Deixa-me
falar
Tu, deixa-me falar
contigo amor
Ao menos uma
só vez, nesta vida
Ouve o meu coração
neste clamor
Atrasa um pouco
mais essa partida.
Não quero aqui
ficar em desamor
Assim, desamparada
alma doída
Sempre por ti zelei,
pondo primor
Em tudo o que
te dava desprendida.
Quero o porquê
saber deste despeito
Se não tens uma
pedra no teu peito
Quem ao teu
coração tanto mal fez?
Pois o meu sinto
já quase desfeito
Sabendo que não
há ninguém perfeito
Escuta-me,
meu amor, mais uma vez.
Ausenda Ribeiro
COMO O POETA AMA
Ama ao
romper da aurora, cintilante
Ao pressentir, na
brisa o seu lamento
Ao calor sensual,
do corpo amante
Ao contato dum
beijo mui sedento.
Ama ao sentir a
rosa inebriante
Ao suave enlaçar
dum sacramento
Ao olhar um
sorriso hilariante
Ao poder
contemplar o firmamento.
Ama o desabrochar
da bela flor
Ama ao remomerar
um velho amor
Ama o que provier
da Natureza.
Ama o doce afagar
a quem tem dor
Ama o satisfazer o
seu leitor
Ama o valor e
nunca a vil riqueza.
Ausenda Ribeiro
MOMENTO MÁGICO
Espalhada pelo
ar sinto a magia
Vinda do teu
olhar profundo afável
Logo teu corpo
ardente refulgia
Preso ao meu
num abraço inevitável.
E esvai-se, por
milagre a nostalgia
Num beijo dum
encanto inesgotável
Em nossos
corpos só impulso agia
Tal a
sofreguidão irrefutável.
Foi um momento
mágico de encanto
Sentimentos ao
rubro e entretanto
Dois corações
amaram-se a compasso.
Protegidos por
forte e denso manto
Em êxtase
escutámos terno canto
E fomos p'la magia
presos num laço.
Ausenda Ribeiro
1 comentário:
Coisa boa, qual Florbela Espanca.
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