segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

"DAR NOVOS MUNDOS AO MUNDO" - DA VIAGEM DE CIRCUM-NAVEGAÇÃO - Por A.N.B.

      Ratos assados, os hamburguers da Marinhagem que o                                                    Cronista não escondeu
                         AMOSTRAS  DIVERSAS DA  NAU  VICTORIA
I
Ditado de uma forma directa para os arquivos em acção do Al tejo, eram 5 as Naus que partiram para a aventura tri-oceânica no Seculo XVI.
Só a “Victoria voltou a Sevilha” passando, no regresso, resvés do Cabo S. Vicente. As outras 4 naus perderam-se por variadas razões. Uma foi traição da tripulação espanhola.
A nau Santo António, desertou. A empresa marítima enquanto grande viagem foi a de Circum-Navegação (e arredondamento definitivo) do Mundo comandada por Fernão de Magalhães (nasceu em 1480) que, no entanto, já não chegaria «entonces» vivo a Espanha. Voltaram apenas 18 Homens escanzelados naquele «dia final de rezas» em 6 de Setembro de 1522
.Isto nunca esquecendo que o basco El Cano que completou a Viagem foi quem recolheu da Coroa espanhola, muito injustamente, todas as grandes honrarias e benefícios concedidos. 
Magalhães foi o herói esquecido!
Evidenciamos em seguida o que não era, certamente, um defeito. Era antes o seu feitio personalizado,deveras experiente, pensativo, entroncado e tisnado   (um pouco mais alto do que o anb… embora mais baixo do que o ex-Alcaide J. Ribeiro) de Fernão de Magalhães, portista e amigo desde os mares Índicos de Diogo Lopes de Sequeira.
Um Homem, de pôr e querer tudo e todos os dinheiros da viagem em pratos limpos. Um tanto à maneira recta e modelo austero de Afonso de Albuquerque.
Sem sombras de enriquecimento e de corrupção. Sem corruptores e sem corrompidos (nacionais ou locais) o que é hoje, em diversas escalas, um dos males sociais mais frequentados e dos mais lucrativamente impunes em Portugal.
II 
Com as citações devidas ao escritor  S. Zweig, (Op. cit.)  que transcreveu uma longa lista baseada em “fontes documentais primárias”, eis uma curtíssima selecção de bens, gentes, infortúnios, haveres que estiveram  ao serviço da maior e mais arriscada viagem marítima dos tempos pós  Tordesilhas .
Ora vejam, analisem, ponderem este mostruário e esta “leitura fotográfica” resumidíssima  das “ Despesas Feitas com a Frota de Fernão de Magalhães”.
Diz-nos muito. Ou quase tudo.  Adiante.

  A. Navios  e utensílios 
   -- 300 000 Maravedis (Ms), valor do navio Victoria, com cerca de 95 toneladas com os seus pertences e um bote;
   --  104 244 Ms, em salários de carpinteiros dos 5 navios;
  --    6.563 Ms, custo dos remos dos navios;
   B. Canhões, pólvora e pertences
    -- 160. 135 Ms,  custo com canhões,(…) 3 grossas bombardas; tudo isto veio de Bilbau;
    --  104. 220 Ms,  em 50 quintais de pólvora;
    --    11. 633 Ms, preço das balas de ferro e pedra para canhões;
   C. Bestas, arcabuzes (…) e outras Armas
    --  33.495 Ms, em máquinas-catapulta e 360 dúzias de dardos de Bilbau;
    --  44.185 Ms,  em 95 dúzias de lanças (…) e 200 alabardas;
    --  3.553 Ms, em 6 arráteis de lixa para limpeza das ditas, 3.000 pregos; 
    D. Víveres para a Armada
    -- 363. 480 Ms,  gastos em 2138 quintais de biscoitos;
    --  511. 347 Ms, na compra de 508 garrafas de vinho do Jerez;
    --   58. 425 Ms, custo de 47 quintais e 5 arrobas de azeite;
     E. Víveres e diferentes coisas para a Armada
     -- 2.198 Ms custo de 250 molhos de alhos e 100 atados de cebolas;
     --  1.130  Ms, custo de 16 barricas pequenas com figos;
    --13.027 Ms, custos de medicamentos, pomadas, óleos e água destilada para a Armada;
     F. Trem de cozinha e outros utensílios para a Armada
      -- 6.165 Ms, em 5 grandes panelas de cobre;
      -- 330 Ms, custo de 12 funis, 6 grandes e 6 pequenos;
      --2 891 Ms, gastos em “Algemas para os pés e mãos e correntes de ferro”;
     G. Lista de coisas necessárias à Frota
      -- 1211 Ms´,  custo de 15 livros em branco, 5 destinados à consignação das despesas;
      --  2.125 Ms, custo de 2 pedras de Amolar e uma aguçadeira para os  
          2 Barbeiros que seguiam na Armada; (Por coincidência, fomos ver e os barbeiros chamavam-se o Barradas da Praça e o Baltazar do Botão)      
      --  2.895 Ms, gastos em 5 tambores e 20 adufes para distracção da marinhagem a       bordo;
     -- 16.513 Ms, em Paramentos e objectos de culto, necessários para que os Padres pudessem dizer Missa a bordo;
       Acrescentemos somente estes importantes registos.
     H.
      -- 1. 154.504 Ms : importância paga de soldo a 237 tripulantes da armada, com antecipação de 4  meses;
E ainda.
     (…) Duas dúzias de peles de pergaminho, 22 cartas de marear,1 Astrolábio de madeira, 6 Astrolábios de metal, 1 esfera, 17 agulhas magnéticas, 12 relógios de areia ( Ampulhetas), 6 compassos; Etc.            
Finalizando esta pequena Lista vamos indicar, em jeito de balanço/conclusão, os custos e a soma final, reparem bem nos números, das: -----“DESPESAS feitas com a ARMADA”.
  -- 3.912.241 de Maravedis: custo dos 5 navios com aprestos, canhões, pólvora, armaduras e lanças;
       -- 8. 334.335 Ms : importância exacta do conjunto das despesas;
      -- 6. 454.209 Ms : importância adiantada por Sua Majestade (Carlos V);
     --1.880.126 Ms: importância adiantada por Cristóvão de Haro      
        (financiador da Viagem).
 III.
    Para finalizar, e caso seja do vosso agrado, certo é que existem várias narrativas desta Viagem de Fernão de Magalhães, aqui enunciada, que continuam ao dispor das abordagens que formos achando por bem fazer-lhe.
O Al tejo (pensando em D.L. de Sequeira e Fernão de Magalhães e ainda noutros Navegadores alentejanos) assim o entende e apoia. Eram dois Amigos há que o reconhecer. Em terra como no Mar”.
Um vindo do norte, o outro partindo daqui deste Sul. Um mais Aventureiro do que Fidalgo (F. Magalhães). O outro mais Fidalgo do que aventureiro… Um lancetaram-no ainda Novo ( Ilha de Mactan, Filipinas, 27 de Abril de 1521)  ; o outro faleceu, por aqui, Velho e Consolado.
Provando, cada um a seu modo, que as ideias, paixões e os “negócios lisos” justificam o génio/engenho honroso que (nos) vão dando asas mais humanas do que agiotas e, por vezes, apenas com efeitos eleitorais.
É isto que continua a exigir-se e a parecer-nos indispensável na vida “dum país historicamente glocal”. Virá a ser assim?
Saudações  Democráticas
       António Neves Berbem
         (9 de Dezembro de MM XIX)                                               

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