Introdução do Editor :
Desde há muito que aqui publicamos as “A VERDADE HISTÓRICA SOBRE A EVOLUÇÃO DOS GOVERNOS QUE NOS CONDUZIRAM AO PRESENTE REGIME QUE VIGORA EM PORTUGAL”
São lições da História de Portugal, relatando factos que só uma pesquisa apurada (não ao alcance de qualquer um) nos permite adquirir conhecimentos do Portugal de outros tempos.
Esse o motivo que nos fez solicitar ao Dr. Laboreiro autorização para aqui transcrever-mos as suas crónicas mensais publicadas na Folha de Montemor, e porque não está ao alcance de qualquer um relatar (com documentação e citações capazes os factos expostos) o que foi a História de Portugal.
É difícil “copiar” o texto da publicação do Jornal, (já que não nos é possível obter o suporte informático do mesmo) – e correr-mos o risco de alguma deturpação.
No entanto e pese embora, até à data os comentários sobre estas crónicas (no meu entender), não corresponderem ao valor dos textos, continuarei a publicá-los nem que seja apenas para o Homero.
Já agora: leiam os primeiros parágrafos, meditem, comparem e vejam se encontram semelhanças entre o passado e o presente.
F.Tátá
O Crepúsculo da I Republica
Acreditamos nas palavras do insuspeito Raul Brandão, quando – nas vésperas da Revolução de 5 de Outubro – se lamentava: “ A nossa época é horrível porque já não cremos – e não cremos ainda. O passado desapareceu, de futuro nem alicerces existem. E aqui estamos nós sem tecto, entre ruínas, à espera…” Aceitamos, igualmente, que o Rei D. Manuel II ansiasse que os seus governantes (em vez de privilegiarem satisfazer os seus interesses e o dos seus partidos) solucionassem os problemas dos pobres, o trabalho, a habitação, a educação – resgatando o cordão umbilical que durante séculos unira o povo à monarquia.
Porem, as lutas internas no seio dos partidos monárquicos (quer Progressistas, ou Regeneradores) eram acirradas – criando um enfraquecimento interno no regime que defendia a Realeza.
A agravar a decadência da Monarquia, foram descobertas ligações de favorecimento de alguns empresários (mediante gratificações dadas por estas empresas) preparados por políticos ligados aos Reis D. Carlos e D. Manuel II – o que, para alem de prejudicar o tecido empresarial do país (o sério e responsável), constituía um verdadeiro escândalo económico-financeiro, pois ia francamente contra a Ética. Ainda em maré escândalos (que colocavam a Monarquia em situação difícil), seriam descobertos também desfalques (no Crédito Predial e na Imprensa Nacional) envolvendo grandes quantias de dinheiro – feitos por altos funcionários ligados aos líderes dos partidos monárquicos; sendo igualmente a imagem da Monarquia e do Rei, abalados com o escândalo político da penhora de bens (vinda do Tribunal da Relação de Lisboa) contra a Rainha D. Maria Pia (avó do Rei D, Manuel II) – por dividas da Rainha a um credor francês.
Ora, a debilidade do regime monárquico seria aproveitada pela oposição republicana, que – mercê da oratória dos dirigentes republicanos, e pela acção da Carbonária (associação de militantes republicanos de forte e incisiva doutrinação) – consegue “conquistar a rua” (como provariam as vitórias republicanas nas eleições dos municípios das grandes cidades – Lisboa, Porto e Setúbal).
A vitória republicana na Revolução de 5 de Outubro de 1910, deveu-se , é certo, ao entusiasmo popular e ao fervor político e patriótico de um contingente de militares republicanos, com fé na mudança de regime; mas deveu-se também à apatia, à carência de empenho na luta pela defesa da Monarquia ( porque não acreditava no regime monárquico) por parte de grande número de militares, que fora mandar enfrentar os soldados, marinheiros e populares republicanos revoltosos: Isto, em Lisboa; porque ao resto do país, a Revolução alastrara-se por telégrafo: o país aderira prontamente à Revolução Republicana.
Porem, grandes seriam os obstáculos que os 16 anos da Republica Democrática iriam enfrentar: ataques armados e favorecidos pela monarquia espanhola), no Norte do país e na região de Lisboa, a sabotagem das fracções da direita ultramontana e conservadora, o carácter essencialmente rural do país ( que, com excepção dos grandes centros populacionais revelava forte analfabetismo), a forte pressão da Igreja conservadora e do caciquismo dos grandes proprietários rurais (aproveitando o analfabetismo do povo rural) , tudo isto despoletando uma constante instabilidade.
E certo que o regime republicano tentou transformar a mentalidade do povo rural (colonizada pelo caciquismo); porem face aos boicotes, aos boatos, às calúnias anti-republicanas, aos radicalismos de algumas facções republicanas (criando um clima de flagrante incerteza), não foi possível ao republicanismo integro criar, em cada português o cidadão consciente, digno, responsável, culto, vertical, autónomo e patriótico – que pretendiam Sérgio, cortesão, Raul Proença ou João de Barros.
Este clima de insegurança, abriu portas ao golpe de 28 de Maio de 1926 . golpe militar que iludiu alguns republicanos de boa-fé (que desejavam uma paz política que trouxesse a prosperidade): mas que – descobrindo o logro do golpe conservador que se transformaria na ditadura do Estado Novo – se revoltariam por várias vezes, sendo em represália deportados pata Timor, Moçambique, Angola ou para o campo de concentração do Tarrafal (como sucedeu aos marinheiros da revolta de 1936).
Referindo o ideal democrático da Republica integra, criada com a Revolução de 5 de Outubro, diz-nos António Sérgio: “ Os ataques de que sofreu Portugal desde 1910 a 1926 tiveram como origem mais remota certas condições socio-económicas a que esteve submetido a nossa grei durante o transcurso da sua história, e como causa imediata e próxima uma concepção desacertada da democracia, ou seja a que liga à “expansão emotiva” e a ideais concebidos de maneira vaga, quando a democracia se deverá sempre buscar na concentração voluntária e no auto-dominio, bem como no empenho de ensinar o povo a libertar-se dos parasitismos que há muito o oprimem. Esta libertação convirá que se alcance pelo trabalho quotidiano, criador, ordeiro, nas associações cooperativas e nos sindicatos (livres), na administração dos negócios das autarquias locais”.
Anote-se porém, que o golpe de 28 de Maio de 1926 obrigou Sérgio, Raul Proença, Bernardino Machado, Afonso Costa (e mais republicanos) a refugiarem-se no estrangeiro – onde viveriam em situações económicas difíceis: o regime da ditadura instalada tinha receio das ideias democráticas.
Ao longo do regime do Estado Novo, as ideias democráticas da I Republica alimentariam a “Resistência” clandestina à ditadura de Salazar e Marcelo Caetano – tanto através do MUD, como através do PCP e do PS (movimentos na clandestinidade).
O ideal republicano manteve-se vivo ao longo da Ditadura – iluminando, nas suas linhas-de-força ideológica, a Revolução de Abril de 1974. Lembrando os ideais republicanos da “Resistência”, recordando as dezenas de milhar de presos políticos republicanos e democráticos (durante a ditadura), constata Fernando Rosas: “é essa Republica retemperada e redescoberta com o sacrifício, até há poucos anos quase ignoto, de tanta gente, essa Republica que inspirou a resistência à Ditadura Militar e ao Estado Novo, enquanto tentativa pioneira de democratização e da modernização social e política do país, que faz sentido lembrar e assinalar nos seus cem anos.
José Alexandre Laboreiro
(Copiado do mensário “Folha de Montemor” (mês de Dezembro) e publicada pelo Al Tejo com a devida autorização do Autor).
2 comentários:
Caro Amigo Xico MANEL, sinto-me demasiado lisonjeado ao dedicares-me a publicação deste belo texto do Dr.LABOREIRO por essa atenção o meu muito obrigado e como tal, obrigas-me a ter que responder ou aceitar comentar o trabalho do Dr. LABOREIRO.
De forma alguma tenho pretensões de comentar o que foi escrito, posso indelevelmente abordar a temática apresentada e deixar aqui a minha opinião acerca dos factos.
Quanto a mim, sobressai o comentario/expressão de Raul Brandão e é nele, que devemos debruçar a nossa situação actual...Está exactamente como ele nos quis dar a entender!!!
Não acreditamos em ninguém,julgamos já não ter passado e de futuro nada existe, pois se não há passado, os alicerces desapareceram...
Estamos tal como um navio á deriva,só o vento ou a maré nos poderá salvar, isto se, nos conduzirem a um bom porto, tarefa que me parece ser uma obra herculeana, perante tantas tempestades que nos assolam,de todos os quadrantes e sem que tenhamos um bom timoneiro...
Mas, e há sempre um mas, em tudo da nossa vida...
Acima de todos os problemas, temos que olhar em frente, sem medo, termos confiança em nós próprios, saber para onde queremos ir e como ir e talvez mais que tudo o resto, dar-mos a importância relativa a tudo o que os "media" nos impingem todos os dias, pois debitam informação que mais não faz do que desinformar e intoxicar a mente das pessoas.
Tal como no tempo de I Republica, continuamos com um problema estrutural, nada foi feito para o resolver, o compadrio existe, a corrupção existe,o caciquismo existe, o corporativismo existe, a justiça desapareceu, a educação foi cilindrada, a saúde tens que a pagar, afinal pergunto??? ao fim de tantos anos, será que quem nos governa, leo a nossa História???
Creio bem que não!!!
Como sabes, já não sou muito novo e olhando para a paisagem que me circunda,sinto-me aterrorizado e pergunto a mim próprio,afinal o que andei a fazer todos estes anos de vida? e não tenho uma resposta elevada para dar...Não tive a arte,o engenho ou o poder, para modificar as coisas, má sorte a minha, porque se de mim dependesse, a nossa sociedade, não estaria na situação em que se encontra.
Em sintese, tal como já aqui o afirnei, temos que pegar o boi pelos cornos, se sairmos ao primeiro derrote, temos que nos levantar e pegá-lo novamente,sem medos, pois não passa de um animal irracional, usemos o pensamento e a artimanha, para sair de tudo isto e vamos conseguir...
um abraço,
HOMERO
Alguem disse um dia:
_A história rpepte-se a si mesma.
E eu acrescento, agora com o nosso beneplácito consentimento.
Triste país este nosso.Que não merece os politicos que tem.
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