segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A ORIGEM DA LENDA

Tiago Salgueiro, personalidade sobejamente conhecida nos meios académicos da região, Ajudante de Conservador no Museu-Biblioteca da Casa de Bragança  em Vila Viçosa e com uma vasta obra literária já publicada da qual destacamos « Fortificações Quinhentistas de Vila Viçosa,  Do Japão para Vila Viçosa, Vila Viçosa: Idéias para o Futuro, Notáveis Calipolenses, entre outros, é também um interessado em relembrar factos e lendas do passado.
Foi ao ler a história “ Das Quatro Cruzes”, por si dada a conhecer, que lhe solicitei autorização para a compartilhar no Al Tejo. De imediato o Tiago Salgueiro deu cabimento à minha solicitação, acrescentando: “Sinta-se à vontade para colocar no Al Tejo tudo o que considere pertinente, sobre os textos que vão sendo publicados!
Em face da sua autorização é com imensa satisfação que a partir de agora este nosso espaço passa a contar com mais um colaborador de excelência:
Chico Manuel

         A trágica história das Quatro Cruzes...
Quase todos os Calipolenses conhecem esta história, que se tornou lendária e com várias versões. A que conto nestas linhas é da autoria do Padre Joaquim Espanca, que viveu de perto estes trágicos acontecimentos…
Corria o ano de 1838…
Por aqueles dias, aquartelou-se no Castelo de Vila Viçosa o regimento de Infantaria 4º, comandado pelo Tenente João Caldeira. Três soldados deste destacamento começaram a dar uns passeios vespertinos até à Quinta da Fonte da Cebola de Baixo, situada a oriente de Vila Viçosa. Tratava-se de um lugar inóspito e nada convidativo a caminhadas.
O hortelão e a sua mulher, por serem hospitaleiros, disponibilizavam merendas de frutos aos referidos soldados, que ali se deslocavam quase diariamente. Havia portanto entre os soldados e a família do hortelão um princípio de amizade.
No dia 19 de Dezembro, o hortelão, chamado João Baptista Picanço, veio logo de manhã ao mercado semanal de Vila Viçosa para vender quatro ou cinco porcos e assim poder pagar ao senhorio a renda anual da quinta. A venda dos suínos era feita no Rossio, onde foi visto pelos três soldados. Cumprimentaram-se e trocaram algumas palavras. O hortelão demorou-se aqui até ao meio dia e, como não conseguiu vender os porcos, ordenou ao seu filho que os levasse de volta a casa.
José Vicente, um dos três soldados, com a ganância de ficar com o dinheiro que João Baptista Picanço tivesse arrecadado pela venda dos porcos, chamou os outros dois camaradas de armas e engendrou um plano para que fossem nessa noite assaltar-lhe a casa e roubar o dinheiro (que não realidade não existia). Como eram todos da mesma laia, concordaram com o plano, que parecia fácil e lucrativo.
Ao cair da noite, vestidos com capotes de pano pardo e armados com baionetas e espingardas, saíram pela Porta de Olivença (no Castelo), passaram pelos ferragiais de São Domingos e pelo Pinhal de El Rei, para chegarem até à Quinta da Fonte de Cebola de Baixo.
Seriam quase oito da noite, o que em Dezembro significa noite cerrada.
O hortelão daquelas paragens solitárias acabava de cear com a família, depois de terem cerrado a porta logo ao anoitecer, como eram costume nas habitações dispersas pelos montes que circundavam Vila Viçosa. Acercavam-se todos na chaminé, regalando-se no pino do Inverno com um bom lume. Os homens conversavam e as mulheres rezavam o terço.
No silêncio da noite, eis que de repente, se ouve bater na porta da casa!
Toda a família ficou assustada, pois naquelas paragens solitárias, fora de horas, todas as aproximações são suspeitas.
- Quem é? – pergunta o hortelão.
- Abra a porta!
- Eu não abro a minha porta de noite!
- Abra a porta, em nome da Rainha! – vocifera um dos bandidos engrossando a voz.
- Já disse! Não abro a minha porta fora de horas!
- Abra a porta ou deitamo-la abaixo!
E começaram os bandidos a dar coronhadas na porta.
O camponês estremeceu de susto. Ocorreu-lhe então que pudessem ser soldados a fazer alguma diligência e disse para a sua mulher:
- É a tropa! Vou abrir!
A mulher, como que adivinhando a catástrofe que os esperava, rogou ao marido para que este não abrisse a porta. Mas os de fora instavam também, de forma mais agressiva e determinada:
- Abra a porta em nome da Rainha!
João Baptista Picanço levanta-se e destranca a porta, pega na chave e dá-lhe meia volta para a abrir. Enquanto fez isto, levantou-se também da chaminé o seu sobrinho José Joaquim Picanço, que achou prudente não assistir àquela visita domiciliária tão suspeita. Era melhor opção recolher-se mais cedo para o palheiro onde costumava dormir, juntando-se ao criado Daniel Boquinhas, que já lá se encontrava.
Essa saída foi feita por um buraco rasteiro da casa e que dava passagem para o palheiro e para a cavalariça. Este procedimento era muito utilizado nos montes alentejanos, a fim de poderem ser trancadas por dentro as portas das cavalariças e deste modo ficarem mais seguras.
Quando o hortelão abriu a porta da casa, logo o bandido lhe infligiu um golpe tão violento na cabeça, que lhe enterrou os fechos no crânio, fazendo-o cair de costas, morto…
À vista deste triste cenário, levanta-se a mulher em prantos e aos gritos de socorro, sustentando nos braços um filho de três anos, que afagava enquanto se aqueciam na chaminé. E logo o segundo bandido lhe deita as mãos às orelhas, para lhe roubar os brincos… Assim que os retirou, os bandidos trespassaram-na a golpes de baioneta, deixando-a estendida ao pé do cadáver agonizante do marido. Também o filho mais novo sofreu o mesmo destino…
Eram já três os cadáveres que se encontravam no meio da casa. Restava uma filha com vida, já mulher feita e um seu irmão mais novo, ainda adolescente. Enquanto os bandidos José Nascimento e José Cotovio perpetravam as mortes referidas, o chefe dos bandidos, José Vicente, guardava a porta da rua, para que ninguém passasse por ela.
Nem uma perdiz que se encontrava numa gaiola no interior da casa escapou à fúria dos assaltantes. Os bandidos decidiram então não executar a filha e o filho, a fim de saberem onde se encontrava o dinheiro da venda dos porcos e mais algum valor que pudessem encontrar.
Como estes responderam que a venda dos porcos não se havia concretizado, ordenaram à filha que esta abrisse as arcas onde apenas estavam uns vestidos de chita e outras roupas de escasso valor.
Porém, neste instante, o seu irmão, tremendo de susto e de horror, deixa cair da mão a candeia com que alumiava as ditas arcas. No meio da escuridão, o rapaz teve o feliz pensamento de esgueirar-se pelo buraco que dava acesso ao palheiro, escapando assim dos facínoras, juntando-se assim ao primo José Joaquim. O criado Daniel Boquinhas já não se encontrava no local, por ter fugido. É um mistério como o bandido José Vicente, à porta da casa, não deu por esse movimento…
Acendida de novo a candeia, perguntavam os bandidos pelo rapaz, de nome José da Conceição, que já ali não se encontrava.
Foram até à porta, perguntando ao chefe José Vicente o que tinha acontecido sobre a fuga do moço. Este jurou que não tinha fugido pela porta. No meio da discussão, acabaram por assassinar a donzela. Houve quem afirmasse que tinha sido violada, antes do homicídio.
No entanto, os meliantes, em vez de se preocuparem em gastar o tempo em vãs disputas , com acusações mútuas sobre quem teria deixado escapar o rapaz da família martirizada, não verificaram a outra porta da cavalariça e do palheiro, onde o mesmo se tinha escondido.
Em vez disso, arrumaram a trouxa e puseram-se a caminho do Castelo.
No regresso, o criado Daniel Boquinhas, escondido no meio de um sobreiro, oculto na espessura da ramagem, viu-os passar e ouviu a discussão entre os três bandidos, que se acusavam mutuamente sobre a fuga do mancebo José da Conceição.
- O rapaz vai ser a nossa perdição! – dizia um deles.
E assim seguiram caminho, lastimando na retirada para o Castelo os factos ocorridos, o remorso dos crimes e o temor dos castigos.
Depois de se terem afastado o suficiente, o criado Daniel desceu da árvore e aproximou-se da casa do seu amo, para certificar-se da tragédia. Chegando à porta da cavalariça,  bateu e chamou por José Joaquim. Este, reconhecendo-lhe a voz, não hesitou em abrir-lhe a porta.
Reunidos os três que tinham escapado (o filho José da Conceição, o sobrinho José Joaquim e o criado Daniel), entraram pelo buraco que fazia a passagem da cavalariça para a casa principal e ai se depararam com um cenário de horror: todos jaziam já cadáveres.
Quatro corpos ensanguentados, poças de sangue, um filho que sobreviveu, afogado em prantos e em suspiros, um sobrinho soluçando e um criado lastimando a cruel sorte dos seus amos.
Todos à luz mortiça de uma triste candeia já entornada e prestes a apagar-se numa fria noite de Inverno.
Num acto determinado, resolve José da Conceição deixar o monte e sair com Daniel, para darem parte do sucedido ao seu Tio Cipriano José Picanço, rendeiro da Quinta do Mocho, não muito distante dali. Ficou José Joaquim acompanhando os cadáveres que tinham ficado no chão.
Quando começou a raiar o dia, partia Cipriano da Quinta do Mocho para a Fonte de Cebola de Baixo, seguindo depois para Vila Viçosa. Vinha queixar-se ao administrador do Concelho, Domingos Alves Torres, dos roubos e das mortes daquela fatídica noite.
Vila Viçosa fica em sobressalto. Cipriano grita pelas ruas, como um louco:
- Justiça! Justiça!
Muitos correm ao lugar do sinistro. O Administrador do Concelho promove a marcha imediata de uma escolta para guardar a quinta, até que as autoridades judiciais redigissem o auto inicial do delito. Foi já cerca do meio-dia que as ditas autoridades chegaram ao local, para examinarem os cadáveres.
Vivia-se, na época, um clima de desconfiança entre Liberais e Absolutistas (a Guerra Civil havia terminado em 1834) e suspeitou-se que tivessem sido os Miguelistas os responsáveis por tão horrendo crime.
- Aqui está o que fazem os Miguéis! – proferiu o Tenente João Caldeira, que integrava o corpo das autoridades judiciais.
Todos os presentes pareceram concordar com esta acusação, quando José da Conceição, o filho sobrevivente de João Baptista Picanço, ouvindo o diálogo entre as autoridades, retorquiu ao Tenente, dizendo-lhe:
- Não, senhor, não foram esses homens que mataram os meus pais e os meus irmãos. Foram esses soldados que vossemecê ai trás.
João Caldeira ficou estupefacto, olhando para o Juiz Ordinário e para o Subdelegado. Todos ficaram surpreendidos, mas logo o Tenente, melindrado com aquela acusação e querendo mostrar-se imparcial, pergunta ao rapaz:
- Tu conheces os soldados?
- Conheço sim, porque eles até vinham dantes à nossa casa!
- Pois vem aqui ver se é algum destes! – prosseguiu João Caldeira, mandando formar a escolta. O rapaz olhou para todos e concluiu que não era nenhum daqueles.
Concluído o auto do corpo de delito, foi montado José da Conceição num jumento e levado para o Castelo, onde se formou todo o destacamento de infantaria nº 4, para que pudessem ser reconhecidos os três facínoras.
- Aqui está o primeiro – disse ele, percorrendo as fileiras com o Tenente; - e aqui está o segundo!
Porém, quanto ao terceiro, hesitou na acusação, designando um soldado conhecido como “Calvário”, que logo após o dedo acusador, clamou pela sua inocência.
- Rapaz, vê bem que não fui eu! Estou inocente!
Interveio então o Tenente, dizendo:
- Bem, bem, pelos dois eu já tiro o terceiro! Qual é o número do que falta aqui?
- Está no quartel, doente!
- Pois que venha! Vai chamá-lo!
Vindo pois o tal Cotovio, mostrando-se muito doente e avistando-o José da Conceição ao descer a escada para a praça de armas, gritou logo:
- É este mesmo! Não há dúvida!
E o Calvário começou logo a respirar mais tranquilo.
José Cotovio mostrava sinais evidentes do crime: o capote estava ensanguentado e a baioneta, apesar de ter sido limpa, mostrava ainda sinais de sangue. Quando tirou o chapéu da cabeça, logo lhe caíram os brincos que tinha roubado à mulher do hortelão.
Descobertos os assassinos, logo veio uma escolta para os acompanhar até à cadeia civil, onde não tardaram a confessar o seu crime
, declarando onde estavam as trouxas de roupa que tinham roubado e que se encontravam no interior da Fortaleza- Artilheira.
Enquanto isso, dava entrada no Rossio, em direção ao cemitério de São José (onde se encontra atualmente a Mata Municipal), uma carroça conduzindo os quatro cadáveres. O chefe da desventurada família tinha o braço esquerdo levantado para o ar, o que fez dizer a muitos que pedia aos céus vingança!
Os acusados foram declarados culpados das mortes da Família Picanço e foram condenados à pena de morte por fuzilamento, por serem militares. No entanto, a pena foi comutada para José do Nascimento e José Cotovio. Apenas José Vicente, o cabecilha, foi executado no Carrascal, junto da Igreja da Lapa, em Agosto de 1839. Foi sepultado no cemitério de São José, onde jazia a família Picanço.
Os outros dois bandidos foram condenados ao degredo para os presídios em África. Contudo, não sobreviveram muito tempo ao chefe. Um morreu assassinado numa prisão em Lisboa, antes de embarcar e o outro, pouco depois de chegar a África, morreu com febres…
Esta história sinistra ainda hoje perdura na memória dos Calipolenses. Já no final do século XIX era contada pelo Padre Espanca, que ainda não era nascido quando ocorreram os factos. Os seus pais relataram-na vezes sem conta, segundo afirmou. Ainda conheceu Cipriano José Picanço, irmão do infeliz João Baptista. Os sobrinhos José da Conceição e José Joaquim, que figuram na tragédia, morreram ainda moços.
Foram eles que mandaram colocar a placa indicativa, no sítio que é hoje conhecido como  Cruzes dos Picanços, ou as Quatro Cruzes.












HUMMM !

Leia e oiça AQUI esta notícia que a Rádio Campanário publicou no seu site dia 21

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINATURA DE BRUNO MARTINS

                                           Orçamento de Estado

Segunda, 24 Outubro 2016
Foi apresentado o Orçamento de Estado para 2017. Na especialidade surgirão algumas alterações, mas sabemos já que a discussão à esquerda permitiu a continuação da devolução de rendimentos para quem trabalha ou trabalhou toda a vida.
Em 2017, após anos de pântano social para os mais velhos, as pensões serão aumentadas. Serão, também, aumentadas algumas prestações sociais, como o abono de família. Assistiremos, ainda, ao fim da sobretaxa sobre o IRS. Somam-se muitas outras medidas, das quais destaco a automatização da tarifa social da água, depois deste ano o mesmo já ter acontecido com a eletricidade, assim como a gratuitidade dos manuais escolares no 1.º ciclo.
A direita apressou-se a falar num aumento de impostos. O desespero leva-os a um estado de extremo ridículo. A verdade é que em 2017 irá existir reposição de rendimentos do trabalho no total de 953 milhões de euros, enquanto que o aumento de impostos permitirá arrecadar mais 262 milhões de euros. Deste aumento a maior parte - 160 milhões de euros - estão concentrados no património de luxo.
Muitas têm sido as conquistas, mas muito há a fazer. E torna-se cada vez mais claro que apenas haverá real crescimento quando Portugal romper com as imposições irrealistas do Tratado Orçamental e avançar para uma renegociação da dívida. Sobre este aspecto, importa realçar que, enquanto enfrentarmos uma carga de juros da dívida como enfrentamos, será impossível haver crescimento e investimento público. Para que tenhamos bem noção do que a carga dos juros da dívida representa, basta compará-la ao que o Estado gasta no Serviço Nacional de Saúde ou na Educação. O Estado Português está obrigado a pagar anualmente mais de 8 mil milhões de euros de juros, valor bem superior ao que gastamos em Educação e quase tanto quanto gastamos em Saúde.
Caminhamos em frente, mas quem vive em Portugal sabe bem que muito falta percorrer…
Até para a semana!

Bruno Martins

DIVULGAÇÃO


COM VISITA À FONTE SANTA APÓS O ENCONTRO

BOAS NOTÍCIAS PARA O ALENTEJO

                                  Évora: novo hospital em 2017

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, confirma o arranque do projeto do novo Hospital de Évora no próximo ano.
Questionado sobre a possibilidade de o lançamento do concurso internacional para a construção do novo Hospital Central de Évora ocorrer durante o próximo ano, Adalberto Campos Fernandes respondeu afirmativamente.
O avanço do novo hospital da cidade ter início no próximo ano está previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2017.

Fonte : Diana/FM

domingo, 23 de outubro de 2016

DESPORTO - RESULTADOS

                                                                            FUTEBOL
                                                                             INATEL
                                                                         SUPERTAÇA
                                                           Alandroal United 1 - Bairrense 1 - 4-2 a.p.

                                                              Campeonato Distrital
                                                                       ELITE – CARMIM
                                                                 Perolivense 1 – Reguengos 2
                                                                     Escoural 0 – Canaviais 1
                                                               Vendas Novas 3 – Arraiolense 2
                                                                     Lusitano 2 – Alcaçovense 1
                                                                       Oriola 1 – Redondo 3
                                                               Monte Trigo 1 – Juventude 1
                                                                      Montemor 5 – Lavre 0.
                                                                              HONRA
                                                              Cabrela 3 – Santana do Campo 1
                                                                     Valenças 1 – Arcoense 1
                                                                       Giesteira 0 – Corval 4
                                                                       Estremoz 1 – Portel 2.

                                                 CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
                                                                    Sport. Viana 1 – Moura 0
                                                                       Fabril 1 – Louletano 4
                                                              Aljustrelense 5 – Armacenense 1
                                                             Almancilense 1 – Pinhalnovense 2
                                                                Lusitano V.R.S.A. 0 – Farense 3.

                                                                                FUTSAL
                                                                  NACIONAL 1ª DIVISÃO
                                                               União Montemor 6 – Albufeira 0







ALANDROAL UNITED VENCE SUPERTAÇA


       ALANDROAL UNITED 1 - BAIRRENSE 1 - 4 -2 APÓS MARCAÇÃO  PENALTIES

GOSTA DE ESTAR DEITADO (A) E OUVIR A CHUVA A CAIR? - FECHE OS OLHOS E OIÇA

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SUGESTÕES DO AL TEJO







ALANDROAL

FOTOGRAFIA

                                Retratos do Alentejo

                     O CÉU E OS CAMPOS DO ALENTEJO


www.facebook.com/RaiaAlentejana

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                              OE 2017

Sexta, 21 Outubro 2016
Abordemos algumas das medidas constantes no OE/2017.
Centro esta crónica apenas em duas delas, por me parecerem ter um maior impacto.
Uma, a manutenção da sobretaxa de IRS em 2017, a outra, o aumento das pensões e o congelamento das remunerações na administração pública.
No que respeita à sobretaxa de IRS importará referir que ela se mantém em 2017.
E mantém-se por uma simples razão. Porque os rendimentos são tributados sobre a totalidade do rendimento colectável no ano.
Ou seja, pese embora a taxa de retenção da sobretaxa de IRS não seja aplicada durante todo o ano, cessando em diferentes períodos, em razão da remuneração auferida, já a sobretaxa é calculada sobre a totalidade da matéria colectável, pelo que não deixará de ter um efeito anual, sendo aplicada durante todo o ano de 2017.
No que se refere ao aumento das pensões e ao congelamento das remunerações na administração pública, importará referir:
Em primeiro, que não se tratará obviamente de justificar a bondade da decisão do aumento das pensões. Ela é justificável per si. E mais justificável será quanto menor for o valor da pensão auferida.
Em segundo, fazer a análise comparativa da medida. E é aqui que manifestamente está a discordância.
Ou seja, o Estado deverá honrar os seus compromissos de uma forma igual, pelo que ao pagar pensões ou remunerações de iguais montantes deverá ter tratamentos em tudo idênticos.
Neste contexto, importará questionar porque razão alguém que aufere idêntico rendimento, seja ele atribuído em sede de remuneração ou pensão, terá tratamento diferente. É que um aposentado verá a sua pensão ser actualizada até aos 2.515€, e um funcionário da administração vê a sua remuneração, por mais um ano, ser congelada.
Aliás, duplamente, quer por não sofrer qualquer actualização, quer por impedimento de progressão.
Existe aqui uma manifesta desigualdade que importa sublinhar e registar.
É que não chega, ano após ano, referir-se que o funcionalismo público tem sido sacrificado. E, certamente, não se pretenderá penalizar aqueles que mais tem contribuído para o esforço de ajustamento financeiro que o país, por razões sobejamente conhecidas, foi forçado a cumprir.
O próximo ano não será um ano de fácil execução orçamental. Disso todos estamos cientes. Aliás, será talvez até um ano em que a execução orçamental tenderá a ser mais crítica.
Contudo, as medidas desta natureza deverão ter um carácter próximo, porque acima de tudo tem que ter igualdade e justiça social. E quando se aplicam a um grupo e deixam outro de fora, tornam-se, no mínimo, de difícil compreensão.
Até para a semana

Rui Mendes

DESPORTO PARA O FIM-DE-SEMANA

                                                                          FUTEBOL
                                                                            INATEL
                                                                        SUPERTAÇA
                                                               Alandroal United - Bairrense


                                                                Campeonato Distrital
                                                                         ELITE – CARMIM
                                                                     Perolivense – Reguengos
                                                                          Escoural – Canaviais - transmissão TV A.F.E. - 17,15H
                                                                   Vendas Novas – Arraiolense
                                                                         Lusitano – Alcaçovense
                                                                              Oriola – Redondo
                                                                        Monte Trigo – Juventude
                                                                             Montemor – Lavre.
                                                                                      HONRA
                                                                      Cabrela – Santana do Campo
                                                                              Valenças – Arcoense
                                                                                  Giesteira – Corval
                                                                                   Estremoz – Portel.



                                                            CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
                                                                                   Sport. Viana – Moura
                                                                                       Fabril – Louletano
                                                                              Aljustrelense – Armacenense
                                                                             Almancilense – Pinhalnovense
                                                                              Lusitano V.R.S.A. – Farense.

                                                                                           FUTSAL
                                                                              NACIONAL 1ª DIVISÃO
                                                                           União Montemor – Albufeira

                                                                            EQUITAÇÃO









quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS - Agora com textos de Egas Branco

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente.


Egas Branco




                THE BIG SHORT - A QUEDA DE WALL STREET

de Adam MacKay, adaptando a obra homónima de Michael Lewis (The Big Short - A Grande Aposta)

Especulação, corrupção, crime social!
"(...) É o grande filme político do ano. E a academia, esmagadoramente democrata, gosta de filmes políticos, mas talvez não o suficiente para lhe dar o Oscar, (...) Há uma estética próxima dos documentários de Michael Moore, aplicada à ficção. (...) Mostra uma Wall Street dominada por excêntricos invertebrados bandos de loucos, autistas maníacos pelo lucro, sem quaisquer princípios de ética. (,..)" (M.Halpern, JL)

Comentário: 
Obviamente esses são os instrumentos que o grande capital e a grande finança manobram como querem. 
 Não será uma obra claramente anti-capitalista mas antes uma denuncia dos excessos a que o capitalismo em crise, cíclica, conduz, provocando milhões de vítimas, mas que para eles não passam de números... 
 A obra, embora se limite aos especuladores menores, que gravitam na órbita do sistema, embora às vezes enriqueçam, e praticamente nunca nos mostre os que efectivamente comandam e ditam as decisões políticas que permitem que tudo continue na mesma, não deixa de impressionar os espectadores. Nem chegamos sequer a ver os émulos dos famigerados Constâncios e Carlos Costas, a não ser em imagens fugazes 
No entanto o filme vai dizendo meia dúzia de verdades sobre quem acaba por pagar de facto as crises capitalistas, ou seja, os trabalhadores e as massas populares. 
Com ironia a obra termina dizendo que o resultado da especulação, corrupção e vigarice, nos USA foi o fecho de muitos dos grandes bancos e a prisão de dezenas de banqueiros, mas acrescenta logo a seguir que essa afirmação (que aparece escrita no ecrã) é uma brincadeira, isto é, concluindo que ainda não foi desta que o sistema capitalista ruiu. 
 E adianta que o jovem consultor, que no filme se apercebe muito cedo do perigo do desvario da economia assente nas hipotecas do imobiliário e na especulação sobre elas construída, acaba no fim investigado pelo FBI como um inimigo público... é a "democracia" no sistema capitalista! 
 E não é certamente por acaso que ao longo da obra, Cuba aparece referida por alguns dos personagens como algo desejável, nem que seja pela sua comida...
 Em conclusão, uma obra a não perder e compreende-se a razão da pouca simpatia por ela dos críticos de cinema nos Media dominantes no nosso País.

 Nota à posteriori: foi com agrado que verifiquei o acerto da escolha em Hollywood. Os dois Oscares para os Argumentos foram justamente para THE BIG SHORT (A Queda de Wall Street) (o adaptado) e SPOTLIGHT (O Caso Spotlight) (o original). Desta vez só me resta aplaudir!

Egas Branco



CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM DA AUTORIA DE EDUARDO LUCIANO

                       Nobel, orçamento e inquisição

Quinta, 20 Outubro 2016
Em Outubro de 1536 institui-se oficialmente em Évora a Inquisição portuguesa. Época terrível de intolerância, perseguições religiosas, tortura, autos de fé e outros mimos aplicados a todos os que fossem denunciados como não cumprindo os preceitos morais pregados pela Igreja Católica.
Passados estes 480 anos ficou entre nós o gostinho pela denúncia, pela delação anónima ou assumida que se reflecte no correio electrónico enviado às autoridades competentes, para denunciar a marquise ilegal do vizinho, o muro com mais vinte centímetros ou a suspeita de que qualquer coisa de errado se passa por causa de “um certo ar suspeito”.
Esta herança de delação é hoje assumida como “acto de cidadania”, legitimada, tal como naqueles tempos sombrios, pelo conforto de estar a fazer o que é certo e a ténue esperança de uma qualquer redenção terrena ou celeste.
Hoje, as fogueiras onde ardem os ímpios e heréticos são fisicamente mais suportáveis mas não deixam de ser, simbolicamente, formas de execução. Homicídios de carácter perpetrados por uma turba entusiasmada que segue acriticamente um título de jornal, uma frase, um qualquer gesto comunicacional que se torna viral em poucos segundos.
Diz-se, com a mesma intenção, “vou para a televisão denunciar-te”, como se da Mesa do Santo Ofício se tratasse.
É neste contexto que tivemos nos últimos dias um desfilar de inquisidores, defensores da cartilha neoliberal, pelas rádios e televisões pregando o seu evangelho contra a proposta de Orçamento de Estado, apresentada na Assembleia da República.
Baralhando, confundindo, manipulando, apagando da memória medidas de outros Orçamentos.
Escondem, no essencial, tudo o que possa ter de positivo, de recuperação de rendimentos do trabalho. Por vontade deles, e apesar desta proposta de Orçamento ficar muito aquém do que seria possível e desejável, não haveria qualquer dúvida que o seu fim seria o cadafalso ou a fogueira no final destas verdadeiras sessões de tortura, que pretendem que o pobre documento confesse todos os seus crimes.
Vale tudo, incluindo um senhor apresentado como “fiscalista” a confundir impostos com taxas e tarifas, muito indignado porque a carga fiscal não diminui “apenas” se deslocou e é isso que o incomoda.
Como já disse este é um orçamento que poderia e deveria ir mais longe se libertado dos constrangimentos impostos pela presença de Portugal nesta União Europeia de voz única e em desagregação.
O que se exigia era um debate sério em torno das medidas mais significativas, com o contraditório a substituir o coro dos inquisidores destes tempos em que, parafraseando o poeta, o fogo arde sem se ver.
Por falar em poetas e escritores deixem-me assumir aqui que gostei que um poeta que escreve canções fosse nomeado para um prémio de prestígio, fugindo do coro dos que acham que um poema dito a cantar não merece entrar no palácio real da poesia.
E mesmo correndo o risco de ser denunciado por esta heresia, estou a gostar muito da ideia de que neste mundo em que todos sabem tudo sobre todos, incluindo a sua localização, a Academia Sueca não consiga dar uma palavrinha ao senhor Zimmerman.

Até para a semana

Eduardo Luciano