quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA RELATADAS PELO LUÍS DE MATOS

                             Cenas da Escola Primária- Terena
Na década de 1940, o Estado Novo lançou o Plano dos Centenários, um programa de construção escolar em massa para que todas as crianças pudessem dispor de uma escola primária ao seu alcance, mesmo nos sítios mais recônditos de Portugal. Estas escolas foram construídas segundo modelos tipificados aliados à arquitetura tradicional portuguesa. Foi numa destas escolas que iniciei a aprendizagem das primeiras letras.
Decorria a década de cinquenta. Na escola Primária de Terena, a professora Maria dos Anjos, da 3.ª classe, era muito boazinha para os seus alunos e ensinava bem. Nós aprendíamos com ela e gostávamos muito dela. Parece-me que era professora Regente. Era irmã do Zé Tátá que era o farmacêutico, natural de Redondo e que tinha ido morar para Terena, para a Rua das Casas Novas, atualmente chamada Rua Dr. Joaquim Galhardas. A dona Maria dos Anjos era mulher do professor Cláudio, natural do Alandroal. Homem austero, no mínimo. Acontece que havia lá uns rapazinhos, que se estavam simplesmente nas tintas para as letras e para as contas. Por mais que a professora se esforçasse eles não estavam para aí virados. Não havia forma de aprenderem e a maior parte das vezes provocavam desacatos com os colegas mais novos. Estava-lhe na massa do sangue. O que eles queriam era brincadeira. Ora, a professora deve ter dito ao marido para ir à escola pôr determinados meninos na ordem. O professor Cláudio era duro. Com as crianças, claro. 
Lidar com este tipo de rapaziada, ensiná-los a ler e a escrever, limar-lhe as arestas, fazer-lhe ver que não é só ir nadar para a Ribeira do Lucefécit, ir aos ninhos para o Cerrado, Vila Velha ou Boa Nova, jogar ao pião, ao fincão, botão, berlinde e à bola, mas que há outras coisas belas e que deviam aprender. Isto é, criar-lhes as bases de futuros homens, mas isso, eles não queriam ou nem sabiam o que isso significava. Mas o professor achava que valia a pena insistir, pois era essa a sua função. Para moldar aquela rapaziada, tinha que exercer alguma pressão, e essa, segundo a sua maneira de ver o problema, só podia ser através de algumas bofetadas e não só. Mas, a maior parte das vezes passava das marcas. Devo dizer que a mim nunca me calhou nenhuma dessas pequenas “admoestações” uma vez que fazia por aprender e principalmente porque tinha medo das reguadas. Porque quando o prof. Cláudio batia, era a doer e havia que resguardar o pêlo.
Certo dia, um grupo de alunos, tendo como líder o Artur, mais conhecido por Roupa Santa, na brincadeira, partiu uma espingarda de madeira, no gargalo do poço, daquelas que o Estado Novo fornecia às Escolas Primárias para os alunos fazerem exercícios e atirou-a para dentro do poço existente na courela do ti Galhetas, próxima da casa do professor Cláudio, situada junto à estrada que vai de Terena para o Monte dos Vicentes, Monte Inverno e Monte da Garçoa, sendo este último propriedade do ilustre Cavaleiro Tauromáquico, Mestre Simão da Veiga. Era neste último monte que Mestre Simão, treinava os cavalos, cujo tratador era o José Pereira, mais conhecido por Zé Caguincha. 
O grupo de alunos ouviu o ruído da motorizada do professor, que era uma Cucciollo. 
– Olha, vem além o professor. Todos fugiram, com exceção do Roupa Santa e do Rufa. 
– É pá! Então e agora o que é que fazemos?
– Olha, atiramo-la aqui para dentro do poço para ele não a ver.
– Diz o Roupa Santa: Não! A gente leva-a, prego-lhe uns pregos lá na oficina do meu pai e amanhã colocamo-la lá no armeiro e levamos outra boa. Ele nem chega a saber.
– Então vá-respondeu o Rufa. 
O Rufa desce ao poço que tinha apenas uma poça de água. As paredes eram feitas de pedra de xisto e portanto havia buracos onde o Rufa se pudesse agarrar para subir. Quando vinha a subir, já com a espingarda a tiracolo, chega o professor.
– Com que então, o menino partiu a espingarda e atirou-a para dentro do poço?
– Não fui eu, senhor professor! Eu só já a vi partida e resolvi vir busca-la.
– Está bem. Amanhã lá na escola falamos.
No dia seguinte:
– Mau! Hoje ela não vem, vem ele. Mau! Afitei logo as orelhas, disse o Rufa.
Olha, cai-se comigo à porrada, foi até lhe apetecer. 
– Sente-se. Disse-me o professor com ar muito zangado.
– O Rufa não respondeu mas disse lá para os seus botões:- Deixa-te estar que nunca mais me bates. Nunca mais cá m´apanhas.
- O meu companheiro de secretária era o João de Matos, que morava ali ao pé do monte do Espada à saída para as Hortinhas. 
- Nã te lembras, dele?
- Então não me lembro? Abalou para Lisboa e nunca mais cá voltou.
- Pois! Esse mesmo.
- Até cantava muito bem, respondi. 
O Rufa pediu ao companheiro que o deixasse passar para o lado da janela, que já tinha visto que estava aberta. Pôs um pé em cima do banco, outro na carteira e saltou para o pátio. Ainda são pelo menos uns dois metros de altura. 
O professor ao ver aquele número, mandou uns gaiatos correr atrás do Rufa, mas quando se aperceberam, já ele estava ao pé da casa do Espada, que fica a cerca de duzentos metros da escola, já quase a chegar ao Chafariz que fica à entrada de Terena como quem vem do Alandroal. O Rufa só já voltou à escola, depois do professor ter saído de Terena para Santiago Rio de Moinhos. No ano seguinte, vieram para Terena novas professoras, que foram morar para uma casa que era do Mestre Simão da Veiga, ali na Rua 1º de Dezembro, próximo da Varanda. Foram estas professoras que fizeram com que o Rufa voltasse novamente à escola. Ainda hoje, quando perguntamos ao Rufa pelo professor Cláudio, surge logo a resposta pronta na ponta da língua, mas sem qualquer azedume. 
Isso era bruto dos “quexos”.
Noutro dia, o professor Cláudio, vá de chamar ao quadro o Mariano, de alcunha o Padola. Como não soube resolver o problema, aconteceu-lhe o mesmo que ao Rufa ou talvez mais grave. Os puxões de orelhas não tardaram, até garrar as ditas. Mas ele não chorava. Era rijo, o Padola. 
Agora anda cá tu, José Mira para ver se ensinas aqui o burro do teu irmão, disse o professor.
O Padola, tinha por alcunha “o turista”. Eram gémeos. Como também não sabia, vá de malhar no rapaz. A coisa foi tão feia, que a mulher, senhora dotada de uma grande bondade e sensível como era, já suplicava ao marido para deixar o gaiato. 
Noutra ocasião, o meu primo Alberto Mira não fez os trabalhos escolares marcado para as férias grandes. O professor perguntou-lhe porque é que não tinha feito os trabalhos.
– A minha mãe não tinha papel para acender o lume e queimou o caderno, senhor professor. 
Mas não estava lá muito à vontade, pois já sabia o que o esperava quando o professor descobrisse que estava a mentir.
– Oh! Diabo! Aqui há gato! Queimou o caderno? Vamos lá ver isso, disse o professor.
No dia seguinte, o professor encontrou a tia Adelina, mãe do Alberto e perguntou-lhe se tinha queimado o caderno do filho.
– Eu não, senhor professor. Então fazia lá uma coisa dessas? Queimar o caderno do meu Beto? 
– Ai o malandro do gaiato! Já sei que não fez os trabalhos da escola, pensou a mãe.
– Está bem. 
No dia seguinte, quando chegou à escola, chamou o Alberto e aí é que foi malhar.
Naquele tempo, os professores castigavam demais os alunos. Para agravar a situação, ainda havia pais, que quando iam levar o filho à escola, logo no primeiro dia, diziam esta bonita graça:
– Senhor professor! Só lhe quero a pele para fazer um tambor. 
Um belo dia, a tia Adelina andava num grande alvoroço com as vizinhas.
– Ó vezinha! Atã nã quer lá ver esta? Alí o gaiato do ferrero, aquele bruto, aquele malandro, veio aqui ó mê quintali fazer o serviço na escolatera, onde eu faço o caféi. Ah mas isto nã fica assim!
Nã fica não! A tia Adelina, vá de ir repetir esta lenga-lenga ao professor. 
– Fazer o serviço? Mas que serviço? O professor a puxar por ela, e a ti Adelina com vergonha de empregar a palavra cagar. A muito custo, lá acabou por contar ao professor. No dia seguinte, o velhaco do Zéquinha foi chamado a contas. Escusado será dizer o que lhe aconteceu. 
– “Aqui não há chi, nem chá, nem pó de ferreiro”, e vá de dar lambada no pobre do gaiato.
– Ainda hoje quando a gente lhe pergunta, 
– Então Zéquinha, como estás? Estás bom?
Com cara de poucos amigos e de imediato, diz-nos: 
– Eu chamo-me José Dias.
– Pronto, está bem. 
Também havia um aluno muito irrequieto, aquilo a que chamamos, velhaco. Era o Inácio Corneta, de alcunha o “Chouriça”. 
Quando por qualquer motivo, por brigar com outro colega, ou por não saber a matéria escolar, o professor chegava-lhe logo a roupa ao pêlo. Batia-lhe por tudo e por nada. Levava muita ponteirada, pontapés, reguadas e bofetadas. Quando começava a bater, até parece que deixava de ver. E o que era ainda mais grave, encerrava o pobre do gaiato num armário de madeira e lá passava tardes inteiras. Em sinal de protesto, por muitos murros e pontapés que o “Chouriça” desse no armário onde estava encerrado, que até lhe devia faltar o ar, o professor não lhe abria a porta do armário.
No final das aulas, ouvíamos o professor dizer:
– Bom, meus meninos, arrumem lá as coisas. Vamos lá embora. Por hoje já chega. Abram lá a porta do armário ao Chouricinha. 
E então lá estava o rapaz, pequenino e franzino como era, todo encolhido a um canto do armário.
Até amanhã chouricinha, dizia-lhe o professor.
O Chouriça não dizia nada na frente do professor, mas cá fora, no alpendre da escola, onde o professor já não o visse e muito menos o ouvisse, dizia:
– Até amanhã, até amanhã!
– Uma pouca de merda, que é para me meteres dentro do armário outra vez, não?

 Luís de Matos

DE APLAUDIR

Tutelado pelo Município de Montemor-o-Novo, MorBase é, não só, uma plataforma para o montemorense, mas também, uma ferramenta para o investigador e para o interessado no património móvel e imóvel, material e imaterial oriundo do concelho de Montemor-o-Novo. 
                          OFÍCIOS – PRODUÇÃO MORBASE
A mini série "Ofícios", composta por oito capítulos, é um retrato do saber fazer de algumas profissões tradicionais do concelho de Montemor-o-Novo.
PADEIRA
TOSQUIADOR


A IMPRENSA REGIONAL DE HOJE


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

POLITICA LOCAL - DIVULGAÇÃO


MAIS UMA INICIATIVA QUE SE APLAUDE

                           JUROMENHA TEM MUITO PARA VER:
fortificação abaluartada, castelo medieval islâmico e cristão, ribat, forte romano, um tesouro no meseu de vila viçosa, simbolos antigos, lagar, prisão, pilastra visigótica, cisterna, cortina de tiro, qubba, Igrejas, engenharia romanas, taipa, sondagens arqueológicas, jogo do alquerque, brasão, torre de menagem, casas da guarda, grafitos em arábico.....
Vamos limpar, ver se aproveitamos alguma da informação das sondagens arqueológicas, acrescentar o que temos descoberto com a ajuda de vários amigos, pegar naquilo que se conhece e
CONSTRUIR UM ROTEIRO DE JUROMENHA (com placas na fortaleza, site na internet e folhetos, tudo em 3 línguas, tudo com o nosso trabalho e dinheiro, se quiserem ajudar deixo os meus contactos 965670853 - faria100@gmail.com)
Interessados e turistas vão poder conhecer um local que é o ex libris do Concelho do Alandroal e manual de fortificação militar, construído com saber dos vários povos que por cá passaram.
Nota: não apoiamos nenhuma das candidaturas e vamos continuar a pôr em prática várias ideias de valorização do património depois das eleições como temos feito nos últimos 5 anos, o tempo da conversa acabou, MÃOS À OBRA.
Temos o apoio da #tripalentejo e #montedafontesanta


RETRATOS QUE NOS ENVERGONHAM!

        Ruínas do Castelo ou Fortaleza de Juromenha 

João Carlos Badalo

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

UMA HISTÓRIA DO HELDER

  UM CONTO, MAS NÃO SEI A QUEM MAIS O CONTO.
 Num lugarejo de pouco mais de cinquenta habitantes, cuja disposição de casas, pareciam dispostas por mão divina, numa harmonia, que saltava á vista qualquer visitante.
Dos seus habitantes poder-se-ia afirmar, pelas boas relações existentes, que eram uma única família.
Tinham modos de vida comuns e todos eram remediados, embora alguns vivessem mais desafogados que outros.
A escola, pela pouca quantidade de alunos, era mista, muito embora as meninas vestissem batas cor-de-rosa e os meninos azuis.
Um dia o Zé olhou de maneira diferente para a Maria, viu-a mais bonita que nos outros dias. Insistiu no olhar e ela correspondeu sorrindo. Quis falar-lhe mas estavam na aula e não se atreveu.
O Zé também sorriu e mostrou-lhe o lápis e ela mostrou o dela.
Fizeram um sinal de troca e trocaram os lápis.
O Zé escreveu num papel:
- O teu lápis escreve tão bem que me faz ouvir a tua voz.
Ela leu e corou, olhou para ele e sorriu, e, respondeu no mesmo papel:
- O mesmo me sucedeu com o teu.
O Zé sorriu mas não corou.
Ao sair da aula, olharam-se de soslaio e envergonhados, mas a pouca distância, voltaram-se e acenaram.
No resto do dia não pararam de pensar um no outro, e, antes de adormecerem sentiam algo estranho, nunca antes por eles sentido, um bem-quer que os queria aproximar, ligá-los para sempre, numa amálgama indiscritível.
O Zé só adormeceu de madrugada e a Maria acordou, várias vezes sobressaltada, a pensar no Zé. 
No outro dia, na aula, a mesma troca de olhares e o Zé mostrou-lhe um rebuçado.
- É para mim,- perguntou ela.
- É, - respondeu ele abanando a cabeça.
- E para ti, - retorqui ela.
O Zé ficou embaraçado. Tinha comido o seu rebuçado e achou-se ganancioso, envergonhou-se e pensou em partir o rebuçado, fazendo o gesto de partir ao meio.
Ela anuiu e com um gesto disse que sim.
Saboreando o rebuçado olharam um para o outro, sorriram, e, idealizaram que estavam a uma mesa do café do Manel do Coice, comendo um gelado que o próprio Manel manufaturava.
O Zé não resistiu àquele encanto e escreveu, novamente, no papel;
- Um dia conto-te um conto, mas não sei a quem mais o conto.
Ela, a Maria, sorriu novamente, e tornou a escrever:
- A mais ninguém, só a mim.
O Zé não sorriu, envergonhou-se, novamente, e entristeceu. Tinha comido rebuçado e meio, enquanto ela apenas comeu metade, e, agora pensava contar o conto a mais pessoas. Sentiu que injustificava a Maria e que ela não merecia essa injustiça. Mas esta reflexão deu-lhe uma certeza, a Maria sentia o mesmo que ele. Um forte bem-quer os aproximava.
A aula terminou, eles sentiram uma enorme vontade de conversar, de disseram um ao outro o que lhes ia na alma, o que lhe faziam vibrar o coração. Encontrar o porquê daquela forte vontade de aproximação.
A SEPARAÇÃO
A ingratidão do destino fez com que os pais da Maria emigrassem, sem dar tempo para encontrar a explicação do estado de espirito do Zé e da Maria.
Na hora do embarque, na camioneta da carreira que iria levar a Maria até Lisboa, donde partiria de comboio para a Suíça, estava à distância o Zé.
A Maria avista-o, acenou-lhe e mostrou o lápis, ele fez o mesmo com o dela. Ao mesmo tempo beijaram os lápis, e levaram o indicador ao olho direito, que ficou molhado.
Olharam mais fortemente um para o outro, e, sorriram com mais fervor. O olhar de ambos embaciou pela torrente de lágrimas, que diluindo-se na atmosfera pareciam selar para toda a vida, aqueles dois seres.
O DESESPERO DO ZÉ
O Zé ficou na sua terra até ir para a tropa, mas desertou e foi parar à França. A princípio não foi feliz, conhecendo a tristeza e o desconforto dos bidons-Viles, e, um dia desesperado com a sua sorte, pensando no suicídio, tirou, instintivamente, da carteira o escrito que tinha trocado com a Maria. Leu-o e releu-o, e, fazendo uma cabriola, gritou:
- NÃO, NÃO.
Vestiu o fato que levara de Portugal, e, ainda levado por ideias pouco luminosas, entrou na Igreja de Notre Dame.
Tentou rezar, mas não consegui, e, encarando Nossa Senhora de frente, ficou assim breves instantes, em surda confissão, 
No seu estado de espirito, e, hesitando contar as suas desventuras, para pedir a proteção divina, ouviu a frase:
- A mais ninguém, só para mim.
O Zé, confundido, parecendo ouvir a voz da Maria, olhou em redor, e, novamente, fixou o olhar da Santa.
 Sentiu o afastamento da desgraça, imbuir-se de um novo espirito e, com uma nova alma sentiu-se outro Homem.
 Pediu trabalho a um casal de lojista e foi aceite, parecendo ver na senhora o mesmo sorriso da Maria.
Por morte do casal, que não tinham herdeiros, ficou com a loja e prosperou. Não casou e quando da utilização íntima de uma mulher, aparecia sempre a Maria, e, na interrogação do seu paradeiro não obtinha resposta.
A VONTADE DE REGRESSAR
A vontade de ir à terra começou a crescer nele.
 A Maria, na Suíça, tivera sorte quase semelhante, muito embora tenha, rapidamente, subido no seu único emprego.
Vivera com um homem apenas seis meses, que nunca a fizera ofuscar, nem muito menos esquecer o Zé.
O bem-querer que os uniu em meninos, tinha-se transformado, após conhecerem o mundano da vida, numa imensa saudade. Também ela ansiava ir á terra.
A vontade de ambos parecia querer dizer-lhes algo mais de que uma ida. Pareciam adivinhar que lá se encontrariam, que lá teriam tempo de recuperar o perdido, de conversar o que não conseguiram, pela sua timidez de meninos, dizer um ao outro.
Era uma vontade incontida que nem um, nem outro conseguia controlar. Nos momentos de solidão, e, eram tantos, viam-se na escola de batas vestidos, na troca de olhares e de lápis na mão.
Ela, a Maria queria recordar as palavras que tinha escrito no papel, como resposta ao Zé, e, por mais que se esforçar-se não o conseguia.
Interrogava-se receosa se ainda reconheceria o Zé, se ele tinha casado, se tinha filhos. E, além disso, uma eventual aproximação de ambos, poderia vir a destruir a sua família.
Um turbilhão de hesitações se levantaram no espirito da Maria.
Uma ligação recordativa daquele tempo de menina de escola, tinha permanecido com ela: o lápis. Lembrou-se dele e com ele viu-o Zé de lápis, também, na mão, sorrindo na sua despedida.  
A decisão da Maria 
 Pensou muito, muito, mas não hesitou e decidiu:
- Vou à terra saber notícias do Zé.
Quando desceu da camioneta notou que o apeadeiro não era no mesmo sítio que antes, e, apesar do achar mais bonito, não se alegrou, entristeceu. Uma estranha sensação apoderou-se do seu espirito, parecia-lhe que tudo se tinha desmoronado no seu cérebro, que tudo o que pensara ficaria reduzo a zero. 
Vagueou pela rua e caminhou até à Igreja, mas não entrou. Não angariou coragem para pedir a proteção da Virgem, e, continuou alheia ao seu redor, ao contentamento e divertimento das outras pessoas.

O ENCONTRO
Levado por algo não explicável saiu daquela multidão e encontrou-se sozinha. Reconheceu o sítio do antigo apeadeiro e, ali esteve largo tempo, hista e fria como uma estátua.
Quando saiu do estado de êxtase, e, a vista clareou viu, a pouco metros de distância, um homem, que parado parecia observá-la.
Sentia que precisa de auxílio de alguém e encurtou a distância entre ambos. Ele parecia alheio a sua inquietude.
A Maria avançou um pouco mais e, viu abrir-se naquele vulto, um sorriso angelical de menino de escola, que levava a mão ao bolso.
Expetante tornou a parar e, por instinto levou, também, a sua mão á mala, sem deixar de fixar o olhar da pessoa, que estava na sua frente.
Ambos sorrindo exibiram os lápis.
Num ápice caíram nos braços um do outro. Assim estiveram largo tempo. Tempo que os levou à escola, à aula recordando o escrito, os sorrisos e o forte bem-querer que os aproximou.
Não falaram, mas os seus corações batendo em simultâneo, parecia indicar-lhes para sempre o seu futuro, um futuro a dois.
De mãos dadas e de lápis na mão, caminharam, em silêncio, até à Igreja, que acabados os festejos religiosos estava vazia, não se apercebendo que uma multidão de forasteiros os acompanhava.
Nossa Senhora esperava-os, sorrindo.
O Zé voltando-se, de frente para a Maria disse:
- Queres casar comigo -, e, ela, rápida, respondeu.
- Quero, quero.
Voltaram-se, para Nossa Senhora e exibiram os lápis, quando a multidão que os acompanhava, aplaudindo gritou, beija, beija.
Voltaram-se um para o outro e, com o Beijo de Noivos, beijaram-se pela primeira vez, A multidão aplaudiu mais fortemente e Nossa Senhora intensificou o sorriso.
Dirigiram-se para o café onde o Manel do Coice, numa mesa reservada para os noivos, foram servidos dois gelados com sabor a rebuçado, e, na toalha branca que cobria a mesa, estava escrito a tinta verde, muito clara.
- NUNCA É TARDE PARA A AMAR -.
Hélder Salgado.
Terena, 09-09-2017.

 Nota - Este texto tem o especial sabor de ser escrito em Terena, como prenda de anos para o Al Tejo - Francisco Manuel - revelando um sentido agradecimento para o Manuel Subtil, que com os seus comentários, me tem incentivado a fazer melhor, e, com igual sentimento, revelo, também, a última comentadora da " A Taberna do Torcato" que bastante sensibilizado me deixou, sem esquecer os manos Coelho, Sandra Fontes e o meu critico ANB.
O meu especial OBRIGADO, aos três e a todos aqueles que me têm lido.
Hélder.     





 
   




  




sexta-feira, 8 de setembro de 2017

   O AL TEJO FAZ HOJE 

SUGESTÕES






Alandroal - Cinema -8 Set - 2130





DESPORTO

Aproxima-se mais uma época de futebol. Além do Alandroal United a disputar o Campeonato Distrital da Inatel vamos ter o CCR de Terena a competir no Distrital de Juniores D  e Juniores E, alem de participação no “Joga à Bola”.

                                                                               FUTEBOL
                                                           Campeonato de Portugal
                                                              Moura –Montijo
                                                           Casa Pia – Castrense
                                                       Vendas Novas – Oriental.


                                                          Jogos Preparação - Torneio



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS - Crónicas de Cinema por Egas Branco

LES BEAUX JOURS D' ARANJUEZ (Os Belos Dias de Aranjuez), de Wim Wenders

Não se pode esperar que esta recentíssima obra de Wim Wenders, estreada no Festival de Cinema de Veneza deste ano, venha a ter grande sucesso junto do público ou da crítica dominante. 
No entanto trata-se de um filme belíssimo para quem aprecie a chamada Sétima Arte. 
É que Wim Wenders pegou num texto quase abstracto, escrito para o teatro pelo dramaturgo alemão Peter Handke, seu velho conhecido. E o resultado é puro fascínio, com os dois principais personagens, uma mulher e um homem, Sophie Sebin e Reda Kateb, conversando perante nós enquanto a câmara se movimenta suavemente. 
Enquanto Sophie fala dos seus amores e desamores, indo até a pormenores da relação física, Kateb descreve a natureza luxuriante que os rodeia, embora nos arredores de Paris mas com memórias do belíssimo parque de Aranjuez. Por ser mais discreto ou porque essa é condição atávica do ser masculino? 
Wenders introduz no entanto uma diferença em relação à peça, porque cria o personagem do escritor (Jenz Harzer) e sendo embora discutível o que vemos, para mim o casal é apenas imaginação. Harzer vai pontuando a peça com músicas tocadas numa velha juke box e numa delas surge até ao vivo Nick Cave, numa das suas mais emblemáticas canções, tocando piano e cantando.
E para finalizar é o próprio Peter Hndke, o dramaturgo,  que surge em silhueta no jardim, aparando as sebes.
Belíssima obra que suscita vontade de a rever. A dicção dos actores é aliás espantosa.
Egas Branco


IMPRENSA DA REGIÃO


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DIVULGAÇÃO - CINEMA -GASTRONOMIA



POETAS DA MINHA TERRA - Maria Antonieta Matos

                                         OH! RISO ÉS TÃO BONITO
                                             Oh! Riso… és tão bonito,
                                             Que me enches de alegria,
                                             Fazes invejas aos sisudos,
                                             Que andam sempre macambúzios, 
                                                   Projetando antipatia.
Oh! Riso tens tanta graça,
Que contagias o mundo inteiro,
A tristeza ultrapassas,
Divertes os dias que passas,
Mas que riso verdadeiro!
                                                  Oh! Riso não tens fronteiras,
                                                  Andas na boca do mundo,
                                                  Com saúde de primeira,
                                                  Nunca perdes a estribeira,
                                                  Nesse sorriso profundo.
O riso faz bem à alma,
Não entra onde há tristeza,
Vive feliz e contente,
Dá sorriso a tanta gente,
Sentimento de grandeza.
                                                  Ria… nunca desista,
                                                  De sorrir alegremente,
                                                  Viva em festa cada dia,
                                                  Dê aos outros alegria,
                                                  Sinta paz constantemente.
22-08-2017 Maria Antonieta Matos
Pintura 
Costa Araujo Araujo
                            NÃO DESISTAS DE VIVER!
                                            Não desistas de viver, 
                                            De abrires o teu coração,
                                            De escancarares teu sorriso,
                                            De esqueceres um mau juízo,
                                                Que seja a vida a solução.
Que amanheça em cada dia,
Um raiar em teu olhar,
Que brote a flor mais linda,
Que te mostre o sonho, ainda,
Sempre em ti a desabrochar.
                                                 Não desistas do amor,
                                                 Onde habita serenidade,
                                                 Que exalta dentro do peito,
                                                 Sinfonia no teu leito,
                                                 Canção, paz e dignidade.
Não te quebres por artifícios,
Nunca cedas a tentações,
Que vão mudar a tua vida,
Para sempre ficar destituída,
E não passam de ilusões.
                                                 Não desvies o teu caminho,
                                                 Por rotas que não conheces,
                                                 Desfruta na terra… a vida,
                                                 Ninguém ganha com a partida,
                                                 Nem nós, nem tu a mereces.
Há um sol que nos aquece,
E nasce a lua com muitas faces,
Mas a inteligência que temos,
Serve para ler o que vemos,
Sem s’ envolver em disfarces
.
03-09-2017 Maria Antonieta Matos
Pintura 
Costa Araujo Araujo



HOJE - INÍCIO DAS FESTAS DE VENDAS NOVAS


terça-feira, 5 de setembro de 2017

ESCLARECIMENTO

Ao longo destes 14 anos que levamos pugnando por trazer a público novas do nosso Alentejo e muito em especial do Alandroal, muitas vezes lutando contra ventos e marés, nunca recuamos perante as maiores dificuldades com que por vezes somos confrontados.
Uma das maiores, senão mesmo a maior, é a caixa de comentários que teimamos continuar a deixar aberta, aceitando o anonimato.
Infelizmente e com a aproximação do acto eleitoral vimo-nos obrigados a exercer um controlo mais rigoroso o que nos obriga a recusar grande parte dos comentários, na medida em que raramente são providos de qualquer idéia inovadora que possa vir a contribuir para um debate serio em prol do progresso que todos desejamos. Antes pelo contrário, teima-se em desenterrar o passado, apontar erros que, se foram irremediáveis, são do conhecimento de todos, chegando bastas vezes à ofensa pessoal, à mentira, à calúnia.
Duas hipóteses colocamos para colmatar tais abusos: encerrar temporariamente  durante o período que medeia até às eleições, ou fechar a caixa de comentários. Esta última hipótese seria talvez interpretada como falta de coragem numa altura em que as notícias mais precisam de chegar ao conhecimento de todos.
Como tal, o Al tejo vai prosseguir a sua missão de informar e esclarecer colocando-se à disposição de todos, não permitindo no entanto a publicação de qualquer opinião que não esteja devidamente assinada e confirmada assim como irá rejeitar todos os comentários anónimos que refiram atitudes, nomes ou actos de Candidatos Autárquicos, desde que não sejam enviados para o mail inscrito na barra lateral e no qual conste o nome e contacto telefónico para posterior confirmação.
O Administrador


POLITICA LOCAL

          ENTREVISTAS CONCEDIDAS PELOS  CANDIDATOS ÁS AUTÁRQUICAS 2017, PELOS                    CANDIDATOS DO ALANDROAL




O candidato à Câmara Municipal de Alandroal pelo Movimento "DITA", João Nabais, não se mostrou dísponivel para a realização da entrevista.

domingo, 3 de setembro de 2017

FESTAS DE SETEMBRO 2017 - APONTAMENTOS DA PROCISSÃO

  PROCISSÃO DA PADROEIRA SENHORA DA CONCEIÇÃO


                                   REGRESSO 


DOIS SÍMBOLOS DO ALANDROAL: NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO - BANDA DO CENTRO CULTURAL.


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

SUGESTÕES




                                              E...CASO HAJA, CUIDADO!




AFINAL HÁ TRANSPARÊNCIA

AJUSTE DIRECTO PARA CONTRATO DE PRESTAÇAO DE SERVIÇOS PARA ESPECTACULO. ---- 19.000,00 €….. 31-08-2017 … Município de Alandroal … TODAS AS ARTES, LDA

DESPORTO

NA FESTA DE SETEMBRO - ALANDROAL


                                                                                    FUTEBOL
                                            TAÇA DE PORTUGAL – EQUIPAS ALENTEJANAS
Crato – Sintrense
Lusitano – Vasco Gama Vidigueira
Ferreiras – Moura
Canaviais - Guadalupe.

                                             INICIATIVAS AMIGOS S. BRÁS DOS MATOS


CORRIDAS DE TOUROS NAS FESTAS