quinta-feira, 28 de junho de 2012

MEMÓRIAS DO PASSADO - AQUI RELEMBRADAS PELO TÓI DA DADINNHA


Achei oportuno por se enquadrar no período que ainda se vai revivendo, algures.
Porque "JÁ NÃO SE ESCREVEM CARTAS DE AMOR" envio-te este "apressado" trabalho sobre um pequeno(?) episódio ocorrido pelos Santos Populares, na nossa terra e que hoje JÁ NÃO SE CELEBRAM.

A FALTA NÃO É POR MIM…(e as celebrações dos Santos Populares no Alandroal)

Neste mais um ano de “afastadas de nós” as celebrações dos ditos Santos Populares ocorreu-me contar o que se passou nesta “nossa” terra por alturas de um dos bailaricos alusivos e que, no caso concreto, teve lugar no ornamentado espaço junto à Moagem, defronte ao Café Central ao tempo gerido pelo Zé Careca.
A ORQUESTRA (assim se denominava) era composta pelos músicos João e Manuel Salomé, Homero Coelho (Pimenta), Manuel Cordeiro (Pinóia) e José Luis Ruivo (José Luis do Aldeano) instrumentistas de «CORDAS» e, José da Rosa (José da Rosa Fontes) na percursão = bombo + caixa, emprestados pela Direcção da Banda Municipal.
O baile, organizado para as vésperas do S. Pedro, deveria ter início ás dez da noite porém, á hora marcada, faltava um dos elementos.
Os restantes já se encontravam reunidos no dito Café Central bebendo “uns pirolitos da Casa Botas, de Redondo” e degustando “umas ervilhanas”, desde as nove horas.
Nove e meia da noite e o elemento em falta, nada de aparecer.
Mestre João Salomé denotava impaciência, pelo aproximar da hora de início “DO CONCERTO” (não admitia incumprimentos, sempre assim foi).
De consenso com os demais deixou o Café Central e rumou, Caminho da Fonte e Praça acima, á procura do faltoso indo encontrá-lo na Taberna do Manel Canhoto encostado ao balcão “manuseando” mais um de três tinto. Então??? Está tudo á tua espera!!!. Vou já para baixo…vai tu já andando que eu não demoro nada, disse.
Voltou mestre João ao Central levando a boa nova do seu rápido aparecimento.
Momentos depois O FALTOSO (e o seu instrumento) sai correndo da taberna a caminho do BAILE escondendo-se com o “buxo” do Jardim das Meninas, atravessa rapidamente o Caminho da Fonte e senta-se numa das cadeiras atribuída aos músicos. FICANDO SÓ, já se vê, porque propositadamente se não anunciou.
Pela janela do Central alguém o viu e exclamou: OLHEM-NO, JÁ ALI ESTÁ.
Dirigindo-se-lhe Mestre João Salomé algo agastado com a atitude, reagiu assim o faltoso:
 A FALTA NÃO É POR MIM…já algum tempo que aqui estou sentado à vossa espera.

Moral da história: De FALTOSO passou a CUMPRIDOR.
 PIMENTA, é claro.

Abraços para todos
 Tói da Dadinha
XXXXXXXXXXXXXXXXX


Comentário para destacar:

Esta memória deliciosa trouxe-me a recordação do João Salomé, grande amigo e mentor nos tempos da minha adolescência. Em noites de Verão (férias grandes) espreitávamos com ele o céu estrelado..., em busca do Sputnik que os soviéticos tinham lançado. Como todos sabem, o mestre João Salomé era um homem de esquerda, ouvia a rádio Moscovo, e agradava-lhe com muito gozo que os russos tivessem tomado a vanguarda da era espacial. «Olhem... lá vem ele aqui mesmo por cima de nós... o socialismo já anda à volta da Terra!».
Com ele também aprendi a tocar viola. Em tardes encaloradas, metiamo-nos na sua loja de ferrador, já em decadência por motivos óbvios..., ele fazia os solos com o seu belo banjo e eu lá ía afinando os acordes que me ensinava, com a viola. Quando os Beatles editaram o "Yesterday" bastou-lhe ouvir a canção uma vez e logo a dedilhou no banjo e na viola; fiquei estupefacto!
Se me é permitido, gostava de fazer uma pergunta ao amigo Tói: o Pimenta..., recordo o nome mas é-me difícil encontrar o seu perfil fotográfico nas minhas memórias; era um tipo baixo e magro, com óculos, que tocava caixa na banda... e de personalidade um pouco pirracenta (como aliás nos dá a entender a tua memória)?


Obrigado e aquele abraço alandroalense.


Luis Fernando 



4 comentários:

Anónimo disse...

Mais um bom momento relembrado pelo amigo Tói

Lisette Alvarinho disse...

Chico tal como já te tinha dito, no email que te enviei, fiquei deslumbrada com o texto da Joana. Não encontro adjectivos que se ajustem para o qualificar. Pensei em alguns : "génio" "talento" " prodigio" mas acho que todos eles são "menores". Um beijinho de parabéns à Joana, aos pais e aos avós. Força Joana és um prodigio!!

Anónimo disse...

Esta memória deliciosa trouxe-me a recordação do João Salomé, grande amigo e mentor nos tempos da minha adolescência. Em noites de Verão (férias grandes) espreitávamos com ele o céu estrelado..., em busca do Sputnik que os soviéticos tinham lançado. Como todos sabem, o mestre João Salomé era um homem de esquerda, ouvia a rádio Moscovo, e agradava-lhe com muito gozo que os russos tivessem tomado a vanguarda da era espacial. «Olhem... lá vem ele aqui mesmo por cima de nós... o socialismo já anda à volta da Terra!».
Com ele também aprendi a tocar viola. Em tardes encaloradas, metiamo-nos na sua loja de ferrador, já em decadência por motivos óbvios..., ele fazia os solos com o seu belo banjo e eu lá ía afinando os acordes que me ensinava, com a viola. Quando os Beatles editaram o "Yesterday" bastou-lhe ouvir a canção uma vez e logo a dedilhou no banjo e na viola; fiquei estupefacto!
Se me é permitido, gostava de fazer uma pergunta ao amigo Tói: o Pimenta..., recordo o nome mas é-me difícil encontrar o seu perfil fotográfico nas minhas memórias; era um tipo baixo e magro, com óculos, que tocava caixa na banda... e de personalidade um pouco pirracenta (como aliás nos dá a entender a tua memória)?

Obrigado e aquele abraço alandroalense.

Luis Fernando

Anónimo disse...

PIMENTA foi sempre "e muito" pirracento. O perfil que dele traçaste assentava-lhe que nem uma luva.
Muito baixo e magro, usava óculos de lentes bastante grossas (via péssimamente mal)e tocava caixa na Banda, sendo autor da resposta acerca de uma sua desatenção em pleno ensaio: «Disse-lhe o Mestre: Rufe Sr. Pimenta!!! Rufo se eu quiser. Mas sempre rufando».
Era muito amigo dos meus primos Salomés, com quem tertuliava pelas Quintas e Jardins dos termos da nossa terra onde, regularmente, ocorriam animadas "petisqueiras", que eles "apoiavam?" dedilhando as violas.
Outros os tempos. Outras as vivências.
Nasceu em Janeiro de 1909, vindo a falecer no Lar da Misericórdia em Outubro de 1977.

Ao Luis Fernando, com amizade.

Abraços para todos

Tói da Dadinha