quinta-feira, 16 de março de 2017

INSTITUIÇÕES DE RELEVO EM VILA VIÇOSA – Por Tiago Salgueiro

     Os 80 anos dos Bombeiros de Vila Viçosa e a Fundação da Casa de Bragança

Em 2017, mais precisamente no dia 27 de Junho, comemoram-se os 80 anos de vida da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa. 

A relação entre este organismo e a Fundação da Casa de Bragança foi motivo para uma pesquisa sobre a história partilhada entre estas duas Instituições, que têm mantido um diálogo permanente ao longo destas oito décadas.
Comemorar o octogésimo aniversário dos Bombeiros de Vila Viçosa é celebrar o esforço abnegado daqueles que permitiram a sua criação e dos seus sucessores, numa missão que foi aperfeiçoando-se e progredindo, ao longo das últimas décadas, à luz de uma história de altruísmo, coragem e sacrifícios.
E como a categoria em que se classifica a importância dos Homens se deduz, não da sua vida eloquente ou obscura, mas do valor dos actos que praticam, aprendemos a olhar para os Bombeiros como heróis…
Resumir a história comum entre a Fundação da Casa de Bragança e os Bombeiros de Vila Viçosa representou um desafio sob a forma de viagem a um passado recente, onde se interligaram documentos, imagens e testemunhos orais… Muito haveria por narrar, tendo em conta o volume de acontecimentos partilhados pelas duas instituições.
A descoberta dos elementos escritos que alicerçaram esta relação demonstraram que de facto, a partilha e a cooperação entre a Fundação e os Bombeiros foi uma constante desde 1937 até a actualidade.
Trata-se de uma história solidária, intensa e duradoura, que se reflecte no interesse de ambas instituições em atingir os desígnios a que se propuseram… A preservação dos bens culturais contidos no Paço Ducal por parte da Fundação e a missão humanitária de combate a incêndios por parte dos Bombeiros.
Por seu turno, a Fundação sempre teve disponibilidade em colaborar com os Bombeiros no que diz respeito aos equipamentos de combate a sinistros que pudessem eventualmente colocar em causa o património sob sua tutela.
Desde a sua origem, os Bombeiros assumiram que o Palácio era o ponto mais sensível em termos de risco de incêndio e a formação do seu corpo activo sempre teve especial incidência sobre esta questão. O Paço Ducal constituiu um motivo de preocupação constante para os Bombeiros de Vila Viçosa, na medida em que o seu legado patrimonial, único e insubstituível, está integrado em estruturas de construção constituídas maioritariamente por materiais combustíveis.
O Conselho Administrativo da Fundação da Casa de Bragança, sob a presidência do Dr. António Luiz Gomes, a partir de 1945, interessou-se vivamente pela associação dos Bombeiros voluntários de Vila Viçosa e pelo seu adestramento e eficiência, proporcionando-lhe frequentes sessões de instrução e aquisição de equipamentos e materiais necessários.
Como foi salientado, as preocupações com o Paço Ducal e o seu conteúdo sempre foram alvo de atenção especial por parte dos bombeiros de Vila Viçosa e periodicamente, nos anos 40, deslocavam-se a esta localidade elementos dos sapadores bombeiros de Lisboa, para vistoriarem o edifício e ministrarem formação aos elementos da corporação de Vila Viçosa.
A instrução aos Bombeiros começou a ser orientada pelo Chefe Mário de Almeida, dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, a expensas da Fundação, em Maio de 1946, tendo interrompida unicamente nos anos de 1947-48.
Nesse mesmo ano, no dia 8 de Agosto, chega a vila Viçosa uma moto-bomba oferecida pela Fundação à corporação de Bombeiros. A chegada deste equipamento a Vila Viçosa originou um verdadeiro entusiasmo público, que culminou com várias romarias ao quartel. Refere-se, na documentação consultada, que este equipamento não tinha exemplares semelhantes na região.
A aquisição da escada Metz Magyrus em 1952 é um outro exemplo paradigmático…
Num processo demorado de avaliação de propostas e análise sobre as diferentes marcas disponíveis, a Fundação da Casa de Bragança avançou para a aquisição deste equipamento, considerado fundamental para fazer frente a qualquer eventual sinistro no Paço dos Duques.
Mas não só a aquisições ou patrocínios se restringe a história entre as duas instituições. No triénio 1953-1956, o conservador do Paço Ducal, Dr. João de Figueiredo, exerceu as funções de Presidente da Assembleia Geral da Corporação dos Bombeiros de Vila Viçosa, como representante do Conselho Administrativo da Fundação da Casa de Bragança.
Este diálogo institucional não se resumiu unicamente à formalidade dos apoios monetários para aquisição de meios de combate, mas incluiu também a utilização de espaços para a realização de actividades lúdicas e culturais, cujas receitas revertiam a favor dos Bombeiros e que em muito contribuíram para o seu desenvolvimento ao longo destes 80 anos de história.
Não serão suficientes as palavras para justificar a grandeza do valor dos Bombeiros, da sua lealdade e dos seus méritos e é nesse contexto que deve ser entendido o profícuo relacionamento com a Fundação da Casa de Bragança.



Tiago Salgueiro




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