JOSÉ POLICARPO
Manta de retalhos
A ligação pedonal que, também é ciclovia, entre o Bacêlo e a
cidade, o centro histórico, é uma decisão muito meritória e, por isso, deixo
aqui o meu franco aplauso à Câmara Municipal de Évora.
Na verdade, esta
infraestrutura permitirá aos habitantes desta freguesia que, é a segunda mais
populosa do concelho de Évora, deslocaram-se ao centro histórico prescindindo
dos transportes poluentes e fazerem-no de forma saudável e concomitamente, em
defesa do meio ambiente.
Contudo, esta
realidade que agora enalteço, coabita com uma outra que é absolutamente
inaudita e incompreensível para uma cidade que ostenta o qualitativo de
património da humanidade. Refiro-me ao péssimo estado em que se encontra a
ecopista e a rede viária que serve o concelho de Évora, nomeadamente, as
estradas municipais que servem a freguesia do Bacêlo, hoje, união das
freguesias de Bacêlo e Senhora da Saúde.
Temo que a nossa
cidade caminhe, inexoravelmente, para uma grande manta de retalhos, onde os
aspetos positivos estejam entrecruzados com os aspetos negativos. O problema
maior, se é que ainda não anteciparam, é que os aspetos negativos, mesmo que
sejam em menor número, marcam mais as perceções das pessoas.
Por isso, se o
objetivo é termos uma cidade competitiva a nível da oferta turística, como,
ainda, capaz de atrair investimento nacional e estrangeiro, teremos que,
alterar visões, anquilosadas e anacrónicas.
Se o poder
autárquico está convencido de que a estratégia é fazer algumas coisas de raiz e
ignorar a manutenção das infraestruturas existentes, está absolutamente
equivocado. Poderá ganhar no curto prazo, mas hipotecará, definitivamente, o
futuro. Nem todos merecemos ou queremos isto.
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