segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA/FM

Crónica de Miguel Sampaio

Segunda, 31 Janeiro 2011 10:14
Muito se tem comentado o apoio do Bloco de Esquerda à candidatura de Manuel Alegre.
Será importante frisar que quando questionado acerca dos valores que nortearam a sua candidatura, Manuel Alegre foi claro:
"A defesa do Estado Social, antes de mais. O Presidente não pode permitir que se aproveite a crise para pôr em causa o Serviço Nacional de Saúde universal, a Escola Pública gratuita e os direitos dos trabalhadores e dos pensionistas.
Como Presidente o meu compromisso será com os direitos sociais e os serviços públicos que trouxeram à Europa cinquenta anos de paz política e social e a Portugal trinta ano de um extraordinário desenvolvimento social, económico e político.
Desses valores constitucionais, nunca abdicarei."
Foi este compromisso publicamente assumido, que levou o Bloco a envolver-se nesta luta, convicto que o candidato por si apoiado poderia chegar à vitória.
Conhecíamos bem os riscos que corríamos ao fazê-lo. Se o Partido socialista viesse a apoiar Alegre, como mais tarde se confirmou, este movimento poderia ficar ferido de insanável contradição, entre as declarações de princípio do candidato e a prática totalmente contrária deste partido.
Agora, depois da liça, a leitura mais curial é que foi precisamente essa a aposta do PS, esbulhar a candidatura, com o seu declarado apoio, de qualquer hipótese de sucesso. Porque uma coisa são as juras de amor, outra completamente diferente é a concretização dessas mesmas promessas.
Convinha ao PS uma vitória pouco concludente de Cavaco, agradava ao PS a humilhação de Alegre; conseguiu-o.
Mesmo que nenhuma das outras candidaturas, à excepção da de Francisco Lopes dissesse ao que vinha, nenhuma fosse clara nos seus intentos nem tão-pouco nos seus patrocínios, foram, isso sim, candidaturas de descrédito, que minaram a única proposta à esquerda com alguma possibilidade de sucesso.
Se a esquerda tivesse um candidato consensual talvez a história tivesse sido outra, mas tal não aconteceu, nem aconteceria se o Bloco tivesse apresentado um candidato próprio, como não aconteceu com o PCP.
Não deixa de ser interessante contudo, que com o ataque desenfreado que está a ser perpetrado contra os trabalhadores deste país, com o que se está a passar nos países do Sul da Europa e do norte de África o tema de debate político de alguma esquerda sejam os malefícios que o apoio do BE a Manuel Alegre causaram à putativa unidade da esquerda neste país.
Enfim, prioridades...
Até para a semana.
Miguel Sampaio

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