sexta-feira, 4 de novembro de 2016

TIAGO SALGUEIRO RECORDA-NOS MAIS UMA LENDA DE VILA VIÇOSA

            

                A Bruxa do Castelo de Vila Viçosa

Vila Viçosa, 1886
Quando a velha Maria Gertrudes, criada de recados da Senhora Nunes que morava na Corredoura (Rua Florbela Espanca), percorria as ruas e vielas para fazer algum mandado, os insultos surgiam dos postigos dos portados, das janelas e das lojas entreabertas…
- Lá vai a Bruxa! Lá vai da Bruxa do Castelo! Olha a desavergonhada da velha!
A má fama é como a nódoa de azeite. Cai e espalha-se imediatamente. E nunca mais se lava…A que um dia caiu sobre aquela pobre mulher de tal modo alastrou que não houve tempo que a desfizesse…
Alguém vira e logo propalara que ela, certa noite, fora de horas, quando tudo era escuridão, estava a agitar uma candeia acesa, entre as ameias das muralhas do Castelo, que dão para o lado da Terrugem, Vila Boim e Elvas, mesmo junto do cemitério (onde havia sido o antigo Bairro dos Judeus).
Esse alguém afirmara ainda que a surpreendera em trajes negros, com um pequeno xaile de lã na cabeça e uma cruz no peito. Quando lhe perguntaram o que fazia ali naquela noite escura e fria, ela respondeu:
Estou à procura da única tesoura que tenho e que perdi esta tarde!
A história, que não convenceu o povo imaginoso, rapidamente foi contada e todos ficavam aterrorizados com a sua presença.
Indiferente aos boatos, lá ia ela, todos os dias, levar as filhas da patroa ao Colégio, ao lado da Igreja de São Bartolomeu, buscar uns sapatos em amanho, ou comprar umas nabiças no mercado. Olhos pesados e tristes, numa face enrugada envelhecida pelos anos, cumpria escrupulosamente as suas obrigações, arrastando as chinelas de pano grosseiro. O que se dizia dela na Vila não a preocupava. Maria Gertrudes, mulher honrada e boa que sempre fora, de vida séria e honrada, limitava-se a uma mudez confrangida, perante as acusações de que era alvo.
Quando moça, bonita e pretendida, fora uma excelente criada de servir, Casou ainda nova, à face da Igreja e honrara o homem de quem se enamorou. Do matrimónio nasceu um filho, o seu bem mais precioso.
Ao invés de arreliar-se com as acusações, evocava na sua memória as velhas casas fidalgas onde servira, do Tomé de Sousa, dos Machados ou dos Matos Azambuja. Lembrava-se dos alegres dias do seu casamento, dos arraiais dos Capuchos e do São Mateus e das “saias” que cantava por esse tempo…
O alvoraçado contentamento daquela hora em que teve o seu primeiro e único descendente, também era recordado. Depois da morte inesperada e prematura do seu marido, o seu José de Pardais, que um dia ficara debaixo das rodas da carreta que conduzia, o filho, Manuel de Pardais, passou a ser a sua única preocupação. Casado com a Maria do Alandroal, vivia com esta na rua da Corredoura…
Viúva e só, depois do casamento do Manuel, passou a viver numa velha casa com restos góticos do Castelo (na Rua de Estremoz), de onde saia todos os dias, pontual e cumpridora, para tratar dos seus deveres. Entretinha a fome com uma côdea de pão duro e duas azeitonas tiradas da tarefa, às quais se juntava a humilhação das acusações de que era alvo quando saia à rua.
Bruxa! Pobre de mim que não sei o que isso é! – dizia para com os seus botões.
Maria Gertrudes não era, nem nunca fora bruxa. Era tão somente uma pobre mulher que levava a vida a trabalhar, na ânsia de ganhar as sopas…Se permitia que assim lhe chamassem, era porque receava algo muito pior…
Os homens que labutavam nesta terra de mármore e de olivais, ganhavam a vida com a foice e a gadanha nas mãos, tratando das mondas, da cortiça e da azeitona. Nesse tempo da miséria, deitavam contas à vida e lembravam-se dos contos que ouviam à lareira nas noites invernosas, sobre libras e alqueires de prata, alcançados no contrabando da raia….
Os acarretos de mercadorias clandestinas trouxeram para alguns proventos certos e fortunas consideráveis.
E a aliciante tentação do contrabando apoderava-se de tal forma desses espíritos, que criava nos povos fronteiriços a ideia de um inofensivo e inocente passatempo, apesar deste ser um crime punível. A pobreza e a fome assolavam o Alentejo e afligiam muitos calipolenses…  A miséria despoletava um intenso vaivém dos dois lados da fronteira, em que os mais destemidos procuravam a sobrevivência.
Indiferentes ao perigo, os contrabandistas, ardentes, fogosos e apaixonados, verdadeiros heróis desse tempo, arriscavam nas aventuras, para fugirem às balas certeiras das autoridades…
Pois o filho de Maria Gertrudes, o Manuel de Pardais, tornou-se num desses homens.
Queria fazer fortuna pelo contrabando, trazendo coisas de Espanha que se destinavam à vila e que fazia nela entrar durante a noite. O bom nome de que o Manuel de Pardais disfrutava, afastava qualquer suspeita.
No Castelo, onde vivia Maria Gertrudes, as vizinhas desconfiadas não lhe dirigiam a palavra. Entre os que ai moravam, havia dois guardas-fiscais que só paravam na sua casa do Castelo, paredes meias com a dela, nas horas de folga do seu insistente trabalho de sentinelas vigilantes da fronteira com Espanha.
Mas eles, como os outros, se reparavam na vizinha, era apenas para a condenarem pelo seu triste fado, para lhe fazerem as figas destinadas a afugentar o mau-olhado e excomungar o mal de que dai pudesse resultar… No verdadeiro e único motivo do facto que dera origem à atribuição do nome de bruxa, ninguém acertava. E ele existia…
O filho de Maria Gertrudes, metido no contrabando, corria muitas noites os maiores riscos e ela, por não conseguir desviá-lo da vida aventureira que levava, sofria em silêncio. Tinha que ser, contra a sua vontade, sua cúmplice, auxiliando-o como podia, nas informações a respeito dos guardas-fiscais, seus vizinhos, livrando-o assim das esperas ou caçadas que estes faziam a quem se dedicava àquela prática ilícita.
Para que o filho pudesse entrar livremente em Vila Viçosa com os pesados fardos de tabaco e outras mercadorias, Maria Gertrudes ia, durante a noite, ao frio e ao calor, no verão ou no inverno, conforme combinação prévia, dar-lhe das ameias do Castelo, virada para as terras de Espanha, o sinal de que os guardas tinham regressado a casa.
A horas mortas, erguia-se da cama e, de forma lenta e cautelosa, com o coração triste e em sobressalto, lá ia até à muralha, agitar a candeia acesa, dando conta ao filho que podia entrar na vila sem receio.
Tudo fazia para evitar que Manuel fosse preso ou morto e os momentos de angústia era constantes. Maria Gertrudes vivia apavorada e cheia de tristeza…Mas jamais deixou de acudir o seu filho.
E foi por esse motivo, bem diferente do que se imaginava, que foi surpreendida por uma vizinha, na muralha, com a candeia na mão e um lenço de lã posto sobre a cabeça.
Dizendo que tinha ido procurar uma tesoura, o argumento não foi eficaz… Assim se criou a lenda da bruxaria, tecida à volta da pobre e velha viúva, triste, infeliz e sem fortuna… Assim cresceu a ideia de que Maria Gertrudes falava com o Diabo à meia-noite, na muralha do Castelo.
Manuel de Pardais foi muito tempo lembrado por ser um contrabandista destemido e arrojado. Tinha a força de Hércules e a matreirice de uma raposa, para fugir a tempo da guarda…. Enquanto havia trabalho na azeitona ou na labuta das herdades, Manuel não se negava, pois não era um homem de má condição. O sangue dos seus chamava-o para essa luta pelo pão de cada dia. Na época de crise, sem mondas, nem ceifas, amanhava os sapatos velhos ou limpava a caçadeira.
Continuava a ser, no pensar de todos, o trabalhador infatigável e talvez por isso, a sua outra atividade não levantasse suspeitas. Todas as manhãs partia para o trabalho e de lá voltava à noite. Quem o via regressar, pensava que ele ia encontrar o justo repouso das suas fadigas.
Mas na verdade, partia sempre para as missões arriscadas, de que se incumbia às escondidas: conduzir os fardos pesados do contrabando que alguém deixava em sítio previamente combinado, que ia buscar e depois entregava na vila, em casa de confiança. Percorria os campos de Alburquerque a Olivença, entrando depois por Juromenha, ao atravessar o Guadiana….
A fuga às brigadas de carabineiros espanhóis e da Guarda Fiscal portuguesa quando se faziam incursões no interior do território espanhol em plena noite, de carga às costas que variavam entre os 25 e os 40 quilos, e ao longo de distâncias que poderiam atingir os 60 quilómetros, exigia indivíduos física e mentalmente dotados.
Mal iluminada, escassamente pontuada de candeeiros de petróleo que em noites de luar não se acendem, Vila Viçosa, no silêncio das noites, parecia dormir. Nem vozes, nem passos. O sossego dominava. E lá partia o Manuel de Pardais, pelo muro da Tapada Real, para um lugar só por ele conhecido, para trazer os fardos do contrabando…
Contrabandear significava correr grandes perigos. O afogamento, na travessia de rios e ribeiras, durante o transporte noturno em noites e madrugadas invernosas de chuva e frio, era um deles. Também havia o risco de ser preso. E os tiros, por vezes certeiros…
O contrabando foi, ao longo de séculos, o sustento adicional, para muitas famílias que não conseguiam suprir as suas necessidades no trabalho agrícola.
Desse tempo restam as memórias e os testemunhos das invulgares personagens que mantiveram um permanente jogo do gato e do rato no desempenho dos respetivos papéis: os que viviam do contrabando e aqueles que faziam valer a legalidade.
Esta história parece imaginada, mas foi vivida na realidade e ensina-nos que devemos tentar ser justos nos juízos que formulamos sobre os outros. Nem tudo o que parece, é…
A dor de Maria Gertrudes pela vida paralela do filho, mostra-nos que o coração de Mãe é sempre condescendente e carinhoso. A má fama que criou e que se propagou pela Vila Viçosa de então, ignorou o seu drama íntimo. Dai que o autor tivesse tido a necessidade de o dar a conhecer, para que algum ensinamento ou proveito possa vir daí a ser encontrado…

Este é um resumo e uma adaptação do conto “A Bruxa do Castelo de Vila Viçosa”, obra escrita por Celestino David, para a Livraria Escolar de Vila Viçosa (propriedade de D. Joana Ruivo, na Rua Florbela Espanca), em 1984, nas comemorações do seu 25º aniversário.
Esta edição contou com desenhos do pintor Armando Alves.
Agradeço à D. Maria de Lurdes Gonçalves (84 anos), nascida na Freguesia de Pardais, ao Dr. Nelson Rebola e à Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, pelo apoio prestado.
Tiago Salgueiro


AS SUGESTÕES DO AL TEJO PARA O FM-DE-SEMANA





A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINATURA DE RUI MENDES

                                                    O estatuto da CGD

Sexta, 04 Novembro 2016
Um gestor público é um gestor público. Ponto final.
Se gere a coisa pública terá que estar nas mesmas condições de escrutínio público que todos os demais gestores públicos.
E este princípio deverá ser inquebrável.
Ainda que lhe seja aplicado o Estatuto do Gestor Público ou não.
Ao criar-se um regime de excepção para a Caixa Geral de Depósitos criou-se, naturalmente, um problema.
É que a CGD, pese embora concorra com os demais bancos em condições de mercado, tem uma característica que não poderá ser escamoteada. É um banco totalmente público, pelo que naturalmente terá que se lhe aplicar regras de controlo público. E uma dessas regras é precisamente a entrega da declaração de rendimentos e património por parte dos membros da sua administração ao Tribunal Constitucional.
O que se pretende com esta regra não é publicitar na praça pública os rendimentos e património destas pessoas.
O sentido da entregar da declaração no Tribunal Constitucional é apenas um, que existam elementos que comparem os rendimentos e património existentes no início do exercício das funções e no seu termo.
É um princípio de transparência. E nesse sentido é algo que deveremos aprovar.
Referir-se que os corpos dirigentes da CGD têm que prestar contas ao accionista e aos órgãos de controlo interno e, por essa razão, já prestarem outras contas, é entendimento que não poderá vingar, pela condição de banco público que tem a CGD, pelo que os seus gestores terão também uma condição de gestor público, que em qualquer condição não deixam de o ser.
Ainda que juridicamente os membros da administração da CGD entendam que cumprem o que acordaram e o que a lei lhes obriga.
Ainda que a CGD possa não ser uma empresa participada (sendo detida a 100% pelo Estado) e, consequentemente, poder não se aplicar o estatuto de gestor público aos membros da administração.
E ainda que o Governo tenha produzido diploma que tenha dispensado estes gestores de obrigações previstas no estatuto de gestor público, não poderá deixar de se poder questionar sobre o dever da entrega da declaração de rendimentos e património.
Esta questão ultrapassa o mero juízo jurídico, ela é uma questão política, e é nesse campo que terá a sua observância.
E é precisamente por isso que a entrega irá acontecer. Será uma questão de tempo, seja por esta ou por outra administração.
Até para a semana
Rui Mendes


DESPORTO NO FIM-DE-SEMANA

                                                                          FUTEBOL
                                                                            INATEL
                                                          Campeonato Distrital -  Dia 05
Orada – Montoito
Alandroal – Pardais
Foros Fonte Seca – Barbus
Santo Amaro – Bairrense
Bencatelense – Santiago Maior – Dia 06


                                               Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                        Divisão de Elite
Perolivense – Escouralense
Canaviais – Estrela Vendas Novas – transmissão TV A.F.E.
Arraiolense – Lusitano
Alcaçovense – Oriola
Redondense – Monte Trigo
Juventude – União de Montemor
Atlético Reguengos – Lavre.


                                                                      Divisão de Honra
Santana d Campo – Giesteira
Arcoense – Cabrela
Corval – Estremoz
Portel – Fazendas do Cortiço.
                                                    CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Armacenense – Pinhalnovense
Aljustrelense – Farense
Almancilense – Louletano
Lusitano V.R.S.A. – Moura
Fabril – Viana do Alentejo.
                                                                                    FUTSAL
                                                                      NACIONAL 1ª DIVISÃO
União de Montemor – Ferreirense
                                                                                     RugbY
                                                                        DIVISÃO DE HONRA
R.C.M. - Direito
                                                                  TAÇA CHALLENGE
R.C.M. - Direito





IMPRENSA REGIONAL HOJE


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

MEMÓRIAS

Mais uma vez o A. Jeremias nos mostra o Alandroal “d´outras eras”. 
Desta vez transporta-nos à Rua da Mata, e faz acompanhar o registo fotográfico com o seguinte texto:


Caros amigos, hoje vou falar um pouco de outra das ruas mais antigas do Alandroal, a rua da Mata.
Quando a povoação se expandiu para fora do castelo formaram-se dois aglomerados principais, da parte de cima a Nordeste o da Mata localizado entre vinhas e olivais e a de baixo a Sudeste o Arrabalde, formado por hortas e ferragiais. 
Precisamente devido à sua localização a atual rua Dr. Teófilo Braga tinha o nome de rua da Mata. De entre outros imoveis, há a destacar aquele onde se localiza a sede paroquial desde o século passado, com o seu soberbo brasão.
Foi casa nobre de Gonçalo Lourenço Gançoso, que obteve carta de brasão de Filipe II em em 1583. 
Foram ainda proprietários do imóvel, no Séc. XVIII, o Sargento-Mor de Ordenanças da Vila, António Vaz Gançoso Frade. Mais tarde pertenceu à família Valadas que o viria a doar à igreja.




CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS - Agora com textos de Egas Branco

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente.

                                    ALEXANDRA LENCASTRE E O CINEMA
Alexandra Lencastre, cujos desempenhos, no teatro, no cinema e na televisão, muitas vezes nos tocaram profundamente pela sua rara qualidade. Por isso gostámos muito de a ver, com o seu eterno ar jovem, de quem não se leva muito a sério.
 Só gostava de lembrar, entre as suas muitas participações no cinema, algumas pela mão de grandes realizadores, as três magníficas obras que protagonizou. 


Em "O Delfim" (2002), de Fernando Lopes, que embora seja uma obra na minha opinião relativamente falhada em relação à obra-prima literária do José Cardoso Pires, atingiu na representação, de Alexandra e seus companheiros de elenco, um grande fulgor.




 Em "A Mulher que Acreditava ser Presidente dos EUA" (2003), uma jóia de humor sarcástico na filmografia de João Botelho. O tema obviamente valeu-lhe ser desancado pela crítica neoliberal, caninamente subserviente em relação ao patrão (deles) norte-americano. Alexandra foi admirável no papel principal.
 Em "Lá Fora" (2004), de Fernando Lopes, que foi lamentavelmente menosprezado pelo mesmo sector da crítica, a qual infelizmente é dominante, mas é em minha opinião uma das grandes obras daquele notabilíssimo cineasta. A interpretação, uma vez mais de Alexandra e de quase todos os participantes, é magnífica.
 Alexandra participou também no elenco daquele que é, para mim, um dos grandes filmes portugueses de sempre, "Os Mutantes", de Teresa Villaverde.
 No Teatro, relembrar principalmente os desempenhos em obras famosas de Tennessee Williams e Tcheckov, onde foi extraordinária.

E tem ainda uma carreira à frente!
                                     X X X 
DIVULGAÇÃO

O Museu do Cinema irá receber nos dias 4 e 5, um encontro entre os filmes de família da coleção do Arquivo Municipal de Lisboa | Videoteca, do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) e do Home Movies – Archivio Nazionale del Film di Famiglia (Bolonha), um dos primeiros (e ainda um dos poucos) a dedicar-se exclusivamente ao trabalho com filmes amadores e de família.

VASCULHAR O PASSADO

– Uma vez por mês Augusto Mesquita recorda-nos pessoas, monumentos, tradições usos e costumes de outros tempos.

 Há 410 anos,Manuel Severim de Faria visitou Montemor-o-Novo

            Antes de Pier Maria Baldi ter executado em 1668, uma gravura da vila de Montemor-o-Novo, a primeira ilustração da Vila Notável, já Manuel Severim de Faria, passara por cá, em 27 de Outubro 1606, e registou no papel as impressões de tal viagem.
 Nessa altura, já existiam mais de 800 fogos no sopé do monte, enquanto o velho burgo se encontrava já praticamente despovoado.
            A duas léguas e meia de Évora, passou por Patalim, venda no caminho, à beira da fresca ribeira, “a qual mandaram edificar os morgados da família Carvalho Patalim, de que a venda e herdades daquele sítio tomaram o nome, por lhes pertencer”. Daqui a Montemor-o-Novo teve de andar mais duas léguas e meia.
            Chegado à nossa Vila, redigiu notas muito curiosas. Pelo seu valor histórico, e porque a nós montemorenses nos diz muito, pois relata um pouco da nossa história, julgo valer a pena, transcrever a totalidade do texto.
            “Montemor Villa notável de Portugal foi edificada por el Rey D. Sancho o primeiro e por estar situada no maior monte de aquelle território se chamou Monte Mor e por o diferençarem de outro monte mor mais antiguo que está junto a Coimbra, he chamado vulgarmente o Novo. He esta villa mui povoada e fresca por causa de duas ribeiras que a cercam e a fazem mui abundante principalmente de maçãns e doutros géneros de fruitas das quaes há aqui grande carregação para fora. Faz alem disto não pouco conhercida esta Villa o excellente barro de que he dotada, do qual lavram muitos púcaros postos que de feições grosseiras, de cheiro excellente, e muy pedrados que fazem o beber mui fresco e assi da mão deverão. Do mesmo barro fazem contas de muito preço, e outras coisas curiosas. Tem dous mil vezinhos, e hetermo passante de sete mil arados de terra; tem três freguesias e dous mosteiros hum dos frades de S. Francisco e outro de freiras de S. Domingos; tem o hospital de grande renda. Os Chefes dos Masquarenhas são alcaides – mores desta Villa e lhe rende a alcaidaria huns annos por outros, mil cruzados. Foi natural desta terra o P. Joaõ de Deos, autor da Religiaõ dos hospitaleiros de seu nome e se veneram inda hoje as cazas onde elle nasceo. Aqui sesteamos.
            De Montemor às Silveiras saõ duas legoas.
            As Vendas Novas são edificadas modernamente no princípio de El-Rey D. Sebastiaõ: caem no termo de Montemor e a Villa deu aos que as edificaram, sertos arados de terra que os habitadores cultivam, no que se vê quanto importa a habitaçaõ e agricultura dos campos, porque, sendo este sitio o mais áspero da charneca e os maiores oreais, dos quais antes de habitados se naõ colhia fruito algum, os vemos agora abundantes de muitas árvores de fruto cuberto de vinhas e de hortas, as quaes regam com algumas fontes que naquelle sitio há. Aqui está em grande parte levantada uma estalagem, fabrica moderna mandada edificar pella magestade de Phelippe primeiro de Portugal, a qual, acabada, será huma das insignes de Espanha. Pello que a experiência tem mostrado na culutivação deste sitio, se deixa bem ver de quanto proveito e importância fora para o Reyno, povoarse esta charnequa, trazendo para isto colónias dentre Duro e Minho como por vezes se tem praticado. Aqui fizemos noite e acabamos a primeira jornada.”
            Tendo pernoitado em Vendas Novas, saiu no dia seguinte, a caminho de Pegões. Por já não nos interessar a nós montemorenses acompanhá-lo, Banha de Andrade refere que aparte de algumas incorrecções, como a de Montemor apenas dispor de três freguesias, anotemos a curiosidade de outras notícias, nomeadamente o censo, o elogio da fruta e dos púcaros, e a informação de que a Casa onde nasceu João Cidade era objecto de veneração.
     Quem foi Manuel Severim de Faria autor deste texto? Foi um sacerdote católico, historiador, arqueólogo, numismata, genealogista e escritor. É também considerado o primeiro jornalista português.
            Terá nascido em 1584, em dia desconhecido do mês de Fevereiro, na freguesia de Santa Justa da cidade de Lisboa.
     Manuel Severim de Faria foi para a cidade de Évora ainda criança, e ali foi educado por um tio, Baltasar de Faria Severim, Cónego e Chantre da Sé de Évora. Frequentou a Universidade de Évora, vindo a ser Mestre em Artes e Doutor em Teologia, para além de ter recebido as várias ordens sagradas católicas. Seu tio Baltasar renunciou repentinamente, ao lugar de chantre da Sé de Évora, em 1609, possivelmente porque não quis colocar-se ao serviço de Filipe I, que quereria vê-lo como seu embaixador em Roma. Baltasar de Faria tornou-se, assim, frade na Cartuxa de Évora, da qual tinha sido um dos fundadores e onde viria, mais tarde, a ser prior, para além de ocupar outros cargos, como visitador da sua Ordem.
            Manuel Severim de Faria, então com 25 anos, sucedeu, assim, a seu tio no Cabido da Sé de Évora, adquirindo o direito de receber somas elevadas, fruto de disposições eclesiásticas que lhe asseguraram diversas rendas e outros benefícios. Devido à sua formação escolástica e forma de ser, Severim de Faria pôde aplicar as avultadas verbas a que tinha acesso na aquisição de uma das mais famosas e bem apetrechadas bibliotecas do seu tempo.
            Manuel Severim de Faria era um curioso e estudioso, interessando-se pela história nos seus múltiplos aspectos, sendo hoje considerado um autor de referência para a genealogia da família real, bem como no âmbito da numismática e arqueologia. Fruto dos seus contactos locais e nacionais, obteve um acervo de peças romanas de considerável dimensão, nomeadamente no que a moedas romanas diz respeito. Também tinha inúmeros exemplares de moedas dos reinos godos e mouros e dos reis de Portugal, sobre as quais escreveu vários estudos, que se tornaram imprescindíveis e inúmeras vezes citados, nacional e internacionalmente. Ainda na sua vertente de historiador, efectuou vários estudos genealógicos sobre os reis de Portugal e várias famílias nobres. Escreveu as primeiras biografias de Camões, João de Barros, Diogo do Couto e outros personagens relevantes do seu tempo.
            O labor intelectual de Severim de Faria não lhe permitiram manter-se afastado da política, sujeito de sucessivas discórdias e conflitos. Deverá ter-se em conta que à época reinavam em Portugal a dinastia filipina, com tudo o que tal implicava de tensões, seja no plano interno, seja por via das suas intervenções em conflitos europeus.
            Assim, a sua intervenção política deu-se naturalmente por via da escrita. Em 1624 Severim de Faria publicou a obra “Discursos de vários políticos”, na qual advogou, nomeadamente, a transferência da sede da corte de Madrid para Lisboa.
            Sentindo-se cansado pelos anos e afectado por várias maleitas, renunciou em favor do seu sobrinho Manuel Faria de Severim, primeiramente como Cónego, em 1633, e posteriormente como Chantre, em 1642, no dia seguinte a ter terminado o Índex do Cartório do Cabido da Sé de Évora.
            Manuel Severim de Faria faleceu em 1655, aos 71 anos de idade, ficando sepultado, por seu desejo expresso, junto a seu tio Baltasar, na Cartuxa de Évora. Com a extinção das ordens religiosas, decretada em 1834, e com a demolição do antigo Convento de São Domingos de Évora para a construção no local de uma nova praça, os cidadãos locais pretenderam preservar a memória de um outro religioso eborense famoso, André de Resende, organizando-se para a trasladação dos seus restos mortais para a Sé de Évora. Na sequência foi recordado Manuel Severim de Faria, e por forma a sua memória não correr igual risco, uma vez que a Cartuxa de Évora se encontrava abandonada, a 30 de Julho de 1839 os seus restos mortais, juntamente com os de Baltasar Faria de Severim, foram trasladados para a Sé Catedral de Évora, onde actualmente se encontra o seu túmulo.
            Do extenso rol de trabalhos literários realizados, a obra mais conhecida e referenciada de Manuel Severim de Faria é, contudo, o livro “Noticias de Portugal”, compilação de vários textos, designados por “Discursos”, onde se debruça sobre os mais variados temas, como sejam a “Milícia”, a “Nobreza”, a “Moeda”, as “Universidades”, a “Evangelização”, a “Carreira das Naus” e a “Peregrinação”, aos quais se juntam, ainda, várias biografias dos Cardeais portugueses até então.
            Publicado em 1655, no ano da sua morte, o livro “Noticias de Portugal”, do qual retiramos as impressões acima referidas, foi revisto por Joaquim Veríssimo Serrão, (Academia Portuguesa de História) em 1974, recebendo o nome de “Viagens em Portugal”.
Augusto Mesquita
In Folha Montemor - Out 2016 - transcrição autorizada pelo Autor




PRIMEIRAS PÁGINAS DA IMPRENSA REGIONAL DE HOJE




quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SÓ VISTO ! (Cemitério de Montemor desde Sábado))



                PARECE QUE P´RÓ ANO ESTÁ PREVISTO A VINDA DO CARROSSEL

DUQUES E CENAS - Rubrica do Prof J.L.N.



                                  Estudantes Seniores
Foto: Conceição Carneiro
Não se tem falado por aí além de um grupo que ultrapassou já as paredes onde germinou e que é hoje um fenómeno sócio-cultural com raízes que não deixa ninguém indiferente. A Universidade Sénior do Grupo dos Amigos de Montemor, que teve início há mais de uma década com o nome de Estudos Gerais, é, nos dias que correm e no panorama cultural da cidade, muito mais do que a soma dos elementos que a formam.
Porque tenho lá muitos amigos, professores e alunos, sei da pureza dos seus objectivos e da riqueza das suas intenções. O partilhar de experiências de vida, a aprendizagem nos mais diversos campos do saber (História, Património, Literatura Portuguesa, Teatro, Música…) e o sentido que tudo isto continua a dar à existência de cada um deles substitui, de forma inteligente e prática, a velha ideia de que os mais velhos nada mais podem aprender e, pensamento ainda mais grave mas que continua a arrastar multidões, nada vale a pena depois de uma certa idade.
Não serve este pequeno apontamento para listar as dezenas de actividades em que a Universidade Sénior se envolve, cruzando os seus saberes com outras instituições da cidade e de outros pontos do país, mas há que destacar os elementos da Tuna que, ao dividirem em dois os seus afazeres, conseguem representar peças de teatro de alguma complexidade e cantar afinadamente, com graça e brilho, nos concerto em que participa.
Não sei de forma concreta, nem poderei saber, o que poderão sentir esses alunos/actores/cantores/músicos/construtores de instrumentos, quando fazem tão bem o que nos mostram. Mas calculo que, depois de cada aula, de cada concerto ou récita, se sentem mais felizes, cultural e socialmente mais úteis e motivo de orgulho para os amigos, filhos e netos que os aplaudem generosamente. Sim, depois de certa idade é tempo de sermos pais cada vez mais presentes, avós imprescindíveis, maridos e mulheres de uma vida. Porque os novos tempos isso exigem. Mas também é tempo de reviver, de recuperar, de renascer, de afastar o que nos preocupa, num processo contínuo e sem fim. E é isso, sobretudo isso, que faz correr Vítor Guita e os outros professores que com ele formam equipa, disponíveis, preocupados, conscientes, pedagogos q.b. e orgulhosos dos frutos da sua obra.
Querem saber os motivos desta minha admiração por todos eles? Se não tivesse, porventura, chegado há muito tempo a essa conclusão, bastaria a extraordinária participação do grupo na mais recente encenação de Vítor Guita do “Novo Entremez”, de Curvo Semedo, para perceber que a vida das pessoas não termina com a aposentação. Muitas vezes, é aí que ela recomeça.
O importante, dizia alguém, não é a meta, é o caminho até lá… Neste caso concreto, acreditem, é tudo importante, sobretudo o Amor. Pelas Pessoas, pelo Saber, pela Arte.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Outubro, 2016


JOSÉ POLICARPO ASSINA HOJE A CRONICA DE OPINIÃO NA RÁDIO DIANA/FM

                                             Quem vier atrás que feche a porta!

Quarta, 02 Novembro 2016
O vereador que fora eleito pela coligação PSD/CDS votou contra a proposta de orçamento municipal para o ano de 2017, apresentada pela gestão comunista na reunião de câmara de segunda-feira, dia 31/10. No meu entender, foi a posição mais acertada na defesa dos interesses dos eborenses.
A dívida da Câmara Municipal de Évora está aproximadamente nos 85 000 000,00 de Euros. Representa quase dois anos do valor das receitas municipais. Ou seja, para pagar esta divida, em dois anos, a câmara teria deixar de pagar aos seus funcionários, fornecedores e de executar todas as suas funções. É este o estado que os comunistas e socialistas deixaram as contas da Câmara nos mais de quarenta anos que levam de gestão.
Em nome do rigor dos fatos, também, devo referir que o atual executivo camarário tem vindo a atenuar o desequilíbrio financeiro no que toca aos resultados operacionais e líquidos. Houve também uma diminuição no montante e no prazo dos pagamentos a fornecedores. Todavia, por opção do atual executivo camarário, foi empurrado um pagamento significativo da dívida, para depois de 2020. Aplica-se, portanto, aqui o proverbio: Quem vier atrás que feche a porta.
Dito isto, a camara municipal de Évora estará absolutamente condicionada na sua atividade por mais de dez anos. A despesa fixa, aquela que está ligada à despesa com pessoal e à sua atividade é praticamente absorvida pela receita corrente. Se associarmos a isto o valor da dívida que ascende a 85 000 000,00 euros, só poderemos concluir, em nome da verdade e da clareza para com os nos conterrâneos, de que as tarefas mais elementares da Câmara irão ficar prejudicadas e algumas até deixarão de se verificar.
Com efeito, para que a Câmara Municipal de Évora desempenhe as suas funções de forma cabal e completa no sentido de garantir os serviços e os bens de que necessitam os munícipes, as instituições e as empresas, tem que ter recursos financeiros. Por isso, deverá levar a cabo uma restruturação efetiva da sua atividade para criar condições que permitam a sustentabilidade financeira. Se não o fizer, continuará a estar em causa a limpeza e a higienização que atualmente são deficitárias. A iluminação da cidade continuará a ser inadequada e deficiente. A reparação e a requalificação da rede viária, será praticamente inexistente. O apoio aos clubes continuará a ser muito deficitário. Como a falta de equipamentos que possam dotar a cidade para que esta seja competitiva e mais atrativa para os investidores, continuará a ser uma triste realidade.

José Policarpo

O BORDA D´ÁGUA NO MUNDO RURAL - Pelo Tói da Dadinha

CONSELHOS DO TÓI  DA  DADINHA  A TODOS OS QUE SE INTERESSAM PELA AGRICULTURA E PECUÁRIA

                                                           

 Baseado no:
« NO DIA DE S. MARTINHO SEMEIA OS TEUS ALHOS E PROVA O TEU VINHO »



AGRICULTURA – HORTA - JARDINAGEM – ANIMAIS

AGRICULTURA – Os pomares devem ser estercados no Crescente (dia 07) e podados no Minguante (dia 21), devendo protegê-los das geadas. Plantar pessegueiros, pereiras e macieiras, no Crescente.
HORTA – Semear agrião, alface, cenoura, couves, com excepção da couve-flor e brócolos. Plantar batata (nas zonas secas), alho, couve temporã e termoço. Semear cereais de pragana como a aveia, centeio, cevada e trigo. Colher azeitona. Na adega verificar as vasilhas do vinho novo. Destilar bagulho para fazer aguardente.
JARDIM – Estercar covas para a plantação na Primavera de árvores ou arbustos. Estacar as plantas contra o vento. Plantar bolbos de flores. Podar as roseiras e plantar novas.
ANIMAIS – O gado transita para o regime seco com feno, palha e grão.

Não esquecer a Feira dos Santos, em Borba. Talvez a última do ano na nossa região. Com uma prova q.b. do Vinho Novo.

Despeço-me com amizade

Tói da Dadinha
30.10.2016
      



DIVULGAÇÃO - EVENTOS NO ALANDROAL

EXPOSIÇÃO - ARTE
GASTRONOMIA
CINEMA

LAZER E DESPORTO

A CRÓNICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA TERÇA-FEIRA NA RÁDIO DIANA/FM

                                                           Santinhos

Terça, 01 Novembro 2016
Uma vez que a crónica vai para o ar no dia de Todos-os-Santos, ocorreu-me que aqui estaria uma palavra também já caída em certos usos no domínio da metáfora.
Os preceitos canónicos dizem que, de morto a santo, têm de decorrer alguns anos, se bem que o prazo tenha vindo a encolher com a velocidade furiosa pela qual os tempos contemporâneos se pautam e, em menos de um ai, vi gente que foi da televisão ao panteão.
Fora ou dentro da religião, o santo é e será sempre sinónimo de puro, perfeito, incorruptível, verdadeiro, autêntico, sincero, imaculado, impecável, perfeito, e por aí fora. E quer-me também parecer que, ou se acumulam os adjectivos ou, tenham paciência (de santo até!) e é-se apenas uma meia-dose de santo. Bem ou mal servida, vai depender do tempo que convivamos com tal personagem e percebamos se essa parte não é compensada por outra, a que cai no domínio oposto, e que talvez seja a dos endemoninhados.
Quando o termo se transforma em metáfora vai por aí fora a dessacralizar-se até à banalidade e, por vezes, ganha até o carinhoso diminutivo. E não se iludam porque quem chama outro ou outra de santo ou santinha é porque o milagre – com muitas aspas – foi em seu benefício próprio e não para bem da humanidade. Mais do que virtudes heroicas em geral, o santinho fez-me foi um grande favor.
Claro que também aplicamos o termo às crianças, sem modos interesseiros em princípio. Mas até aí quem de facto sai a lucrar parece ser quem tem de conviver com esse tipo de cachopos. E aliás, quando usado com ironia, chamar a um adulto santinho ou santinha é um tudo nada insultuoso. Sendo que, no feminino, sobe, em certas circunstâncias, uns escalões na régua do escárnio e maldizer.
Beatificação natural, diria, é a que no entanto sucede quando os que nos são próximos e de quem gostamos mesmo muito partem para sempre. Que, enfim, é muito tempo mas onde todos acabaremos por chegar. É a beatificação da memória selectiva, a que é filtrada pelo coração que é a parte do corpo onde guardamos todas as emoções e onde também guardamos os corações que pararam. Para sempre. Sem ironias e com a dor que nos faz às vezes esquecer que afinal é tudo só uma metáfora, isso do lugar que é o coração.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira