terça-feira, 30 de Setembro de 2014

CRONICA DO DR. MANUEL INÁCIO PESTANA – XXI

No inicio dos anos 90 do passado século, era editado no Alandroal o “JORNAL DA BOA NOVA”
Era o mesmo apresentado como Boletim Paroquial do Concelho do Alandroal, e teve como fundadores o P. Manuel Botelho e o P. António Santos, continuado pelo P. João Canha. Ainda tive na altura o privilégio de ver alguns textos meus serem publicados no referido mensário.
Alem das notícias referentes a todo o Concelho do Alandroal, e à sua vida paroquial, incluía o mesmo, sempre a fechar, uma Crónica da autoria do saudoso Dr. Manuel Inácio Pestana.
O Dr. Manuel Inácio Pestana, figura grande da gente alandroalense e que bem alto levou o nome da terra que o viu nascer e crescer.
Nunca é demais relembrar que legou todo o seu espólio literário à Biblioteca Municipal assim como nunca deverá ser esquecido de exigir de quem de direito a conservação e o dever de o facultar a quem interessado.

Rebuscando alguns exemplares do Jornal da Boa Nova, propomo-nos relembrar algumas das Crónicas inseridas no mesmo da autoria do Dr. Manuel I. Pestana, que nos recordam tempos, locais e hábitos, dum Alandroal remoto, não deixando de equacionar algumas questões pertinentes.

Chico Manuel

ÚLTIMA CRÓNICA:
                                                      «ALANDROAL, MINHA PÁTRIA»

                                                              A Banda mais antiga do Alentejo

Assim designava o saudoso historiador Túlio Espanca (“Inventário Artístico do Distrito de Évora – Zona Sul”, pág 730) a Banda Municipal do Alandroal, inicialmente designada Filarmónica.
Refere  este autor que a briosa filarmónica do Alandroal se ficou a dever á iniciativa de Francisco António Franco (que viveu entre 1796 e 1883), mestre de música e cantor da Real Capela de Vila Viçosa e ao eborense José Maria Morte.
Notáveis músicos foram estes. O primeiro admitido no antigo Real Colégio dos Reis, de Vila Viçosa terra onde nasceu.
Quando tinha apenas 8 anos de idade, depressa revelou o seu génio musical e especial vocação para o canto. Tornou-se, assim, mais tarde um mestre consagrado, ensinando meninos das primeiras letras, chegando a ser professor de música do Padre Joaquim da Rocha Espanca, o notável autor das “Memórias de Vila Viçosa” que igualmente se tornou musico e compositor.
Francisco Franco, que é lembrado na toponímia Calipolense na Travessa do Franco, local onde residiu num prédio que faz esquina do lado norte da Rua das Vaqueiras, actual Rua Câmara Pestana), viveu durante cerca de 9 anos na nossa vila, em exílio por ser miguelista, e foi então que com o músico José Maria Morte, fundou a nossa vetusta banda alandroalense, o que deve ter acontecido nos primeiros tempos do seu exílio, isto é, em 1834 ou 1835, merecendo, pois, pela obra que aqui deixou, a melhor das homenagens dos alandroalenses á sua memória.
Da história da música, nesta boa terra de vocações artísticas, bom seria que quem ainda possa ter memória antiga  da filarmónica ou filarmónicas que houve no Alandroal desse delas as melhores notícias. Aguardemos.
A bem da nossa terra e das nossas tradições.

Manuel Inácio Pestana
Publicado no Jornal Boa Nova  em Abril de 1999

HABITUAL CRONICA DIÁRIA TRANSMITIDA NA RÁDIO DIANA/FM

Com a devida autorização da : http://www.dianafm.com

                                          Outsiders inside

Terça, 30 Setembro 2014 10:28
Há momentos e situações nas nossas vidas em que nos sentimos outsiders. E há aqueles que fazem disso o seu modo de se dizerem que estão no mundo e como vivem em sociedade.
É-se outsider ou porque nos fazem, ou porque procuramos sentir isso mesmo. O outsider pode ser um marginalizado, e aqui com uma carga negativa que a palavra traduz, mas se assim é, é-o sempre da perspetiva dos que estão dentro do grupo a que não o deixam pertencer. O outsider pode também ser um desalinhado, desta feita mais definido pelo lado do próprio, até com uma espécie de orgulho em ser diferente, de querer remar contra a maré, e não achar piada a multidões, mais ou menos viradas para o mesmo lado.
Os dois extremos parecem-me muito desagradáveis, ora porque é claramente discriminatório, ora porque é impeditivo de passarmos o tempo que nos cabe nesta vida ao lado de muitas mais coisas do que as que certas inevitabilidades nos obrigam a passar. Não precisamos de ser marginalizados nem de gritarmos o nosso desalinhamento para querermos estar de fora de certas situações. Por outro lado, reconhecer que se está in ou out de algum grupo é reconhecer-lhe os limites e saber cumpri-los. E é por isso que nas áreas das ciências humanas e sociais é, por exemplo, tão difícil estudar algumas religiões e sociedades ou associações de pessoas, algumas tão fechadas que se dizem secretas. Por outro lado, é inegável que só os membros de certos grupos possuem, nesse território e assunto, acesso privilegiado ao conhecimento, aos recursos e à própria autoridade. E que os que estão outside, isto é, os de fora, pelo mesmo motivo, têm menos ou nenhum acesso.
Neste domingo que passou, em Portugal, muitos tiveram a oportunidade de exercer um direito que não é dado por todas as associações de pessoas em torno de ideologias e princípios, e que são neste caso os partidos. Muitos que não querem, porque não estão interessados em ter esse acesso privilegiado ao que se passa dentro de um partido, tendo por isso sobre ele, em princípio e quando se levam as coisas a sério, conhecimento, recursos e, de certa forma dependendo de circunstâncias várias, autoridade estatutária (já que a moral não depende deste tipo de limites), muitos puderam fazer-se ouvir dentro desse partido, aquele com o qual se identificam politicamente, dando-lhe o voto e até mesmo a cara por ele.
O Partido Socialista fez História no dia 28 de setembro de 2014 no Portugal democrático. E porque é nos princípios deste Partido que me revejo, fiquei contente com o facto. Senti-me uma outsider inside que, tendo uma opinião pessoal, não a quis assumir publicamente, porque quando se votam pessoas e não programas ou propostas, aprendi ao longo da vida, o voto não é de braço no ar. Lamentavelmente, percebemos com esta primeira experiência o quanto o debate resvalou para questões de caráter, avaliáveis em medidas e conhecimento dos envolvidos de forma muito mais difícil, para não dizer impossível. E até porque, independentemente do resultado, o que me interessava era que, finda a contenda interna que fica, espero, já no passado, não se desvirtue no futuro este espírito inovadoramente democrático que caracteriza o Partido pelo qual, aliás, já por duas vezes fui eleita pelos cidadãos eborenses.
Como fiquei contente quando alguém de dentro de um órgão do Partido, que eu não sei, nem precisava de saber, de que lado das duas propostas que me faziam no boletim de voto estava, me pediu para colaborar se necessário no processo desse ato histórico, no próprio dia. Os teóricos da abertura dos Partidos à sociedade, que afinal servem, tiveram a sua primeira aula prática.
Claudia Sousa Pereira


INFORMAÇÃO DA C.M.A.

I “CÃOminhada” em Alandroal

Para assinalar o Dia Mundial do Animal, 4 de outubro, a Câmara Municipal de Alandroal está a organizar, pela primeira vez, uma “CÃOminhada” no concelho com o objetivo de promover o convívio e a socialização entre cães, ao mesmo tempo que sensibiliza os donos para os cuidados a ter com estes animais de quatro patas.
Com um percurso de dificuldade reduzida, 4,5 kms, pede-se aos donos que saiam de casa e venham caminhar com o seu animal de estimação neste dia tão especial. A data coincide com a época da morte do padroeiro dos animais, São Francisco de Assis e é um pouco comemora em todo o mundo, algo que a partir de agora também vai acontecer no Alandroal.
Todos os cães podem participar na atividade, sendo obrigatório o uso de trela e coleira ou peitoral, bem como açaime nos casos em que a lei o obriga. A organização disponibiliza bebedouros e sacos para os dejetos, sendo cada dono responsáveis por levar a água do seu cão e pela recolha dos dejetos.
As inscrições são gratuitas e devem ser formalizadas, durante a semana, no Posto de Turismo ou no próprio dia até às 10 horas junto ao Mercado Municipal.



MEMÓRIAS CURTAS - Rubrica mensal do Prof. Vitor Guita


Em Setembro, torna-se quase imperativo falarmos da Feira da Luz. Já o fizemos, por diversas vezes, em Memórias anteriores.
A Feira é, desde há longuíssimos anos, um dos maiores acontecimentos que ocorrem anualmente em Montemor. Perde-se no tempo a sua realização. Para muitos, foi e continua a ser o grande acontecimento.
Armámo-nos em andarilhos de memórias e, de caneta e papel em punho, fomos à cata de recordações da grande festa e de episódios que giram á sua volta. Ouvimos relatos que são espelhos de uma época, seis ou sete décadas atrás. Talvez um pouco mais. Registamos impressões de um mundo que já não há, com os seus encantos e desencantos.
Desta vez tomámos nota de experiências vividas por familiares e amigos, nascidos e criados em Patalim, a meio caminho entre Montemor e Évora. Estivemos ali, num animado bate-papo, sentados nos portados do velho monte, a dois passos da estrada. Enquanto conversávamos, fomos desfrutando a branda luz do fim da tarde, a frescura do ribeiro e da água que jorra das bicas todo o ano. De quando em vez, o nosso olhar deslizava pelos campos em volta, de sobro e de azinho. Muitos deles já foram, em tempos, chão que deu trigo e outras searas. Muitas daquelas árvores multisseculares ocultam histórias feitas de alegrias e tristezas, que, juntas, dariam uma boa tragicomédia. Quantos daqueles sobreiros e azinheiras gigantes, já abrigaram da chuva e da torreira do sol, ranchos de trabalhadores, mas também malteses e ciganos.
Bem! Vamos lá a caminho da feira.
Em Patalim, a Feira de Setembro fazia-se anunciar muito antes do Domingo inaugural. Com três dias de avanço, começavam a desfilar, ao rés do caminho alcatroado, rebanhos de vacas, ovelhas e outros animais. Há quem tenha memória de ver passar, entre chocas e campinos, curros de touros poderosos, deixando para trás uma densa nuvem de poeira. Se os campinos decidiam parar, enquanto um deles ia até à venda molhar a goela e tirar um petisco, os outros ficavam de roda do gado bravo, nas imediações do monte, à espera de serem rendidos. Não existiam as vedações que há hoje, o que gerava uma certa inquietação nos habitantes do lugar. Regra geral, os touros passavam indiferentes aos gritos e gestos do pessoal que se empoleirava nas árvores e no pontão, por cima do ribeiro.
Quando se tratava de gado manso, vaqueiros e pastores davam uma qualquer recompensa à garotada para ficar a olhar pelos rebanhos. A malta já estava feita áquilo. Ao longo do ano, era frequente passarem por este lugar, animais e carroças, transportando as mais diversas mercadorias. Um número significativo vinha das bandas de Bencatel ou das terras vizinhas, com grandes carregos de cal. No regresso, levavam sacadas de sal grosso. Enquanto largavam por ali, carros e bestas e iam beber um copo, os homens das carroças necessitavam de alguém que ficasse de guarda. Era aí que a malta miúda entrava de serviço.
Voltemos de novo à festa.
A Feira da Luz era um momento marcante para as gentes do concelho. Para as mulheres, em particular, era atura de estrearem vestidos, malas e sapatos. As mulheres de Patalim não fugiam à regra. Cada qual trajava o melhor que podia, de acordo com as possibilidades de momento.
Uma das vizinhas com quem falámos lembra-se de uma vez, ter levado à feira umas alpercatas com borlas na frente a enfeitar. Era o melhor que tinha. A jorna era magra. Não dava para sapatos.
Apesar das dificuldades, no fim das colheitas sempre entrava mais algum dinheiro em casa. Entre meados de Agosto e a Feira da Luz, contratados e lavradores acertavam as contas. Em muitos casos renovavam-se os contratos para o novo ano agrícola. Entre o deve e o haver, sobejavam uns cobres para o pessoal se empapoilar um pouco melhor.
O fim do Verão era, por norma, um tempo de maior fartura. Havia trabalhadores que cultivavam uns bocados de terra, que lhes eram distribuídos pelos lavradores. No fim, consoante os casos, entregava-se aos proprietários uma certa percentagem da produção. Acontecia, por vezes, que os donos das terras não queriam mais do que o amanho das mesmas.
Habitualmente colhia-se uma porção de milho, de abóboras, de grão, de feijão-frade…uma parte dos rurais fazia o seu próprio meloal. Se as coisas corriam bem, guardavam-se melancias, melões marmelinho e outra fruta, nem que fosse debaixo da cama.
O malvado do dinheiro é que era pouco e não faltavam dívidas na mercearia e na taberna para pagar. Alem disso, era preciso acertar contas com o Manel do Cântaro, os Abílios e outros vendedores ambulantes. Na volta, lá se ia parte do grão e do feijão.
A propósito de dívidas e pagamentos, um dos nossos familiares recorda-se de ter comprado um relógio de pulso ao José Luís, um conhecido ourives que andava de monte em monte a vender artigos de relojoaria e ourivesaria. Vinte e cinco tostões por semana era quanto o Serranito tinha de por de lado para pagar o Actuel em segunda mão. O relógio custou-lhe oitenta e cinco escudos.
Alguns dos vendedores ambulantes negociavam,entre outras mercadorias, fato feito, linhas, botões, tecidos a metro (chitas, riscados, gorgorinas…). A costura fazia parte dos hábitos femininos. Ainda o sol não era nascido já havia mulheres lançadas a costurar, antes de enregarem na lida do campo. Algumas em vez da sesta, no intervalo do trabalho, aproveitavam para fazer renda e dar mais uns pontos.
Era preciso aproveitar tempo e dinheiro. Andar ao rabisco da cortiça ou do carvão era uma das formas de se ganhar mais algum. Contaram-nos situações em que o dinheiro do rabisco ajudou a pagar o enxoval.
Trabalhos e sacrifícios á parte, em dias de feira, por volta do meio-dia, o pessoal de Patalim estava na estrada, pronto para embarcar na camioneta até Montemor. “ Uma bela hora para se ir para a feira, não haja duvida” – ironizou uma das nossas parceiras de conversa, enquanto outra comentava – “Àquela hora estava um calor parvo para andar de carrossel e passear no meio da poeirada!”.
Na paragem do Patalim, juntava-se um magote de populares, em grande parte mulheres, que dava para encher uma camioneta. Alem do pessoal do lugar, vinha gente do Monte da Parreira, da Azinheira e de outros montes em redor. Tudo estava previamente acordado com o Senhor Agostinho da Setubalense, que já sabia qual o número de passageiros e a hora a que tinha que os vir buscar. À noite, à hora combinada, acontecia o movimento inverso.
As compras na feira, passavam frequentemente pela aquisição de umas cadeiras empalhadas, artigos de palma, louça de barro, roupa…Havia quem levasse para casa bonecas de papelão.
A dado momento, a conversa degenerou em galhofa, quando alguém se lembrou de ter ficado sem boneca logo a seguir à feira. O brinquedo de papelão não resistiu ao primeiro banho a valer.
Quanto aos homens, iam à procura de mantas, gabões, chapéus, samarras, safões…Os amantes das touradas não dispensavam uma boa corrida, debaixo de um sol inclemente. Era a oportunidade de verem os cavaleiros João Nuncio e Simão da Veiga, a Conchita Cintron, os forcados da terra. Para muitos, a festa dos touros e o circo eram dos raros espectáculos a que tinham direito durante o ano inteiro.
Vamos ficar por aqui. Em vez de andarmos a rebuscar mais fotografias antigas para compor a nossa página, lembramo-nos de juntar os versos de um grande poeta de Montemor, que tão bem soube retratar a nossa terra. Deixamo-lo estimado leitor, com a Feira da Luz, de Manuel Justino Fereira:

Amêndoas, cestas de figos
E carradas de melão!
Capotes, trajos antigos
E barracas de torrão!

Vinham de longe feirantes
Vinham ganhões e pastores…
E das herdades distantes
Vinham patões e feitores!

Fruta, cebolas e alhos,
Alfarroba e ervilhanas…
Guizeiras, molins, chocalhos
E mantas alentejanas!

Por toda a parte se via
Barracas…divertimentos
E uma libra valia
Apenas quatro e quinhentos!

De todo o lado chegavam
Trens, carroças, churriões…
E os miúdos compravam
Brinquedos a dez tostões!

Quando um toiro bravo fugia
Para as bandas da Estalagem,
Era sempre uma razia
Nos burros da ciganagem!

Depois da besta ferrada,
Um almoço alentejano!
De tarde ia-se à tourada
E à noite ao Circo Mariano!

Feira antiga, podes crer,
Mesmo longe…na distância…
Tu continuas a ser
A Feira da minha infância!

Manuel Justino

Artigo de Vitor Guita publicado in “o Montemorense de Setembro 2014 e transcrito após autorização do Autor





POEMA ILUSTRADO DA LISETTE


segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

CRÓNICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                 Ilusões

Segunda, 29 Setembro 2014 09:52
Decorreram ontem as eleições primárias do PS para escolher o seu candidato a primeiro-ministro. Sobre o processo de chamar os militantes e simpatizantes de um partido a definir o futuro do mesmo, nada tenho a referir.
Mas não deixa de ser incrível que estas eleições tenham servido, essencialmente, para definir a personalidade a candidatar-se e não a definição de qualquer programa político claro para a governação do país.
Estas eleições, que muitos elogiaram como o auge da democracia, apenas agudizaram duas conceções muito pouco democráticas, embora muito populares e populistas. A primeira é a de que o mais importante num partido é o rosto e personalidade do líder, relegando para segundo plano as linhas programáticas. Um conceito tão enraizado que, um dia, virá um qualquer D. Sebastião para salvar o país – um culto de personalidade muito mais típico das monarquias do que das verdadeiras democracias republicanas. A segunda conceção errada, e que cruza com a primeira, é a de que nas legislativas os portugueses votam para o primeiro-ministro. Não! Nas legislativas, os portugueses votam num programa político através da eleição de deputados para a Assembleia da República.
Mas conceções à parte… António Costa ganhou as eleições.
Ao longo das últimas semanas muitas pessoas me questionaram sobre quem era o candidato que eu preferia que ganhasse. Sempre respondi o mesmo: respeito as opções individuais, mas que, para mim, a vitória de um ou outro me era totalmente indiferente. Não porque não revisse diferenças entre os dois, mas porque sei que ninguém faz política sozinho e sem um programa. E só quem não conhece o aparelho do Partido Socialista poderá sonhar com uma inflexão do partido para a esquerda. Acredito que muitos simpatizantes e até militantes acreditam que Costa irá liderar um projecto à esquerda para o país. Confiança cega… puro cheque em branco. Na verdade, Costa nunca respondeu às questões mais relevantes para o futuro do país.
António Costa diz querer governar à esquerda, protegendo o estado social. A resposta da esquerda tem de ser clara e honesta. Não há proteção do estado social sem renegociação da dívida pública e de toda a dívida externa. Não há proteção do estado social sem desvinculação do Tratado Orçamental. Não há proteção do estado social sem uma profunda reforma fiscal e a nacionalização de todos os bens estratégicos. Não há proteção do estado social sem o controlo público da banca. Nem tão pouco há proteção do estado social sem um confronto claro com todas as instituições da União Europeia para garantir verdadeiros mecanismos de solidariedade entre os povos.
Tudo o resto… bem… Tudo o resto é a ilusão que todos já deveríamos conhecer.
Até para a semana.

Bruno Martins

É NOTÍCIA NO ALENTEJO

No Distrito de Évora foi assim:

Em 2013, a região de Alentejo, em Portugal, recebeu 1.139.300 turistas, sendo 771.111 portugueses e 368 mil estrangeiros. Desse total, 36 mil eram brasileiros.

A CCDR Alentejo - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo foi distinguida com o Prémio Co-Inovação no âmbito da 6ª edição do Q-Day Conference 2014, uma iniciativa pioneira promovida pela empresa Quidgest.

Mais de 150 vinhos de 19 produtores do Alentejo vão ser apresentados em Angola, em dois eventos marcados para Luanda e Lobito, anunciou a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

Maria João Luís, Mariana Monteiro, Lourenço Ortigão e Joana Teles são as figuras públicas que, na sequência do convite da Entidade Regional de Turismo, aceitaram o desafio de serem os novos Embaixadores do Alentejo.

A revista "Wine&Spirits", considerada uma das melhores publicações do mundo dos vinhos, colocou o produtor vitivinícola alentejano Esporão no seu top100 das Melhores Adegas do Mundo.

O presidente da Assembleia Municipal de Elvas, Pedro Barrena, demitiu-se esta segunda-feira, dia 29 de Setembro, do cargo depois de votada a destituição da presidência da Mesa da Assembleia Municipal de Elvas.


A próxima Volta ao Alentejo em Bicicleta vai realizar-se de 25 a 29 de março de 2015, de acordo com o calendário publicado na passada sexta-feira pela União Ciclista Internacional.



VASCULHAR O PASSADO - Uma rubrica mensal do Augusto Mesquita

Montemor-o-Novo, sempre foi uma terra de aficionados. O largo actualmente designado do Dr. Miguel Bombarda, chamou-se durante séculos “Terreiro do Corro”. Assim aparece já denominado nos séculos XV e XVI. No século XVII, é quase sempre chamado, “Corro dos Touros”, perdendo nos séculos seguintes esta última designação.
            Sabe-se, que nele se realizaram, pelo menos do século XV até ao XVIII, as corridas de touros, promovidas pela Câmara Municipal. Segundo parece, os touros usados nas corridas eram guardados num touril, que ficava por baixo da casa das varandas, que a Câmara possuía no largo. Desta casa, assistiam as autoridades aos espectáculos tauromáquicos. O corro era cercado com tapumes de madeira e as ruas que lhe davam acesso obstruídas com carroças. No final das touradas, um dos animais, era abatido e repartido pelos pobres.
            A mais antiga referência à realização de corridas de touros é do reinado de D. Duarte I, e terão sido realizadas em Évora nos anos de 1431 e 1432.
            Em 1836, no reinado de D. Maria II, passou a ser proibida a morte dos touros na praça, que era praticada pelos cavaleiros, com a utilização dos rojões, como ainda hoje se pratica em Espanha. Assim, para remate da lide, os touros passaram a ser pegados.
            A existência dos forcados como os conhecemos nos dias de hoje, remonta ao século XIX. Descendem directamente dos antigos “Monteiros da Choca”, grupo de moços que, com os seus bastões terminados em forquilha ou forcado, defendiam na arena o acesso do touro ao camarote real. Com o decreto de D. Maria II, passaram a ser eles a pegar o toiro, evoluindo o nome de “Monteiros da Choca”, para “Moços de Forcado”, ou simplesmente “Forcados”.
            Actualmente, o forcado farda-se com jaqueta de ramagens, cujo padrão distingue o grupo, cinta vermelha, camisa branca imaculada e atilhos vermelhos nos punhos, gravata vermelha ou preta (em caso de luto), barrete verde cor da folhagem, gola vermelha garrida, calção justinho da cor do trigo, com botões prateados, meia branca de renda, tal como o campino, sapato de prateleira com atacador amarelo, e suspensórios.
            Nos grupos de forcados não se perderam completamente algumas das características militarizadas dos anteriores “Monteiros da Choca”.     Assim, o Chefe do Grupo continua a ter a denominação de “Cabo”, ao traje continua a chamar-se “farda”, e a antiguidade dos forcados continua a ser respeitada. Nas cortesias os forcados dão a direita ao Cabo, formam por antiguidade, e o último elemento à esquerda é o forcado mais novo.
            Quando se executa uma pega, oito homens entram na arena, o primeiro é o forcado da cara; os outros sete ajudam-no a imobilizar o touro, havendo um (o rabejador) que segura no rabo do touro, para provocar o seu desequilíbrio, e para quando os seus companheiros o largarem, este não invista sobre eles.
            Existem vários tipos de pegas, as mais conhecidas e utilizadas nos nossos dias, são a “pega de caras” e a “pega de cernelha”.

A História do Grupo

             Foi na velhinha Praça de Touros do Rossio, numa corrida de touros realizada em 4 de Setembro de 1939, a favor do Asilo Montemorense de Infância Desvalida, que actuou pela primeira vez o Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo, organizado e capitaneado por Simão Luís Reis Malta, seu fundador, e um dos maiores e mais autorizados Mestres da Tauromaquia no País. Tinha como elementos, além do referido cabo, os Senhores Dr. João Manuel Malta, Dr. Feliciano Alface dos Reis, José Antas, Ernesto Carneiro, Francisco Fernandes de Castro, Cipriano Palhinha e Joaquim Nunes Capela.
            O Grupo manteve-se em actividade durante dez anos, tendo realizado a última corrida em Vila Viçosa no dia 12 de Abril de 1949. Nestes dez anos, pegaram em 88 espectáculos, dos quais 70 foram de beneficência.
            Nesse tempo, o Grupo orgulhava-se de nunca apresentar quaisquer despesas nas corridas de beneficência. Na sua terra, o Grupo participou em várias corridas, cujas receitas reverteram para o Hospital de Santo André, Asilo de Infância Desvalida, Asilo de Mendicidade, Sopa dos Pobres, Lar dos Pequeninos, Sociedade Pedrista, Sociedade Carlista, Grupo União Sport e Hospital Infantil de S. João de Deus. A distinção e o bem-fazer eram preocupação geral dos elementos desse primeiro Grupo de Forcados.
            Em 1949 o Grupo suspendeu a actividade, e só a retomou quatro anos depois.
            Foi, todavia, neste intervalo que Chinita de Mira tentou ainda organizar um novo grupo sem o conseguir. A sua iniciativa e os seus esforços serviram, no entanto, de preparação e base para que nascesse, depois o actual Grupo chefiado por António Vacas de Carvalho.
            Foi numa corrida efectuada em 11 de Abril de 1955, Domingo de Páscoa, a favor do Hospital Infantil de S. João de Deus, que se estreou verdadeiramente, o actual Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo.
            A partir de 1957 é que este Grupo se começou a notabilizar mais, tendo-se revelado nele extraordinários valores.
            Se o primitivo Grupo foi solidário, o que dizer dos seguidores, que além de participarem em inúmeras corridas de beneficência, nos anos em que venceram a “Barra de Ouro, com 1 kg de peso, presenteadas pelo benemérito João Lopes Fernandes, ofereceram-nas ao Hospital Infantil de S. João de Deus?
            Em 1989 o Grupo comemorou as “Bodas de Ouro”. Do vasto programa, realce para a realização no dia 3 de Setembro, da “1.ª Grande Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, com desfile evocativo do séc. XVII”.
            Os cavaleiros, David Ribeiro Teles, Luís Miguel da Veiga, Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, Frederico Carolino, João Salgueiro e os Forcados Amadores de Montemor-o-Novo (antigos e actuais), chefiados respectivamente pelo fundador do Grupo Simão Malta e pelo actual cabo Paulo Vacas de Carvalho, lideraram 6 toiros da ganadaria de Simão Malta.
           
Cabos

             “Simão Malta”, o primeiro cabo do grupo, deixou o comando no final da temporada de 1945, tendo passado o testemunho a “Manuel de Sousa Nunes” que, de 16 de Junho de 1946 até ao final de 1948 permaneceu à frente do Grupo.
            Em 1949 e 1950 “Simão Malta” voltou de novo a dirigir o grupo, ele, que, mesmo no tempo de Sousa Nunes, continuou sempre a pegar.
            Seguiu-se um interregno de quatro temporadas – 1951, 1952, 1953 e 1954 em que apenas actuou numa corrida em 1952 numa tentativa de continuação do Grupo. Mas, só em 1955 em 10 de Abril, de novo em Montemor-o-Novo, o Grupo reapareceu sob o comando de “Américo Chinita de Mira” que foi seu cabo nessa temporada, tendo abandonado o Grupo e a sua chefia, em 3 de Setembro de 1956 na mesma praça.
            Na corrida seguinte, em 7 de Outubro desse ano, na Praça de Évora, assumiu o Grupo “Joaquim José Capoulas”. A sua liderança manteve-se por mais de 14 anos, até ao final de 1970.
            Em 4 de Abril de 1971, na Praça de Touros de Beja, “António José Zuzarte” foi o novo cabo, dirigindo os destinos do Grupo até ao dia 2 de Setembro de 1979. Na Praça de Montemor-o-Novo, e depois de pegar um toiro de cernelha com Simão Comenda, despiu a jaqueta e entregou-a a “João Eduardo Cortes”, que comandou o Grupo pela primeira vez, na Praça de Toiros de Estremoz, a terra que o viu nascer.
            Manteve-se João Cortes no comando do Grupo até 2 de Setembro de 1984, onde na castiça arena de Montemor, passou, por sua vez, a jaqueta ao novo cabo “Paulo Vacas de Carvalho”.
            Em 7 de Setembro de 1997, na arena dourada de Montemor-o-Novo, Paulo Vacas de Carvalho, passou a chefia do Grupo a “Rodrigo Corrêa de Sá”.
            Uma década depois, igualmente na Praça do Rossio, Rodrigo Corrêa de Sá passou o testemunho a “José Maria Cortes” em Setembro de 2007. Este genial forcado, considerado por muitos o melhor de todos, infelizmente não conseguiu passar o comando do Grupo a António Vacas de Carvalho, pois a 27 de Junho de 2013 o Zé Maria perde a vida de forma trágica. Mão criminosa esfaqueou-o no coração
            No dia 1 de Setembro de 2013, “António Vacas de Carvalho”, filho, sobrinho e primo de antigos forcados, veste de forma emotiva a jaqueta de Cabo entregue por João Cortes, pai do malogrado Zé Maria. Nesse mesmo dia, foi descerrada na Praça de Touros de Montemor-o-Novo uma lápide de homenagem a José Maria Cortes.
            A nomeação de novo cabo, não tem a ver com a antiguidade, mas sim, com o reconhecimento do Grupo, pelas qualidades de um dos seus elementos, tomada pela maioria dos forcados. O cabo, deverá ser o garante dos valores e tradições do forcado amador, dentro e fora da praça, o responsável por todas as atitudes e comportamento do seu Grupo.
            A continuidade do Grupo de Montemor está assegurada. Todos os anos dezenas de jovens procuram experimentar a aventura de pegar um toiro. Surgem nos treinos cheios de vontade de mostrar a sua valentia, têm um sonho – ser forcado.
            É nos treinos e nas ferras que se começa a conhecer o potencial do futuro forcado. A destreza, garra e o jeito, surgem em bruto, prontos para serem moldados pega após pega. Aconselhar e corrigir, é o papel do Cabo.
            A sua “Escola de Forcados”, é composta por um grupo juvenil, um grupo infantil, e um benjamim, que têm como objectivo fomentar a amizade, conquistar aficcionados, e fazer forcados para o grupo sénior, que hoje em dia é composto por 35 elementos.
            Nestes 75 anos de existência, passaram pelo Grupo de Montemor, 376 forcados. Dos actuais, o mais antigo, é o Frederico Caldeira (326), e o mais recente é o Vasco Carolino (376).
            Tendo como Madrinha Nossa Senhora da Visitação, padroeira de Montemor-o-Novo, estes dez cabos tiveram sempre sob a sua chefia, jovens valorosos que com arte, valentia, espírito de entreajuda, sacrifícios sem limite e uma sã amizade, contribuíram para dar continuidade ao Grupo, e colocá-lo na primeira fila dos Forcados Portugueses. Fazer referência a alguns “monstros sagrados” da forcadagem montemorense, seria deselegante da minha parte.
            Arriscando a vida, sofrendo algumas colhidas bastante graves, que deixaram marcas, mas que tornam o espírito único, e que fazem com que exista um nunca mais acabar, de parentescos a envergarem a jaqueta do Grupo. Mesmo sem os laços de sangue, a amizade profunda que fica entre aqueles, que algum dia fizeram parte desta comunidade de bravos, estará presente para sempre.
            Quem não recorda momentos grandes passados nas arenas de Portugal, Espanha, França, Macau, México, Estados Unidos da América, Canadá, Indonésia, Grécia, por esse mundo fora onde a jaqueta das ramagens de Montemor foi sempre dignificada com honra e glória, quer em actuações do Grupo ou dos seus elementos, integrados em selecções de forcados, em que Simão Comenda, teve a honra de ser escolhido para desempenhar o cargo de Cabo.
            “Alguns já partiram, mas entre nós eles estão sempre presentes, pelos seus feitos na arena, pelas vivências fora dela, pela imensa saudade dos grandes momentos que vivemos em comunhão. As estradas, o mar, a guerra, e recentemente, a mão criminosa, levaram alguns dos mais jovens, a doença levou outros. Felizmente, nenhum morreu na arena”. Com esta linda prosa, termina o site do Grupo de Forcados de Montemor.
            Protegidos apenas pela cinta vermelha de cinco metros, que lhes protege as costelas e o externo, os forcados são sem dúvida alguma, a figura incontornável da tauromaquia nacional, e aquela que dá maior emoção à festa.
            Termino com um convite: convido o estimado leitor a deslocar-se ao Convento de S. Domingos, e visitar a “Sala da Tauromaquia”, onde se encontra entre outros, o valioso espólio do Grupo de Forcados Amadores de Montemor, um dos maiores cartazes do nome de Montemor-o-Novo.

Augusto MesquitaSetembro 2014


Publicado na “Folha de Montemor”- edição Setembro e transcrito com autorização do Autor

MONTEMOR UM ALENTEJO AQUI TÃO PERTO (O olhar de Eduardo Macedo)

Este trabalho do montemorense Eduardo Macedo merece ser visto e...aplaudido. Montemor e alguns dos seus monumentos vistos de outra forma. 
(Um "alerta" do Drº João Luis Nabo) 

domingo, 28 de Setembro de 2014

HOJE NO JORNAL DA TARDE RTP (13,00 H) O "RUI" DO ALANDROAL FOI NOTÍCIA PELA POSITIVA

            Um pastel de nata com perfume alentejano

Um alentejano resolveu dar um toque regional ao pastel de nata. A diferença está na utilização de farinha de bolota. A receita estava pensada há alguns anos, mas só agora foi testada.

Siga o link

http://videos.sapo.pt/yoUeMYZrMNVBflc7TlIT

O pastel de nata de bolota foi desenvolvido por Rui Coelho, pasteleiro há mais de 40 anosO pastel de nata de bolota foi desenvolvido por Rui Coelho, pasteleiro há mais de 40 anosImagem: NUNO VEIGA/LUSA
O pastel de nata de bolota foi desenvolvido por Rui Coelho, pasteleiro há mais de 40 anos, e está a ser comercializado há cerca de três semanas na sua pastelaria, no centro de Alandroal, no distrito de Évora.
Numa cozinha, a poucos metros da pastelaria, o também empresário conta à agência Lusa que a ideia surgiu "há já alguns anos", devido à abundância do fruto da azinheira na região, e que a receita até já "estava mais ou menos criada, só faltava testar".
"Quis criar um produto do Alentejo, da nossa zona, onde há muita bolota, que só se dava aos animais", refere o pasteleiro, lembrando que, há uns anos, "fazia-se pão de bolota e até bolos de bolota".
"Ainda há quem tenha receitas", assinala.
Rui Coelho diz que a bolota encontra-se com facilidade na zona, mas que não foi fácil descobrir quem a transformasse em farinha, tendo desafiado "uma pessoa amiga" que já produzia de castanha a utilizar o mesmo processo com a bolota.
"Experimentei três ou quatro vezes para chegar à melhorar textura e dei a provar aos clientes", que aprovaram a experiência, realça, indicando que a farinha da bolota "não faz um creme tão espesso" e que foi necessário alterar o "ponto de açúcar".
O pasteleiro explica que a confeção do pastel de nata de bolota "não tem segredos" e revela que a alteração mais significativa na receita passa por colocar farinha de bolota no recheio em vez da farinha de trigo.
"As pessoas estão a gostar e acho que é um produto que tem pernas para andar", afirma Rui Coelho, ressalvando que, ainda assim, "há pessoas que não querem provar", por ser confecionado com bolota.
Mas, "quem prova fica fã", afiança.
Os clientes aprovam o pastel de nata de bolota e até há quem prefira a nova especialidade. O mais difícil é explicar as sensações quando se come.
"Só mesmo provando para saber as diferenças, porque não consigo explicar os sabores em si, mas é diferente do que estamos habituados e é bom", diz Luísa Pinto.
Ao lado, Nídia Clareu, outra cliente, também não sabe explicar a diferença entre o tradicional pastel de nata e o "novo" de bolota, mas diz: "É muito bom. Para mim, melhor".
Não foi a primeira vez que Rui Coelho se aventurou na criação de novos bolos ou doces. O pasteleiro tem outras "criações", como a delícia de bolota, o Pêro Rodrigues (com amêndoa) e o pastel de chícharo (leguminosa de origem árabe).
Lusa


ENVIADO COMO COMENTÁRIO, MAS DIGNO DE 1ª PÁGINA

«A propósito de um comentário, colocado no último episódio publicado da “História do Alandroal em Poesia” de Jerónimo Major,o qual sugeria a edição de um livro, o Autor fez o seguinte comentário que passo a transcrever.» 


Resposta a comentário:
Discorrendo sobre as muitas edições de livros de poesia de muitos poetas do concelho do Alandroal pagos pela autarquia.

                                                1º parte – o atual

                                           A obra"Vai ser editada?"
                                          "Faço votos para que assim seja."

                                            Não importa o que deseja!
                                            Não vai ser subsidiada…
                                           “Não há dinheiro”… p'ra nada!

                                                   2ª parte – o passado

                                              Poeta popular me confesso.
                                              Mas a Câmara, subsidiou,
                                              Poetas populares que editou
                                              E eu não tive lá acesso…
                                              Dizem que peco por excesso.

                                               Foram-me solicitadas
                                               A mim quinze poesias.
                                               Pensei: cá tens o que querias…
                                                Nunca foram editadas!
                                                Foram todas rejeitadas.

                                                Como não foram aprovadas
                                                Perguntei: e porque não?...
                                                Não entraram porque estão,
                                                Muito bem elaboradas…”

                                                Desculpas, esfarrapadas.

                                                 Foi inédito… E gerou,
                                                 Uma decisão pouco séria…
                                                  Por saber bem a matéria
                                                  Ninguém antes reprovou.
                                                  Mas a mim, lá me calhou!...

Jerónimo Major


DESPORTO NO FIM-DE-SEMANA - RESULTADOS

FUTEBOL

TORNEIO ALANDROAL
Montoito 3 - S. Domingos 1
S. Domingos 1 - Alandroal United 3
Alandroal United 2 - Montoito 1

1º - Alandroal United
2º - Montoito
S. Domingos

Distritais de Évora

Divisão de Elite
Perolivense 5 – Oriola 0
Juventude 9 – Lavre 1
Sport. Viana 6 – Borbense 0
Redondense 4 – Cabrela 0
Monte Trigo 1 – Escouralense 1
Lusitano 3 – Calipolense 0.

Divisão de Honra
Outeiro 1 – Canaviais 2
Santana do Campo – Cortiço - Adiado
Valenças 2 – Corval 2
Estremoz 2 – Alcaçovas 0
Portel 3 – Arraiolos 2

TAÇA DE PORTUGAL
Oliveirense 2 – União de Montemor 0
Aljustrelense 0 – Desportivo das Aves 3
Moura 2 – Montalegre 0
Electrico  2– Tondela 3
Atletico Reguengos 3- Paivense 1

DIVULGAÇÃO

Vitor Matos continua a divulgar "Os Amigos de S. Brás dos Matos"






O ALANDROAL FAZ-SE REPRESENTAR

Festa da Malha junta
500 jogadores em Cabeção

Cerca de 500 praticantes da malha, um jogo popular das zonas rurais, participam este domingo, 28, numa festa em Cabeção (Mora) para demonstrar que esta prática lúdica, que remonta à Grécia Antiga, continua a mexer.
Fonte: Correio Alentejo

OS NOSSOS POETAS POPULARES

VITOR PISCO


Eborim

Há dias ao passar por Évora deparei-me com o Eborim abandonado. Foi com tristeza que constatei que um dos espaços de maior convívio para a população, velhos e novos, espaço para quem saía do trabalho e se dirigia à rodoviária e estação de comboios, quer a outros pontos da cidade servia para fazer uma pausa para aliviar o dia de trabalho e para dois dedos de conversa com amigos ou para um namorico de soslaio.
Para além das lojas e restaurantes possuía também um dos melhores cinemas da região com direito a pipocas e uma piscadela de olho as catraias mais brejeiras. Depois disso não vi nenhum espaço quer dentro quer fora das muralhas que preenche-se essa lacuna. Para quando pensar nalguma alternativa a um espaço tão cultural, na existência de melhor, e que pudesse abranger as mais variadas vertentes quer educativas, sociais, comercias e culturais tendo a vantagem de estar aberto aos domingos e feriados, coisa rara em Évora na altura para além da sua centralidade e posição em relação à cidade.


                                                      Évora cidade amiga

                                                        Évora cidade amiga
                                                        Ó terra dos meus encantos!
                                                        És uma terra antiga
                                                        Onde andei em teus recantos.

                                                        E em ti me apaixonei
                                                        Em tempos que já lá vão
                                                        O amor em ti encontrei
                                                        Nos anos da ilusão.

                                                        E em ti então despertei
                                                        Para a luz da minha vida
                                                        Nas tuas ruas entrei
                                                        E nelas tive a saída.

                                                        Pelo amor chamei em vão
                                                        Pois deixei ficar a traz
                                                        E não soube dar a mão
                                                        À minha paixão audaz.

                                                        Recordo então com saudade
                                                        Do amor que deixei ir
                                                        Que por minha ingenuidade
                                                        Numa rua vi fugir.
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                                                            No Alentejo há estevas


                                            No Alentejo há estevas
                                               E planícies em lonjura
                                               No Inverno nascem ervas
                                               Há pardais em terra dura

I
As planícies que eu vejo
Nas terras onde passei
Quando em tempos visitei
Tinham trigo de sobejo
Nos ribeiros bom poejo
Fazia-se chá de malvas
Licor de hortelã e salvas
Do grão-de-bico açordas
Das varas faziam cordas
No Alentejo há estevas

                                                                    II

                                                          Numa horta encontrei
                                                          Armada uma armadilha
                                                          E na cerca uma forquilha
                                                          Com a qual me deparei
                                                          E a armadilha levei
                                                          Vi lá uma ferradura
                                                          Marmeleiros com fartura
                                                          Faziam-se bons manjares
                                                          Avistavam-se pomares
                                                          E planícies em lonjura

III

Vi um cabo duma foice
Uma albarda e uma gorpelha
Um escrito numa botelha
Um burro que dava coice
E uma mula sua cúmplice
Escaravelhos nas relvas
Duas ameixeiras de Elvas
Estavam formigas ás turras
Estavam presas duas burras
No Inverno nascem ervas

                                                                       IV

                                                           No tempo da azeitona
                                                           Há melros nas oliveiras
                                                           Sapos e rãs nas ladeiras
                                                           Anda tudo numa atafona
                                                           O criado com a dona
                                                           O sol é de pouca dura
                                                           Vai-se o dia com ternura
                                                           Não há bela sem senão 
                                                           Vindo o final do verão
                                                           Há pardais em terra dura

Vítor Pisco
23/09/2014

MARIA ANTONIETA MATOS

                                             NADA SOU... MAIS DO QUE EU!


 O silêncio cisma replicado
Neste cenário de domingo e fim de Agosto
Só os passarinhos me cantam do telhado
E o sol iluminado me provoca mais afoito

O olhar balança estonteado
Cai em mim a paz do mundo, a serenar
o sentir do coração, tão elevado
No pensamento, linda pintura a desenhar

Estou entre mim e Deus, no céu
Num refletir alucinado no apogeu
Nada mais quero... tudo dou
Porque nesta vida, nada sou...
mais do que eu!

Uma miragem que logo passa
Uma lembrança em qualquer dia
Uma virtude que se desfaça
Até o meu nome de Maria

Maria Antonieta Matos 31-08-2014
PINTURA DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO

                                                                À PROCURA


                                                          
                                                              Saem-me palavras sem nexo
                                                        Vivo num mundo da lua
                                                        Ando revirada do avesso
                                                        Fico especada na rua

                                                        Penso estar num tempo antigo
                                                        Não tenho a noção do tempo
                                                        Perco-me no espaço que sigo
                                                        Não tenho um minuto assento

                                                        Visto-me e dispo-me esquecida
                                                        Repito-me a cada momento
                                                        Canso o melhor pensamento!

                                                        Soletram-me cada palavra
                                                        Como no primeiro ano de vida
                                                        E a mente gasta se “olvida”!

Maria Antonieta Matos 04- 09-2014
DESENHO DO MEU AMIGO Costa Araújo