segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O CAÇA VOTOS II

E , o tiro saiu pela culatra.
As pressas chegaram ao arraial, de diversos pontos do grandes centros populacionais, devidamente empacotadas, em envelope azul, por dois carteiros da nova classe da elite dos mesmos, que embrulha  sela, endereça e paga portes.
O impossível aconteceu.
O arraial em silêncio sepulcral, como adivinhando, algo macabro, espera expetante, uma, duas, três até vinte vezes e, as pressas, agora, finalmente libertadas, das amarras opressoras, presenciais e monetárias do “caça votos”, por um B, de 98 boas vontades, conseguem livrar-se de 75, A de amarras e assim poder regressar ao seu habitat natural.
P. S. – a viagem seria rentável e agradabilíssima não fora um traiçoeiro labirinto.

Enviado por leitor devidamente identificado


CRONICA DE OPINIÃO HOJE TRANSMITIDA NA RÁDIO DIANA/FM

                                            Tarifa Social da Água

Segunda, 21 Novembro 2016
Foi aprovada na passada sexta-feira, na Assembleia Municipal de Évora, uma recomendação do Bloco de Esquerda, para que o município de Évora adira ao mecanismo automatizado de tarifa social da água, previsto no Orçamento de Estado para 2017.
Apesar de Évora já dispor de Tarifa Social da Água para utilizadores que se encontrem numa situação de carência económica, a verdade é que este é ainda um processo muito burocrático e que obriga as famílias a requerer e a apresentar uma série de documentação. Estes processos não automáticos, como era o caso da tarifa social da energia até ao ano passado, levam a que muitas famílias fiquem excluídas destes importantes apoios. Em Évora, apenas 3,7% dos contratos correspondem à tarifa social da água, quando sabemos que, infelizmente, a percentagem de famílias em situação de carência económica representa uma percentagem bastante superior.
Felizmente, já está criado e testado no âmbito da administração pública o dispositivo para atribuição automática das tarifas sociais da energia, pelo que nada impede nem justifica que o recurso a esse dispositivo não ocorra pela parte das entidades competentes no serviço de abastecimento de água, no âmbito municipal e intermunicipal.
Com a “Autorização legislativa no âmbito da tarifa social para o fornecimento de serviços de águas” prevista na Lei do Orçamento de Estado para 2017, os municípios vão poder escolher querer ou não aderir ao mecanismo automatizado de atribuição de tarifa social da água através do processo de interconexão e tratamento dos dados pessoais entre os serviços da Segurança Social e da Autoridade Tributária e Aduaneira.
Évora estará na linha da frente deste processo, queira a Câmara respeitar a deliberação da Assembleia Municipal.
 Até para a semana!
Bruno Martins


domingo, 20 de novembro de 2016

PORQUE HOJE É DOMINGO

                             ESPECTÁCULO!
         

DESPORTO - RESULTADOS

                                                                           FUTEBOL
                                                                            INATEL
                                                            Campeonato Distrital
Orada 1 – Barbus 0
Alandroal 1 – Santiago Maior 0
Foros Fonte Seca 4 – S. Domingos 2
Santo Amaro 2 – Pardais 4
Bairrense 2 – Montoito 1
                                              Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                  Divisão de Elite
Escoural 1 – Vendas Novas 5
Perolivas 0 – Lusitano 4
Canaviais 4 – Oriola 0
Arraiolos 1 – Monte Trigo 2
Alcáçovas 1 – União 0
Redondo 4 – Lavre 1
Reguengos 0 – Juventude 1.
                                                                     Divisão de Honra
Santana do Campo 0 – Cortiço 3
Arcos 1 – Estremoz 0
Valenças 1– Giesteira 1
Corval 2 – Portel 2.
                                                                                  FUTSAL
                                                                     TAÇA DE PORTUGAL

G.U.S. 1 – Marítimo 3.

CAFÉS – TABERNAS – BARES - III

AS DO PRESENTE JÁ NÃO TÊM O CHARME E O GLAMOR D´OUTRORA – MAS PINTORES FAMOSOS DEIXARAM-NOS TESTEMUNHOS DESTES LOCAIS QUE MARCARAM VÁRIAS ÉPOCAS



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

AS NOSSAS SUGESTÕES


Alandroal - 20 Novembro 17,00 horas


DIVULGAÇÃO - ACTO ELEITORAL NA API TERENA


DIREITO DE OPINIÃO

Porque se trata de um direito de opinião, devidamente identificado, e porque dirigido a pessoa facilmente reconhecida, o autor deste texto, repito, que assinou o mesmo, só permite comentários devidamente identificados. Para tal deverão os mesmos ser enviados para o mail do administrador do blogue , que se encontra na barra lateral à direita.

Este caça votos é uma Paródia às eleições da APIT Lar de Terena
Há duas listas  a lista A e B.
O cabeça de lista A andou a pedir votos e deu origem a esta cronica.

                                                       O "caça votos"
Esta excelente qualidade de caçadores tem duas excelsas virtudes, uma a de irem "caçar" ao domicilio, outra a de inverter o tradicional circuito de caça: a ida dos grandes centros urbanos para o interior.
A inversão deste circuito, deste surpreendente local de caça, leva o "caça votos" a invadir, não só Lisboa e a sua cintura, como também a pitoresca terra da internacional cantora lírica Luísa Todi,  Setúbal.
Atravessar o País para caçar fica caro e só um caçador abonado ou com um determinado fim o pode fazer, acresce que as presas exigem resgate,  quatro e cinco anos de dívidas atrasadas, e o cioso "caça votos"  depois de as satisfazer, pendura-as no cinto, como um valioso troféu certificado com selo notarial. 
Está, assim, a presa nas mãos do "caça votos" apta a ser exposta em qualquer arraial, com a omissão da verdade, que lhe foi escamoteada e escondida, exposta sublinho, como pedra de arremesso para com outros diferentes caçadores da sua consideração e estima.
É do conhecimento genérico de quem caça ou já caçou, casos furtuitos surgidos no seu exercício, que marcaram para todo o sempre qualquer caçador, tanto quanto julgo saber, o "caça votos" deverá ter-se acautelado
 não vá ser atingido, na hipótese dum imprevisto surgimento, de tiro do escuro ou de um tiro saído pela culatra.
Hélder Salgado
17-11-2016


DESPORTO

                                                                          FUTEBOL
                                                                            INATEL
                                                             Campeonato Distrital
Orada – Barbus
Alandroal – Santiago Maior
Foros Fonte Seca – S. Domingos
Santo Amaro – Pardais
Bairrense – Montoito

                                              Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                         Divisão de Elite
Escoural – Vendas Novas
Perolivas – Lusitano
Canaviais – Oriola
Arraiolos – Monte Trigo
Alcáçovas – União
Redondo – Lavre
Reguengos – Juventude.

                                                                          Divisão de Honra
Santana do Campo – Cortiço
Arcos – Estremoz
Valenças – Giesteira
Corval – Portel.

                                                                                     FUTSAL
                                                                        TAÇA DE PORTUGAL
G.U.S – Marítimo.
                                                                              TÉNIS
                               
                                                                             
                                                                              RUGBY

                                                            DESPORTO PARA TODOS




CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA NA DIANA/FM

                                              A Lua

Quinta, 17 Novembro 2016
Muito gosto eu da lua. E quando está próxima, ali mesmo ao alcance de uma das mãos, torna-se uma fonte de inspiração irresistível para tudo.
Beber ao luar, escrever ao luar, reflectir sob a sua luz intensa ou… apenas apanhar banhos de lua, pode ser qualquer coisa de terrivelmente desinquietante para quem faz um enorme esforço para ter os pés assentes na Terra, literal ou metaforicamente.
Sempre que há noite de lua cheia, corro a olhá-la na esperança de ver um lobo a uivar, uma bruxa sensual, despida de negro, a pilotar a sua vassoura em direcção ao último paraíso.
Normalmente tenho azar e os lobos que conheço mordem sem uivar ao luar e as bruxas não têm vassoura, vêm vestidas de cores garridas e têm a sensualidade de um paralelepípedo, independentemente das suas formas.
Mesmo sabendo isso não resisto a olhar a lua na procura do invisível que me leve a pronunciar o indizível. É da minha natureza não desistir de acreditar na bondade dos lobos e das bruxas.
Se pouco mais há a dizer sobre a lua, pergunto-me como foi possível as televisões terem passado um dia inteiro a falar da maior lua dos últimos não sei quantos anos, ouvindo todas as opiniões possíveis, e até algumas impossíveis, sobre o assunto?
Agora deixem-me falar sobre saliva e o acto de a expelir em direcção de outra pessoa. Como saberão a saliva é produzida pelas glândulas salivares, tratando-se de um complexo fluído composto por água e glicoproteínas. Produzimos em média cerca de um a dois litros de saliva por dia.
Não vou falar das inúmeras possibilidades de utilização da saliva, mas devo referir que o acto de expelir a saliva, mais conhecido como cuspir, tem quase sempre uma conotação negativa e deve ser por isso que poucas coisas serão piores que cuspir na sopa.
Estando o assunto da saliva tratado, alguém me consegue explicar por que carga de água as televisões passaram um dia inteiro a mostrar um vídeo e a profusamente comentar o mesmo, procurando descortinar a quantidade de saliva que terá saído da boca de alguém em direcção a um seu interlocutor?
Eu sei que não havia nada de mais interessante para comentar, noticiar ou discutir. Iam agora falar sobre o facto de Bruxelas ter engolido o Orçamento, ou sobre terem metido no saco da viola a suspensão de fundos, ou sobre os dados do crescimento económico terem desmentido as aves de agoiro do costume. Coisas sem importância quando comparadas com a dimensão da lua e a capacidade de salivação de um presidente de um clube de futebol.
Tivesse corrido tudo ao contrário e teríamos a Teodora Cardoso a cuspir teorias sobre o caos próximo e o Gomes Ferreira a dar pontapés na lua, durante as vinte quatro horas que o dia ainda tem.
Eu bem sei que este é um sítio para dizer coisas sérias mas a minha carta astral, por causa do Mercúrio em Peixes, diz que eu tenho uma certa dificuldade para me orientar dentro de processos lógicos e racionais do pensamento.
Até para a semana

Eduardo Luciano

«A VELHICE É UM POSTO»


Fotos de L.L.Faria a oliveiras alentejanas

IMPRENSA REGIONAL RECENTE


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ ….

A propósito de um imóvel que existiu dentro das muralhas do nosso Castelo, e que foi alvo das mais diversas considerações na altura da sua completa demolição, o nosso amigo A. Jeremias partilhou estas fotos que fez acompanhar deste texto que se transcreve em parte.

“Partilho hoje imagens de um prédio, cuja última utilização, foi a de um espaço cultural.
Estava ali instalada uma associação que era apelidada de Sociedade da Música.
Enquanto Sociedade, foi utilizada como espaço de baile e sede da Banda Filarmónica, onde a mesma fazia os seus ensaios.”





A propósito acrescento  3 fotos, retiradas da net, que ilustram o cenário actual do local onde outrora se situava a velha Sociedade da Musica.




Pergunto eu:
Então não valeu a pena?


E quando chegará a vez de alguém com coragem expropriar o resto e completar o resto da obra deixamdo apenas a Igrja Matriz?

DIVULGAÇÃO C.M.MONTEMOR-O-NOVO



terça-feira, 15 de novembro de 2016

DIVULGAÇÃO – BOLETIM MUNICIPAL DA C.M.ALANDROAL

Foi hoje dado a conhecer o Boletim Municipal da Autarquia que pode consultar AQUI

OPINIÃO

A propósito da colocação de duas fotos (Srª da Consolação e Tumulo de Diogo Lopes de Sequeira) numa postagem a que dei o título de «DUAS RELIQUIAS DO ALANDROAL QUE MERECIAM MAIS ATENÇÃO» - o A.N.B. teceu as seguintes considerações num texto que aqui se transcreve.

Enquanto o mundo e o Sol parece que vão começar a andar aos tombos, 
também reparámos que uma parte substancial do património material e
imaterial da Vila entrou em fase de acentuada degradação e destruição.
Não é este, certamente, o caminho que as gentes do Concelho pretendem para as suas memórias e para a preservação da nossa propria identidade, sentido e sentimento de pertença à comunidade local. Antiga, medieval ou mais moderna, lembremos também o caso da Igreja da Misericórdia de Terena.
Por isso mesmo, integro-me neste apelo do Al tejo e, diria mais, o Alandroal poderia pensar mais e melhor tanto o seu passado como o seu futuro porque são em si mesmos indissociaveis. Um não existe sem o outro. Nem em espírito nem na nossa própria carne de alandroalenses.
Acrescentaria que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, não é apenas uma questão de meios e de dinheiro.É muito mais uma questão das pessoas e da vontade de as envolver, por exemplo, através dos "Orçamentos Participativos", nos gestos e nos actos de não pactuar com destruições de memórias com séculos. Com muitos séculos de História. Mas apenas continuamente à espera da sua adiada reabilitação/ recuperação. 
Isto a não ser que, andemos distraídos com o que anda a acontecer com a destruição de outros acervos da humanidade por este mundo fora.
Ora, se não concordamos com o que sucede lá fora, também não devemos aceitar o que está a acontecer, mesmo à frente dos nossos olhos.Ou cá dentro da Comunidade que historicamente fomos e vamos sendo. 
Assim o esperamos.

Saudações Democráticas
Antonio Neves Berbem 15/11/2016


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA NA DIANA/FM, HOJE É DE CLÁUDA SOUSA PEREIRA

                                                            The Day After
Terça, 15 Novembro 2016
Desde a eleição de Trump para presidente dos EUA já muita tinta correu e muitas vozes se ouviram.
Das que têm uma noção selectiva da questão do que são as regras estabelecidas por cada Estado democrático nas eleições, e nas quais não me revejo, até àquelas que do outro lado do Atlântico viverão com a que é, simbolicamente, a figura que representa o seu país e que expressam o seu desconforto e legitimamente se sentem zangados com quem, também legitimamente, o escolheu.
No day after, expressão que passámos a usar para falar do que vem a seguir às grandes hecatombes, naturalmente e porque na Natureza também humana se passa assim, tudo se irá acalmando e adaptando às novas circunstâncias com a ajuda do Tempo e da intervenção da razão humana unida com propósitos comuns. E isto não é pessimismo derrotista nem optimismo alienante, é realismo que dá muito mais trabalho e não se compadece com leis do menor esforço. Importante é que se apurem as diversas causas para explicar o fenómeno, compará-lo com os que o antecederam na linha do Tempo e os que poderão estar a incubar em linhas que se cruzam a definir o Mapa-múndi.
Para além daqueles muitos norte-americanos que não aceitam, nem simbolicamente, que Trump os represente espero, sinceramente, que os que convictamente o escolheram como o melhor para o fazer, também saiam decepcionados. Na melhor das hipóteses, reafirmo eu. Vai cumprir às instituições, e às organizações partidárias que as alimentam, defender a democracia sem esquecer, acima de tudo, o estado que alcançámos de progresso a vários níveis no bem-estar da Humanidade. E se o fizerem, aquilo que Trump utilizou para vender às massas mais sugestionáveis porque mais indolentes a usar a faculdade da razão que têm para prever o futuro e fazer uso da empatia no que esta significa na capacidade de nos pormos no lugar dos outros, ou seja aquilo que foram sobretudo enormes disparates, Trump acabará, espero eu, por esquecê-los. Julgo que os Republicanos não quererão confundir-se com Trump e, a concretizá-lo, restar-lhe-á cumprir uma outra agenda mais subtil e eficaz, e não menos perigosa no meu entender, com os resultados no passado para os cidadãos dos regimes, de todos os lados, totalitaristas. A atenção dos partidos com a realidade da polis onde actuam, lá como cá, bem como a relação da comunicação social com os cidadãos, terão de ser repensadas. É que já não há lugar, como o sentiu Hillary, para só mais uma vez voltar a usar encenações e guiões e adereços para representar uma actuação e preocupação com o bem-comum que, afinal, apenas serve a promoção ou corporativa ou, pior ainda, pessoal.
Se é certo que há pessoas que fazem a diferença, isso é diferente de qualquer um, fazendo-se passar por um ser excepcional, ser essa diferença. Se também me parece continuar muito razoável a expressão de que “são as pessoas que fazem os lugares e não os lugares que fazem as pessoas”, resta-me desejar aos norte-americanos com responsabilidade que façam com que esse lugar da maior e mais antiga democracia do Mundo, que é o do Presidente, saiba moldar a pessoa que o ocupará.
Até para a semana.
Cláudia Sousa Pereira

A TV QUE TEMOS - OS PROGRAMAS DE DEBATE SOBRE DESPORTO ÀS 2ªs FEIRAS




LUGAR À CULTURA

        Baseado em Textos do Dr. Alexandre Laboreiro.
                                 A criança e o Livro
«A leitura é para o espírito o que o exercício é para o corpo.»
Joseph Addison
(Poeta e ensaísta inglês: 1672-1719)

Será redundante enaltecer o valor do livro, enquanto veículo de difusão do Pensamento, como catalizador de um intercâmbio de ideias no seio das Sociedades Humanas, bem como um agente intelectual de um tal calibre na vida das comunidades, que  -  mercê das suas mensagens portadoras de uma visão do Mundo e do Homem  -  o Livro constituiria (desde o início do seu aparecimento) um factor determinante na “precipitação histórica” da vida do Homem  -  levando a imprimir uma maior velocidade às transformações culturais, sociais, económicas e políticas (inicialmente na Europa, e depois a nível planetário).
A este propósito, registamos a atitude  -  por parte do Humanista francês Gabriel Naudé (séc. XVII)  -  ao escrever ao Presidente do Parlamento de Paris, num intuito de defesa e difusão do Livro; dizendo-nos ele : «É muito mais útil e necessário ter, por exemplo, uma grande quantidade de livros, muito bem encadernados, do que ter apenas um pequeno quarto ou gabinete pálido dourado e organizado, enriquecido com todo o tipo de ninharias, de luxo e superfluidades, cheios deles». Por sua vez, diz-nos Roger Chartier (in “A ordem dos livros”): «Uma biblioteca não é construída para satisfazer prazeres egoístas, mas sim porque não existe nenhum meio mais honesto e seguro para se adquirir uma grande fama entre os povos, a não ser erigir belas e magníficas bibliotecas, para depois as consagrar à utilização do público».
Ora, sobre o prazer de ler e o gosto pela leitura, refere-nos Marcel Proust: «Se o gosto dos livros cresce com a inteligência, os seus perigos diminuem com ela. Um espírito original sabe subordinar a leitura à sua actividade pessoal. Ela não é para ele senão a mais nobre das distracções, a mais enobilitante sobretudo, porque só a leitura e o saber dão as “boas maneiras” do espírito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa inteligência só o podemos desenvolver em nós próprios, nas profundidades da nossa vida espiritual. Mas é no contacto com os outros espíritos que a leitura constitui, que se faz a educação dos “modos” do espírito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas de qualidade de inteligência, e ignorar um determinado livro, determinada particularidade na ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, um sinal de ruptura intelectual. A distinção e nobreza consiste, na ordem do pensamento também, uma espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.
Neste gosto e neste divertimento de ler, a preferência dos grandes escritores muito depressa se encaminha para os livros de autores antigos. Mesmo aqueles que se afiguravam aos seus contemporâneos os mais “românticos”, não liam senão os clássicos. Quando Victor Hugo em conversa fala das suas leituras, são os nomes de Molière, Horácio, Ovídio, Regnard, que aparecem mais frequentemente. Afonso Daudet, o menos livresco dos escritores, cuja obra plena de modernidade e de vida parece ter rejeitado toda a herança clássica, lia, citava, comentava incessantemente Pascal, Montaigne, Diderot e Tácito.»
Maria José Nogueira Pinto (in “Expresso”) definia, há uns anos  -  neste Semanário  -  o acto de ler de uma forma, a um tempo precisa e cabal, como igualmente bela no seu jogo de conceitos e palavras; diz-nos ela: «A leitura  é uma realidade imensa, uma viagem que, uma vez iniciada, não tem fim, uma amarra de que ninguém pensa sequer libertar-se, uma porta para todos os outros mundos. Um modo expedito para todos os encontros, todas as conversas. Como escutar às portas sem ser promíscuo. Como espreitar as vidas alheias sem ponta de “voyeurismo”. Uma maneira de esquecer e de lembrar. De estar aqui e acolá. De ser isto e mais aquilo. E não tem fim esta possibilidade de mil vidas numa, única forma recomendável de mentir. Não mentir propriamente, mas imaginar, o que é diferente e sem sombra de pecado». E, no apelo que sempre o acompanhou na luta pela emancipação do ser  humano, com vista a torná-lo cidadão, António Sérgio entendia que a Democracia autêntica teria de ser constituída por cidadãos aculturados, esclarecidos, detentores de um espírito crítico  -  que lhes abrisse as portas, tanto à capacidade de interpretar o passado, como lhes permitisse uma capacidade de antevisão, de modo a poderem construir um Futuro Democrático (o que pressupunha uma verdadeira Educação e Cultura Democráticas  -  iniciadas na Escola, continuadas na Leitura e nas iniciativas Culturais, associativas ou comerciais).
António Sérgio, a tal propósito, diz-nos: «Educar significa, como dissemos, favorecer o crescimento da capacidade de racionalização, da espiritualização, de universalização, de superação dos limites vários que confinam  o indivíduo numa pátria ou grupo, numa localidade ou época  -  habilitando-nos, portanto, a sermos educadores da sociedade: o fim da educação é ela própria, e um dos seus objectos, por isso, o não deixar perder aos moços aquela plasticidade de inteligência, aquela vibratilidade espiritual que os capacita para desenvolver-se. Procurai o educador no varão educável, [no de espírito moço] e o homem bem educado no que tomou fome de educar-se, e de manter-se jovem.»
«O princípio essencial da democracia, pode dizer-se, é o respeito da dignidade. Nunca devemos querer conduzir os homens sem que tais homens dêem por isso... o maior crime, para a democracia, é o de considerar os outros como meios, e não como fins. Democracia, digo, é o sistema em que se deseja para o cidadão o mínimo de consciência. Queremos que cada homem vá convencido, e muito consciente do caminho que segue. Assim pensa também, o verdadeiro cristão», como nos deixou dito, Sérgio.
E na base desta conscientização, estará certamente também o prazer pela leitura.
Origlia diz, e com razão, que a imagem tomou na nossa civilização o primeiro lugar (referindo-se ao primado do cinema) em detrimento do livro, que exige maior esforço intelectual. Porém, a leitura permite a possibilidade de, na fruição do livro, participar e construir ele próprio (o leitor) nos assuntos que vai lendo, de acordo com a sua experiência e estímulo do ambiente, uma viva participação, por vezes mesmo um verdadeiro “transfert” das personagens e acidentes descritos no livro para si próprio, para os seus conviventes e para os factos vividos no seu meio. Assim, ao longo das leituras, admitimos que todos nós procurámos reconstituir as figuras literárias de Maria (do “Frei Luís de Sousa”), de Margarida (das “Pupilas do Senhor Reitor”), da criada Juliana (no “Primo Basílio”), ou de Gomes Freire de Andrade (in “Felizmente há Luar”) -  inseridas em cada contexto que tivemos a felicidade de poder fruir. E, adiantemos, consideramos que  -  longe de uma concorrência de primazias entre Literatura e Cinema  -  existe (em quem possua um espírito desperto para a Cultura) uma consciência estética que o leva a apreciar, tanto o bom gosto literário que perpassa no argumento de um bom filme, como igualmente não descurará de descobrir, num romance ou numa novela que tenha lido, a intensidade de emoções, movimento e oportunidade temática  -  dignos de um bom argumento cinematográfico.
É um conhecimento banal que o interesse da leitura varia com a idade a quem o livro se destina. E, naturalmente, só podemos falar duma maneira geral, em leitura em crianças depois dos 10 anos, isto é, quando já se tem criado os automatismos que permitem sem esforço exercer o acto de ler com a necessária compreensão. Assim, nos referiremos, aos contos de fadas, às histórias com personagens  fantásticas, inexistentes, fora da realidade  -  bem como aludimos aos animais que falam, às bruxas (e que são coisas inventadas)  -  bem aceite pelo imaginário infantil. É que a criança vive uma vida fantástica, fora da realidade e necessita de dar expansão a essa fantasia. A criança interessa-se pelo movimento, os acidentes movimentados, as fugas, as perseguições, os tiros, a astúcia, a violência, realizados pelas boas ou más personagens do conto. Daí, a oportuna popularidade das “histórias aos quadradinhos”, oriundas das edições norte-americanas. E a banda-desenhada poderá constituir, na criança, como uma ponte que o conduz a uma leitura de maior reflexão, e estilo mais elaborado. Ora, «o inimigo da leitura não reside, como actualmente alguns temem, na cultura audio-visual que domina os meios de comunicação e na extensão das novas tecnologias, mas nas desafortunadas práticas de leitura dominantes a que submetemos os nossos alunos durante a escolaridade»  -  afirmou-nos Gimeno Sacristán (Catedrático da Universidade de Valência).

José Alexandre Laboreiro
Texto publicado na “Folha Montemor” – Setembro 2016 – Publicação no Al Tejo devidamente autorizada pelo Autor
         

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

DUAS RELIQUIAS DO ALANDROAL QUE MERECIAM MAIS ATENÇÃO

                                                     Nossa Senhora da Consolação

                                                   Sepultura de Diogo Lopes de Sequeira