quarta-feira, 9 de maio de 2018

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                                                              JOSÉ POLICARPO
                                             A PIOR DAS VERGONHAS
Que o nosso país é pouco dado às responsabilidades coletivas, poucos serão os de boa-fé que terão dúvidas disso. Há mesmo quem defenda que, não é preciso ser sério e honesto, para estar à frente de um organismo público ou de uma autarquia. Desde que, para isso, faça obra, ainda que o preço seja duas a três vezes mais do que aquilo que seria se não houvesse procedimentos à margem da Lei.
Vem isto a propósito dos números verdadeiramente, indignos que traduzem o fenómeno da pobreza no nosso país, que na segunda-feira foram noticiados. Já sabíamos que somos perdulários no que toca à divida pública, somos mesmo um dos países mais endividados do mundo. Já sabíamos que somos um dos países que menos confia nos políticos e no sistema judicial. Agora ficámos a saber que um 1/4 da população portuguesa vive em risco de pobreza.
Na verdade, estas 2 400 000 pessoas que estão em risco de pobreza são cidadãos portugueses. Por isso, a nossa comunidade não pode nem deve fazer de conta que não existem. Até porque se não existissem deveres resultantes da consciência de cada um, como o da solidariedade, no nosso contrato social, leia-se a Constituição da República Portuguesa, a dignidade das pessoas está inequivocamente consagrada.
Ora, o critério de utilização dos recursos públicos tem e deve ser muito mais exigente, como, também, a sua fiscalização. Casos como os da falência de bancos em virtude de gestão danosa, não podem acontecer no número que aconteceram. Segundo se fala, as imparidades, o crédito quase irrecuperável dos bancos, ascendem quase os cinquenta mil milhões de euros. Se parte significativa deste dinheiro fosse emprestado a quem sabe criar riqueza, teríamos muito menos pobres, porque tínhamos mais e melhor emprego. O que falta fazer? Sermos mais exigentes uns com os outros.



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