quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM


                                                                                                   JOSÉ POLICARPO
                 A regionalização é um meio e não um fim
O tema da regionalização volta a ser falado numa altura em que as novas competências no âmbito da descentralização foram levadas aos municípios portugueses. Parece-me, por esse motivo, extemporâneo e inoportuno abrir-se esta discussão política em simultâneo. O país mais distante desta questão não a iria entender, estou certo disso
Na verdade, a regionalização está consagrada na constituição e poderá ser concretizada assim os portugueses o queiram. Refiro-me como é evidente à criação de regiões administrativas no continente, porque as regiões autónomas da madeira e dos açores há muito que são uma realidade. São filhas do regime democrático.
Todos os estudos, sobretudos os comunitários, que se debruçaram sobre a aplicação dos dinheiros públicos, apontam no sentido de que ele, o dinheiro, é melhor aplicado, quanto mais perto estiver do contexto de quem dele necessita. Os especialistas nestas matérias denominaram como o princípio da subsidiariedade.
Ora, nesta esteira de argumentário, a razão de quem conhece e sabe, no que diz particularmente respeito às comunidades do interior do país, numa realidade que é muito centralizadora, como é a do nosso país, a regionalização, teoricamente, poderá fazer algum sentido. O desequilíbrio é muito grande entre as regiões do interior e do litoral. Esta questão parece-nos absolutamente inquestionável, o rendimento das pessoas do litoral é na sua esmagadora maioria superior ao das pessoas que vivem e residem no interior.
Contudo, temo que a regionalização não passe de uma forma menos clara de criação de emprego público e, nalguns casos, a perpetuação de forças politica que no contexto nacional estão a perder a sua influência. Por isso, a descentralização, só deverá ser considerada como instrumento politico para esbater o desequilíbrio entre o interior subdesenvolvido e o resto país.



NA IMPRENSA

APESAR DE…

NÃO HAVIA NECESSIDADE…
TOMOU-LHE O GOSTO! AGORA ATUREM-NO…

INFORMAÇÕES DA CAPITAL DO DISTRITO


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

CRONICAS DE CINEMA

            Homenagem do Al Tejo a Domingos Maria Peças
                       ( hoje a cargo do Rufino Casablanca)

                                                                                   “LAURA”
Um filme de Otto Preminger, produzido pela 20th Century Fox em 1944.
Gene Tierney, principal intérprete feminina deste filme, foi uma das actrizes mais belas e talentosas do cinema – da América ou de qualquer outro país e de todos os tempos – e até dizem que ainda era mais bela pessoalmente do que na tela. A propósito da beleza desta mulher, contava-se em Hollywood, lá pelo final dos anos trinta, que o chefão dos estúdios da 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck, chamou um dos seus agentes e encarregou-o de contratar a actriz, custasse o que custasse, pois nunca tinha visto uma mulher tão bela em toda a sua vida, e que era dela exactamente que ele precisava para interpretar uma personagem especial num filme que estava ainda na fase de preparação. Passados dias voltou a chamar o agente e disse-lhe que ficava sem efeito o que lhe tinha pedido antes, pois encontrara outra actriz ainda mais bela e mais talentosa, actriz essa que nesse preciso momento o esperava na saleta que dava acesso ao escritório. Um pouco gaguejando as palavras e pouco à vontade, o agente, que já tinha passado pela referida saleta, disse: “Chefe, a rapariga que está à espera na saleta, é precisamente Gene Tierney. Parece mais bela porque não está maquilhada.”
Esta espécie de anedota que corria por aquelas bandas apenas se destinava a exaltar a beleza natural e o talento desta actriz. E o filme a que Darryl F. Zanuck se referia era este mesmo, “Laura.”
Título Original: “Laura”
Título Português: “Laura”
Ano de Produção: 1944
Argumento: J. Dratler, S. Hoffenstein, R. Lardner – baseado num romance de Vera Caspary
Fotografia: J. La Shelle (ganhou um Óscar pela seu trabalho neste filme)
Música: David Raksin
Elenco: Gene Tierney, Dana Andrews, Clifton Webb, Vincent Price…
O argumento e o estilo de filmagem, é uma mistura que se situa entre o “film noir”, o filme policial, o drama psicológico e emocional e o melodrama. No início parece-nos um labirinto demasiado complexo para o qual será muito difícil encontrar saída. E no entanto, às tantas, tudo começa a parecer lógico e racional. Tudo nos parece natural à medida que o detective, interpretado por Dana Andrews, ele próprio também vítima da atracção obsessiva que todos os personagens vão sentindo pela assassinada, Laura, magnificamente interpretada por Gene Tierney.
Este tipo de filmes, que nos habituámos a ver realizados, sobretudo por Alfred Hitchcock, sempre nos surpreendem porque também nos habituámos a considerá-los de qualidade menor. Ora esse é um dos grandes erros em que qualquer um pode cair, até lhe sair na rifa um filme destes. Quando a história tem qualidade, quando o realizador sabe o que quer e como o atingir os fins a que se propõe, e quando os intérpretes têm a categoria destes de que estamos falando, com facilidade se chega à obra-prima. Não esquecendo, obviamente, todos os que na parte técnica cumpriram a sua obrigação e até a excederam, como foi o caso do homem da fotografia.
O filme policial, o filme de “suspense”, o filme de terror, gótico ou não, são géneros de cinema que todos identificamos facilmente. Pois em nossa opinião o “film noir” é um subgénero de todos esses géneros, no singular ou de todos simultaneamente. E no filme, objecto deste escrito, existe uma mistura de todos estes géneros.
Pois bem, contrariando opiniões de pessoas muito mais qualificadas do que nós nestas coisas do cinema, até críticos reputados, consideramos que este filme, Laura, não deve ser incluído no subgénero chamado de “cinema noir”, e, já agora, explicamos o nosso conceito desse género de cinema.
Assim:           
A fotografia será sempre a preto e branco. O orçamento de um “film noir” será sempre reduzido. Será sempre considerado um filme de classe B, e os argumentistas deste tipo de filmes normalmente assinam os seus trabalhos com pseudónimos porque se consideram acima destas fitas. Os actores e actrizes são sempre de segunda linha. E realizadores consagrados não executam estes trabalhos.
Ora com excepção da fotografia a preto e branco, tudo neste filme contraria o que acabámos de escrever: O orçamento foi, na época, considerado excessivo; o filme não pode ser considerado de classe B porque teve cinco nomeações para os Óscares, acabando Joseph La Shelle por receber a estatueta pela qualidade da fotografia; os argumentistas assinaram o trabalho com os seus próprios nomes; O elenco é primeira linha e o realizador é um nome consagrado.
Em resumo: Este filme não tem género outro que não seja o de um grande filme
Rufino CasablancaTerena – Monte do Meio – Dezembro de 1994

VIDE TRAILLER



CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM


                                                                                       CLÁUDIA SOUSA PEREIRA
                                       A Caixa (dá música)
O assunto da Caixa Geral de Depósitos chegou à campanha eleitoral. Uma espécie de novo tom para hinos de campanha, de novo terreno a juntar-se aos mercados e feiras, onde pouco mais se diz aos potenciais eleitores do que qual o nome e os rostos dos Partidos. São sobretudo tournées, oportunidades de mais populares verem ao vivo, com direito a beijoca e selfie, aqueles que lhes entram em casa tacticamente todos os dias, a dizer quase sempre mais ou menos a mesma coisa – que já nem os ouvem!
Porque para quem lê, vê ou ouve, com atenção, como prática regular, debates e comentários, notícias que não queiram só vender o sangue pelo sangue – que é aquele que não se esvai de mim nem dos meus – para estes as novidades vindas a público são, em termos gerais e sem o detalhe da fotografia dos procurados e talvez quem sabe um dia condenados, novidades pouco novas.
Não quero obviamente dizer com isto que não se devia ter mexido no assunto da Caixa. Até já chega tarde!… e, espantem-se muitos exaltados, graças a um Governo do PS. Espero é que seja como uma vacina por que esperamos há muito e seja, como tal, profilática de práticas a perpetuarem-se. Bom mesmo era que se espalhasse a notícia com contornos ainda mais úteis à saúde da Democracia e que se fizesse perceber aos muitos frequentadores, quase residentes de feiras, mercados e programas da manhã, como, à escala, resultam os jeitinhos e favorzinhos que, em podendo, tantos milhares de pessoas gostariam de obter. Percebe-se que o façam porque não vivem bem, porque lhes faltam bens ou serviços essenciais, mais uns que outros, mas sem que pensem que enquanto for só por jeitinho ou favor, ao ser fora de um sistema que tenha que mudar, alguém ficará prejudicado. Se não for directamente, será porque nada mudou para melhor e que ajude o próximo, como diz o discurso religioso que alguns, que o proferem em modo ladainha, já nem entendem. Como se só soubessem entoar de ouvido…
Pois sobre o assunto da Caixa Geral de Depósitos só me lembrou a intervenção daquela senhora deputada do PSD, acusada de ter marcado a presença por outro, e que resolveu insultar, até quem só falou do assunto, de “virgens ofendidas”. Já estou a imaginar os mesmos que julgaram todos os deputados pelo mesmo padrão a acenarem ao ouvir as palavras na voz fina e frágil da senhora deputada. E, às tantas, sem se aperceberem do “coro que estava a bater-lhes”! É uma pena que a música se possa prestar a tantas metáforas que pouco tenham a ver com a Beleza. É como a ficção!
Até para a semana.



DIZ-ME COM QUEM ANDAS, DIRTE-EI COMO FAZER!

                        OU… QUEM MANDA É O PARTIDO!
Apenas os municípios que têm gestão do PS vão aceitar este ano a totalidade ou uma parte das competências. Portel e Reguengos de Monsaraz aceitam todas as competências, enquanto Vendas Novas, Viana do Alentejo, Mourão e Alandroal só aceitam uma parte. As restantes oito autarquias do distrito, cinco lideradas pela CDU (Évora, Montemor-o-Novo, Arraiolos, Mora e Vila Viçosa) e três por movimentos (Estremoz, Borba e Redondo), recusam as competências.

MUDAM-SE OS TEMPOS....



O P.A.N. APLAUDE A IDÉIA E PREPARA-SE PARA A PROPOR A DISCUSSÃO NA A.R.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

DAR VALOR A QUEM O MERECE

Porque valorizamos todo o “trabalho” que de qualquer forma contribui para o reconhecimento e prestígio do Alandroal (nosso torrão natal), e, porque por vezes, nos é difícil compreender os motivos porque quem de direito desperdiça talentos que de maneiras diferentes contribuem para o engrandecimento do Alandroal, aproveitamos este meio para manifestar a nossa rejeição pelo ostracismo a que são votados.
Referimo-nos, neste caso a dois homens da escrita de seus nomes Manuel Correia  e Jerónimo Major.
Manuel Correia através do seu blogue «Amigos de Capelins». Tem feito um trabalho enorme quer na divulgação fotográfica de todo o Concelho, com destaque especial para  Capelins, como também uma busca incansável a propósito do passado desta freguesia, dando-nos a conhecer uma imensidão de Lendas, a par de um historial muito completo sobre os primórdios destes locais e origens de muitas famílias que ali habitaram. Um trabalho louvável a merecer uma divulgação em livro que se tornasse acessível a todos, e que mais tarde constituísse documento a lembrar o passado destes locais.
Idêntico motivo se pode aplicar a Jerónimo Major, cujo reconhecimento como Poeta Popular tarda em ser reconhecido, assim como a divulgação em papel dos seus poemas.
Da sua vasta obra, aliás várias vezes premiada, foi neste mesmo espaço publicado já há vários anos, o seu excelente «O CONCELHO DO ALANDROAL EM POESIA», obra em verso e ilustrada, que retrata o historial do Concelho do Alandroal, merecedora sem dúvida de ser adotada como instrumento de ensino opcional nas escolas do nosso Concelho.
Como a total divulgação do mesmo (dado as cópias se terem deteriorado desde que a obra aqui foi divulgada) se mostra tarefa impossível, e esperançado em que um dia possa ver uma brochura com a temática em referência editada, o Al Tejo pese embora tenha feito várias tentativas para recuperar a totalidade da obra, que como afirmamos já aqui foi dada a conhecer, não o conseguiu, pelo que aqui lhes deixo uma amostra deste trabalho.
Fica aqui expressa a minha homenagem a estes Alandroalenses ilustres que merecem sem dúvida a admiração de todos nós.
F. Tátá


F. Tátá - Fevereiro 2019

VASCULHAR O PASSADO

Uma vez por mês Augusto Mesquita recorda-nos pessoas, monumentos, tradições usos e costumes de outros tempos

                   Quinta da Amoreira da Torre e as Estátuas Romanas
 Segundo Mestre Túlio Espanca, a Quinta da Amoreira da Torre, antiga herdade agrícola e de recreio, está documentada desde 1321, quando pertencia ao Cabido de Évora, e é constituída por um núcleo original quatrocentista e quinhentista, ao qual se acrescentaram novos elementos nos séculos XVII, XVIII e XX.
Em 1437 a propriedade pertencia a D. Tareja, ama da Infanta D. Isabel, e cerca de quarenta anos depois, D. Fernão Martins de Mascarenhas era designado como donatário das terras.
O conjunto arquitetónico mais arcaico inclui a torre ameada que dá o nome à propriedade, a capela, o pombal, a alameda de loureiros, e a cerca com contrafortes cilíndricos e remates cónicos, elementos datáveis do início do século XVI, bem como a designada Fonte da Rainha, ainda de cronologia quatrocentista, assinalada por um elegante templete tardo-gótico em brecha da Arrábida.
A torre senhorial, de tradição medieval, é flanqueada por duas alas residenciais de tipologia barroca e neoclássica, com portal setecentista, completadas por diversos anexos distribuídos em torno de um pátio interior aberto por portão de aparato.
Ao longo da fachada posterior corre um largo tanque, que deita água sobre os jardins, alimentando diversos tanques de rega e recreio que, juntamente com as áreas verdes e pomares originais, já quase desaparecidos, contribuíram para a criação de um espaço paradisíaco, de ressonâncias islâmicas, no meio da aridez da planície envolvente.
A ermida, consagrada a Nossa Senhora da Penha de França, foi reconstruida, na quase totalidade, depois de 1687, a expensas e devoção da Condessa de Santa Cruz, mulher do 5.º Conde do mesmo título, D. João de Mascarenhas.
A sua festa era celebrada, com solenidade, no dia 15 de Agosto pelos beneficiados da Paróquia de Nossa Senhora da Vila e tinha missa dominical rezada à custa dos proprietários e dos lavradores vizinhos. A capela foi desafectada no séc. XIX, e perdida a sua piedosa imagem padroeira, que a doadora mandara fazer por cópia da titular de Lisboa.
A propriedade manteve-se na posse dos Mascarenhas desde o Séc. XVI, até ser adquirida em 1895 pelo importante proprietário e influente político Cipriano da Costa Palhinha, que D. Carlos I agraciou com o viscondado da Amoreira da Torre.
                                                           As Estátuas Romanas
Gabriel Pereira, escritor, tradutor e arqueólogo eborense, publicou  no Diário do Alentejo em Dezembro de 1886, um texto sobre a Quinta da Amoreira da Torre – e as Estátuas Romanas, do
qual seleccionei algumas passagens:
A Quinta da Amoreira da Torre fica a 4 quilómetros de Montemor-o-Novo na direcção de Arraiolos. Está numa grande planura, entre vastas folhas de lavoura, cortadas pelas sinuosidades da ribeira. Fez-me lembrar aquela linha de verdura coleando entre as terras limpas de certo conservador que chamava às ribeiras e às extremas das propriedades as serpentinas do campo. Tem um grande ar nobre o palácio da quinta, com a sua vasta quadra; o palácio ocupando um lado inteiro, sobressaindo a meio do edifício a alta torre quadrangular. O lado oposto do edifício dá para um enorme lago, cercado de jardins, hoje transformados em hortejos. Restam alguns pés de murta, seculares, enormes; e uma fonte, uma pequena construção elegante, cujos arcos e colunas são de pedra da Arrábida.
À entrada dos jardins uma ermida abandonada. Nada mais nos fala das passadas grandezas. Recentemente, há poucos anos, houve uns arranjos ou concertos burgueses que tornam o edifício habitável, e aproveitáveis as vastas oficinas que cercam a quadra.       
Àquela quinta ligam-se recordações históricas; ali pousaram reis, duques e condes, e houve festas campestres de grande explendor.
Vou explicar porque eu levava no meu plano visitar a quinta da amoreira. Consta que  D. Francisco de Mascarenhas (1530 - 1608), senhor da Amoreira da Torre, alcaide-mor de Mértola, era homem amador de antiguidades; e querendo enobrecer a sua casa da Amoreira, onde muito residia, para ali levou de Mértola antiguidades notáveis, estátuas e lápides.
Em 1758, o povo de Montemor-o-Novo por ocasião do atentado contra el-rei D. José I, correu em massa à Quinta da Amoreira da Torre e quebrou, destruiu brazões, móveis, objectos de arte, jardins, etc., e decapitou o marquês e a marquesa...
  Não teria ficado cousa alguma, não restaria algum fragmento dessas antiguidades achadas em Mértola, e tão importantes que o alcaide-mor, homem ilustrado, as fizera transportar em tempo de péssimas estradas para a sua quinta de Montemor, a boas 30 léguas de distância.
Nos estudos sobre Montemor coligidos pelo sr. Dr. Lopes Praça há uma leve referência a uma ou duas estátuas que parece que ainda ali existem. Vamos verificar, disse eu com o meu album.
Expus o meu problema ao hortelão. Se havia estátuas, grandes bonecas ou pedras com letras, ou figuras? Ora talvez saiba, talvez tenha ouvido dizer; e dizem que veio o povo e quebrou tudo; são coisas velhas...
Pouco a pouco o homem convenceu-se de que não era beleguim, começou a entender-me; depois apareceram umas mulheres.
Só se forem as figuras do marquês e da marquesa, disse uma delas.
Pois vamos a ver isso, disse eu um tanto desanimado, não serão antiguidades de alta escola, mas talvez algumas esculturas curiosas.
Abriu-se um portão; achei-me na casa de entrada; fiquei extasiado, no êxtase arqueológico mais profundo.
A isto chamam aqui o marquês e a marquesa?
Sim senhor, sempre lhe ouvi chamar assim, e sempre lhe ouvi dizer que foi o povo que lhe tirou as cabeças quando soube que o dono desta casa era traidor ao rei.
São duas estátuas romanas esplêndidas; faltam as cabeças e as mãos, isto é, os salientes mais delicados e fáceis de partir; homem e mulher; as túnicas e mantos tratados com uma elegância admirável; duas esculturas de primeira ordem.
Aproximei-me para examinar as pedras e raspei um pouco...
Ah! Não são de barro, são de pedra; fui eu que as caiei ainda não há muito tempo.
Foi até com cal das Silveiras, disse outra mulher com ares de muita consideração pela dita cal.
Verifiquei serem de mármore avermelhado. Têm dois metros de altura: completas terias 2,30m. As atitudes cheias de nobreza escultural; as roupagens de grande perfeição; a estátua de mulher faz lembrar em posição e estilo a soberba estátua de Hera.
Animado pela famosa descoberta perguntei à boa mulher se por ser de muitos anos naquela casa ela não saberia de outras pedras com figuras ou letras...
Que tinha ideia de ver umas pedras esquisitas em certa oficina...
Fomos lá; desviaram-se uns feixes e madeiras velhas; apareceram as pedras. Não eram inscrições nem esculturas de importância artística ou científica; mas fizeram-me certa impressão aquelas pedras ali esquecidas e escondidas de há tantos anos. São os brasões das casas, das antigas casas nobilíssimas e opulentissimas, dos condes de Santa Cruz e dos duques de Aveiro.
A estátua do homem, deu entrada no Museu Nacional de Arqueologia em 1902, doada pelo Visconde da Amoreira da Torre.
 Segue-se a descrição da estátua doada, realizada pelo Museu Nacional de Arqueologia:
 Estátua masculina vestida de túnica e ampla toga com dobras dos panejamentos usadas segundo a moda imperial século I d. C. Falta-lhe a cabeça, todo o braço direito, o pulso e a mão esquerda, além dos pés e pernas que foram jarrelados por baixo dos joelhos encontrando-se assente sobre um plinto. Também a  a toga foi danificada em alguns pontos. O peso da figura descansa na perna esquerda, uma vez que a direita se encontra ligeiramente flectida, actualmente partida desde um pouco abaixo do joelho. Como é habitual nas estátuas togadas, o braço esquerdo – o único conservado – dobra-se e dirige-se para a frente segurando os compridos panejamentos da toga, encontrando-se partida  a borda interior desta. É possível que o braço direito caísse junto ao torso. A toga foi colocada à maneira clássica, com um “balteus” estreito, que passa pela anca direita e sobe em direcção ao ombro esquerdo, sobre o qual recai uma pequena prega da túnica. O “sinus” aparece descaído em arco sobre a perna direita, não chegando a cobrir a totalidade do joelho. O “umbo”, por sua vez, ocupa a sua característica posição centrada e apresenta a forma de “U”, no centro do torso. Na base do pescoço do personagem abre-se uma concavidade semi-circular destinada a receber uma cabeça amovível. A estátua serviu de suporte para as “cabeças retrato” de imperadores ou altos funcionários imperiais, exposta presumivelmente num contexto de culto ou homenagem pública à autoridade romana. (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luís de Matos). Esta peça faria parte integrante de um programa iconográfico estatuário juntamente com as  restantes de que falam André de Resende e Amador Arrais no século XVI ( ver Origem/Historial). Este tipo de escultura de vulto inteiro presta,  muitas vezes, alguma dependência em relação à arquitectura, estando prevista a sua colocação para um nicho, ficando por isso com uma parede pelas costas, deste modo o acabamento da parte de trás da escultura surge desprezado ou pouco cuidado como é o caso desta peça, que tem 1,68 m de altura, 81,9 cm de largura e 42 cm de espessura.
No Diário do Governo n.º 52, de 6 de Março de 1902, foi publicado um Louvor do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústrias ao Senhor Visconde de Amoreira da Torre pela oferta desta estátua. Em relação à outra estátua, não encontrei informação disponível.
Na segunda década do já referido século XX, a propriedade foi adquirida pelo Dr. Alfredo Augusto Cunhal que procedeu ao restauro do edifício da quinta, mediante projecto elaborado pelos arquitectos Raul Lino e  Jorge Reis. Os actuais proprietários da Quinta da Amoreira da Torre, são os bisnetos do Dr. Alfredo Cunhal.
Através dum processo iniciado em 1998 a Amoreira da Torre foi classificada Monumento de Interesse Público através da Portaria n.º 264/2014 de 10 de Abril, e o seu histórico jardim está registado na Associação Portuguesa dos Jardins Históricos.
A apreciada água da Amoreira da Torre foi disponibilizada há vários anos para o abastecimento público da nossa cidade.
Destas terras são colhidas as uvas que dão origem ao afamado vinho “Quinta Amoreira da Torre”, cujos rótulos, levam o nome de Montemor-o-Novo pelo país e também pelo estrangeiro.

Augusto Mesquita
Janeiro/2019


DIVULGAÇÃO _ CINEMA ALANDROAL MÊS DE FEVEREIRO


CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                                          MARIA HELENA FIGUEIREDO
                                  Dizem que gostam delas…
5 de Janeiro, o ano abriu com o assassinato a tiro de uma mulher pelo seu companheiro. Motivo? Ciúmes doentios.
31 de Janeiro de 2019, uma mulher jovem de 25 anos foi morta pelo ex-namorado.
Foram 8 as mulheres assassinadas em Janeiro por aqueles que normalmente dizem que gostam delas. À facada, a tiro, à pancada.
São números aterradores.
Nos últimos anos a média de mulheres assassinadas em contexto de relações de intimidade é de duas por mês e esperava-se que o flagelo do femicídio diminuísse com as campanhas de informação e a intervenção de entidades públicas e organizações não governamentais a criar maior consciência quanto à violência sobre as mulheres.
Mas aparentemente isso não chega.
Em vez de diminuir, o número de mulheres assassinadas não pára de crescer e este valor – que receio não seja apenas um valor anómalo numa série estatística – é assustador, obrigando-nos a reflectir e sobretudo a agir.
De acordo com os últimos dados disponíveis, que são de 2017, 11.000 mulheres foram atendidas na rede nacional de apoio à violência doméstica e 850 foram recolhidas em casas abrigo. Por seu turno a APAV registou nesse ano 16.033 atendimentos por crimes de violência doméstica.
Também o inquérito “à violência contra as mulheres – inquérito à escala da União Europeia” de 2012 que inquiriu 42.000 mulheres concluiu que 31% das mulheres com mais de 15 anos sofreu um ou mais actos de violência, maioritariamente física mas também psicológica, e que 11% das mulheres foi vítima de alguma forma de violência sexual.
Estes dados são assustadores se nos lembrarmos que apenas um pequeno número de mulheres consegue ultrapassar os sentimentos de medo e de vergonha e tornar público que é vítima de violência ou pedir ajuda. Mas apesar de falarmos de crimes de grande gravidade a nossa justiça continua a fechar os olhos ao que se passa e a desculpabilizar os agressores.
As condenações quando existem são leves e as penas suspensas.
As mulheres continuam invisíveis para os nossos magistrados e apenas 7% das denuncias por violência doméstica acabam em condenações. São dados do Grevio, o Comité de Peritos do Conselho da Europa sobre a aplicação da Convenção de Istambul, que no relatório publicado no passado dia 21 de Janeiro expressou preocupação pela situação no nosso país.
A Associação Sindical dos Juízes, numa atitude corporativista, apressou-se a justificar a baixa taxa de condenação na falta de prova e nas falsas denuncias.
Justificações insustentadas, já que inúmeros estudos contrariam esta última afirmação e pelo contrário todos nos lembramos de muitas sentenças que escandalosamente desvalorizam este crime: Quem não se lembra do acórdão proferido pelo Tribunal da Relação de Guimarães que reduziu e suspendeu a pena aplicada a um homem que por ciúme atacou a namorada à facada, ou do acórdão do Tribunal da Relação do Porto e proferido pelo juiz Neto Moura que suspendeu a pena ao arguido que agrediu violentamente a mulher com uma moca com pregos, com o argumento de que o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem e até a Bíblia diz que o adultério deve ser punido com a morte.
Esta inaceitável desculpabilização dos agressores e o descrédito com que as vítimas são encaradas por parte dos Tribunais tem o efeito contrário, mostrando aos agressores que afinal agredir uma mulher ou até matá-la não é assim tão grave.
Apontei muitos números, mas cada número tem por trás um rosto, uma mulher que ao longo dos anos é humilhada, brutalizada, que sofre agressões. São vidas de grande sofrimento e que muitas vezes acabam em morte.
Impõe-se que os magistrados adquiram consciência da gravidade da situação, que tomem as vítimas como isso mesmo e as valorizem. Impõe-se, portanto, que a Justiça actue, porque este flagelo só acabará quando o sistema judiciário encarar a violência doméstica e o femicídio como crimes graves que são e actuar em conformidade.
Não podemos ter mais Janeiros.
Até para a semana!



IMPRENSA REGIONAL


domingo, 3 de fevereiro de 2019

DESPORTO - RESULTADOS

                                                                                INAtel-
 Liga Fundação
Alandroal United 3 – ACD Cano 0
                                                Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Arraiolos 0 – Alcáçovas 2
Reguengos 1 – Monte Trigo 1
Vendas Novas 3 – Portel 0
Arcos 0 – Lusitano 4
Calipolense 2 – Canaviais 1
Juventude 0 – Viana 0
Montemor 3 – Corval 1.
LIGA AFE
Estremoz 1 – Aguiar 2
Tourega 2 – Borba 2
Cortiço 2 – Santana do Campo 0
Oriola 0 – Bencatel 5
Escoural 1 – Cabrela 1
Giesteira  0– Valenças 2.
.INICIADOS
União Montemor 4 – CCD Terena 0
                                                       CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E
Redondense 2 – Moura 3
Vidigueira 3 - Angrense 0
.                                                                                             FUTSAL
Reguilas Tires 7 – União Montemor 3
                                                                                      RugbY  
C.R. Évora 36 – Caldas R.C. 15
R.C. Montemor 64 – Guimarães R.U.F.C. 0
                                                   SE O SEU CLUBE PERDEU - DESCONTRAIA
Esta é a chegada do famoso "charter" com os reforços que o Paulo Futre prometeu.

ORGULHO DE SER DO ALANDROAL

NOVO VÍDEO DO NUNO MENDES: ALANDROAL – TERENA- JUROMENHA – LOCAIS COM HISTÓRIA

                                          MEU PAÍS – MINHA GENTE  

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

SUGESTÕES AL TEJO






                    «QUEM CANTA SEU MAL ESPANTA»

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM


                                                                                                           RUI MENDES
                                     ÍNDICE DE PERCEPÇÕES DE CORRUPÇÃO
 Esta semana foi-nos dado a conhecer o ranking do Índice de Percepções de Corrupção (IPC) o qual é produzido pela Transparency Internacional, sendo um dos indicadores mais atendíveis para medir a corrupção no sector público.
Este ranking, aplicado a um universo de 180 países e elaborado desde 1995, coloca Portugal na 30ª posição em 2018, atribuindo-lhe 64 pontos numa escala que tem como limite 100 pontos.
O país que lidera esta lista é a Dinamarca com 88 pontos, estando 15 países europeus à frente de Portugal nesta tabela.
A média europeia situa-se nos 66 pontos, pelo que Portugal está colocado abaixo da média europeia. Nada que nos deva orgulhar, mas nada que nos surpreenda.
Nos últimos anos não tem sido poucos os casos investigados pelo Ministério Público que estão sustentados em supostos actos de corrupção. Em tramitação nos tribunais são vários os processos que correm em que a acusação está sustentada em actos de corrupção, tendo inclusive alguns já transitado em julgado e, lamentavelmente, outros prescreveram.
Também a comunicação social frequentemente notícia casos de corrupção e favorecimento, pelo que estar abaixo da média europeia neste índice será algo que um qualquer português verá com a maior das naturalidades.
A corrupção é algo a que devemos combater com todas as nossas forças.
Daí que é absolutamente injustificável que órgãos do Estado deixem prescrever processos. Quando tal acontece exibem, desde logo, inércia e incompetência em cumprir uma das suas mais nobres missões.
A prescrição de um processo, gerado pela incapacidade de o concluir em determinado espaço de tempo, faz com que o Estado perca o direito de punir e permite que o infractor fique liberto de qualquer punição pelo acto praticado. Ainda assim fica sempre a dúvida se houve culpa ou não. Pese embora em alguns casos poucas dúvidas existirão…
Se estes casos não acontecessem com tanta frequência, certamente estaríamos a contribuir para reduzir a corrupção, porque um Estado que actua com celeridade e força punitiva desencoraja este tipo de práticas.
Mas, estamos na posição que estamos no Índice de Percepções de Corrupção por razões que todos sabemos.
Até para a semana



                           TEM TODO O DIREITO DE SABER. AFINAL ERA DINHEIRO SEU!


DESPORTO NO FIM-DE-SEMANA

                                                                        INAtel-
 Liga Fundação
Alandroal United – ACD Cano

                                           Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Arraiolos – Alcáçovas
Reguengos – Monte Trigo
Vendas Novas – Portel
Arcos – Lusitano
Calipolense – Canaviais
Juventude – Viana
Montemor – Corval.
LIGA AFE
Estremoz – Aguiar
Tourega – Borba
Cortiço – Santana do Campo
Oriola – Bencatel
Escoural – Cabrela
Giesteira – Valenças.
.INICIADOS
União Montemor – CCD Terena
                                                CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E
Redondense – Moura
Vidigueira - Angrense
.                                                                                           FUTSAL
Reguilas Tires – União Montemor
                                                                                    RugbY 
C.R. Évora – Caldas R.C.
R.C. Montemor – Guimarães R.U.F.C.

                                                                                ATLETISMO


NA IMPRENSA

SE RECONHECEM O MAL. SE TEEM A CURA…PORQUE NÃO A APLICAM?

SÓ SE FOR PARA OS ESTRANGEIROS! POR ISSO É QUE ELES INVADIRAM LISBOA!

DE CERTEZA QUE NÃO FORAM OS QUE DERAM O CORPO AO MANIFESTO!...

IMPRENSA DA REGIÃO