QUE RELAÇÃO ENTRE CIDADÃO E CONTRIBUINTE? -
Neste mundo paranóico, onde as certezas deixaram de ser realidades da vida, onde a razão quase sempre deriva de posturas ou vontades criadas para o efeito, por incrível que pareça o Zé torna-se contribuinte logo á nascença, com ou sem Maternidade o fisco embolsa no primeiro minuto, os lucros e impostos do leitinho, das papas e das fraldinhas, as taxas das águas e resíduos sólidos em casa aumentam exponencialmente, a favor das sequiosas elites do ambiente e outras ramificações expeditas.
- Porque assim é, no nascimento tudo aponta para negócio. O registo obrigatório do nome deveria contemplar a possibilidade de escolha de freguesia ou nacionalidade, conforme as condições disponibilizadas á data em vigor, por parte do Estado ou da Autarquia, para se poder inferir da razoabilidade e da certeza se poder usufruir de bons e competentes serviços, sem custos excessivos ou suplementares, levando-nos a aceitar de bom grado a especificidade de cidadão ocasional ou vitalício.
- Ao que parece a qualidade de cidadão não garante a nacionalidade sem a obrigatoriedade da renovação do Bilhete de Identidade 5 em 5 anos. Tudo indicaria que tal estatuto estaria previsto na Constituição, o que se confirma é a necessidade de encostar a barriga ao balcão periodicamente para fazer o depósito do custo dos emolumentos e taxas várias, isto é: a chamada maquia certa.
-Mais se assemelhando a uma peste, os emolumentos, os selos e outras tantas invenções e aberrações, atacando tudo e mais qualquer coisa, não vindo á ideia qual o movimento que se possa executar, tendo a possibilidade de não ser taxado.
- Práticas garantidas e ditadas por uns quantos, que á sombra da bananeira se movimentam, fazendo pressão e invenção, alvitrando e tirando coelhos da cartola, mostrando-se uns bonzos de simpatia em sítios comunicativos e de relevo, defendendo a sua dama, para logo ali tirarem proveito da ilusória e enganadora venda das suas pechinchas.
- Em contraponto o cartão de contribuinte não expira, mantendo-se sempre válido e activo. Mesmo que caducado todos continuamos a aceder aos desejos do pagamento de mais impostos, nos combustíveis e lubrificantes, nos seguros, na compra do carro, nas reparações e pinturas, nos pneus e tudo o mais, incluindo o imposto de circulação e as inspecções, sem que as ofertas nas condições das estradas e arruamentos, o tapar dos buracos e lancis, os estacionamentos, se vejam melhorias substanciais, é apenas um exemplo deste sector.
- Tratados como pedintes, considerados infractores, tendo a noção de ser vistos indiscriminadamente como delinquentes por parte Estado e dos seus agentes, ninguém aprecia certamente ter problemas judiciais, conhecendo as fobias e solicitudes dos agentes de segurança que, pertencendo a uma elite, nos tratam por vezes abaixo de cão e se consideram em plano superior. Basta o cartão estar caducado, não tem direito e identificar-me… prenda-se, não servindo sequer para poder ser considerado um cidadão normal face ao descuido.
- Hoje não serve protestar, porque ninguém liga ao protesto individual. A táctica é minimizar tudo o que dá chatice, pagando tudo o que alguém julgou ser obrigatório. A cidadania só se consegue ficando em favor para quem governa e tem a obrigação de resolver as situações, o deixa andar indefinidamente, o diz e o desdiz arrogante, o combinado ao anulado é um passo, esperar até um dia qualquer, como que se a democracia tivesse apenas um sentido, fazendo lembrar resquícios de algum 25 de Abril passado, ou parental do 1º de Dezembro.
- A liberdade e a cidadania de cada um não necessita de cartão identificativo, tal objecto inventado por controladores de liberdades excepcionais, com o fito de conhecer os meus passos e os locais por mim visitados, as minhas qualidades, defeitos e preferências, os meus amigos suas posições, relacionamentos e razões, obrigando-me a escorregar para demonstrar o que pretendem que seja, e não aquilo que sou, nesse caso uma figura contribuinte.
- De quando em vez seria bom deixar caducar todos os documentos e cartões de cidadania, havendo um tempo propício para a análise das condições existentes para a fruição e vivência da mesma, atendendo a situações concorrenciais e de interesses múltiplos que a cada um podem ser oferecidas, estando a lembrar-me da faixa raiana com Espanha, e não só… a possibilidade da oferta de melhores condições, optando pela emigração para a Ilha da Madeira ou outro qualquer país de acolhimento, visto que aqui ninguém pode garantir se ser professor ou tesoureiro da Fazenda Pública é bom, se investir em imobiliário é melhor que o negócio de cascas de alho ou as acções da bolsa em poços de petróleo, já que comerciante ou industrial os resultados estão vistos.
- Porque devem ser as autoridades a provar quem não é cidadão e porquê, a sociedade civil reage muito mal, aos marginais do emprego, ás patranhas de orientação difusa do DGV, o Aeroporto, os Serviços Públicos, o agravamento do custo de vida, as fragilidades económicas, políticas e dos partidos, o aumento dos impostos e taxas, a diminuição do apoio aos mais carentes, desde a saúde á educação, passando pelas políticas correctas do casamento, da procriação e dos idosos, leva á rejeição das ideias políticas daqueles que, por mais de uma vez se sentiram defraudados em eleições, por quem não esclareceu tudo ou mentiu descaradamente.
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