quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

LOCAIS HISTÓRICOS DE VILA VIÇOSA – Por Tiago Salgueiro)

                                             O ANTIGO CONVENTO DE SÃO PAULO 
                                       Fábrica da SOFAL (Sociedade Fabril Alentejana)


Lugar de memórias distantes, o antigo Convento de São Paulo converteu-se numa unidade fabril na primeira metade do século XX. A SOFAL (Sociedade Fabril Alentejana) foi numa referência social e económica durante largas décadas. Quase uma “cidade industrial” no coração de Vila Viçosa! Hoje, o edifício é uma sombra do passado, mas com um enorme potencial por explorar. O regresso a esses dias de azáfamas e rotinas, por entre os cereais e o azeite, foi possível graças às descrições de Francisco José das Neves, que aqui passou 40 dos seus 93 anos de existência. Essa “antropologia” de vivências e de rotinas de trabalho deu, momentaneamente, nova vida à SOFAL! Os testemunhos foram detalhados e até comoventes… Um património que poderia ser a plataforma de imensos projetos culturais, de modo a promover a identidade local e a permitir o uso do antigo edifício. Os Eremitas de São Paulo da Serra de Ossa instalaram-se no Alto Alentejo a partir da segunda metade do século XIV, e em pouco mais de um século, entre 1366 e finais de Quatrocentos, instalaram na diocese de Évora mais de uma dezena de eremitérios. O ermitério de Vila Viçosa foi fundado em 1416, passando alguns anos mais tarde a convento regular. A partir de 1482, a congregação era já regida por um provincial. Cerca de um século mais tarde, em 1585, recebeu a designação de Nossa Senhora do Amparo, sendo já esta comunidade a fundar um novo convento, cuja igreja seria inaugurada em 1613.Após a extinção das ordens religiosas masculinas, em 1834, o edifício, totalmente espoliado do seu recheio, funcionou primeiro como teatro e depois como quartel, tendo ainda abrigado serviços municipais. Em 1921 foi vendido à SOFAL (Sociedade Fabril Alentejana), que aí instalou uma refinaria de azeite e uma moagem de farinha. Durante o seu período de laboração, a então denominada Fábrica de São Paulo tornou-se um marco importante na vila, dando emprego a muitos habitantes. Está hoje em dia devoluta, e em acentuado estado de degradação[1].


Nos idos anos 70 do século XX, a SOFAL começou a entrar numa lenta decadência. Ainda assim, fornecia a distribuição de energia elétrica às pedreiras e ao concelho de Vila Viçosa, funcionava como moagem de trigo e embalamento de farinhas, que eram distribuídas e comercializadas por todo o Alentejo; lagar e refinaria de azeites e óleos, com o posterior processo de engarrafamento. Tinha também anexas oficinas de serralharia mecânica, carpintaria e mecânica automóvel. Tinha também silos para armazenamento de cereais, que depois eram moídos. Recebia também azeitona proveniente de toda a região Alentejo. Segundo os antigos funcionários, foi das primeiras empresas do país a reformar os funcionários aos 55 anos[2]Recuperar essa memória industrial e conservar as estruturas originais que restam do antigo convento, poderia permitir a criação de um espaço museológico, com diversas valências. O edifício “fala” por si. Com a associação de histórias relacionadas com as atividades fabris, poderia ser criado um discurso expositivo que recuperasse os processos produtivos e o modo de funcionamento dos diferentes sectores. Este poderia ser um projeto inovador em termos locais e uma futura alavanca de desenvolvimento para o futuro, com base na reabilitação dos diferentes espaços. 

[1] Agradeço as informações à Emiliana Espada.  [2] Agradeço as informações prestadas pelo Sr. Hermínio Bilro, que em 1974 começou a trabalhar na SOFAL.


Tiago Salgueiro

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                                                                         
                                                                                                                 JOSÉ POLICARPO
                                                                 UMA SINA, UM FADO!
Será que é uma sina, um fado, deste país, que, em 2043 fará novecentos anos, desde da sua fundação, ter que viver intimamente com a tragédia? Ou são tragédias financeiras, ou são tragédias que resultam em perdas de vidas humanas e materiais, muito significativas. Com efeito, os dois grandes incêndios, de junho e de outubro, do ano que terminou, são exemplos de tragédias absolutamente marcantes, que beliscaram profundamente a auto estima coletiva, dado o número inexplicável de mortes verificadas.
Na verdade, a tragédia do último fim-de-semana ocorrida no concelho de Tondela veio avivar as tragédias do ano passado na memória coletiva dos portugueses. Porém, neste caso, alegadamente, as forças de segurança e proteção civil estiveram à altura das necessidades, evitando desse modo, mais mortes do que aquelas que sucederam, segundo as autoridades politicas que aí se deslocaram.
Outra coisa bem diferente, em minha opinião, foi o silêncio referente às causas das mortes, até ao momento, em número de oito. Embora os populares referissem que terá sido uma salamandra que deu causa ao incêndio e uma porta que liga a coletividade ao exterior, que ninguém a terá conseguido desimpedir pelo facto de abrir para o lado de dentro. O certo é que as pessoas que morreram não conseguiram sair do local.
Ora, talvez haja causas indiretas que determinaram as mortes verificadas e, que nos momentos seguintes ninguém terá referido, tanto os populares, como as autoridades que no próprio dia e no dia seguinte se deslocaram ao local da tragédia. Por isso, há perguntas às quais têm de ser dadas respostas cabais e claras sob pena de situações iguais possam vir a sucederem mais vezes.
Os países para se afirmarem neste mundo cada vez mais competitivo e global, necessitam que as suas populações sejam solidárias e disponíveis para ajudarem as vítimas de catástrofes. É uma verdade que o Senhor de La Palice não diria melhor… Contudo, um país que, a maioria das vezes, seja reativo, que só atue para remediar os problemas que surgem no seu quotidiano, não terá um futuro risonho, nem auspicioso.
Assim, só com educação, informação, prevenção, regulamentação e fiscalização, poderemos olhar enquanto comunidade politicamente organizada, para um futuro mais consentâneo com o dos países mais desenvolvidos, em que as tragédias são pontuais, e, não uma coisa, muito infelizmente, recorrente, como sendo uma fatalidade inelutável.

José Policarpo

POTENCIALIDADES - JUROMENHA

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

POETAS DA MINHA TERRA- Verdades Jeronimo Major


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


Claudia Sousa Pereira
                                                        AS DIVAS

É inconcebível que o exercício comprovado de violência de um ser humano sobre outro não seja punível na sociedade civilizada contemporânea. Tratemos, pois, de começar por definir violência, porque, sim, as palavras importam, designam conceitos e são estes que nos permitem contarmo-nos a nós mesmos e vivermos numa comunidade que depende da comunicação estabelecida entre os indivíduos para se entenderem. Partamos de uma definição básica: “Violência significa usar a agressividade de forma intencional e excessiva para ameaçar ou cometer algum acto que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico.” Prossigamos para um esclarecimento histórico: “A palavra violência deriva do Latim “violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”. Mas, na sua origem, está relacionada com o termo “violação” (violare).” A violência pode começar por não ser intencional, mas a partir do momento em que esse acto aparentemente involuntário provoca vítimas, é porque é violento e, como tal, condenável. As leis prevêem isso. Assim, qualquer denúncia de alguém agredido, isto é vítima de violência, deve ser atendido pelas autoridades que se ocupam da ordem e, numa outra etapa, da justiça. Tem esta crónica de hoje como assunto o choque das Divas sobre o acossamento de que sobretudo mulheres, mas não só, são vítimas em casos de violência de cariz sexual: as que desfilam na passadeira vermelha em L.A. e as que pegam na pluma em Paris para trazer a luz ao resto do mundo. Ou pelo menos, tentar.
O assunto nasce agora para a discussão aberta que a contemporaneidade permite, mas a questão é velha como a espécie humana. E agora é o tempo em que toda a gente diz tudo onde bem lhe apetece, o que entope canais de informação, produzindo “engarrafamentos” que resultam muito mais do mirone ou de quem pasma perante uma ocorrência para apreciar e emitir uns palpites, do que quem quer pôr tudo a circular com a regularidade possível após o sucedido e prevenindo que semelhante caso possa vir a repetir-se. As Divas vieram pronunciar-se sobre o assédio sexual, de que muitas foram vítimas antes mas só agora ousaram falar e, não vejo como ignorá-lo, algumas até terão chegado a Divas por causa da não resistência, no passado que agora denunciam, à violência, má, sempre má, a que tiveram de se sujeitar.
Parece tarde, mas não é inútil. Antes pelo contrário, se discutida por quem sabe – saber feito de experiência própria ou próxima, sem extremos de puritanismo ou promiscuidade – pode mesmo representar a oportunidade para que alguma coisa mude, mesmo quando parece impossível parar a prática do assédio sexual na espécie humana. Talvez fosse é de se procurarem exemplos daquelas, e aqueles, que tendo resistido à violência não conseguiram o sucesso profissional, já que é disso que as Divas de preto em L.A. sobretudo falam. Já as Divas de Paris, parecendo defender o instinto mais básico e bestial do ser humano, usam um discurso para intelectualizar descuidadamente o assunto, infantilizando o agressor para não aumentar a vitimização da vítima, uma óbvia contradição, numa argumentação em que mostram o quão pouco importunadas sexualmente alguma vez aquelas mulheres foram, confundindo sedução com qualquer outro acto para quem não se predispôs à quebra de limites estabelecidos ou nem sequer procurou a intimidade em momento algum. Uma coisa é certa, num e noutro caso, um com respeito pela igualdade, outro com acento na desigualdade que a Natureza parece desculpar, isto é para ser tratado como um assunto que diz respeito a homens e mulheres, sem “caça às bruxas” e, perdoem-me o calão, não como uma “cena de gajas”. 
Até para a semana.

VÃO-SE LÁ ORGANIZANDO!


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

COM INTERESSE PARA OS HABITANTES DO CONCELHO DO ALANDROAL



A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                           O MANDATO DA PGR
Quer queiramos ou não a renovação do mandato da procuradora-geral da República foi colocado na agenda.
Até poderá ser uma preocupação que, de momento, não estará na agenda do Presidente da República, mas não será por isso que o assunto não ficará em observação.
Juridicamente não haverá qualquer dúvida em como o mandato é renovável. A lei, ao não o impedir, permite-o.
Mas hoje o Ministério Público terá o respeito e o reconhecimento pelo trabalhado que vem realizando. É mais interventivo, encontrando-se a decorrer um conjunto de processos sensíveis, importando dar-lhes devida continuidade.
Nunca o Ministério Público teve tanta azáfama, nunca tantos o temerem, precisamente porque exerce o seu papel.
E tudo isto será necessariamente fruto do trabalho desenvolvido pela actual procuradora-geral da República.
A renovação dos mandatos serve precisamente para “premiar” aqueles que conseguem atingir resultados.
A continuidade de funções permitiria uma estabilidade funcional da Procuradoria-Geral da República, fundamental para que seja mantida a actual linha de actuação.
A não haver a continuidade de funções teremos que tirar daí a devida leitura. Que só poderá ser a alteração da linha de actuação do Ministério Público, em especial no que respeita à investigação criminal, ou pretender-se o abrandamento da sua intervenção.
Importa aqui recordar uma máxima: equipa que ganha não se mexe.
Mas a forma como a ministra da Justiça abordou a questão, num tempo inoportuno, dizendo que o mandato termina em Outubro e não é renovável, não deixa de ser um sinal que importará registar e que expressará, pelo menos, uma vontade.
Esta intervenção é uma mensagem clara para a actual procuradora-geral da República, que não deixará de fragilizar.
O mérito da actual procuradora-geral da República é mais que evidente, apresentando o perfil que se ajusta para desempenho do cargo, pelo que não será, de todo, fácil ao executivo explicar esta substituição, pelo que será matéria que irá criar resistências, que serão naturalmente compreendidas.
Só não percebemos a razão por que esta matéria veio a lume em Janeiro de 2018. Terá sido por descuido ou propositadamente. Fica a dúvida.
Até para a semana
Rui Mendes



PORRA...QUE SUSTO!


domingo, 14 de janeiro de 2018

FUTEBOL - RESULTADOS

                                                                                     INATEL
Campeonato Distrital
Foros F.Seca 3 – S. Domingos 0
Alandroal 9 – Montoito 0
Barbus 1 – S. Romão 0
Stº Amaro 0 – Orada 2.
                                                        Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Juventude 2 – Portel 1
Corval 1 – Viana 2
Alcáçovas 6 – Cabrela 0
Perolivas 1 – Arcoense 2
Redondo 2 – União 1
Lusitano  3 – Canaviais 0
Monte Trigo 1 – Reguengos 0.
LIGA A.F.E.
Arraiolos 3 – Valença 0
Tourega 2 – Bencatel 2
Calipolense 2 –  Outeiro 0
Estremoz 2- Aguiar 0
Cortiço  4– Giesteira 0.
                                                                       CAMPEONATO DE PORTUGAL
Farense 1 – Moura 0
Castrense 2 – Moncarapachense 1
Sport Ideal 0 – Vendas Novas 1.

PASSEAR E CANTAR O ALENTEJO