sexta-feira, 9 de junho de 2017

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                                                        RUI MENDES
                                         ELEIÇÕES NO REINO UNIDO
Realizaram-se ontem as eleições parlamentares no Reino Unido.
Eleições que foram marcadas, numa altura em que a expectativa do voto nos conservadores era claramente maioritária, e que teve dois sentidos:
O primeiro, o de reforçar o grupo parlamentar dos conservadores, aumentando os 331 deputados, algo que parecia ser fácil de atingir há três meses atrás.
O segundo, para dar legitimidade política a Theresa May, a qual é designada no cargo de primeira-ministra em resultado da demissão de David Cameron, em consequência da votação do Brexit.
Theresa May foi sempre referindo que estas eleições seriam para dar força ao governo nas negociações que se avizinham para a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia, algo que o eleitorado não terá acolhido, até porque os tories tinham a maioria dos deputados, pelo que não seria certamente pela falta de apoio parlamentar que as negociações com a Comunidade Europeia estariam enfraquecidas.
Mas veremos como será constituída a base parlamentar do governo.
E não deixará de ser curioso que, quer uma parte substancial do partido conservador, quer os liberais, não sendo favoráveis ao Brexit, poderá ser a base politica que, muito provavelmente, terá que assumir as negociações do Brexit. Algo que não deixa de ser estranho.
Espera-se que os conservadores tenham aprendido com estas duas últimas eleições. Ao provocá-las, por razões de estratégica politica, os eleitores responderam com um resultado inicialmente não esperado.
As eleições não têm resultados previamente estabelecidos, não servem para validar estratégias pessoais, e os eleitores não se deixam influenciar quando se pretende utilizá-los para lhes definir previamente o sentido de voto.
Theresa May não conseguiu nenhum dos seus objectivos.
Não conseguiu reforçar o grupo parlamentar do seu partido, perdendo a maioria parlamentar. E a sua legitimidade enquanto primeira-ministra também não ficou fortalecida, ficou muito mais fragilizada.
A estabilidade política do Reino Unido ficou incerta, precisamente o contrário do que se pretendia com estas eleições.
Com a necessidade de negociar a saída da Comunidade Europeia estas eleições vieram criar problemas que não se previam, e que poderão reduzir o foco e a capacidade do Reino Unido no processo que se aproxima.
E não nos esqueçamos que o Reino Unido tem uma especial importância para Portugal, não só por ser o nosso aliado histórico, mas porque existem importantes comunidades de portugueses a viverem e trabalharem no Reino Unido, e de comunidades, especialmente ingleses, a viverem em Portugal, pelo que todo este processo não nos será indiferente e as consequências do Brexit também não o serão.
Até para a semana
Rui Mendes



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