
Rui Mendes



DESPORTO

                                                                             FUTEBOL
                                                   INATel - Campeonato Distrital
Orada – Sto Amaro
Alandroal United – Bairrense
Foros Fonte Seca – Montoito
S. Domingos – Barbus – 22 /01
Bencatelense - Pardais - 22/01
Descansa - Santiago Maior

.                                            CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Fabril – Moura
Lusitano V.R.S.A. – Louletano
Almancilense – Farense
Aljustrelense – Pinhalnovense
Armacenense - Viana

                                                        FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
Albufeira – União de Montemor
                                                    RugbY - NO ALANDROAL - SUB 16 

                                                                                 TT
                                                                           ATLETISMO

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

DUAS HISTÓRIAS EM TONS DIVERSOS - Por A.N.B.

Primeira.
Conta-se no livro de um dos militares e participante directo  nas operações do Dia 25 de Abril que, logo após a tomada do poder, pelo General António Spínola quando este chegou à sala do Posto de Comando da Pontinha disse o seguinte: “Obrigado a todos pelo excelente trabalho, abraçou o Otelo e a seguir afirmou: “Meus senhores, estão todos promovidos”.
Foi, então, que o Tenente-Coronel Fisher Pires deu um passo em frente e pegando respeitosamente no braço do futuro Presidente da Republica lhe terá dito: “Meu General, Portugal, ainda não é uma Republica das Bananas”; vamos antes conversar lá para baixo. Sabe-se hoje que foram discutir o Programa do MFA centrado nos três “famosos D”, o do da Democracia, o da Descolonização e o do Desenvolvimento.
Se imaginarem, por instantes, que as coisas não se tivessem passado assim, naquele momento, meditem no que é que poderia ter acontecido a Portugal? Como, aliás, esteve em riscos de acontecer sabendo nós todos que a politica tem parte da sua acção e das suas fontes baseada na perversidade e no oportunismo e não na real grandeza do espírito humano.
Serve este exemplo, para perguntar se aquilo que está acontecendo no Alandroal, e no seio do Partido Socialista, é uma espécie de corrida para o  abismo? E se o caminho deve ser o de  procurar acordos sérios e abrangentes em vez de previsíveis conflitos estéreis com escorregadias cascas de banana à mão de semear?
Será, por isso, que vamos ter na Câmara a reedição de repetitivos « duelos pessoais» que já provaram, ano após ano, serem inúteis? Sem visão, sem utilidade ou sem nenhum projecto de futuro de desenvolvimento realizável para o Concelho?

Segunda (breve) história.
Deixámos de ser grandes adeptos de futebol, pela simples razão de que as doses que são impingidas são excessivas e vão retirando o verdadeiro prazer de ver um jogo de futebol bem jogado.
Acresce a este factor, o reconhecido “mundo de corrupção” que gira em volta do futebol onde os empresários dos jogadores já têm mais poder financeiro  e « desportivo» do que os próprios clubes. Sejam quais forem.
Claro que isto não invalida que deixemos de reconhecer mérito aos bons actores que ainda andam no futebol. Sou um dos que ainda acreditam que a bola- apesar de tudo- ainda vai sendo redonda e, às vezes, bem tratada..
Sou benfiquista,  mas também não deixo de reconhecer que, Jorge Jesus, é um bom treinador. Trabalhador e defensor dos clubes por onde tem passado. Se bem que a dar um tanto para o casmurro...
Dito isto vamos acabar esta história, dizendo que onde, Jorge Jesus, anda a errar demasiado, em demasiadas circunstâncias, e em demasiados jogos é em culpar os outros dos erros que ele próprio frequentemente também comete.
Neste momento, conseguiu pôr toda a gente contra ele: os associados, a imprensa, aqueles que lhe chamam arrogante e aqueles que dizem que afinal perde mais do que aquilo que promete que ganha. Parece mesmo que já só sobra no apoio o Bruno de Carvalho!
A moral desta história é que, no futebol, como em tudo na vida não há vencedores antecipados de coisa nenhuma. E que a diferença entre os que ganham e os que perdem está na Humildade com que encaramos, entramos e saímos  das situações novas.
Dito por outras palavras: no futebol como na politica (enquanto sede de actividades humanas) sujeitas às derrotas ou às vitórias, valerá ainda a pena fazer perguntas a quem julga que já sabe todas as respostas ?
Os triunfalismos antecipados servem como mera resposta? Ou deviam servir para repensarmos como, afinal, não temos resposta para tudo o que pode e  vai acontecer-nos.
Falámos desta vez mais em futebol. Teremos, contudo, um tempo próprio para voltar a conversar das próximas eleições autárquicas. Sem triunfalismos gratuitos. Sem empates. E sobretudo sem vencedores antecipados!
Saudações Democráticas
   Antonio Neves Berbem
            (19/Janeiro/2017) 

       

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DE EDUARDO LUCIANO


                    LAMÚRIAS SOBRE UMA PROFISSÃO
A propósito de um congresso de jornalistas muito se tem dito e escrito sobre as misérias supostamente actuais da profissão.
Parece uma coisa nova o facto da comunicação social usar os profissionais das notícias para manipular a informação prestada, de forma a condicionar a opinião pública com a opinião publicada, disfarçada de uma factualidade isenta e sem mácula de interferências exteriores.
Se é certo que a concentração de meios, a precariedade e a exploração desenfreada, condiciona o exercício da profissão de jornalista, também é certo que esta não é uma novidade destes tempos de voracidade supostamente informativa.
Atrevo-me a dizer que sempre assim foi desde que os jornais, posteriormente a rádio e a televisão, assumiram o papel de dizer ao povo aquilo que acham que ele merece saber.
Apesar de tudo isto sempre existiram profissionais que, no mínimo, tentaram informar fora dos condicionalismos impostos pelos tempos ou pelas respectivas entidades patronais, afirmando os princípios deontológicos da profissão.
Mesmo em tempos de chumbo, havia quem tentasse fintar a censura e quem não necessitasse de o fazer porque a sua prosa glorificava o regime, por medo ou por convicção.
Sempre assim foi, com jornalistas num dia a dizerem-se independentes e isentos e no dia seguinte a ficarem a soldo de um qualquer poder ou contrapoder. Diria eu que é apenas a condição humana a mostrar-se ao mundo, nesta como noutras profissões.
Afirmar que nunca a profissão esteve tão mal, culpando exclusivamente os profissionais por tal facto, faz tanto sentido como afirmar que os jornalistas são apenas vítimas de um poder que não os deixa exercer com a mínima isenção a profissão que escolheram. Ou seja, não faz sentido nenhum.
A comunicação social existe porque alguém paga para que exista e quem paga exige que os seus interesses sejam defendidos. A independência, nesta como em todas as áreas da vida, é um conto de fadas para incautos adormecerem.
Claro que quanto maior for a concentração de meios, quanto menor for o salário, quanto mais precário for o vínculo laboral, mais se acentua esse dependência e maior é o número dos que representam o papel da voz do dono.
Há 150 anos um jovem bacharel em Direito veio para Évora, a soldo de um poderoso, fundar um jornal que teria assumidamente a função de ser a voz da oposição.
A verdade? A verdade era aquela que servia os interesses de quem pagava a edição do jornal que durou pouco mais de meia dúzia de meses.
A diferença? O homem escrevia muito e muito bem, não atropelava a língua portuguesa, fingia estar em vários sítios ao mesmo tempo e fartou-se depressa da função de fazedor de jornal, a soldo de quem podia pagar.
Aceitaria esse jovem bacharel ir dias inteiros para a entrada de um estabelecimento prisional à espera que acontecesse alguma coisa de extraordinário?
Não sabemos. Mas sabemos que há mais de um século o exercício de comunicar tinha, como hoje, a finalidade de criar uma realidade que se encaixasse no interesse de quem paga.
Escrevem pior? Alguns sim, outros não. De qualquer forma só houve um Eça de Queiroz. Já Acácios e Eusébiozinhos….

Até para a semana
Eduardo Luciano

ESCLARECIMENTO:
Um Senhor comentador Anónimo insurgiu-se  porque não viu publicado um comentário enviado  em 20 de Janeiro sobre esta mesma Crónica.
Chamo mais uma vez a atenção (fi-lo logo no inicio das primeiras transcrições e posteriormente por mais duas vezes) que por comum acordo com  a Estação que me permite transcrevê-las, continuar a poder contar com as mesmas do que pura e simplesmente perdê-las.
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A IMPRENSA DA REGIÃO


AS ESTÓRIAS DO LUÍS DE MATOS

                          
                                As boletas do velho Gasparão

Conta-se que um dia, já ao escurecer, no inicio de uma noite de Inverno, o ti Gaspar, mais conhecido por velho Gasparão, sem qualquer tipo de ofensa, Deus me livre, mas era assim que a garotada e até os mais velhos o tratavam, pois sempre ouvi tratarem o Ti Gaspar daquela maneira, quando se dirigia para casa, apanhou umas boletas na Vila Velha e vá de as meter nas mangas da jaqueta. Encheu as mangas e atou-as com um atilho. Meteu-se a caminho pela estrada da Boa Nova. A estrada estava longe de ser alcatroada. Forçosamente, tinha que passar frente ao cemitério. Não havia outro caminho. Nem uma simples vereda. Quando passava mesmo em frente à porta do cemitério, começou a ouvir um som, do tipo, tac, tac, tac. Desconfiado, olhava para trás mas não via nada. Mais desconfiado ficava. Começou a andar mais depressa, mas quanto mais depressa andava, mais repetidamente o som se ouvia devido ao maior número de boletas que caiam.
Quando chegou a casa, ia com a cara toda rosada e cansado, pois era um homem alto, forte e com uma razoável barriga. Era natural que se cansasse mais facilmente. A mulher, ao vê-lo naquele estado perguntou-lhe:
– O que é que tens homem?
– Parece que viste um fantasma!
O Ti Gaspar, não era capaz de falar, tal foi o medo que apanhou. Quando se acalmou é que reparou que não trazia boletas nenhumas. Foi então que se apercebeu que o receio era proveniente do som das boletas que caiam das mangas da jaqueta, pois tinham ficado mal atadas.
Luís de Matos