segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

MEMORIAS CURTAS - Professor Vitor Guita

  
Uma vez por mês o Prof. Vitor Guita traz-nos à memória, recordações do passado.


Os primeiros dias de Dezembro trazem-nos inevitavelmente à lembrança memórias de dois importantes e apreciados feriados.
 No primeiro de Dezembro, costumamos assaltar o armário das recordações, não para procurarmos saber se existiu, de facto o tal esconderijo do Miguel de Vasconcelos, mas para recuperarmos memórias do tempo da nossa infância e outras coisas mais.
Logo pela manhã, enquanto na rua ecoavam os sons vibrantes da Banda da Carlista, interpretando o Hino da Restauração, ouvíamos os mais velhos vociferando contra os espanhóis, num tom marcial que quase fazia lembrar os revoltosos de 1640. Tudo isto se passava à volta de uns cálices de aguardente, de umas broas, de umas nozes e de uns figos secos. Bela maneira de fazer a guerra!
A veia melómana de alguns levava-os a trautear o patriótico hino ou a tentar imitar os instrumentos da filarmónica local: pó,pó,pó…pó,pó,pó….
Fomos habituados, nós e outras gerações, a olhar para “nuestros hermanos” com alguma desconfiança ou mesmo hostilidade. Não é que não haja velhas razões históricas para tal atitude. Que o digam os portugueses de seiscentos, massacrados com impostos e espoliados de casas e outros haveres pelos “donos disto tudo”, quer dizer, pelos todos poderosos Filipes. É comum ainda hoje ouvir vozes dizer que “ de Espanha, nem bom vento nem bom casamento” e outras sentenças do género. Outros afirmam que mais valia D. João IV ter estado sossegado, deixando-nos ficar sob o jugo dos espanhóis. Pontos de vista diferentes!
A nossa experiencia pessoal diz-nos que, em cada espanhol que conhecemos, encontramos sempre um amigo.
Mas…deixemos o dia 1 de Dezembro. Chegado o dia 8, não há como evitar a memória dos festejos em honra de Nª Srª da Conceição. Ao longo do dia, era constante a romaria até ao cimo da colina rodeada de oliveiras. Lá no alto, para além das cerimónias religiosas, havia leilão de fogaças cuja receita reverteria a favor da conservação daquele lugar de culto. Sempre que falamos dos antigos festejos e de quem mais contribuía para a sua realização, há nomes que são consensuais: Jacinta e Tadeia Cornacho, Flamina Seatra.
Quando experimentamos reavivar a memória que temos do espaço conventual e das pessoas que lá viviam, uma das imagens mais fortes que nos ocorrem é a da Srª Hermínia, uma idosa que habitava num recanto do rés-do-chão, no interior do convento. A casa, de piso térreo, era humidade mal iluminada.
A Srª Hermínia era bastante solicitada por saber fazer benzeduras e ajudar no tratamento da erisipela e de outras maleitas. Temos idéia de vê-la acender pequenas flores secas em lamparinas de azeite.
Fora da casa sombria, havia um espaço ajardinado, com placas-canteiros, árvores de fruto e arbustos. Também uma cisterna.
Falámos com algumas pessoas amigas que ali foram nascidas e criadas ou simplesmente ali moraram. Por volta dos anos 50 viviam ali umas dezenas de moradores. Foi o nosso amigo António Agostinho, com quem tivemos uma conversa mais demorada, que nos ajudou a contar o número de famílias, e o nome de quem habitava o lugar. É impossível nomeá-los a todos. Registamos alguns nomes que achamos curiosos por estarem associados a profissões: Luís (gateiro), João Lopes (cesteiro), José Joaquim (das vassouras e pincéis), Hemengarda (das farturas). Mais abaixo, à beira da estrada, numa pequena casa isolada, viveu o Canivete (sapateiro). O pai do António era popularmente conhecido por Luís Gateiro por se ocupar a por gatos em alguidares de barro rachados, pratos e travessas que pareciam condenados ao balde do lixo. Encarregava-se também de rebitar panelas ou cafeteiras de alumínio e de fazer todo o tipo de consertos em sombrinhas e guarda-chuvas. O nome da profissão acabou por contagiar o nome dos outros membros da família, que passaram a ser conhecidos por Gateiros.

NA IMPRENSA



SACANA!...AINDA NÃO PERDI A ESPERANÇA DE TE VER NA "SOPA DOS POBRES" !

IMPRENSA REGIONAL


domingo, 6 de janeiro de 2019

EM NOITE DE REIS CANTARAM-SE "OS REIS"



ALANDROAL
 MONTEMOR
 TERENA
 REDONDO
MONSARAZ
Colaboração (que o Al Tejo agradece) do Nuno Mendes e Hugo Calado


DESPORTO - RESULTADOS

                                                                            FUTEBOL
                                                                               INAtel-
 Alandroal United 5 – S. Domingos 0
                                           Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Arraiolos 0 – Viana 1
Corval 1 – Canaviais 1
União 2 – Lusitano 2
Juventude 3 – Portel 1
Calipolense 1 – Monte Trigo 3
Arcos 1 – Alcáçovas 2
Estrela 1 - Atlético 3
LIGA AFE
Valenças 2 – Bencatel 3
Giesteira 0 – Santana do Campo 0
Escoural 1 – Borba 0
Oriola 0 – Aguiar 4
Cortiço 1 – Outeiro 1
Tourega 3 – Estremoz 5.
INICIADOS
Calipolense 1 – União Montemor 0
Terena – Atlético Reguengos (adiado 9 Jan. 20,00H)
                                                 CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E 
Real  3 – Vidigueira 0
Moura 3 – Ideal 3
Louletano 2 – Redondo 0.
                                                                         AMIGÁVEL
Juniores Estrela Portalegre 5 - Amigos S. Brás dos Matos 2

                                                                                 FUTSAL
G.U.S.  2 - Fabril 7

                 MEU PAÍS – MINHA GENTE 




sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

PORQUÊ?

HÁ "COISAS" QUE NOS CUSTAM A ENTENDER....
                «QUEM CANTA SEU MAL ESPANTA»

SUGESTÕES AL TEJO




Cinema Montemor
 Amanhã venha “Cantar as Janeiras” com a participação da Tuna da Universidade Sénior do Grupo de Amigos de Montemor, Ensemble MonteMor/Tradibombos e Grupo Coral Fora d’Oras! 
A iniciativa junta-se à reabertura no Mercado Municipal (no antigo Matadouro), onde arranca pelas 10h00.





ALANDROAL É UM DOS MUNICÍPIOS CONVIDADOS A INTEGRAR A LISTA CLDS – 4G

CLDS = Contratos Locais de Desenvolvimento Social
Finalidade : - Combate à exclusão social marcada por uma intervenção de proximidade realizada em parceria que garanta em simultâneo a valorização do papel das Câmaras Municipais, nomeadamente em matérias de planeamento, bem como a sua particular capacidade para congregar os agentes e os recursos locais.
Segundo noticia o site ODIGITAL ,O Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, assinou despacho que define a lista de Concelhos a intervencionar pelo CLDS – 4G.
No mesmo se inclui o Concelho do Alandroal.
Neste despacho é explicado como foi escolhida esta lista, tendo por base Desempregados registados (média anual)/População residente 15-74 anos; Desempregados de Longa Duração registados (média anual)/População residente 15-74 anos; Número de Beneficiários Rendimento Social de Inserção/População residente, 2017; Número de crianças, com idade inferior a 18 anos, abrangidas pelo Abono de Família no 1.º escalão/População residente 0-17 anos, 2017; e Índice de envelhecimento da população, 2017.
Relativamente aos montantes, também já está definido os critérios, sendo 250 mil euros para concelhos com menos de 6 mil habitantes; entre os 260 mil euros e os 300 mil euros para os concelhos com pelo menos 6 mil habitantes e menos de 20 mil; entre os 310 mil euros e os 350 mil euros para os concelhos com pelo menos 20 mil habitantes e menos de 60 mil habitantes; entre os 400 mil euros e os 550 mil euros para os concelhos com pelo menos 60 mil habitantes e menos de 100 mil habitantes; entre os 600 mil euros e os 1000 mil euros para os concelhos com pelo menos 100 mil habitantes e menos de 200 mil habitantes; e entre os 1050 mil euros e os 1250 mil euros para os concelhos com pelo menos 200 mil habitantes.


NA IMPRENSA


João Cravinho, ministro da Defesa, afirmou esta sexta-feira que o convite feito pelo programa Você Na TV da TVI a Mário Machado, condenado por crimes de ódio racial, “não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”. 
E AS OUTRAS? A C.M. (por exemplo)! NÃO EXISTE UMA COISA QUALQUER PARA “REGULAR” ESTES DISPARATES?
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O “Caminho Nascente” (Mértola, Beja, Cuba, Alvito, Viana do Alentejo, Évora, Alter do Chão, Estremoz, Sousel, Fronteira, Crato, Nisa) e o “Caminho Central” (Almodôvar, Castro Verde, Ourique, Odemira, Aljustrel, Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal, Azambuja, Cartaxo, Santarém, Golegã) de modo a promover todos os recursos associados à vivência do culto de Santiago.
Contudo, foram identificados outros pontos de interesse e de importância histórico-cultural sobre a temática e, sendo assim, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo pretende estruturar variantes de ligação de marcação exclusivamente digital, designadas por “Caminho Central Alternativo”, variante de ligação desde Castro Verde a Santiago do Cacém via Odemira e Sines, e ainda variante de ligação deste Alcácer do Sal a Santarém via Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Coruche, Benavente, Salvaterra de Magos e Almeirim. E por “Caminho Nascente Alternativo”, variante de ligação de Mértola a Nisa, via Serpa, Moura, Mourão, Reguengos de Monsaraz, Alandroal, Vila Viçosa, Elvas, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide.

DESPORTO NO FIM-DE-SEMANA

                                                                          FUTEBOL
                                                                            INAtel-
 Liga Fundação
Alandroal United – S. Domingos
                                        Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Arraiolos – Viana
Corval – Canaviais
União – Lusitano
Juventude – Portel
Calipolense – Monte Trigo
Arcos – Alcáçovas
Estrela - Atlético
LIGA AFE
Valenças – Bencatel
Giesteira – Santana do Campo
Escoural – Borba
Oriola – Aguiar
Cortiço – Outeiro
Tourega – Estremoz.
INICIADOS
Calipolense – União Montemor
Terena – Atlético Reguengos

                                           CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E   
Real – Vidigueira
Moura – Ideal
Louletano – Redondo.
                                                                      Amigável
Juniores Estrela de Portalegre - Amigos S. Brás dos Matos
                                                                          FUTSAL 
G.U.S. - Fabril
                                                             DESPORTO AMADOR



VERGONHOSO ...



E segundo informação recente o Alandroal está na calha

IMPRENSA REGIONAL

Nota: Diário do Sul com notícia do Alandroal

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

HOJE É DIA DE CINE CLUBE EM MONTEMOR


BOOM FOR REAL: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat, um filme de Sara Driver from Leopardo Filmes on Vimeo.

NADA MAU PARA COMEÇAR O ANO !


Portugal foi o primeiro a ser mencionado, sendo os Açores o local que deve apontar na sua 'wish list' de 2019. "Assemelhando-se às paisagens sobrenaturais de Avatar , as ilhas dos Açores, um arquipélago no meio do Oceano Atlântico, estão no topo da lista para 2019", diz Melissa Biggs Bradley, fundadora da empresa de viagens Indagare, entrevistada pela Forbes. 

E ATÉ O ALANDROAL COMEÇA o ano COM BOAS NOTÍCIAS
A Câmara Municipal de Alandroal encerrou o ano de 2018 com apenas três faturas por pagar num valor próximo dos 6 mil euros. Segundo o município alentejano, as contas poderiam ter mesmo transitado sem registar faturas por pagar mas "divergências em fase de resolução que transitaram do mandato anterior" impediram em tempo a sua liquidação.



TIAGO SALGUEIRO ESCREVE SOBRE A ESTRADA VILA VIÇOSA - BORBA

    Antiga Estrada Nacional 255 – O passado e o futuro
Passou pouco mais de um mês sobre a tragédia de Borba. O tema continua a ser discutido nos meandros políticos, como “arma de arremesso”. De quem é a responsabilidade? O tempo costuma ser bom conselheiro e esperamos todos que a culpa não “morra solteira”.
No entanto, esta estrada tem uma forte componente histórica, que importa realçar. Já durante o período de ocupação romana seria provável a ligação por este caminho à via comercial Olisipo-Salacia-Emerita. Sabemos hoje que uma percentagem considerável de mármore utilizado nas construções romanas de Mérida era proveniente do Anticlinal de Estremoz.
Vamos a alguns factos:
Ao longo de séculos, foi o percurso privilegiado de ligação entre Vila Viçosa e a capital do Reino, assim como um eixo comercial na conexão com Elvas e  Espanha.
Com a carta de foral de 1270 pelo Rei D. Afonso III, é evidenciada a importância económica de Vila Viçosa, devido ao subsolo rico e a presença de vias de comunicação, nomeadamente a estrada de Borba. Numa análise a este documento, concedido a 5 de Junho, efetuada pelo padre Joaquim Espanca nos capítulos XVII a XXI das “Memórias de Vila Viçosa”, é possível avaliar a importância deste percurso.
A referência aos marcos existentes na via para delimitar o antigo termo de Vila Viçosa, provavelmente colocados pelos sesmeiros do Rei D. Afonso III, revela a existência destes sinais na estrada que fazia a ligação a Borba:
Na estrada real de Borba à nossa Vila estava um marco grande, substituído agora por outro pequeno desde que se reformaram os muros da courela de vinha em que se via. Desse grande marco dizia uma anedota dos Calipolenses que os vizinhos de Borba, na ocasião de se organizar o seu concelho, tiveram faculdade para estenderem o seu termo para sueste, isto é para Vila Viçosa, quando um homem pudesse levar às costas aquele marco; e que convidando um negro de forças hercúleas para o levar quanto mais longe pudesse, ele o atirou quase à porta da nossa vila, chamada Porta do Nó[1].
O cronista calipolense refere no entanto que se trata de “uma anedota”, já que o termo de Vila Viçosa já passava por aquele local antes de se organizar o concelho de Borba e o que o dito marco era relativamente moderno (em relação ao século XIX), já que fora ali colocado no ano de 1648, segundo se pode comprovar pelas Vereações do Município de Vila Viçosa.
Este facto não invalida que tivessem existido marcos prévios na “Estrada Real”, como delimitação dos dois concelhos vizinhos.
Também relevante na primeira carta de foral é a instituição da portagem, tributo aduaneiro de entrada e saída pelas portas de Vila Viçosa, pago somente pelos estranhos e nunca pelos vizinhos do concelho[2].
As referências históricas à “Estrada Real” são uma evidência no início do século XVI, aquando da construção do Paço Ducal de Vila Viçosa. Tratava-se da ligação da sede da Casa de Bragança aos restantes territórios sob sua jurisdição. Este era o acesso privilegiado ao solar brigantino. Ainda hoje, quem utiliza a Rua de D. Jaime, que não é mais que o prolongamento da estrada de Borba, fica impressionado com a visão do Terreiro.
Em 1537, é provavelmente por aqui que passa o rei D. João III, para casar o seu filho D. Duarte com D. Isabel de Bragança, filha do quarto Duque D. Jaime, numa cerimónia organizada com pompa e circunstância por D. Teodósio I.
Em 1584, uma Embaixada de nobres japoneses, vindos de Nagasáqui e acompanhados pelos Jesuítas Sebastião de Morais e Luís Álvares, passa por Vila Viçosa com direção a Roma. Chegados a Évora, onde foram recebidos pelo Arcebispo da cidade, D. Teotónio de Bragança, são encaminhados para o solar brigantino.
Ao entrarem pelo Terreiro do Paço, vindos precisamente por este caminho, são confrontados com o edifício, cuja fachada estava recoberta de “mui fino e lustroso mármore”, sendo a mesma frontaria iluminada por 55 janelas, das quais 23 estavam protegidas por grades de ferro[3].
Depois de dias de fausto no Paço, partem para Madrid, ao encontro de Filipe II, pelos “campos vinhateiros de Borba”, na direção de Elvas, entrando depois em território espanhol, por Badajoz.
Em 1603, realiza-se a união de D. Teodósio II, sétimo Duque de Bragança, com a filha do Condestável de Castela e Leão, Duque de Frias e Conde de Haro, D. Ana de Velasco y Girón, mãe do futuro D. João IV, primeiro rei da dinastia brigantina.
Quando o cortejo entrou em Vila Viçosa, vindo de Espanha, foi recebido e aplaudido não apenas pelos Calipolenses, mas por muita outra gente que acorreu de diversos lugares para assistir à festa. Enquanto os noivos eram saudados por uma salva de tiros disparados do Castelo, o Terreiro do Paço enchia-se de danças[4].
Foi da “Janela de Lisboa”, virada para a estrada de Borba, que provavelmente D. Luísa de Gusmão se despediu de D. João, o oitavo dos Braganças, aclamado Rei de Portugal no dia 1 de Dezembro de 1640. Também aqui diz a tradição que esperou pelas notícias do correio expresso de Lisboa com as novas da Revolução. Por este caminho, partirão mais tarde 300 carruagens com todo o conteúdo artístico do Paço Ducal, para o Paço da Ribeira.
Em 1648, na obra “O Valeroso Lucideno”, publicada pelo frade paulista calipolense Frei Manuel Calado, é feita a seguinte descrição:
e no fim deste jardim estão três janelas, duas ordinárias e uma rasgada com o seu balcão, por as quais entra a luz a uma casa de prazer, aonde Sua Alteza a Senhora D. Catarina[5] se vinha sentar com as suas damas algumas tardes de verão, para se entreter com ver passar muita gente que ordinariamente entra naquela rua, quando vem de Borba, Estremoz e outras vilas circunvizinhas, e a muita também que sai da vila a tomar refresco nas igrejas de São Bento e São Jerónimo”.
No dia 9 de Junho de 1665, a vanguarda do exército do Marquês de Caracena chega à Porta da Vila (Porta dos Nós), pelo caminho de Borba, onde se dá o primeiro tiroteio com os arcabuzeiros das forças portuguesas da guarnição do Castelo, que ali tinham ido esperar o inimigo. Principiou assim o assédio que durou até dia 17, dia da Batalha de Montes Claros.
Em 1683, António de Oliveira Cadornega descreveu assim este episódio:
Estando dominando em um alto o caminho e estrada que entra naquela Vila pela Porta tão nomeada do Nó, por sua sinificação, que queria dizer “despois de vós, nós”, onde o forte da envocação deste glorioso e antiguíssimo Patriarca São bento experimentou o exército castelhano e seu general Caracena prencipio de sua ruína, vindo buscar aquela entrada e sítio como quem vinha de Borba, não se lhe dando de a arriscar e perder gente, e se lhe morteficou tão valeroso orgulho com mortes de muitos dos seus soldados, investindo à queima-roupa aquelas trincheiras da entrada da Porta do Nó[6].
Mais tarde, no dia 19 de Junho de 1808 e na sequência do saque verificado nas igrejas de Vila Viçosa e de maltratos infligidos a um menino junto da “Estacada” pelos soldados franceses, o povo calipolense insurgiu-se e atacou a guarnição de Napoleão que se encontrava no Castelo. O Franceses tinham levado, só do Convento dos Agostinhos, 28 arrobas e 10 arratéis de prata.
Na sequência desta revolta e por ter tido conhecimento dos factos através de um soldado francês que conseguiu fugir, o General D’Avril, comandante das tropas francesas que se encontravam em Estremoz, marcha sobre Vila Viçosa, pelo caminho de Borba, para esmagar a rebelião, com 350 homens de infantaria, 100 cavalos e duas peças de artilharia.
Infante de Lacerda, sargento-mor reformado, levou para a Porta do Nós 38 espingardeiros, que se esconderam nos muros e nos telhados da “Ilha” (a norte do Paço Ducal e junto da estrada de Borba), com ordem para dispararem sobre os soldados franceses do General D’Avril, que tinha vindo para ajudar a guarnição francesa do Castelo.
Trinta e seis soldados franceses acabaram por perecer nas escaramuças.
Contudo, devido ao número desigual de forças entre franceses e o povo calipolense, a insurreição foi controlada pelos invasores, que acabaram por entrar pela Porta dos Nós (a antiga Porta da Vila).
No ano de 1728, no âmbito da célebre “Troca das Princesas” realizada no Caia, quando foi ajustado o casamento do príncipe D. José com D. Maria Vitória, filha de Filipe V de Espanha e da princesa portuguesa Maria Bárbara com Fernando VI de Espanha, a Câmara de Vila Viçosa reparou as duas estradas de Bencatel e Borba a fim de poderem circular mais rapidamente os coches da Família Real[7].
Em 1859, com a conclusão da estrada real de macadam por Borba, Estremoz, Vimieiro, Arraiolos e Montemor até Vendas Novas, passaram os almocreves a usar carros mais rápidos e resistentes, com ferragem inteiriça nas rodas e ferro nos eixos, carregando e descarregando mercadoria na estação do caminho-de-ferro de Vendas Novas, inaugurada em 1853[8]. Fica mais uma vez evidenciada a relevância económica desta ligação.
Em 1860, nova referência à “Estrada Real”, quando a Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa constata uma irregularidade no transporte de doentes que iam de Borba para Elvas e que passavam por Vila Viçosa. Para os membros da comissão administrativa da instituição calipolense era um absurdo a utilização do caminho que dava acesso a Vila Viçosa, uma vez que os doentes deveriam ser mandados diretamente por Juromenha. No entanto, os doentes eram remetidos para Vila Viçosa, devido à extinção da Misericórdia de Juromenha, tendo os seus bens sido entregues ao administrador do concelho do Alandroal[9].
Este facto prova a variada utilização da estrada para diferentes fins, entre os quais o transporte de enfermos.
No final do século XIX, outro cronista calipolense, o ilustre Padre Joaquim Espanca, considera a “estrada de Borba” uma das mais importantes, refere como estrada principal. Em 1868, o governo central mandou classificar as estradas em três ordens, sendo pertencentes à primeira as estradas reais ou em direção a Lisboa; a 2ª às distritais que ligam os concelhos com as capitais de distrito; e à 3ª as municipais que devem ligar as aldeias com as cabeças de concelho. Todas estas estradas, feitas ou por fazer, foram numeradas para sua melhor designação e formaram-se mapas do Reino com o trajeto das mesmas estradas[10]. Diz-nos o Padre Espanca que a “estrada de Borba para Vila Viçosa, que é real, já estava feita”.
Esta via só perderá alguma importância com a criação da linha de caminhos-de-ferro e da Estação de Vila Viçosa, inaugurada em 1905. A ligação a Lisboa torna-se mais célere, sendo possível fazer o trajeto num único dia.
A partir de meados do século XX, a Estrada Nacional 255 passa a assumir uma importância muito relevante do ponto de vista económico, já que constitui o acesso privilegiado às pedreiras e unidades de transformação do mármore, principal atividade socioeconómica dos concelhos de Borba e Vila Viçosa.
Passa a estrada municipal em 2005, data em que é inaugurada a “variante” que liga as duas sedes de concelho. Contudo, antes do desabamento, continuava a utilizada com muita frequência, quer por borbenses, quer por calipolenses.
Tendo em conta o que foi demonstrado, é óbvia a importância história da antiga Estrada Nacional 255.
Fará sentido o seu encerramento definitivo?
 Haverá possibilidades de reabilitação da via?
Do ponto de vista técnico, isso será possível?
Em termos de investimento, qual será o encargo?
A questão da segurança ficará salvaguardada?
Será necessário entaipar as pedreiras que não estão a laborar, nas zonas mais críticas do percurso?
Qual o impacto económico para as empresas de mármore da região e superfícies comerciais de ambas as localidades?
A “variante” ficará a ser a única via de comunicação entre Borba e Vila Viçosa?
O ramal ferroviário de Vila Viçosa poderá ser reativado?
Do ponto de vista turístico, haverá alguma possibilidade das pedreiras inativas poderem ser úteis?
Perderá o Paço Ducal de Vila Viçosa alguma percentagem de visitantes, na sequência do eventual encerramento da antiga Estrada 255, tendo em conta que este era o acesso privilegiado ao monumento?
São demasiadas perguntas para poucas respostas. É de lamentar que esta tragédia as tenha originado. Talvez seja ainda prematuro pensar sobre este tema. Será necessário e inevitável repensar estratégias e soluções, de modo a que mais situações como as que vivemos não voltem a repetir-se. É agora importante planear o futuro, através de uma profunda reflexão, sem esquecer a importância histórica, económica e social deste pequeno troço entre ambas as localidades.
[1] PESTANA, Manuel InácioForais de Vila Viçosa, Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1993 (SC 69672 V.).
[2] Idem.
[3] ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Zona Sul, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978.
[4] CALADO, Frei Manuel, Valeroso Lucideno, Of. Domingos Carneiro, Lisboa, 1648 (HG 36883 V.); (RES. 1249 V./ 1313 V.).
[5] Filha do Infante D. Duarte e de D. Isabel de Bragança, esposa do 6º Duque de Bragança D. João I e mãe do sétimo Duque, D. Teodósio II.
[6] CARDONEGA, António de Oliveira, Descrição de Vila Viçosa[6], introdução, selecção de texto e notas de Heitor Gomes Teixeira, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1982.
[7] ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.
[8] MILHEIRO, Nuno, O municipalismo e o concelho de Vila Viçosa no século XIX,Revista de Cultura Callipole nº 10, Cãmara Municipal de Vila Viçosa, 2002.
[9]  ARAÚJO, Maria Marta Lobo de, A Misericórdia de Vila Viçosa : de finais do Antigo Regime à República”. Braga : Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, 2010.
[10] ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.
Bibliografia consultada:
ARAÚJO, Maria Marta Lobo de, A Misericórdia de Vila Viçosa : de finais do Antigo Regime à República”. Braga : Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, 2010.
CADORNEGA, António de Oliveira, Descrição de Vila Viçosa[1], introdução, selecção de texto e notas de Heitor Gomes Teixeira, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1982.
CALADO, Frei Manuel, Valeroso Lucideno, Of. Domingos Carneiro, Lisboa, 1648 (HG 36883 V.); (RES. 1249 V./ 1313 V.).
ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.
ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Zona Sul, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978.
MILHEIRO, Nuno, O municipalismo e o concelho de Vila Viçosa no século XIX, Revista de Cultura Callipole nº 10, Câmara Municipal de Vila Viçosa, 2002.
PESTANA, Manuel InácioForais de Vila Viçosa, Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1993 (SC 69672 V.).



quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

QUEM HAVIA DE DIZER

ALMANSOR é uma Revista de Cultura, editada periodicamente pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.
Tem como objectivo a promoção de estudos sobre a região alentejana, preferencialmente o Concelho de Montemor na vertente arqueológica, artística, literária, sociológica, antropológica e outras consideradas relevantes, tendo como finalidade promover, estimular e divulgar o conhecimento do Alentejo e o Concelho de Montemor.


Na edição nº 3 da mesma, e em artigo de Maria Ângela Beirante, versando as «As vinhas de Cabeção: do Antigo Regime até finais de oitocentos», no capítulo os FAZENDAS DOS COUTOS – As propriedades – sub título “vejamos quem são esses cinco proprietários cujas fazendas dos coutos valem mais de 10.000 réis, podemos ler a determinado passo:

Em primeiro lugar está o Capitão –Mor do Alandroal, que era de longe o que reunia o património mais valioso no valor total de 27,100 réis: Além de receber foros de nove vinhas e courelas de vinha no Charqueirão, possuía uma horta e terra com oliveiras no Pinhalinho e, o que era mais relevante, era dono da Quinta avaliada em 21.200 réis.*
·         Deve tratar-se de Alexandre Gançoso Frade que em 6-10-1756 era capitão-mor de ordenanças do Alandroal. Desconhecendo-se a forma como a Quinta entrou no seu património. É provável que tenha sido por herança.

Será que o tal Gançoso não deixou nada ao Alandroal? Vinha a jeito!---






DUQUES & CENAS - J.L.N.

                                         A Palavra, essa marota!
A liberdade de expressão continua a ser um problema nesta pequena cidade cheia de vigilantes, controladores, examinadores da palavra, juízes, engenheiros e doutores, sempre preocupados com o pensamento dos outros e se o pensamento dos outros não vai contra as normas da moral e dos bons costumes do seu partido, da sua religião, da sua família, ou do seu grupo de amigos.
 E vêm de todos os quadrantes, sem distinção, estes polícias, com sorrisos abertos, abraços, beijinhos e apertos de mão…mas só até a gente concordamos com eles e se seguirmos cegamente a sua cartilha.
Vai, em breve, ser lançado um livro, onde a Palavra é a principal suspeita de deixar vincado no papel o que pensa o seu autor, sem censuras, nem prévias, nem posteriores, e com os nomes claros e inequívocos dos verdadeiros responsáveis por alguns dos acontecimentos que fizeram mexer o mundo, o país, o concelho nos últimos anos.
Não é um exercício jornalístico, que exigiria, natural e estatisticamente, a objectividade do autor dos textos. São meros textos de opinião, mas com a opinião segura de quem escreve, sobre acontecimentos e pessoas, e que pecam pela ausência do contraditório, tornando-se alguns deles, por isso, mais polémicos e pouca aconselháveis a virgens que, facilmente, se possam sentir ofendidas.
Tem cloreto de sódio. Coisa que vai faltando nos nossos dias.

João Luís Nabo

O CONCERTO DE ANO NOVO DO AL TEJO