domingo, 8 de janeiro de 2017

DESPORTO - RESULTADOS JOGOS FIM-DE-SEMANA

                                                                             FUTEBOL
                                                      INATel - Campeonato Distrital
Santiago Maior 4 – Pardais 1
Alandroal United 2– Orada 1
Foros Fonte Sêca 1 – Santo Amaro 0
S. Domingos 6 – Montoito 1 
Bencatelense 1 – Bairrense 1 
                                                Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                        Divisão de Elite
Lusitano 2 – Oriola 0
Vendas Novas 1 – Monte Trigo 2
Escoural 0 – União Montemor 1
Perolivas 2 – Lavre 2
Canaviais 2 – Juventude 2
Arraiolos 0 – Redondo 6
Reguemos 2 – Alcáçovas 0 
                                                                           Divisão de Honra
Santana do Campo 2 – Arcoense 2
Corval 2 – Valenças 2
Portel 0 – Cabrela 0
Cortiço 4 - Giesteira 1
                                                        CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Moura 1 – Louletano 2
Fabril 0 – Farense 2
Lusitano V.R.S.A 2 – Pinhalnovense 0
Almancilense 0 – Armacenense 1
Viana 1 – Aljustrelense 2.
                                                                 FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
Portimonense 7 – União de Montemor 0
                                                                     RugbY - DIVISÃO DE HONRA

R.C.M. 14 - Técnico 52

sábado, 7 de janeiro de 2017

VEJA O CONCERTO DE NATAL OFERECIDO PELA BANDA DO CENTRO CULTURAL DO ALANDROAL ( JUVENIL E SENIOR) OFERECIDO A TODOS OS ALANDROALENSES.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

NO ALANDROAL CUMPRIU-SE A TRADIÇÃO – CANTARAM-SE OS REIS

Mais uma vez as ruas do Alandroal e os locais tradicionais se animaram com a presença dos “CANTADORES DOS REIS”.
Valendo-me da reportagem efectuada pela Rádio Campanário aqui vos deixo o convite para uma visita ao “site” onde poderá ver o registo fotográfico completo assim como escutar as palavras do principal mentor desta tradição, o prezado amigo Tói Coelho.



Também o facebook da Camara Municipal alude ao evento, com palavras de agradecimento e registo fotográfico do qual lhe deixamos uma pequena amostra.



UMA QUESTÃO DE RELAÇÕES AMOROSAS – Opinião de J.L.N.

 Quem nunca leu "Wuthering Heights" ("O Monte dos Vendavais" ou "O Monte dos Ventos Uivantes", dependendo das editoras/dos tradutores) deve fazê-lo com urgência. É sobre o amor, a sua força e a sua fraqueza. 
Obrigado, Emily Brontë (Inglaterra, 1818 - 1848). Foi a mais profunda, aterrorizadora e violenta história de amor que li. Tinha eu 19 anos e tudo aquilo me pareceu uma loucura. Reli-o recentemente, 37 anos depois, e tudo aquilo continuou a parecer-me uma loucura ainda maior. Romeu e Julieta, protagonistas de outra relação amorosa muito mais célebre, são dois meninos de coro comparados com Catherine e Heathcliff.

João Luís Nabo

AL TEO SUGERE




A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                   A banca em 2017

Sexta, 06 Janeiro 2017
Que estamos em período de plena austeridade já todos percebemos. Desde 2011 que assim é e não se prevê o seu fim para breve.
Quem disser o contrário ou está a querer enganar os outros, ou quer-se enganar a si próprio.
Continuamos com o congelamento salarial, com o aumento geral dos bens de consumo, quer por via da actualização em razão da inflação, quer também pelos efeitos do aumento dos impostos indirectos.
Enfim, é algo a que estamos habituados e que vamos aceitando cada vez mais com mais naturalidade.
E é também com naturalidade que nos vamos acostumando às sucessivas histórias da banca. É rara a semana em que não temos uma.
E esta foi, mais uma vez, a semana em que a banca tomou conta dos acontecimentos.
Continuou a novela da CGD. A Caixa Geral de Depósitos ficou sem presidente na semana em que se iniciou o processo da recapitalização.
Acabou mal o 2016 para a CGD e o 2017 não começou melhor.
Tem sido polémica atrás de polémica.
Com o Novo Banco a coisa não tem corrido melhor. Tem-se arrastado por tempo sem fim. E volta não volta aí temos outro episódio.
Esta semana chegámos à fase da venda do banco. Ficou a conhecer-se as propostas dos concorrentes, e aquela que colheu preferência pelo Banco de Portugal.
Se o valor da proposta é justo ou não nunca iremos verdadeiramente saber. Provavelmente até o será.
Mas por tudo aquilo que foi sendo divulgado o valor é baixo. Muito baixo. Fica aquém da expectativa de encaixe financeiro que se previa com a venda do Novo Banco. Entenda-se que o NB resulta da parte boa do ex-BES. Os activos de difícil cobrança já não integraram o NB.
Não sei porquê, mas fico com a sensação que, caso a venda se venha a consumar nestes termos, que é uma venda a saldo.
Aliás, sensação idêntica aquela com que fiquei com a venda do BANIF.
Mas sem problema. Os contribuintes cá estão, sempre presentes, para colmatarem as faltas de liquidez dos bancos ou, se necessário, para cobrirem os custos de aquisições, resoluções e posteriores vendas por montantes declaradamente inferiores, ainda que sempre se apregoe que não haverá encargos para os contribuintes.
Está visto que a banca será tema para 2017.
Até para a semana
Rui Mendes




DESPORTO

                                                                              FUTEBOL
                                                      INATel - Campeonato Distrital
Santiago Maior – Pardais
Alandroal United – Orada
Foros Fonte Sêca – Santo Amaro
S. Domingos – Montoito – 08/01
Bencatelense – Bairrense – 08/01

                                                Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                          Divisão de Elite
Lusitano – Oriola
Vendas Novas – Monte Trigo
Escoural – União Montemor
Perolivas – Lavre
Canaviais – Juventude
Arraiolos – Redondo
Reguemos – Alcáçovas – Transmissão na TV da A.F.E.
                                                                           Divisão de Honra
Santana do Campo – Arcoense
Corval – Valenças
Portel – Cabrela
Cortiço - Giesteira

                                               CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Moura – Louletano
Fabril – Farense
Lusitano V.R.S.A. – Pinhalnovense
Almancilense – Armacenense
Viana – Aljustrelense.
                                                        FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
Portimonense – União de Montemor
                                                            RugbY - DIVISÃO DE HONRA
R.C.M. - Técnico

                                                                DESPORTO PARA TODOS





quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

COM MUITO INTERESSE...

Mais uma vez a Rádio Campanário presta um excelente serviço divulgando os ORÇAMENTOS DAS CAMARAS DO DISTRITO DE ÉVORA PARA O ANO DE 2017.
Confira:
  Alandroal– 13.331.086€
- Arraiolos - 9.839.217,00 €
- Borba –7.490.327,28€
- Estremoz - 12.836.830€
- Évora – 61.500.000€
- Montemor-o-Novo – 20.119.090,70€
- Mora – 10.714.315€
- Mourão – Orçamento para 2017 não aprovado
- Portel – 11.085.330€
- Redondo – 8.745,724€
- Reguengos de Monsaraz – 23.900.00€
- Vendas Novas– 9.730.000€
- Viana do Alentejo- 7.322.757€
- Vila Viçosa – 9.900.744€

Já agora confira tambem (publicação Rádio Campanário), quanto vão receber  as Câmaras de juros de Mora referente ao IMI retido.





CAMARA DO ALANDROAL CONCEDE BOLSAS DE ESTUDO


PARA SABER SE A SUA CANDIDATURA FOI ACEITE CONSULTE "SITE" C.M.A.

IMPRENSA REGIONAL


MEMÓRIAS CURTAS


Uma vez por mês o Prof,. Vitor Guita traz-nos à memória, recordações do passado...

A tradição está na moda.
Depois do fado, do cante alentejano, do chocalho das Alcáçovas, da louça preta de Bisalhães e de mais umas quantas distinções, chegou a vez se a Unesco reconhecer a falcoaria portuguesa como património da Humanidade.
A arte de criar e treinar falcões e outras aves de rapina para a caça tem milhares de anos. Em Portugal, há notícia da existência desta actividade desde o século XII, isto é, desde a fundação da nacionalidade. São utilizadas, ainda hoje, técnicas milenares. Na opinião de muitos, a beleza desta modalidade cinegética reside mais no lance da caça e não tanto na captura da presa. Também é sabido que a falcoaria é muito frequentemente associada à classe da nobreza.
Mas, estimado leitor, não é de falcões, falcoeiros nem de aristocracia que nos vamos ocupar. Escolhemos ir até ao velho e modesto monte do Patalim, a que nos ligam laços familiares e onde, sempre que ali vamos colhemos ensinamentos acerca da natureza e de inúmeras práticas ancestrais.
Além disso, o tempo invernoso que se tem feito sentir trouxe-nos à lembrança um fenómeno extraordinário a que nos habituámos desde a infância e a que nunca conseguimos ficar indiferentes. Referimo-nos às compactas nuvens de pombos bravos que costumavam cruzar os ares na nossa região. Em certas alturas, era difícil, num só olhar, abarcar a frente do bando e a sua traseira, tal era o gigantismo da mancha negra.
Em Patalim, já por diversas vezes nos sentimos tentados a meter conversa com o vizinho Luís, quando esta anda ocupado a tratar dos seus pombos ou a treiná-los para servirem de negaça. Acostumamo-nos a Vê-lo sentado no poial, à porta da casa, ou junto ao velho pombal a fazer exercícios circenses com as aves e a observar-lhes atentamente os movimentos. Ao ser arremessado na vertical, cada pombo faz um breve esvoaçar até voltar a pousar no champil, na extremidade da vara. O comportamento das patas é importante e é preciso saber escolher as aves menos ariscas. Pombo manso facilita o treino e o seu “trabalhar” durante a caça.
Quanto ao treinador, exige-se uma grande dose de paciência e um certo jeito natural para exercitar a pombaria. Há quem lhe chame uma arte.
O vizinho Luís chegou a ter, segundo ele nos disse, dezasseis pombos aptos para negaça. Quanto a equipamentos, vai-se servindo de algumas varas de metal, à mistura com outras de madeira bem mais artesanais, com champil tosco de cortiça.
Quisemos aprofundar um pouco mais a conversa com Luís Casquinha, toda a vida um doente por pombos e por caça em geral. Mesmo sem negaça, tentámos apanhar-lhe algumas memórias. A princípio, o seu ar sisudo e desconfiado não prometia grande coisa, mas não tardaram a sair cá para fora bandos de recordações.
A primeira arma que teve foi feita a partir de uma espingarda de carregar pela boca. A modificação da arma foi executada por Feliciano Alface, um conhecido espingardeiro residente na Pintada e considerado um artista na matéria. Mais tarde, o Luís de Patalim  viria a adquirir, em Évora, espingardas de melhor qualidade. Uma Liége, na Rua de Alconchel, custou-lhe uma mão cheia de contos.
A partir dos dezasseis ou dezassete anos, sentiu-se tão deslumbrado a caçar, que nunca mais perdeu essa paixão. Com os seus pombos de vara, chegou, segundo nos disse, a fazer pousar bandos inteiros de pombos bravos e a matar cerca de duas dezenas com dois tiros. Palavra de caçador! Os cerca de noventa anos é que já não o deixam manter o andamento de outros tempos.
Isto de caçar pombos à negaça tem que se lhe diga! É preciso muito calo! – desabafou o vizinho
Luís, que se orgulha de ter iniciado muita gente nessa arte.
A partir de meados de Outubro, era altura dos pombos bravos começarem a chegar, só emigrando lá mais para o fim de Fevereiro, princípio de Março. Passavam aos milhares por cima de Patalim e dos campos em redor. Alguns “esbandalhavam-se” e ficavam por cá. Serviam depois para chamar os seus congéneres. Os pombo falam uns com os outros como os fossem pessoas.  Tentou convencer-nos o vizinho Luís.
A experiência de caçador diz-lhe que há sítios por onde nunca passou um pombo. Porem, Vale de Migalhas, Pero Mogo, Moita, Sousa, Cabido, Pégoras,  Carrascalinho ou então Murteira são herdades onde eles procuravam comida. Luís Casquinha lembra-se de ver muitas dessas propriedades tapadinhas de pombos. Chegou ali a matar dezenas deles, especialmente quando caçava à espanhola.
Houve um tempo em que a caça ra vendida a um negociante de Guadalupe. Depois passou a vendê-la à beira da estrada. Era um bom tacho. – Não escondeu o vizinho Luís. Ao mesmo tempo que foi lamentando – Hoje não há pombos como havia antigamente! Está tudo diferente.
Noutros tempos, as varas eram metidas no interior das árvores, em posição horizontal. O pombo que servia de negaça era encarapuçado e fixo no champil de cortiça, na ponta saliente da vara. Era preciso saber jogar com o vento. Existe mesmo uma e expressão na gíria dos caçadores e que se aplica aos pombos quando estes vêm de “bico ao vento”.
Um dos inconvenientes daquele processo ea a reduzida visibilidade provocada pelas abas das árvores e a dificuldade em manobrar.
Entretanto, foram aparecendo equipamentos mais elaborados, até chegar às varas metálicas extensíveis e outras modernices que vieram permitir a montagem vertical, sem necessidade de subir às árvores. A instalação passou a ser feita a partir do solo, passando a vara através dos ramos. O pombo treinado e colocado no champil e transportado até ao cimo das árvores onde irá “trabalhar”. Ganha-se em visibilidade e controla-se melhor o vento.
Porem, nada disto serve, se os pombos não estiverem bem treinados. Já aqui se disse que a escolha deve recair sobre aves mansas e, já agora, que sejam o mais parecidas possível com os pombos bravos. Há torcazes, sobretudo os mais velhos e experientes, eu não vão em contos de sereia que lhes podem ser fatais. Eles conhecem muito bem as diferenças entre os da sua igualha e aqueles que são amestrados.
Quando pensávamos que já estava tudo dito, o vizinho Luís veio com mais uns quantos ensinamentos acerca desta arte de caçar. É que as armações que servem de abrigo aos caçadores também têm os seus segredos. Hoje, aposta-se muito nos camuflados, mas quando as barracas são feitas com rama das árvores, o lado escuro das folhas deve ficar para fora. Diz a experiência do vizinho Luís que, nas folhas clras, os pombos não lhe pegam. Vá-se lá entender estas coisas!
Ficaríamos aqui mais umas quantas linhas a saborear muitas outras histórias que nos foram contadas. Porem é tempo de acabar.
Bem! O que agora vinha a calhar era uma canja quentinha de pombo bravo! Mas, com a crise da caça que anda por aì, tudo não passa de uma miragem. Limitamo-nos a seguir aquela máxima de Camões no canto IX dos Lusíadas, quando falava na Ilha dos Amores: ”Melhor é experimentá-lo que julgá-lo – Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo”.

Até breve e Boas Festas
Vitor Guita – Dezembro 2016
In . O Montemorense- transcrição permitida pelo Autor


HOJE NO ALANDROAL E FREGUESIAS E TAMBEM NO REDONDO CANTAM-SE OS REIS














quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

AINDA AS TABERNAS DO ALANDROAL

Muito grato pelo reconhecimento, é com enorme satisfação que vos deixo com mais este contributo elaborado pelo A.N.B. a propósito das Tabernas do Alandroal:
Chico Manuel

Este texto extensivo e bastante intensivo sobre os cafés e as tabernas do Alandroal, demonstra bem o quanto a memória e os afectos pelas coisas e pelas pessoas nos aproxima cada vez mais da terra onde aprendemos a ser homens. Por mim, gostaria tanto quanto o seu autor de um dia o reescrever, a 4 mãos, para dar asas à vertente humana de grandes taberneiros que o souberam ser, viver e ir comunicando às gerações que acompanharam. 
Num terreno porventura mais psicológico diria que o António Manuel Torcato foi um taberneiro de estimação; O Lica um taberneiro por vocação. Isto enquanto o Cachamela era um taberneiro da mais pura e alta recriação.
Indo pelo Caminho da Fonte e subindo até ao Largo do Castelo e do Salvador Colunas, lá estavam o Piçarra um taberneiro - devoção; o Manuel Canhoto, taberneiro com distinção e o Severino aviando copos com alguma distanciação.
De caminho, lembramos o Eduardo taberneiro de azafamas várias sempre em estado de prontidão. Lá para as bandas de S. António, estava o meu tio Zé Canhoto um taberneiro de pastos e grande intuição. E ainda o meu primo Zeca um taberneiro dono de uma certa devassidão. Teve uma motoreta e quando se entornava, ele e a moto, era certo que cada um sabia cair para seu lado apenas com umas leves beliscaduras à mistura.

Resta lembrar a taberna do Escuta. Francamente não me lembro muito bem deste taberneiro mas, por certo, era um todo de rectidão no avio dos copos. 
 Resta-nos o Pimenta no Alto da Praça. O Pimenta, grande pimentão era o guardião e guia sarcástico de si mesmo uma vez que bebia tanto ou mais dos que os fregueses.

Observadas as coisas assim, com estes fortes ditongos em "ão,ão", falta-nos só ir lembrando que o Alandroal já podia ter feito um Roteiro vivo das Tabernas que tanto o animaram década após década ao longo de quase um século. Esperemos que num dia próximo, Alguém lidere esta Iniciativa por ocasião, por exemplo, da Festa de Setembro. 

Assim seja. Porque tudo o que é difícil, também pode ser possível!

Saudações Democráticas

António Neves Berbem

(Ps: agora venham daí os tiros das tocas do costume. Já estão previstos. Direi mais: se for para nos enriquecer tanto melhor. Se for para nos empobrecer, a escolha é vossa. Mas a insatisfação será certamente de uma grande parte dos Visitantes deste Blog) depois de lerem o magnifico texto memorialístico do Chico Manel. 


Após a colocação deste texto o nosso amigo A. Jeremias teve a amabilidade de nos enviar esta foto que  retrata na perfeição  o ambiente de uma taberna.. Aqui fica o desafio: qual será a taberna, quem serão os fregueses?
Obrigado ao Jerenias


DIVULGAÇÃO - ALANDROAL

CINEMA
GASTRONOMIA

AS CRONICAS DE OPINIÃO TRANSMITIDAS ONTEM E HOJE NA DIANA/FM

   
                 Truz-truz avestruz!
Terça, 03 Janeiro 2017
Antes de mais, os meus votos de um bom 2017, ano que será muito marcado, directa ou indirectamente, pelas eleições autárquicas lá mais para o Outono, mas onde seguramente muitos outros assuntos, episódios e casos se levantarão a implicar a sociedade e a suscitarem a opinião pública.
Entenda-se esta não apenas como aquela que alguns proferem em público, mas como a que um conjunto de pessoas que se empenharão, por motivações naturalmente pessoais ou de grupo, em ter uma opinião e convencer os outros dela. É este o funcionamento de uma sociedade que se mexe. Ainda que, como disse, por vezes segundo interesses próprios que, para quem tem por dever cuidar do interesse de todos, serão válidos quando servirem para, não só melhorar a vida de uma parte, mas da maior parte. Peço desculpa aos meus benévolos ouvintes (ou leitores) mais assíduos pela insistência nesta tecla, mas cada vez me convenço mais de que, se em alguns casos, o que corre mal a um pode correr mal a todos, o que corre mal a todos corre seguramente mal a cada um. O remédio é, como todos deviam ser, preventivo. Já o disse de muitas maneiras, mas pormo-nos na pele dos outros parece-me um dos melhores exercícios de saúde pública para a cidadania.
Há actualmente, e desejo que assim se mantenha, muitas formas de emitir opinião que faça opinião pública. Umas mais reguladas e arbitradas, outras aparentemente mais saudáveis que se auto-regulam com a intervenção de muitos de opinião diversa. E ainda outras, as oficialmente clandestinas que normalmente se confundem com as anteriores e normalmente têm como objectivo destruí-las e levar a sua avante. Cada um escolhe o ambiente onde se sente mais confortável para nelas participar. Mas para escolher é preciso conhecer.
Por esta altura hão-de estar a perguntar-se se terei algum caso concreto em mente. Tenho vários, muitos, demasiados, que sem tempo nem espaço para discutir como deve ser poderiam confundir-se com aqueles que, isso sim, quero criticar. O caso mexe com valores humanos, com a ética e a política. Trata-se da questão da educação sexual formal num sentido geral e não no apenas feio tema do aborto, tão apetecível por certos grupos que, em posições extremas e em extremos opostos, gostam muito de o trazer, lá está, à opinião pública. E é aqui que, independentemente de quem ocupe o cargo nos Ministérios da Educação e da Saúde, fico descansada quando se tratam estes assuntos e se definem os limites destes dois campos que se cruzam. São normalmente medidas tomadas com consulta a técnicos que permitem aos políticos tomar decisões. As ideologias estarão, sem dúvida, presentes em cada um das centenas de técnicos que formem no trabalho que realizam uma qualquer opinião. Isto é a democracia. E também é democracia saber quando se pode falar em nome próprio ou em nome de outros. Quando os filhos frequentarem a escola na idade dos porquês difíceis, que sim são já aos 10 e 11 anos, seguindo programas homologados, as respostas baseadas no juízo moral não serão na sala de aula. Na escola básica o espaço é o da informação. E o quanto mais completa e variada for melhor os preparará para, individual ou restritamente em grupos que se formam por outros e importantes afectos, emitirem, com conhecimento, opinião por temas que não são consensuais. Permitir-lhes este percurso, com espaços e intervenientes próprios é bater-lhes à porta da consciência e retirar-lhes uma tendência que grassa por aí tanto de fazer-se como a avestruz. Eu cá prefiro que os professores saibam, e o mais cedo possível, até onde podem ir em determinados assuntos difíceis, do que não haver limites que, para um lado ou para o outro, não tenho dúvidas nenhumas, não resistirão quando incitados por mais do que o seu profissionalismo a dar o seu, chamemos-lhe assim, bitaite. Isso fica para outros campeonatos. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira

                                Infelizmente, Não!
Quarta, 04 Janeiro 2017
Entrámos em 2017 e será um ano marcado politicamente pelas eleições autárquicas, e, por esse motivo, tinha pensado iniciar as minhas crónicas com algumas reflexões sobre aquilo que penso para que a cidade e o concelho de Évora sejam lugares onde todos possam viver com a qualidade de vida que merecem.
Sejam as pessoas a título individual, como sejam as pessoas coletivas, empresas e instituições. Porém, o presidente da república na sua mensagem de ano novo realçou um aspeto da nossa vida em comunidade, que não quero deixar de comentar.
Na mensagem dirigida aos portugueses o Presidente da República, entre outras coisas, afirmou que a atual governação tinha contribuído para que houvesse um clima de paz social no país. Com isto, o presidente, na interpretação que faço da afirmação, pretendeu dizer que a agitação social/sindical no último ano baixou significativamente, em comparação com o ano transato. Refiro-me ao último ano da governação liderada por Pedro Passos Coelho.
Pelo que, esta afirmação só em parte pode ser considerada verdadeira. A aparente paz social que vivemos em 2016 resultou inequivocamente, pelo menos do meu ponto de vista, do silêncio dos movimentos sindicais liderados pelos comunistas Arménio Carlos da Intersindical e do afamado português Mário Nogueira, da frenprof. Estes dois senhores têm uma “clientela” de muitos milhares de pessoas, todas elas dependentes do orçamento de Estado.
Ora, a atual governação liderada pelo Partido socialista, para além das reversões das reformas encetadas pelo anterior governo, nas áreas dos transportes, saúde, trabalho e educação, focalizou a sua atuação na reposição de direitos, sobretudo, às pessoas que são defendidas pelos sindicatos tutelados indiretamente pelo partido comunista. O preço da paz social referida pelo presidente reside neste embuste, nesta ficção, e, terá, certamente, um preço e um custo incalculável para o país.
Na verdade, o atual governo levou-nos para o caminho do endividamento e perdeu as oportunidades dadas pela conjuntura externa que vivemos. Como é sabido, o preço do dinheiro é baixo, como, também, é baixíssimo o preço do petróleo. Não tendo também criado o governio as condições para o investimento público. Os números de 2016 são realmente baixos, sobretudo, para quem, como os partidos de esquerda, estão sempre a clamar pela bondade deste investimento.
Dito isto, esta paz social é aparente, por ser fictícia, porque a realidade financeira e económica do país é outra. A devolução de direitos e de rendimentos ao ritmo a que fora feita e do modo como foi feita, terá uma consequência na despesa pública insustentável. Se o país tem um crescimento económico muito baixo, como poderá pagar este custo. O desfecho, portanto, só poderá ser um. E, não será uma boa coisa. Infelizmente, não.
José Policarpo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

TIAGO SALGUEIRO RECORDA-NOS HOJE AS TABERNAS DE VILA VIÇOSA

                               As últimas Tabernas de Vila Viçosa
Nos tempos de outrora, as tabernas ou tascas no Alentejo constituíam locais de referência incontornável e com uma identidade própria. Podiam ser, por vezes, algo decadentes e melancólicos.
Espaços de socialização masculina, eram caracterizadas por serem o ponto de encontro e de refúgio dos camponeses e operários, onde, no final da jorna, se bebia vinho e se jogava ao dominó, ao chito e à bisca “lambida”.
Estas formas de convívio eram motivo de orgulho e de afirmação cultural e assumiam-se como manifestações de relacionamento social. O consumo (muitas vezes excessivo) de vinho, aliado aos diversos problemas que assolavam os grupos sociais menos abastados (os principais frequentadores das tabernas) fizeram recair, sobre as mesmas, pesados “rótulos”.
Eram espaços pouco iluminados, frescos, com mesas e bancos de madeira, por entre as grandes talhas de barro, que eram enchidas do precioso néctar. O balcão tinha quase sempre um tampo de mármore.
À volta do petisco, girava a conversa amena no final de cada dia de trabalho e era fomentada a interação e a participação, como fuga à rotina. Para além do pão, havia azeitonas, queijos curados, carapaus fritos, cabeças de borrego assadas, carne do “fundo do alguidar” e o grão com mão de vaca, para além dos chouriços e das morcelas. Por esse motivo, o uso da navalha era indispensável.
Por vezes, um simples pêro constituía motivo suficiente para que dois ou três amigos beberem alguns copos de vinho
Eram também espaços de transmissão de saberes, de conhecimentos e de discussão política. Podiam constituir também centros prestadores de serviços, como a venda de pão ou de hortaliças e posto dos correios.
Muitas tabernas abriam antes do nascer do sol, já que os trabalhadores rurais trabalhavam, de “sol a sol” e antes de irem para o campo, alguns passavam pela tasca a “a matar o bicho”.
“Matar o bicho”, era quase uma cerimónia e consistia em beber um bom trago de aguardente ou abafado, logo pela manhã, antes do início dos trabalhos.
No dia 15 de Março de 1994, estava eminente o encerramento de uma das mais antigas tabernas de Vila Viçosa, propriedade de António Natalino Cravo – “O Belhuca”, juntamente com o seu irmão, Joaquim Venâncio Cravo.
Tinham sido 53 anos a produzir vinho à moda antiga, nas enormes talhas de barro. Esta taberna pertencera à Família Cravo e antes fora propriedade de António Venâncio.
Taberna centenária, foi recuperada e posteriormente gerida, a partir desse mesmo ano, pelo Sr. Manuel Toscano  e pela esposa, Joana, até ao ano de 2014. Com a designação “Tasca do Necas”, aqui foi reavivada a memória das antigas tabernas de Vila Viçosa, em que a degustação dos vinhos era conjugada com os petiscos preparados pela D. Joana.
Neste momento, a última taberna de Vila Viçosa está encerrada…
Apesar disso, Vila Viçosa tinha muitas tascas e tabernas no início do século XX.
As mais conhecidas foram as seguintes;
António Martez
Toscano (“Melrinho”)
Jesus Gonçalves
Joaquim Gonçalves (que era também casa de pasto)
José do Areal (Pereirinha), na Rua de Santo António
Perdigão, na Rua dos Combatentes da Grande Guerra (antiga Rua dos Gentis)
O “velho” Dario, na Rua dos Combatentes da Grande Guerra (antiga Rua dos Gentis)
João da Horta do Cano, mais tarde “Moças”, na Rua de Santo António
Joaquim Barradas, o “Estreito”, na Avenida Bento de Jesus Caraça
Miguel do Polme
Taberna da Larga ou Saúl, no Rossio
Joaquim Pereira (o “Ai Ai”), que ficava no Rossio
José Borrego, depois Francisco José Pires Rosa, também no Rossio
João Trindade (Borrego), mais tarde António do Granja, no Largo Mouzinho de Albuquerque
Casimiro Silva (o “Pilérias”)
Raul Trindade (o “Berrola”), no Largo Mouzinho de Albuquerque
João Bravo
Joaquim Toscano (Joaquim Jeremias), pai do ilustre calipolense Dr. Jeremias Toscano, que ficava na Rua de Cambaia (Rua Dr. António José de Almeida)
Manuel Paixão
Filipe Paixão e depois Moisés Jaleco.
Num tempo em que não existiam muitas alternativas, as tabernas assumiam-se como lugares de referência e de culto na vida das comunidades agrícolas. Eram espaços privilegiados para manifestações da cultura popular, função que mantiveram até meados dos anos 70 do século XX.


E O CHICO MANUEL RELEMBRA AS TABERNAS DO ALANDROAL

                                                                     AS TABERNAS

Nos anos 50/60, sem televisão, com cinema uma vez por semana, em que tão pouco se sonhava poder dar a volta ao mundo via internet, com um elevado índice de analfabetismo o que impossibilitava a leitura quer de jornais, quer de livros, poucos motivos se poderiam encontrar para uma permanência constante em casa.
Nunca deixou o homem de sentir a necessidade de confraternizar e ao mesmo tempo encontrar maneiras de procurar motivos de ao fim de um dia de trabalho desanuviar o espírito, não só no convívio com os amigos e colegas como em jogos que promovessem um salutar estreitar de relações entre os praticantes.
Local indicado para tal encontro: As tabernas, os cafés, as sociedades. Jogos mais praticados: as cartas (bisca, manilha, sueca), o jogo do xito, do bilhar e do snooker.
São precisamente os cafés e as tabernas do Alandroal o motivo das memórias de hoje.
Cafés existiam dois no Alandroal, ambos situados na Rua João de Deus, lado a lado. Eram proprietários dos mesmos o Ilídio e o Rato. Caracterizava o Café do Rato, o Central, (nome que ainda hoje perdura) a existência de um bilhar e a tradição do jogo de cartas.
Pelo preço de 4 tostões se bebia um café, de saco, no Café do Ilídio, cujo motivo de decoração consistia na pintura das paredes laterais com dois motivos alusivos ao nosso património: A fonte das Bicas, e a Capela de S. Sebastião. Com as devidas ressalvas, parece-me não fugir à verdade de aqui deixar o nome do pintor: um tal de Manuel Lopes, de Vila Viçosa.
Umas já desaparecidas, outras devidamente adaptadas, outras, agora com diferente serventia, coisa que não faltava no Alandroal eram Tabernas.
Correndo o risco de alguma me falhar, aqui vos deixo um breve resumo não só das tabernas do Alandroal do meu tempo, como das suas características, e algo sobre os seus proprietários.
Na parte baixa da Vila, frente à Fonte do Botão localizava-se a taberna do António Manuel Torcato (desaparecida), com o balcão ao fundo, depois de se descerem alguns degraus, tinha de lado dois bancos corridos onde os assistentes aplaudiam as renhidas partidas de chito (ou será xito?). Durante anos um cão perdigueiro cumpriu a missão de sempre à hora certa transportar um cesta com o almoço da sua residência na Praça até ao fundo da Vila, não se constando que alguma vez se tenha desviado do seu trajecto ou sequer entornado a sopa. Mais tarde após o fecho desta o António Manuel Torcato abriu uma outra na Praça, ao lado da sua residência, e cuja principal atracção era uma espécie de snooker, mesa pequena no meio da qual se encontravam uns “pins” com borrachas que em contacto com a bola devidamente “tacada”, se pretendia meter a mesmo nos buracos existentes nos cantos da mesa. Desconheço o nome de tal “engenhoca” e nunca mais vi apetrecho igual.
“O Lica” foi talvez uma das tabernas mais típicas do Alandroal e que manteve até 1995 a sua traça inicial, resistindo sempre a qualquer modernice que a pudesse desvirtuar. Com porta corrida, tipo far west, tinha chão de alcatrão, com bancos laterais. Lá estava sempre pronto o ladrilho, ou lasca de xito, onde se armava a cápsula de bala vazia e que os vinténs haviam ou não de derrubar, ao som de palavras como “ervido”, “revido”. “retentino”. Possuía ainda a “tasca” do Lica um amplo reservado com acesso por detrás do balcão, ladeado por umas dezenas de talhas, onde por vezes se fabricava a “pomada”, e com acesso restrito. Foram várias as tentativas para reabrir esse local, Umas vezes com mais sucesso, outras com menos, mas talvez porque o Lica não deixou o segredo da fritura das seus famosas pataniscas de mogango, nunca chegou a atingir a fama da Taberna do Lica.
Já mais acima, na Rua do Pinheiro, sediava-se a não menos famosa Taberna do Domingos, ou do Cachamela.
Local obrigatório, para passar um bom bocado, motivado pela simpatia do proprietário, pela sua conversa fluente, pelos seus dotes musicais, pelas histórias saídas da sua fértil imaginação, fazia com que o tempo ali passado fosse sempre dado por bem empregado.
Era petisco frequente, passarinhos fritos, que o Domingos adquiria à miudagem muitas vezes a troco de rebuçados das rifas de cromos da bola. Petiscos modestos, como carne cozida, orelha e porco e o célebre toucinho cozido, propositadamente com travo a bolor e que segundo o mesmo não havia presunto que se lhe comparasse. Presentemente e após modernas modificações lá se encontra o Restaurante a Chaminé.
Aproveitando a paragem das camionetas da “carreira”, nesse mesmo Largo se sediavam três tabernas: O Piçarra, O Manuel Canhoto, o Sofrino.
A taberna do Piçarra, era sempre a primeira a abrir. Antes das seis da manhã, pois na mesma se faziam os “despachos” de produtos e encomendas que eram transportados pela camioneta da carreira com passagem diária precisamente às seis.
Não admira assim que muitas vezes em “noitadas” se aguardasse a abertura para um reconfortante chocolate ou cacau quente antes da deita.
Taberna de dimensões exíguas, com soalho de madeira e quatro mesas normalmente atafulhadas de encomendas prontas a seguir na camioneta.
Após o balcão e por corredor estreito dava-se acesso a um reservado.
Famoso e convidativo a um bom copo era o seu peixe do rio frito. Ainda hoje quando se fala em tal especialidade o nome do Piçarra é sempre lembrado.
Mantendo as características daquele tempo ainda hoje podemos visitar o local agora com gerência e nome da Taberna da Maria Vicência
O Manuel Canhoto, taberna com duas divisões e vocacionada para excelentes petiscos, onde no tempo de caça não faltavam as espécies superiormente confecionadas à base do coelho, da lebre ou da perdiz, alem da sempre apetitosa carne de porco frita.
Um dos principais chamarizes do Manuel Canhoto, e que muitos fregueses atraía: Quem consumisse um “penalti” (copo de vinho avantajado) tinha direito a uma “económica” (prato de sopa de legumes).
Mais tarde o proprietário foi o Manuel Varandas e presentemente a mesma deu lugar a estabelecimentos de venda de produtos de pesca, indústria de carnes, e mini mercado com gestão dos seus filhos.
Com soalho em cimento, balcão lateral e mesas encontrávamos a taberna do Sofrino.
Para petiscar uns bons passarinhos, comer umas postas de pescada frita era imprescindível uma visita ao Sofrino.
Com um negócio de madeiras em local que funcionava ao lado, o pouco tempo que lhe sobrava entre aturar fregueses e o comércio das madeiras passava-o Mestre Sofrino a caçar passarinhos, por essas hortas fora (foi talvez o melhor atirador de pressão de ar do Alandroal) que depois vendia na taberna. Curioso que quando a Autoridade exerceu uma maior vigilância na venda de passarinhos, Mestre Sofrino, acautelou o pedido comunicando aos fregueses mais fieis que nunca pedissem passarinhos, mas sim cação frito e tinha sempre um pratinho do referido peixe pronto a substituir as aves ao menor sinal de perigo.
Da sua existência já nada resta que a faça recordar.
Não podemos deixar de incluir neste roteiro uma das tabernas mais pequenas do Alandroal, à semelhança do seu dono, situada em plena Praça da Republica, mesmo ao alto, um balcão assinalava uma tasca.
Se não querias beber apenas o copo de vinho o melhor era vires prevenido com qualquer bucha, pois Pimenta não era lá muito dado a cozinhar fosse o que fosse.
Aliás, era do conhecimento de todos que o principal freguês era o proprietário.
Deapareceu.
Ainda na Praça, mas mesmo ao fundo encontrava-se talvez o único quiosque do Alandroal, A barraca do Torcatinho. Vocacionada para os frequentadores matinais de então mercado da Praça, no mesmo se serviam bolos de alguidar, bolos fintos, fritos no tempo dos mesmos, acompanhados pelo bagacinho, ginjinha ou traçadinho. Muito amigo de pregar partidas (algumas delas ainda hoje recordadas no Alandroal), o trato fácil e folgazão do Torcatinho chegava a conseguir que o freguês ali passasse uma manhã inteira.
A barraca do Torcatinho morreu na Horta do Góis, no entanto alguém se lembrou de lhe prestar a devida homenagem colocando uma bem mais moderna em frente onde a mesma existiu.
Duas outras tabernas recordo. Mas estas, talvez por menos ter frequentado, pouco posso adiantar. Em tempos mais remotos a taberna do “Escuta”, mais tarde do Gentil, situada onde presentemente está o Choupal do Zé do Alto e que posteriormente se sediou na Praça no local onde foi a Barbearia do Barradas.
Já na antiga Rua Mestre de Aviz, actual Rua Dr Xavier Rodrigues, situava-se uma das maiores tabernas do Alandroal.
A taberna do Eduardo.
Alem dos bancos laterais, existia uma mesa quadrada por detrás da porta de entrada, destinada apenas para o jogo das cartas. Jogos de “manilha” e de “bisca”, disputados por grandes jogadores o que fazia com que muitas vezes fossem acompanhados por numerosa assistência.
Da qualidade do que ali se comia apenas ter presente que o Eduardo também se dedicava à matança e arranjo das carnes de porco e respectivos enchidos, pelo que se pode avaliar o que seria, no reservado por detrás do balcão, degustar um bom lombo assado na brasa, uma cacholeira, farinheira ou linguiça assada.
Mais tarde, esse mesmo espaço conheceu novo proprietário, Manuel Melão, que seguiu exactamente as mesmas pegadas do antecessor. Ainda hoje recordo com muita saudade as inúmeras confraternizações na taberna do Melão, onde o sabor do lombo assado, da carne frita e afins convidavam a prolongados serões.
Presentemente ali está a cargo do seu filho Manuel o Café Arco- Íris
Subindo a Rua de Santo António encontrávamos a taberna do Zé Canhoto.
Espaçosa, de um asseio irrepreensível, com vinho de fabrico próprio, e com excelentes manjares, pois alem de taberna exercia ainda as funções de pensão com dormidas e refeições.
Para tal muito contribuía o arranjo e preparação de carnes de porco e a excelência da cozinha praticada.
Posteriormente foi proprietário da mesma o Manuel Honrado, que dado ter iniciado tal oficio já bastante tarde, nunca conseguiu atingir a fama do seu antecessor.
Por último e frente à Igreja de Santo António também com espaço reduzido, e com banco corrido frente ao balcão, exercia a profissão o Zeca – taberna do Zeca.
Aproveitando a proximidade da Escola Primária estava mais vocacionada para a venda de guloseimas (rebuçados, chupa-chupas) e venda de rifas da bola.
Após o falecimento do proprietário também nunca mais abriu.
Ainda para os mais noctívagos não podemos deixar de aqui referir as Sociedades, Artística e da Musica, onde também principalmente à noite era ponto obrigatório de convívio, jogos (e que jogos), e de muitos comes e bebes,
Ambas tiveram uma morte inglória, mas na mente de muitos nós nunca serão esquecidas.
Qualquer dia iremos recordá-las.

Chico Manuel


A TRADIÇÃO VOLTA A CUMPRIR-SE