terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

AINDA A PROPÓSITO DE ALFAIATES E ALFAIATARIAS DO ALANDROAL - Homenagem do A.N.B.

                                  Alfaiatarias (PL e FRM)
Tenho de começar este Comentário por saudar de viva voz e com um longo aperto de mão, o Francisco M. por mais uma vez demonstrar a sua rica “ Memória Visual” que anda a fazer com que nunca esqueçamos os nomes das ruas, troquemos (e iludamos) os nossos nomes e o das pessoas por alcunhas ou pseudónimos disfarçados.
2.       Se falamos, porém, das artes temos de lembrar antigos mestres, artesãos  e  outros bons artistas do Alandroal. Era das artes  que faziam que íam vivendo. Deixemos, por esquecidos, os novos aprendizes de feiticeiros que, por cá, vão aterrando numas artes ditas novas mas apenas de um tipo e poder meramente burocrático.
Direi ainda que também ainda nunca vi o Chico; trocar, ocultar ou desviar o nome de certas aldeias. Ou ainda confundir o pouco sabor de «uma negra e gordurosa cacholeira com o cheiro requintado de uma saborosa linguiça assada com o redondo à mistura.

3.       Já lá vamos às duas Alfaiatarias que se situavam, uma na Rua do Colégio e a outra na Rua da Mata. Esta rua funcionou sempre nas décadas 50/60/70 como o motor e centro  comercial da Vila.
Reparem nisto: tinha 3 sapatarias uma delas a dar ares de industrial. Tinha uma barbearia; tinha uma mercearia, tinha uma retrosaria, tinha uma relojoaria. Tinha ainda uma  peixaria, um talho, dois peixeiros, dois talhantes. E, finalmente, um aferidor oficial (o Juvenal). Era concerteza a rua do Alandroal com maior movimento comercial e onde até morava o MAYOR da Vila, o Sr. Alexandre Fernandes.
Além disso tinha modistas, costureiras-modistas e carpinteiros de obra fina. Se me estou a esquecer de alguém, Francisco, dá aí uma ajuda. Se quiseres ajuda com os nomes.
  Vamos agora à arte fina da Alfaiataria. Rezam as cronicas e as fontes autorizadas (Irmãos Fátima e outros) que o Pedro Lavadinho era superiormente talhado para fazer calças e coletes enquanto o Francisco Mira aprimorava mais os casacos e fatos. Se era mesmo assim não o podemos agora confirmar. Mas uma coisa era certa, tinham trabalho, tinham muitas costureiras, eram muito profissionais, atenciosos e muito conhecidos fora do Alandroal. 
O que acabaria por os derrotar não foi o seu saber fazer bem, mas uma coisa chamada “pronto-a-vestir” que viria a liquidar estas pequenas oficinas. O tempo industrial girou, e os seus mais fieis seguidores foram desaparecendo. A isto, imaginem, costumam os economistas do seculo XX chamar  “destruição criadora”.
5.       Como o Chico a invocou, eis-nos enfim a lembrar com um ar extremamente dorido e sentimental a minha grande Tia Isabel, mulher de Pedro.Pedi-lhe para ser a minha segunda mãe (a minha morreu cedo) ela aceitou orgulhosa.
1.       Mas foi muito além disso : foi uma mãe da sua mãe Gertrudes (AVC); foi mãe do Pai (faleceu com mais de 90 anos) foi  a  irmã-mãe do meu pai (AVC); os sobrinhos e netos adoravam-na. Por fim, foi jovem e bonita  mãe, depois tornou-se uma  mulher elegante que se cuidava e, se bem que conformada,  ainda teve forças para ser uma viúva alegre (perdoa lá esta imagem Prima Lurdes ). Costureira toda a vida. UMA GRANDE SENHORA! Que saudades lhe temos!
             Dito isto, caberá agora à minha Prima Lourdes recordar mais um outro episódio que fizeram daquela Alfaiataria um lugar de referência na arte de bem vestir os alandroalenses.
3.       Quanto aos mais velhos de nós, não esqueçamos os dois Alfaiates do Alandroal. Os mais novos têm agora o privilégio de saber que os Alfaiates fizeram parte integrante de uma Vila que produzia as mais diversas artes. Umas vezes socialmente empenhadas. Outras vezes por amor à profissão. E, ainda outras vezes, porque era aquela a vocação que superiormente escolheram e a que dedicaram a sua vida com enorme competência e maestria.
4.        Honra aos Dois Alfaiates; e esta ou uma pequena homenagem lhes seja um dia   feita!
 Saudações Democráticas
Antonio Neves Berbem

14 Fevereiro, 2017
  Ps: por fim, vai aqui uma referência especial  para o Quim do David, o Musico que em   Alfaiate se tornou. Certamente inspirado no bonito mulherio  que o rodeava. E lá ía puxando por ele. 




9 comentários:

Francisco Tata disse...

Obrigado ao amigo Tó Zé pela mais valia que acrescentaste a estas recordações. Terei que te pedir desculpa por os numeros à esquerda não seguirem a sequencia normal. Em rascunho não me aparecem e depois no texto, aparecendo, não seguem a ordem normal. Penso que foi ao acrescentar as fotos. Mas como não disvirtuam o texto....
Muitos são os nomes ligados às artes e oficios de que me recordo: Começando pela sapataria do teu avô "Morcela" o Barbeiro "O Mouco", O Bernardino da Loja, a peixaria com o ZÉ Mira e o Amilcar o talho do Fitas e Seabra. Recordas o Presidente da Câmara o Alexandre Fernandes, mas eu conheci-o a morar na Praça na primeira casa logo a seguir às grades da Camara, mesmo ao cantinho. Esqueces-te foi de uma personalidade que tambem morava e ainda hoje mora que é o Padre da Freguesia. Na altura o Padre Gil.
É bom avivar estas memórias. Qualquer dia vamos aos Barbeiros. E porque não aos Padres? Ás Modistas, aos Engraxadores, aos Ferreiros, aos Carpinteiros.
Há tanta gente para recordar e que deixou marcas na nossa terra....
Um abraço
Chico

Anónimo disse...



OBS.


E qualquer dia, ainda vamos arriscar maia e vamos até ao enorme pecado da Ladeira das Pedras e outras casas que as havia. O Alandroal sempre foi uma grande terra onde como já tenho dito a Virtude morou sempre ao lado do pecado. E ainda bem que assim foi porque senão estávamos eternamente a olhar para aquelas gaivotas que eram mais rápidas a voar do que a sua própria sombra. Eu nunca apanhei nenhuma.~
~ Tu apanhaste alguma? Eu nunca,nunca, nunca mais! Saudações ANBerbem

GomesJuniorPT disse...

É de louvar que tenhas tido essa ideia de relembrares aqueles que nós lembramos quase todos os dias, ainda assisti a muitos "cortes e costuras" tanto do tio Pedro como da minha tia/madrinha Isabel, não no Alandroal, mas na Arruda dos Vinhos onde passava uns belos dias na companhia deles e, ainda miúda, também gostava de alinhavar e arrumar a loja no final do dia. Tive esse privilégio de ser sempre muito bem recebida e acarinhada nas minhas férias grandes, bem como da companhia do nosso avô Berbém.
Foi das pessoas mais generosas que já conheci, essa grande mulher que falas, que fez tudo por todos e merecia um final mais feliz ...

Bjs da tua prima Ângela

Anónimo disse...

Falando de antigos Alfaiates do Alandroal posso acrescentar mais 3 nomes, Mariano José Faleiro Ramalho (1883), José Jerónimo de Santa Isabel (1893), e Carvalho Falleiro (1878).


António Jeremias Nabais

Francisco Tata disse...

Sempre atento amigo Jeremias. Obrigado. Fico contente por saber que ainda há quem se interesse por perservar a história do Alandroal.
Um abraço
Chico

Anónimo disse...



OBS.


De facto, estava a faltar-nos indicar os Alfaiates antecedentes dos finais do século XIX até meados do seculo XX no Alandroal. É uma achega preciosa. E já agora,se fosse possível, perguntava-lhe onde estavam situadas essas Alfaiatarias? E o mais que souber e puder indicar-nos.


Os meus melhor cumprimentos


Antonio Neves Berbem

Anónimo disse...

Caro António Berbem

De facto o que sei são as moradas dos referidos Alfaiates, desconhecendo se coincidiam com as respectivas Alfaiatarias.
Os Falleiro que eram pai e filho moravam na rua do Mártir, actual rua Dr Afonso Costa. O Santa Isabel na rua das Flores, actual rua Brito Camacho.

Cumprimentos para si e para o Francisco Manuel

António Jeremias

Francisco Tata disse...

Tem graça! Lembro-me de um Faleiros que morava nesa Rua. Ainda foi peixeiro e tinha a pretensão de ser ilusionista. Lembro-me que fazia um truque com uma agulha que espetava num lado da cabeça e saia no outro lado. Era eu gaiato e tinha um medo que me pelava! Seria familia?

Chico

Anónimo disse...

Se era Faleiro e morava nessa rua, com certeza seria familiar!

Já me apercebi que houve por aqui pessoas com as mais diversas profissões, desde Albardeiro a Forneiro...mas ilusionista ainda não tinha ouvido!!! Talvez não tenha passado da pretensão.....

António Jeremias