sexta-feira, 29 de abril de 2016

DUQUES E CENAS - Por João Luís Nabo

                              Abril, Abril...
Há 42 anos, tinha eu treze anos e fui, ao lado do meu Pai, (eu acho que ele me deu a mão, por questões sabe-se lá de quê!) à enorme manifestação do 1.º de Maio, junto ao Cine-teatro Curvo Semedo. Largas centenas de montemorenses juntavam-se, pela primeira vez em liberdade, para celebrar, não só o Dia do Trabalhador, mas ainda a Revolução que tinha começado na semana anterior. Velhos, novos, crianças, trabalhadores, todos viveram aquela nova experiência de lágrimas nos olhos. Havia bandeiras, música, gritos, abraços, discursos. E havia, ao contrário de hoje em dia, muita gente, unida no mesmo propósito: saborear de forma real, palpável, o que era estar na via pública, livre, feliz, com centenas de amigos à sua volta e sem pides ou bufos à espreita.
Uns dias antes, na manhã do dia 25, a professora Jesuína Raposo tinha-nos dito, assim que entrámos para a sala de aulas, prontos para mais um teste de Matemática: “Vão para casa, para junto dos vossos pais, porque hoje não há aula.” Lembrei-me que, nessa manhã, a minha Mãe tinha o rádio ligado e tinha soprado discretamente um segredo qualquer ao meu Pai, antes de este ter saído para o trabalho. Ao chegar à Avenida Gago Coutinho, acompanhado por alguns colegas da turma, parei. Os militares que tinha partido de Estremoz em auxílio do Capitão Salgueiro Maia, prestes a tomar o Quartel do Carmo, em Lisboa, desciam aquela artéria central da minha vila, metidos em chaimites revolucionárias, entusiasmadas e expectantes.
Em boa hora.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Abril de 2016

AS NOSSAS SUGESTÕES PARA O FIM-DE-SEMANA





DESPORTO PARA O FIM-DE SEMANA

                                                                                FUTEBOL
INATEL
Campeonato Distrital – Fase Final
Alandroal United – Machedense – 30/04 (Jogo decisivo para estar na final - precisamos de uma diferença de 2 golos - todos a apoiar)
Arcoense – Graça do Divor

Distritais Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Escouralense – Lusitano
Perolivense – Portel
Monte Trigo – Borbense
Sporting Viana – Redondense
Lavre – Canaviais
Oriola – União de Montemor.
CAMPEONATO DE PORTUGAL
 SUBIDA
Bf Castelo Branco – Moura
Casa Pia – Cova da Piedade
Praiense – 1º Dezembro
Angrense – União de Leiria.
.MANUTENçÃO
Pinhalnovense – Barreirense
Atl. Reguengos – Juventude
Louletano – Almancilense
Lusitano V.R.S.A. – Castrense.
.Particular

.                                                                                                 RugbY
FASE FINAL  Nacional 1º Divisão (Meia Final)
R.C.M. – Benfica
SUB 18 – Fase Final
R.C.M. - Belenenses
                                                                                 
                                                                               FUTSAL
SUPER TAÇA
Sporting Arcos – G.U.S.
                                                                   DESPORTO PARA TODOS


CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                        Taxa de desemprego – março 2016

Sexta, 29 Abril 201
O Instituto Nacional de Estatística (INE) noticiou esta semana que a taxa de desemprego desceu 0,1% em Março, registando-se uma taxa de desemprego de 12,1%.
Sempre que esta taxa desce é positivo.
A taxa de desemprego teve um forte crescimento entre 2008 e 2013, passando de 7,6% para 16,2%, tendo sido o desemprego um dos efeitos mais negativos da crise económica que atingiu Portugal e que originou o Programa de Ajustamento de 2011/2014.
Não obstante, esta taxa tem vindo a apresentar sucessivas reduções, as quais, em parte, terão justificação na redução da população activa, a qual foi reduzida em cerca de 5% entre 2010 e 2015.
O aumento do emprego e o combate ao desemprego terá que ter resultados expressivos, de forma a eliminar desigualdades sociais e a promover maior inclusão.
Elevadas taxas de desemprego originam sempre uma maior exclusão social e custos sociais elevados.
O desemprego tem sido motivo de aceso debate, tendo sido invocadas n razões para serem contestadas taxas, redução do número de pessoas no desemprego, enfim, apresentando-se razões diferentes para justificar resultados atingidos.
O certo é que, pese embora a elevada taxa existente, ela já apresentou valores bem mais dramáticos.
O combate ao desemprego é uma questão prioritária, e sendo de fundamental importância, terá que ser matéria que deverá estar em permanente escrutínio.
A sensação que temos é que hoje este assunto parece ser menos abordado, e é matéria que mantém a sua inquestionável importância, pelo que deverá ser motivo para estar na primeira linha das nossas preocupações.
Ainda que pouco ambiciosa, a taxa de desemprego prevista em sede de OE/2016, a atingir no final deste ano, será de 11,3%. A criação de emprego será um dos indicadores que melhor evidenciam o crescimento da economia. Uma economia que não cria emprego é uma economia que não progride.
Privilegiar a competitividade, apostando numa economia em crescendo é o caminho mais avisado para a criação de emprego
Até para a semana
Rui Mendes


NO ALENTEJO

O programa regional Alentejo 2020 vai apoiar 24 projetos na área da investigação científica e tecnológica. O investimento total ascende a 13,7 milhões de euros, com um cofinanciamento de 11,4 milhões de euros.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, prometeu fazer uma “auscultação alargada” sobre o traçado junto a Évora da nova linha ferroviária de transporte de mercadorias entre Sines e Caia.




quinta-feira, 28 de abril de 2016

DIVULGAÇÃO


CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS

Tal como a pessoa que deu origem ao nome com que denominamos este espaço: Domingos Maria Peças, que frequentemente nos fazia desesperar uma vezes com a sua chegada tardia, outras não comparecendo mesmo, também desta vez nos vimos forçados a uma prolongada demora na retoma do habitual espaço dedicado à sétima arte.
Hoje, e tendo como temática “Casais do Cinema”, Rufino Casablanca inicia um ciclo que se irá prolongar por algumas semanas.
No mesmo serão abordados pares que se uniram pelo matrimónio, e alguns filmes protagonizados pelos mesmos. É o caso de Roberto Rossellini e Ingrid Bergman que se segue, de Elia Kazan e Bárbara Loden, na próxima semana, não esquecendo os portugueses António Silva / Josefina Silva proximamente.
Editor.

                              Casais do cinema – experiência nº 1

                                Roberto Rossellini/Ingrid Bergman

Ele, realizador de cinema italiano, mestre do neorealismo, cineasta com créditos firmados.
Ela, actriz, sueca, com nome feito na Suécia e em Hollywood.
Encontraram-se em “Stromboli”, filme italiano de 1951. Encontraram-se e apaixonaram-se. Até aqui tudo bem, não fosse o caso de ambos serem casados com outras pessoas e com família constituída.
Apaixonaram-se e passaram a viver juntos. Na época foi um escândalo. Se fosse hoje, 1995, ano em que escrevemos estas linhas, era meia bola e força e estava tudo bem. Mas em 1951 a época era outra, os costumes eram outros e a moral, ou a falta dela, também era outra. Coisas deste mundo estranho em que vivemos.
Mais tarde, acabaram por casar e até tiveram filhos juntos. Um deles é a Isabella Rossellini que ainda por aí anda a fazer cinema. Herdou a beleza da mãe e o talento do pai. Um dia, se para tanto houver ocasião, ainda escreveremos sobre esta filha daquele casal fantástico.
Pois o Roberto e a Ingrid, enquanto o casamento durou, fizeram juntos meia dúzia de filmes. Todos de primeira linha. Hoje falaremos de dois.

                                           “EUROPA 51
País de origem: Itália
Título Original: Europa’ 51
Título Português: Europa 51
Realizador: Roberto Rossellini
Argumento: Sandro De Feo……. e Roberto Rosselini
Música: Renzo Rossellini
Intérpretes: Ingrid Bergman, Ettore Giannini, Giulietta Masina, Alexander Knox…..

É um melodrama à velha maneira italiana. O enredo conta como uma pecadora se transforma, aos olhos do povo, numa santa. Parece complicado, mas graças ao talento de quem dirige e de quem interpreta, tudo flui com naturalidade. Estamos em crer que o Roberto pegou na Maria Madalena bíblica e a transportou para meados do século XX. Sem que, pelo meio, não deixasse de mostrar como a Europa ficou destruída pela 2ª Guerra Mundial, e pela diferença de vida entre as classes altas e o grosso da manada. Achamos ainda que este filme marca o abandono definitivo do neorealismo por parte do realizador. Nos génios, cada um pode achar o que quiser, mas a verdade é que o cinema de Roberto Rossellini, a partir deste filme, nunca mais foi o mesmo. Mudou! P´ra melhor? P`ra pior? Quem souber que se atreva a responder.
No Festival de Cinema de Veneza Roberto Rossellini ganhou um prémio internacional e o filme foi nomeado para o Leão de Ouro de 1952.
(Anoto aqui o nome de Giulietta Masina num papel secundário. Estava no início de carreira. Esta Giulietta que, juntamente com Federico Fellini, iria formar um outro casal de ouro do cinema italiano.

                                                  “VIAGEM A ITÁLIA”
Título Original: Viaggio in Italia
Título Português: Viagem a Itália
Realizador: Roberto Rossellini
Argumento: Vitaliano Brancati e Roberto Rossellini
Música: Renzo Rossellini

Enquanto desfilam perante os nossos olhos belíssimas paisagens, monumentos e catacumbas, também desfilam os problemas de um casamento que está em queda livre. E é aqui que os dois principais intérpretes, Ingrid Bergman e George Sanders, nos dão uma magnífica lição de bem representar. Da realização de Roberto Rossellini apenas se pode dizer que é genial.
Há quem diga que foi neste filme e não no anterior que Roberto abriu a porta à mudança radical que se operou na sua obra. Para já, este é o seu primeiro filme falado em inglês. Outros se seguiram. E embora mais tarde voltasse a filmar com idioma italiano, a verdade mesmo é que o seu cinema nunca mais voltou a ser do mesmo tipo. Mal comparado é assim como o Picasso que começou a pintar de modo clássico no século XIX, e depois de passar pelo cubismo, pelo surrealismo, pelo naturalismo e pelo modernismo, e por tudo aquilo que ele muito bem entendeu, acabou, aos noventa anos, a fazer cerâmica numa roda de oleiro. Rossellini também manobrou muito bem a sua roda de oleiro/máquina de filmar.

Rufino Casablanca
Terena – Monte do Meio – Maio de 1995
    






IMPRENSA REGIONAL DE HOJE


VASCULHAR O PASSADO

Uma vez por mês Augusto Mesquita recorda-nos pessoas, monumentos, tradições usos e costumes de outros tempos

                                                                 Curvo Semedo
         Glória de Montemor-o-Novo e da poesia portuguesa
            nasceu há 250 anos  

                                             A Vila Notável homenageou o poeta
 Montemor-o-Novo, é por muitos dos seus filhos, considerada melhor madrasta que mãe. Admito que em algumas situações, essa acusação tem algum quê de verdade, mas, no caso concreto de Curvo Semedo, já homenageado por uma dúzia de vezes, essa acusação não se pode colocar. Só que, o primeiro passo foi dado por particulares:
            Cinquenta e três anos depois da morte de Curvo Semedo, mais propriamente em 1891, os fundadores do Círculo Montemorense, usualmente designado por Sociedade Pedrista, resolveram homenagear o poeta, colocando no palco, um bonito pano de boca formado por uma enorme tela pintada, onde sobressai ao centro, o retrato de Curvo Semedo.
            Em 1905, a câmara monárquica montemorense, atribuiu o seu nome à rua da Guarda, que segundo os historiadores da época, foi o local de nascimento de Curvo Semedo.
                                                    Curvo Semedo, por Simão da Veiga
 No dia 2 de Setembro de 1934, na comemoração do 25.º aniversário da inauguração do Ramal de Caminho de Ferro, no final da Sessão Solene, o Dr. Alfredo Maria Praça Cunhal, Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, traçou a biografia do poeta e da época literária em que viveu. Convidou depois para descerrar o retrato de Curvo Semedo, o Vereador Dr. Vicente Pires da Silva. O retrato de Curvo Semedo é um esplêndido trabalho a óleo da autoria de Simão da Veiga.
            O município atribuiu ao Teatro do Rossio, inaugurado em 17 de Janeiro de 1960, o nome do poeta. Já antes, os montemorenses chamavam ao Teatro Montemorense, localizado na Rua Nova, e que foi destruído por um incêndio em 22 de Maio de 1922, “Teatro Curvo Semedo”.
                                                   Curvo Semedo, por Stella de Albuquerque
Na década de setenta, por iniciativa do Núcleo de Lisboa do Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo, através de subscrição pública, foi construído um busto do poeta em bronze, para ser colocado em frente do Cine Teatro Curvo Semedo. Segundo consta, a autarquia não concordou com a colocação do busto no local pretendido pelo GAM, e inexplicavelmente, ainda não encontrou um sítio apropriado para o colocar. Decorridas quatro décadas, a recriação da fisionomia do poeta, da autoria da escultora Stella de Albuquerque, continua depositada na valiosa biblioteca do Convento de S. Domingos.
            Na Biblioteca Municipal Almeida Faria, inaugurada em 1983, existe uma sala com o nome do Curvo Semedo. Nesta sala, com de cerca de dois mil livros, impressos entre os séculos XVI e XVIII, está exposto o acima referido retrato do poeta, e a árvore genealógica.
            Nas comemorações do centésimo quinquagésimo aniversário da morte de Curvo Semedo, em 28 de Dezembro de 1988 o município resolveu, e muito bem, homenagear o ilustre montemorense, mandando colocar no prédio sito na Rua do Calvário, n.º 27, uma placa que informa: “Nesta casa, segundo a tradição, nasceu em 15 de Março de 1766 o poeta Belchior Manuel Curvo Semedo Torres de Sequeira, Belmiro Transtagano” – Homenagem do Município nos 150 anos da sua morte – Dezembro de 1988” 
            O local onde foi prestada esta homenagem, apanhou de surpresa os montemorenses mais antigos, no grupo dos quais eu me incluo, que sempre ouviram dizer que Curvo Semedo nasceu na antiga Rua da Guarda, que desde 1905 possui o seu nome.
            Testemunho deste facto, é o artigo assinado pelo historiador Manuel de Montemor, escrito na página 406 do Álbum Alentejano, publicado em 1932.
            Dúvidas à parte, tanto mais que Manuel de Montemor já não pertence ao número dos vivos, e como tal não se pode defender, não sou eu que o vou fazer, tanto mais que, acredito na versão da autarquia, cujo historiador que elaborou esta proposta, o meu velho amigo, Professor Doutor Jorge Fonseca, Doutorado em Estudos Portugueses, está acima de qualquer suspeita.
            Como referi no texto do mês anterior, Curvo Semedo foi baptizado na Igreja do Calvário. O assento do baptismo, consta no Livro n.º 5, página 36, da referida freguesia - Arquivo Paroquial de Montemor-o-Novo, depositado na Biblioteca Pública de Évora. Usualmente, as crianças são baptizadas na freguesia onde nasceram, e a antiga Rua da Guarda, pertence à freguesia de Nossa Senhora do Bispo...
                                                              Curvo Semedo, por Vítor Guita
Também em Dezembro de 1988, foi lançado o N.º 6 da Revista de Cultura Almansor, dedicada exclusivamente à obra de Curvo Semedo, que constituiu uma das iniciativas com que o Município comemorou a passagem dos 150 anos sobre a data da morte do poeta.
            O polivalente Vítor Guita, um empenhado defensor da cultura montemorense, que tem “oferecido desinteressadamente” à Vila Notável, o seu enorme talento, encarregou-se da selecção dos textos que formam esta antologia, assim como da sua introdução histórica e literária. É sem dúvida alguma, o montemorense que melhor conhece a obra de Belchior Curvo Semedo.
            Em homenagem a Curvo Semedo, o grupo montemorense “Porta Aberta” musicou a fábula “O velho o rapaz e o burro”.  Em 1993, através do programa televisivo “A Casa do Tio Carlos”, transmitido pela RTP1, e com a Oficina da Criança e os seus utentes a servirem de cenário, os músicos montemorenses Adriano Serôdio, Jorge Pires, Luís Melgueira, Baltazar Santos e Henrique Lopes, acompanharam a voz castiça do Tó Pê nesta homenagem ao nosso conterrâneo. Esta interpretação está disponível no hi tube.
            No dia 13 de Junho de 2001 Curvo Semedo, Bocage e outros poetas da Nova Arcádia, reuniram-se na Sociedade Pedrista.
            Poesia, música e alguma conversa, onde dominou a critica social e política da época, foram os ingredientes que acabaram por maravilhar o público que encheu o Salão Nobre da Pedrista. A figura do poeta montemorense esteve a cargo de André Silva. Bocage foi interpretado por Hugo Reboredo, um autêntico “sósia” do poeta do Sado.
            A pesquisa e direcção geral do espectáculo estiveram a cargo de Vítor Guita.
            Ainda nesse ano de 2001, Vítor Guita escreveu um texto intitulado “Escritores com sotaque alentejano” – Curvo Semedo e Almeida Faria. O tema foi interpretado pelo Grupo de Teatro da Escola Secundária.
            Este sarau recebeu posteriormente convite para estar presente na Festa das Línguas, que teve lugar no Centro Cultural de Belém. A actuação dos jovens montemorenses, que promoveram na capital a obra de Curvo Semedo, e também de Almeida Faria, mereceu por parte da crítica da especialidade, os maiores elogios.
            Com excepção de S. João de Deus, nenhum montemorense foi tão homenageado como Curvo Semedo.
            Era imperdoável, concluir este texto, sem transcrever a sua mais conhecida obra, a fábula

“O velho, o rapaz e o burro”.

O Mundo ralha de tudo,                                               »De que lhes serve o burrinho?
Tenha ou não tenha razão,                                            »Dormem com ele na cama?»
Quero contar uma história                                             «Rapaz», diz o bom do velho,
Em prova desta asserção.                                              «Se de irmos a pé murmuram,
Partia um velho campónio                                              »Ambos no burro montemos,
Do seu monte ao povoado,                                            »A ver se inda nos censuram.»
Levava um neto que tinha                                              Montam, mas ouvem de um lado:
No seu burrinho montado:                                             «Apeiem-se, almas de breu,
Encontra uns homens que dizem:                                  »Querem matar o burrinho?
«Olha aquela que tal é!                                                  »Aposto que não é seu.»
»Montado o rapaz que é forte,                                       «Vamos ao chão», diz o velho,
»E o velho trôpego a pé.»                                              «Já não sei qu’ei-de fazer!
«Tapemos a boca ao mundo»,                                        »O mundo está de tal sorte,
O velho disse: «Rapaz,                                                  »Que se não pode entender.
»Desce do burro, que ‘eu monto,                                  »É mau se monto no burro,
»E vem caminhando atrás.»                                          »Se o rapaz monta, mau é,
Monta-se, mas dizer ouve:                                            »Se ambos montamos, é mau,
«Que patetice tão rata!                                                  »E é mau se vamos a pé:
»O tamanhão de burrinho,                                            »De tudo me têm ralhado,
»E o pobre pequeno à pata.»                                         »Agora que mais me resta?
«Eu me apeio», diz prudente                                        »Peguemos no burro às costas,
O velho de boa fé,                                                        »Façamos inda mais esta.»
«Vá o burro sem carrego,                                              Pegam no burro; o bom velho
»E vamos ambos a pé.»                                                 Pelas mãos o ergue do chão,
«Tapemos a boca ao mundo»,                                       Pega-lhe o rapaz nas pernas,
O velho disse: «Rapaz,                                                 E assim caminhando vão
«Desce do burro, qu ‘eu monto,                                   «Olhem dois loucos varridos!»,
«E vem caminhando atrás.»                                          Ouvem com grande sussurro,
Monta-se, mas dizer ouve:                                            «Fazendo mundo às avessas,
«Que patetice tão rata!                                                  »Tornados burros do burro!»
»O tamanhão de burrinho,                                            O velho então pára e exclama:
«E o pobre pequeno à pata.»                                         «Do qu’observo me confundo!
«Eu me apeio», diz prudente                                        »Por mais qu’a gente se mate
O velho de boa fé,                                                        »Nunca tapa a boca ao mundo.
«Vá o burro sem carrego,                                              »Rapaz, vamos como dantes,
»E vamos ambos a pé.»                                                 »Sirvam-nos estas lições;
Apeiam-se, e outros lhe dizem:                                     »É mais que tolo quem dá
«Toleirões, calcando lama!                                            »Ao mundo satisfações.»
           
            Montemor-o-Novo pode orgulhar-se de ter sido pátria de duas autênticas glórias nacionais: o poeta Curvo Semedo e essa outra muito mais alta e luzente, o ínclito S. João de Deus, e apropriar a si o verso épico: Ditosa pátria que tais filhos teve!
           
            Nota - Os jornais cá da urbe, não se esqueceram desta efeméride, ao contrário do município, que nem uma única palavra sobre este acontecimento, aplicou na Agenda Cultural de Março. Imperdoável!
Augusto Mesquita
In Folha de Montemor - Abril 2016- Transcrição autorizada pelo Autor


FESTA BRAVA


quarta-feira, 27 de abril de 2016

A CÂMARA MUNICIPAL DO ALANDROAL EMITE ESCLARECIMENTO

Quando se aproxima a data da realização de mais uma Assembleia Municipal, e na qual no ponto 7 se debate o assunto do fornecimento da água à população do Alandroal, e sendo a mesma aberta à participação do publico, entendeu a Autarquia emitir um esclarecimento publicado nos órgãos informáticos da sua responsabilidade e que aqui exibimos na integra.

JOSÉ POLICARPO ASSINA HOJE A CRONICA DE OPINIÃO QUE ESTÁ A SER TRANSMITIDA NA DIANA/FM

                                                     Equação impossível

Quarta, 27 Abril 2016
O presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro discurso que fez à nação nesta qualidade a propósito das comemorações do 25 Abril, descreveu de forma rigorosa e imparcial os factos político-constitucionais que marcaram a nossa vida política em Democracia. Quantos aos apelos que dirigiu aos partidos que constituem a representação parlamentar, tenho muitas dúvidas, que, venham ser atendidos.
Na verdade, a atual solução governativa tem fundada a sua legitimidade política em partidos que não acreditam na União Europeia, no Euro, nas regras orçamentais que decorrem dos tratados, como, também, não acreditam na economia social de mercado. Acreditam, porém, num Estado protecionista, dirigista e empresário. Esta visão do papel dos Estados, em minha opinião, está caduca e é contrária ao desenvolvimento e colocará os países e as respetivas sociedades mais distantes do progresso, do desenvolvimento e do bem-estar.
Ora, os apelos que o atual presidente fez aos partidos para que sejam criadas as condições políticas para que haja consensos em matérias como a Segurança Social e o sistema politico, mormente, a Lei eleitoral. Terão, indubitavelmente, as resistências do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. A sobrevivência destas forças politicas, passa, como de resto tem sido a estratégia adotada, pelo confronto, pelo radicalismo e pelo populismo quase primário. Neste último aspeto, o bloco destaca-se largamente.
Por isso, sou da opinião que será muito pouco provável que se consigam encontrar, no atual quadro político, as condições necessárias que permitam encontrar o espaço para que seja possível haver consensos e os respetivos acordos de regime em matérias como aquelas que acima identifiquei.
Assim, afasto-me total e conscientemente do presidente da república, porque estou convencido de que a atual situação politica só se clarificará com a devolução da decisão ao povo. Não porque defenda que devamos andar sempre em campanha eleitoral, mas porque estou plenamente convencido que de esta solução constitui um impasse e o país não pode nem deverá perder tempo.
De resto, o atual governo depende de uma solução política que não só não foi sufragada, como não tem a capacidade de gerar os consensos políticos em virtude das inultrapassáveis divergências políticas e ideológicas que separam os partidos que a suportam.
Com efeito, posso reconhecer o esforço realizado pelo presidente da república no seu aviso à navegação, mas um automóvel com rodas quadradas muito dificilmente chegará longe.

José Policarpo

PORMENORES - J.L.N.

                                           Se faz favor, onde fica o Centro de Saúde?


Temos em Montemor-o-Novo um novo Centro de Saúde. Pelo que me é dado a perceber, as novas instalações, situadas nas traseiras do Hospital de São de Deus, têm as condições necessárias e suficientes para dar assistência aos que necessitam dos seus cuidados. Nós, que somos de cá, sabemos o caminho até àquele novo equipamento de saúde. E os de fora? Onde é que está a sinalética adequada que lhes indique o caminho certo e mais curto para lá? Já aconteceu alguns veículos ligados às urgências hospitalares irem parar, a meio da madrugada, ao edifício velho (no antigo Hospital de Santo André, no lado oposto da cidade), porque seguiram as indicações que ainda estão em vigor na via pública.
Não, desta vez, não é confusão da fofa, nem é minha a vontade de criticar. Fiquei a saber disto no próprio Centro de Saúde novo, dito por quem sabe. Portanto, meus senhores, como diz uma amiga de há muitos anos, menos riso e um pouco mais de siso. Toca a colocar na via pública os sinais devidos e com as direcções correctas para que não haja situações graves a lamentar. Digo eu, que nunca pensei que isto fosse possível.
Ingénuo. Como uma criança no meio de um campo de flores.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Abril de 2016

DIVULGAÇÃO - NewsLetter C.M.E.


terça-feira, 26 de abril de 2016

BOAS NOTÍCIAS

Em entrevista hoje concedida à Rádio Nova Antena, e Rádio Elvas a Presidente da Câmara do Alandroal dá-nos conta da candidatura do Alandroal ao Plano de Acção para a Regeneração Urbana (PARU).
Abre-se assim uma porta para que vários prédios em visível degradação possam vir a ser recuperados.

A CRÓNICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINTURA DE CLÁUDIA SOUSA PEREIRA

                                        O 25 de Abril de Vergílio Ferreira
Terça, 26 Abril 201
Recordarei hoje o registo que, na sua Conta Corrente, com a memória dos dias que pensava e escrevia, Vergílio Ferreira recebeu a notícia da Revolução dos Cravos.
«Às sete da manhã, um amigo telefona-me: “Ouça a rádio.” Ouço sem entender: rebentou a Revolução. A Revolução? Que Revolução? Por fim lá vou compreendendo. Toda a manhã a rádio nos vai esclarecendo com notícias. Passámos o dia à escuta. Será possível?» E no dia seguinte: «Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.»

E como, um ano depois, num comício do Partido Socialista, onde a Sophia e o Torga também estavam, leu à multidão na praça pública ainda que sem o sistema de som ligado, porque teria sido sabotado:
DIZER NÃO
Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenarmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fraticida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.»
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira

MEMÓRIAS

AGORA, QUE ESTÁ A CHEGAR A ALTURA DELES – RELEMBREMOS A NOSSA SEGUNDA CLASSE DO ENSINO PRIMÁRIO, ONDE SE LIA AFONSO LOPES VIEIRA E SE ENSINAVA A PRESERVAR A NATUREZA

                            OS NINHOS

LUGAR À CULTURA

    Baseado em Textos do Dr. Alexandre Laboreiro.

                               A Cultura e a Cidadania
 «A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos».
 António Lobo Antunes

Constitui uma constatação inquestionável, o princípio de que o homem vale, sobretudo, pela educação que possui, porque só ela é capaz de desenvolver harmonicamente as suas faculdades, de maneira a elevarem-se-lhe ao máximo em proveito dele e dos outros.
A educação exerce-se, como que automaticamente, durante toda a vida, só com a diferença de que, na idade adulta, o homem confia a si mesmo a missão do seu próprio educador, ao passo que, na idade infantil, precisa dum guia, que é conjuntamente a família e o mestre.
Educar uma sociedade é fazê-la progredir, torná-la um conjunto harmónico e conjugado das forças individuais, por seu turno desenvolvidas, em toda a sua plenitude. E só se pode fazer progredir e desenvolver uma sociedade fazendo com que a acção contínua, incessante e persistente da educação, atinja o ser humano sob o tríplice aspecto: físico, intelectual e moral.
Portugal precisa de fazer cidadãos, essa matéria-prima de todas as pátrias, e, por mais alto que se afirme a sua consciência colectiva, Portugal só pode ser forte e altivo no dia em que, por todos  os pontos do seu território, pulule uma colmeia humana, laboriosa e pacífica, no equilíbrio conjugado da força dos seus músculos, da seiva do seu cérebro e dos preceitos da sua moral.
A educação concorrerá ou não para o desenvolvimento humano, consoante fomente o reconhecimento de que o destino de cada homem é solidário com o dos outros homens, ou gere cidadãos para quem a razão de existir esteja na conquista de proveito próprio, indiferente à situação dos outros ou mesmo à custa destes. Consoante promova um sentido de “nacionalidade” estreito e isolacionista ou saiba conciliar a solidariedade no âmbito de uma comunidade nacional com a solidariedade entre os povos, entre os membros da comunidade internacional, e seja capaz de suscitar a mudança de atitudes egocêntricas como esta a que se refere Vittachi: «Quando Henry Labouisse, dirigente da UNICEF, nos previne de que pelo menos 400 milhões de crianças estão ameaçadas de fome e declara um “estado de emergência”, nós desligamos os nossos corações e viramos a página do jornal para os anúncios dos cinemas. Essas crianças são dos outros».
A educação contribuirá para o desenvolvimento na medida em que souber gerar nos cidadãos uma capacidade crítica que os habilite a resistir à demagogia e à manipulação e concorra para dignificar a função que cabe à crítica nas sociedades democráticas.
O sistema de ensino será ou não um instrumento de equidade consoante ofereça possibilidades reais  de acesso generalizado ou conduza a um processo educativo selectivo que consolide ou acentue as desigualdades sociais e regionais. É que, tal como ocorre com o Produto Nacional Bruto, também no sistema educativo existem a pobreza absoluta (“analfabetismo”), a concentração de riqueza (educação “elitista”), supostos automatismos distributivos que não se verificam na prática (gratuitidade e obrigatoriedade de certos graus de ensino, visando a universalidade que se não atinge, porque as crianças contribuem, com o seu trabalho, para as respectivas  (débeis) economias familiares, ou porque a baixa situação sócio-económica das famílias compromete o rendimento escolar, por exemplo). Aliás, de um modo geral, os pobres do P. N. B. e os pobres do sistema educativo são os mesmos. Raul Gomes (in “Educação e Humanismo”) leva-nos a concluir que  -  na formação humanista integral da pessoa  -  há que passar pela educação, «não pela educação de inspiração clássica, baseada na separação entre as actividades manuais e intelectuais, e na distinção social entre classes dirigentes e classes auxiliares, mas por um novo tipo de educação baseado na associação íntima entre a mão e o cérebro, entre a prática e a teoria científica, e mediante a qual todos os homens possam receber a formação necessária à plena realização das suas capacidades e aspirações, dentro, evidentemente, dos limites impostos por uma estrutura económica baseada na justiça social».
Por sua vez, João Morais Barbosa (in “Educação e Liberdade”) regista com certa apreensão: «Quem se não limite a embarcar no tempo que agora corre, antes se demore a sobre ele reflectir, encontrará motivos de preocupação toldando-lhe o horizonte. Porque o homem contemporâneo parece apostado em destruir-se. Não desejo referir o tão estafado caso das armas nucleares, das guerras sempre possíveis. Penso na tristeza de um homem que, no cimo paradoxal do seu orgulho, persiste em rebaixar-se ao nível da besta... Não é só  -  e muito seria já  -  o desregramento na vida, o desprezo das normas morais, é toda uma literatura e todo um pensamento filosófico-científico, que se comprazem em diminuir o humano do homem, em fazê-lo «perder o complexo de superioridade diante dos animais... Surge uma ética “nova” em busca de um homem “novo”, o homem libertado das correias da escravidão moral e do espírito. As metas a atingir já não estão além, mas aquém do homem. O homem tem de destruir o homem: é este o imperativo “científico” dos tempos que hoje nos damos a viver». Porém, quanto a nós, esta degradação moral em que as sociedades actuais foram (e estão) a ser lançadas (mercê de uma defeituosa aculturação, com a cumplicidade economicista de alguns meios de comunicação social, e de um incompleto sistema de ensino e de cultura) poderão ser enfrentadas (e debeladas) por acções de campanha dos Sindicatos e Partidos de horizontes progressistas  -  ao denunciarem os quadros sociais de cariz meramente consumista (conduzindo-os novamente (aos Sindicatos) à sua posição de interlocutor no esquema dialéctico das relações de produção).
Efectivamente, no livrinho “Consciência Cristã e Opinião Pública”, poderá ler-se: «Se para a defesa destes direitos (ao trabalho, ao desenvolvimento da pessoa, ao exercício da profissão, à remuneração equitativa, à assistência), as sociedades democráticas aceitam o princípio do direito sindical, elas nem sempre estão abertas ao exercício de tal direito».
Deve, assim, admitir-se o papel importante dos sindicatos: eles têm por objectivo, a representação das diversas categorias de trabalhadores, a sua legítima colaboração no progresso económico da sociedade e o desenvolvimento do bem comum.
O Papa Francisco (in “A Paz é o Caminho”), acentua: «Como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma ordem, natureza e dignidade». Num relacionamento social, que  -  como o sabemos  -  o Papa Francisco deseja em Liberdade, consciente  -  assim  -  dos seus direitos e deveres (porque em Democracia)  -  num aperfeiçoamento constante na vivência democrática e na defesa dos seus princípios. E se a vivência em Democracia implica um saber de vivência, se a pessoa é perfectível, e só nessa medida educável, a educação terá de ser movida pela esperança posta no outro educando, em atitude de amor que se recusa a classificar o amado em definitivo, antes o vê  passível de aperfeiçoamento. Ou seja: num refazer constante do processo democrático, da construção permanente da Liberdade.
 José Alexandre Laboreiro
 Transcrição do Mensário “Folha de Montemor”, com autorização do Autor- Fevereiro 2016