sexta-feira, 4 de maio de 2012

SUGESTÕES


DESTAQUES


ALANDROAL

MONTEMOR

OUTROS
2º Aniversário do Jornal 'E' - Sábado, dia 5 de Maio, 22 horas no Reguengo Bar, Estremoz - com Grupo Musical "Caravana"


O ANB EM TRANSITO EURO ALANDROALENSE


QUESTÃO do DIA  
Primeira questão. Lá porque é costume dizer-se que os portugueses têm uma grande capacidade de sofrimento e de resistência, vamos deixar que as coisas corram indefinidamente assim sem criar um conjunto de alternativas novas que estejam para além dos fracassos já conhecidos?
Por outras palavras:
(1) não acham que já é troika a mais e país a menos?
(2) concordam que a liderança de Pedro Passos Coelho a nível internacional é fraca e devia ser mais arrojada e afirmativa? Os outros países vão dar-nos alguma coisa?
(3) estamos a reconstruir o Estado mas a destruir a Nação?
(4) como é que em Portugal pode haver crescimento se estamos a perder todos os dias capital, trabalho, juventude e rendimentos?
(5) já imaginaram o que é não ter na nossa própria casa, nenhum mando e nenhuma soberania?
Depois de um passado histórico com derrotas, percebem o sarilho em que estão a meter-nos se não optarmos por pedir o perdão internacional (com a intervenção da União Europeia) de parte da divida?
Expliquem-me, se puderem, como é que os portugueses e os alandroalenses no meio disto tudo se vão safar?
QUESTÃO da SEMANA
Ideias e frases cuidadas que pomos aqui à apreciação em jeito de reflexão e de algum pré-aviso:
(a) Como é sabido, em local e parte nenhuma, a democracia se esgota ou começa e acaba apenas nas urnas de voto;
(b) O factor decisivo continua a estar na forma como quem exerce o poder governa o país ou a autarquia; é o que faz a diferença;
(c)  Já agora, lembramos a uma outra escala, que o domínio exercido pelos mercados não é mais do que um novo radicalismo sem rosto com uma marca evidente da pura ganância financeira através da prática directa de juros muito altos nos empréstimos. Antigamente isto tinha o nome de usura. E agora como é?
(d)     A esquerda não pode hesitar no combate directo à ideia fatal de que a Europa ou Portugal só é governável a partir de Berlim; é mais uma grande mentira à qual não devemos habituar-nos;
(e)  Historicamente é conhecido que, em Portugal, sempre houve e permanecem tendências de governação com forte inspiração germânica; desde Salazar até à actualidade;
(f)  Temos, por outro lado, a impressão que a Europa vai andar a votos mais cedo do que era previsível. Vejam o caso da Grécia, da França e da Holanda.
(g)    Portugal não vai ser a excepçãozinha que parece apesar desta maioria e deste ciclo de direita.
Neste contexto e dado que está a aproximar-se uma maré de eleições locais, pergunta-se, se o Alandroal tem no seu activo uma memória particularmente feliz dos seus dois últimos passados (e mandatos) recentes?
A vida cá é boa? É uma terra que está em boas condições para se reorientar e confiar no seu futuro? Consegue ter confiança nos acontecimentos que lhe vêm marcando a sua existência diária de forma positiva, alargada e participativa? O presidente é capaz e os vereadores incapazes e uns acomodados com fontes sem água e travessas às escuras?
O Alandroal sente-se satisfeito com tudo? E está inteiramente de acordo com a oratória e os discursos que lhe apresentam?
   Anb -  (4/5/2012)



DESPORTO PARA O FIM DE SEMANA


DESTAQUE
PROGRAMA V JUROMENHA RUGBY OLDIES FESTIVAL
DIA 4 DE MAIO
19h. Recepção no Hotel Convento de S.Paulo (www.hotelconventosaopaulo.com )
DIA 5 DE MAIO
12h. Torneio de Rugby de Veteranos
Novo Estádio Municipal de Alandroal
20h. Jantar comemorativo. Juromenha.
23h. Festa convívio " Aldrabar Juromenha Rugby Party "
DIA 6 DE MAIO
13h. Caldeta de peixe do Rio. Casas de Juromenha (www.casasdejuromenha.com)


FUTEBOL

TAÇA DISTRITO DE ÉVORA
Estremoz – Monte Trigo – 06 /05 – 16,30

Nacionais

3ª Divisão
Sesimbra – Aljustrelense
União – Redondense
Despertar – Lagoa

No Concelho do Alandroal
Juvenis : Rosário – Juventude – 05/05 – 16 horas
Benjamins : Terena – Juventude - - 5/05 – 10,30

JOGOS DO G.U.S.

INFORMAÇÃO A.F.E.



 RUGBY


Sub-8, Sub-10, Sub-12 e Sub-14 - Torneio Kiko Rosa 2012, em Lisboa, no Estádio do Restelo, com início pelas 11h.
 Sub-18 - 1/8 de final da Taça de Portugal, em Setúbal, com o Vitória F.C., com início pelas 12h.
 Seniores - Campeonato Nacional da I Divisão - apurados do 5º ao 8º lugar - em Setúbal, com o Vitória F.C., com início pelas 15h.


FUTSAL





Entrega das faixas de Campeão : Grupo União Sport – Vila Ruiva






OUTROS 


CRÓNICA DA RÁDIO DIANA/FM

http://www.dianafm.com




Sexta, 04 Maio 2012 09:35
D.E.O. é a sigla que designa Documento de Estratégia Orçamental. Este documento, aprovado em Conselho de Ministros extraordinário, seguiu na segunda-feira para Bruxelas. Não consegui apurar se se trata de, apenas, uma base técnica e provisória (porque visa emendar a mão pela circunstância de o PS não ter sido previamente envolvido na sua elaboração) ou se se trata, verdadeiramente, de um documento final, fundamental e já fechado. Seja como for, tenho para mim que espelha a visão e as previsões do Governo para os próximos quatro anos, em matéria orçamental.
O Documento de Estratégia Orçamental apresenta, pela primeira vez desde 1974, um exercício de planeamento da despesa pública a quatro anos. Já aqui defendi que o Orçamento do Estado deveria ser de base plurianual, sobretudo em tempos de dificuldades financeiras, configurem estas depressão, recessão, crise ou simples descontrolo orçamental. No entanto, julgo que o ideal seria dois anos e não quatro anos, já que, a meu ver, a partir de dois anos começamos a entrar no domínio da futurologia, pela simples razão de que algumas das variáveis determinantes não dependem de qualquer tipo de controlo nosso. Em todo o caso, o D.E.O. não é uma proposta de Orçamento de Estado e, portanto, ter o alcance de quatro anos é bom.
Mas, o que nos diz o D.E.O? Diz-nos, desde logo, que temos um Governo, afinal e surpreendentemente, optimista. Quando as previsões do Governo ultrapassam em toda a linha as melhores previsões da Troika, não podemos dizer que este Governo não está optimista. Concretamente, o que o Governo nos diz é que a economia portuguesa irá contrair 3% este ano, mas, já em 2013, crescerá 0,6% e em 2016 crescerá 2,8%. Notável. E onde é que o Governo apoia a sua convicção? No aumento das exportações que crescerão 3,4% este ano, disparando para um ritmo de crescimento anual de 6,9% em 2016. Ora, com mais exportações, haverá menos desequilíbrio externo e assim, de um deficit externo de cerca de 2,5% do PIB, Portugal passará em quatro anos para um superavit de cerca de 5% do PIB. Finalmente, o Governo também revela grande optimismo quanto ao deficit orçamental que passará de 4,5% do PIB este ano para 0,5% em 2015, tendo por consequência a descida da dívida pública para os 103,9% do PIB em 2016. No que diz respeito à despesa pública, ela cairá de 47,5% do PIB, em 2012, para 43%, em 2016.
Ora, com um D.E.O tão optimista, o que parece não estar a bater certo é não estar prevista qualquer diminuição da carga fiscal, com os riscos que isso comporta quanto à necessidade de dinamizar as empresas, mas também de estimular o consumo interno e, por esta via, a procura interna e, de novo, as empresas. Depois, o que também parece não bater certo é o facto de o Governo ter transmitido que a reposição quer dos subsídios de Natal e de férias, suspendidos, quer dos cortes salariais ocorridos, só será efectuada a partir de 2015 a um ritmo de 25% ao ano! Por conseguinte, ao contrário do que o PSD anunciara em campanha eleitoral - que não iria mexer nem nos subsídios de Natal nem nos subsídios de férias - vem agora também dizer, confirmando o lapso do Ministro da Finanças, que já não será o Governo de Passos Coelho a repor nem aqueles subsídios nem o cortes salariais. Como diz um amigo meu, se o Governo não tivesse tão boa imprensa, as manchetes de terça-feira passada teriam sido: “Passos Coelho afirma que não repõe subsídios nem cortes salariais”.
Se estou a ser pessimista e a achar que o PSD vai perder as eleições? Não, nada disso. Se o estivesse a fazer contradiria o Documento de Estratégia Orçamental. E eu acho que o D.E.O nos vai valer.
Lisboa, 3 de Maio de 2012.
Martim Borges de Freitas

BREVES DO ALENTEJO


O desemprego no Alentejo aumentou 14 por cento nos últimos sete anos.

Cerca de 40 mil visitantes visitaram a FIAP em Estremoz. 

IMPRENSA ALENTEJANA HOJE NAS BANCAS


quinta-feira, 3 de maio de 2012

O ANB EM TRANSITO EURO ALANDROALENSE


QUESTÃO do DIA  
Quem quiser iludir-se que se iluda. Mas a percepção mais comum que existe na  sociedade portuguesa, é a de que os Vampiros voltaram a exibir a avidez antiga e a exercer o livre arbítrio sob a forma de leis que mais lhes convêm. Claro que a democracia tem instrumentos que podem denunciar esta situação desde que estejam efectivamente em campo.
O mais importante será, porém, não deixar instalar a mediocridade, a resignação, a desesperança e o medo no todo social que somos. Portugal continua a valer a pena!
Se o país está bastante desfigurado o que parece afligir-nos ainda mais, é a manipulação desinformativa e o lixo de tanto luxo mentiroso e de tanta ganância anti-social.
Ou estamos enganados?
AnB – 03 maio 2012

CRÓNICA DE OPINIÃO DE HOJE TRANSMITIDA NA RÁDIO DIANA/FM


Eduardo Luciano



Quinta, 03 Maio 2012 09:13
Uma cadeia de supermercados decidiu este ano, à semelhança do que aconteceu noutros anos, ignorar um direito dos seus trabalhadores e impor a abertura das suas lojas e obrigando-os ao cumprimento do horário normal de trabalho.
Nestas situações, como também é habitual, aquela entidade patronal usa de todos os meios para garantir que os seus trabalhadores compareçam ao trabalho apesar de estarem abrangidos por um pré-aviso de greve.
Quando digo todos os meios, refiro-me a situações da mais básica coacção psicológica até à ameaça de despedimento ou de represálias diversas. Este tipo de pressão é normalmente exercida por trabalhadores que se encontram numa posição hierárquica superior, contra os seus colegas de trabalho. Nunca ninguém verá o “homem da cadeira” telefonar a uma operadora de caixa para lhe dizer “se não fores trabalhar no 1.º de Maio, no próximo mês tens menos horas de trabalho ou mudas para um serviço mais pesado”.
Para os que ingenuamente acreditam que esta coisa da luta de classes e das ideologias é coisa morta, este 1.º de Maio deveria ter sido esclarecedor. A importância que o capital dá às datas simbólicas para a luta dos trabalhadores é de tal ordem, que não hesitaram na afronta mais abjecta.
Abriram as portas e lançaram um apelo ao consumo através de uma campanha que garantia cinquenta porcento de desconto em compras superiores a cem euros.
O resultado foi uma corrida sem precedentes a essas lojas, com gente a comprar o que necessitava e não necessitava para usufruir do tal desconto, sendo o dia mediático marcado por imagens televisivas com supermercados cheios e consumidores a prestarem declarações reveladoras de um nível de alienação quase inacreditável.
Para os muitos que se manifestavam por esse país fora em luta por direitos ameaçados e contra esta ofensiva que remete o trabalho para o nível “competitivo” da escravatura, aquelas imagens deram azo a muitos e diversificados impropérios.
Percebo que assim seja. Não é fácil suportar a ideia de que os explorados não tenham consciência de que o são e que se deixem vender por um desconto, sem perceber que ao fazê-lo estão de facto a descontar num capital que deveria ser inalienável… a dignidade humana.
Também eu, perante as imagens de gente às compras com apertada vigilância policial, chamei tudo e mais alguma coisa aos que entupiram os supermercados num dia em que deveriam ter contribuído para entupir as ruas em jornadas de luta.
No entanto, insistir em bater na albarda para castigar o burro não me parece uma opção muito racional. Então não sabemos todos que o sistema garante, através de uma comunicação social engajada, os diversos tipos de ópio com que se alienam os explorados? Não é o que acontece quando uma massa imensa de gente que nada tem a ver com benefícios, privilégios ou propriedade vota alternadamente no PS ou no PSD para em seu nome exercerem o poder em prol dos que os ofendem e humilham.
Entendo a indignação inicial e até a vontade impulsiva de dizer “esta gente tem o que merece”, mas já não entendo que após esse momento não tenhamos a capacidade de perceber que será exactamente com essa gente que terá que ser construída outra sociedade onde a liberdade de comerciar não se sobreponha à Liberdade.
Ou isso, ou mandar fazer outra gente, numa qualquer olaria em S. Pedro do Corval, perfeitinha e já com as condições subjectivas incorporadas para deixar de estar de joelhos e afrontar o inimigo.
Baixar os braços? Achar que não vale pena lutar? Dizer que “a carneirada” seguirá sempre o seu rumo em direcção ao tosquiador (a empurrar um carrinho de compras)? Não me parece.
Dizem-me que estas coisas nos livros parecem mais fáceis. Devem ter lido os livros errados, ou então ficaram-se pelos resumos.
Este 1.º de Maio demonstra duas coisas: a primeira é que o medo de quem explora é tão grande que não hesita em utilizar artilharia pesada contra uma data simbólica que pretende desvalorizar; a segunda é que, quando mais se agudiza a luta mais os versos da canção do Zeca fazem sentido: A velha história ainda mal começa / Agora esta voltando ao que era dantes / Mas se há um camarada à tua espera / Não faltes ao encontro sê constante.
Resistência, resiliência e… constância. Porque a luta, essa vai continuar.
 Até para a semana
Eduardo Luciano

BREVES DO ALENTEJO



Alentejo quer Aeroporto de Beja como complemento à Portela

Decorre, entre os dias 5 e 13 de Maio, no pavilhão de exposições de Redondo, a XXV Feira do Livro.

IMPRENSA





A C.M.A. - ESCLARECE


                                                               Esclarecimento: 

Inauguração do Estádio Municipal 
A Câmara Municipal de Alandroal informa que, embora há uns meses atrás se tivesse ponderado a possibilidade de fazer coincidir a inauguração oficial do Estádio Municipal do Alandroal com a realização da V edição do "Juromenha Rugby Oldies Festival", tal hipótese foi há muito abandonada face às vicissitudes do avanço da obra, alheias à vontade do Município.Com base nesse pressuposto, o Clube de Rugby de Juromenha fez uma divulgação inicial da prova em que era referida a inauguração, facto que, pese embora todos os esforços do clube para corrigir esta situação, tem contribuído para alguma desinformação.
Assim, informamos que no próximo dia 5 de Maio o estádio irá receber o torneio de rugby como primeiro ensaio das condições do campo, já que estão reunidas as condições para a prática da modalidade.E, uma vez que se prevê a conclusão total da obra nos próximos dois meses, e será oportunamente anunciada a data da inauguração oficial. 
A Câmara Municipal congratula-se com a realização no Alandroal deste torneio, deseja ao Clube de Rugby de Juromenha sucesso para este evento e convida todos os munícipes a assistirem aos jogos.
Câmara Municipal de AlandroalGabinete de Imprensawww.cm-alandroal.pt www.facebook.com/cmalandroal

PÁGINA SEMANAL DEDICADA À TAUROMAQUIA



Sábado é dia do magazine tauromáquico "Arte e Emoção" na RTP. Aqui fica a sinopse do programa:
A Ganadaria Vaz Monteiro, a mais antiga de Portugal, será o tema central do programa. Em Madrid, estivemos com Florito, maioral de Las Ventas, que nos deu a conhecer o seu trabalho nos curros da mais importante praça de toiros do mundo.
Oportunidade ainda para falar com José Luís Cochicho, cavaleiro que comemora esta temporada, 25 anos de alternativa.
Estaremos também com o toureio a pé na Academia do Campo Pequeno em Lisboa e vai ser colocada a seguinte questão:
- Será que faz sentido chamar tourada ao espectáculo tauromáquico?

AFINAL O QUE PRETENDEU O "KING" DOCE?


ACHINCALHAR OS POBRES?
ACHINGALHAR O GOVERNO? (e mostrar que quem manda aqui são eles?)
DESVIAR AS ATENÇÕES PARA A COMEMORAÇÃO DO 1º DE MAIO?
DEMONSTRAR QUE NÃO PASSAMOS DE UM PAÍS DO TERCEIRO MUNDO?
DESAFIAR A A.S.A.E.?
Ou pura e simplesmente demonstrar que está ao lado dos pobres e que quer contribuir para minorizar a crise?
EU NÃO ACREDITO…
MAIS A MAIS VINDO DE QUEM VEM…QUE SEDIOU A SEDE NA HOLANDA PARA FUGIR AOS IMPOSTOS.
 FOI VERGONHOSO O QUE NOS MOSTROU A TV… E O QUE NOS É DADO VÊR NO YOU TUB



Chico Manuel

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MEMÓRIAS DO RUFINO CASA BLANCA


Remexendo em papeis antigos, vejam o que descobri. Coisas que o Rufino me enviou antes de bater as botas.
Chico Manuel

« O ENDOVÉLICO COMO MOTE »

Quando estes acontecimentos se deram já os tempos pertenciam à época que mais tarde se convencionou chamar de era cristã. Assim, a localização destas narrativas, que foram situadas junto ao santuário do deus Endovélico, é arbitrária, e deriva de ter que as situar em qualquer lado.

Conto Primeiro

« Quem faz um filho....

Ao ouvir cantar o chocalho do chibo velho, Gaditana começou a pôr a mesa, isto é, dispôs a gamela e as colheres de madeira, a corna das azeitonas e a pequena bilha da água sobre meio tronco de uma árvore, toscamente cortado, e suportado por quatro pés embutidos. O pequeno alpendre que servia de local para as refeições, era também a entrada para a única dependência da casa. Ainda debaixo do alpendre fervia, numa pequena panela de barro, sobre um braseiro faiscante, um cozido de cabrito com agriões, recentemente colhidos na ribeira que corria junto ao cabeço em que a casa se situava. A casa, de formato redondo, tinha paredes de lajes de xisto sobrepostas, argamassadas com cal e barro e tecto de junco disposto em várias camadas, suportado por  um grosso tronco de madeira, grosseiramente aparado.
Táutalo, companheiro de Gaditana, e assim chamado em homenagem a um chefe lusitano, regressava a casa, ao anoitecer, com o pequeno rebanho de caprinos que constituía todos os seus bens, fazendo-se anunciar pelo badalar do chocalho do chibo. Ao lado da casa ficavam os currais do gado e a choça em que guardavam algumas alfaias agrícolas, pouco mais que algumas foices, sachos e gadanhas. Este pequeno conjunto de construções, muito precárias, como se vê, situava-se num outeiro em frente de um antigo povoado, abandonado nas margens da ribeira, e que mais tarde, bastante mais tarde, viria a ser conhecido como “Castelo Velho”.
Após a ceia, o jovem casal estendeu algumas peles de cabra sobre um monte de folhas secas e tapou-se com uma pesada manta de curtidas peles a fim de iludir o frio que se fazia sentir, soprado pelo vento, vindo dos lados da serra d’Ossa.
Poderia este primeiro conto ficar por aqui. Mas não fica. Se ficasse, que papel teria o Endovélico nesta narrativa? É necessário, pois, acrescentar alguma coisa mais! Tratando-se de dois jovens, mal saídos da puberdade, em plena pujança da vida, que pelos critérios actuais nem dezoito anos teriam, a natureza, forçosamente, lhes pediria mais. Adoradores de Endovélico, cujo santuário se situava nas proximidades, acreditavam na fertilidade da vida, e tudo faziam para que essa fertilidade se concretizasse. Mal se deitaram, sentiram-se tomados por todos os desejos. Ela, deitada de costas, com as pernas afastadas, e o homem no meio delas. Olhos nos olhos. Sem palavras. Beijaram-se, se por acaso beijos, tal como os entendemos hoje, aconteciam nessa época. A Gaditana dobra as pernas para a penetração ser mais profunda e o gozo mais completo. O acto inteiro apenas demorou alguns momentos. Momentos de plena satisfação! Foi bom para ela e foi bom para ele. E também foi bom para a Humanidade! Contribuíu, para além de tudo o resto, para a continuidade da espécie. Várias luas depois foram agradecer a Endovélico o nascimento do seu primeiro filho. Um belo rapagão. Parido naquela mesma cama de folhas secas, sobre as macias peles de cabra.

O agradecimento ao deus Endovélico consubstanciou-se no sacrifício de um cabrito e na oferta de uma lápide. Talvez uma daquelas lápides que Leite de Vasconcelos levou para Lisboa cerca de dois mil anos  depois!
 FIM

Conto Segundo

« Quem tem um filho....

( Durante muitos séculos foi o deus Endovélico venerado por celtas, fenícios, cartagineses e romanos, na região que hoje denominamos por Alentejo. A narrativa que se segue, teve lugar aquando da permanência romana na península ibérica, numa época já muito próxima da ocupação religiosa da crença cristã. )
 Texto de lápide votiva encontrada nas ruínas da ermida de S. Miguel Arcanjo, na herdade da Mota:
 « ENDOVELLICO SACRVM MARCVS IVLIVS PROCVLVS ANIMO LIBENS VOTVM SOLVIT »
Tradução “ à maneira “ : Dom consagrado ao deus Endovélico. Marco Júlio Próculo de boa mente cumpriu o seu voto.
 Marco Júlio Próculo era um cidadão romano, nascido na península ibérica, que mantinha uma grande casa agrícola, junto à confluência da ribeira Sagrada com o rio Anas, num local hoje conhecido por Sítio das Águas Frias. Homem já com uma certa idade, tinha como desgosto maior o facto de não ter descendentes.  Último membro de uma nobre família romana, há quase dois séculos radicada na península, resistira a todas as mudanças políticas operadas na capital do império. Resistira a todas as intrigas dos nobres, seus pares, e conseguira manter intacto o prestígio, assim como a propriedade, herdada dos pais que, por sua vez, a tinham herdado dos antecessores. No ano anterior ao episódio que pretendemos narrar, deslocara-se a Roma, a fim de dar explicações à família da esposa, sobre as condições em que esta falecera, vítima de febres desconhecidas, de nada valendo todos os esforços que fizera para a curar das maleitas porque fora tomada.
Voltara casado de novo. Desta vez, com a irmã mais nova da anterior mulher. O nobre senador, pai das duas, convencera-o a desposar a cunhada, justificando essa atitude com a intenção de manter a família agregada. Os deuses se encarregariam de solucionar a vinda do herdeiro, vital para a manutenção do património familiar em boas mãos. A rapariga era uma mulher alta, de pele branca e sedosa, olhos amendoados e cabelos negros. Corpo elegante, a condizer. Já que a anterior mulher não lhe dera filhos, seria a vez da irmã mais nova tomar essa obrigação como encargo.
Tomou!
Assim que se instalou na “villae”, junto à foz da ribeira Sagrada, manteve debaixo de olho um jovem escravo que tratava das cavalariças. Era um rapaz de estatura meã, moreno de tez, barbudo, pernas arqueadas de tanto cavalgar, feito escravo durante uma das frequentes escaramuças entre romanos e lusitanos, estes, sempre indomáveis. Não muito asseado, reconhecia ela, habituada aos banhos romanos e perfumes exóticos, mas atraente, à sua maneira.
Entretanto, Marco Júlio Próculo, que tinha incluído o Endovélico entre os seus deuses, prometia grandes dádivas e sacrifícios na ara sagrada, se fosse beneficiado com a vinda de um filho.
E foi. Foi agraciado com a chegada de um filho, exactamente duzentos e setenta dias depois da sua mulher se ter rebolado com o escravo nos montes de palha da cavalariça.
E a lápide, quase dois milénios depois, aí está para o atestar.
 FIM

Rufino Casablanca
Monte do Meio
Maio de 1995

ATT – Alguns dados utilizados nestas narrativas, foram retirados de ensaios escritos pelo Padre Joaquim Rocha Espanca e pelo cientista Leite de Vasconcelos. R.C.
    




O ANB EM TRANSITO EURO ALANDROALENSE


Questão do Dia 
Indo directo ao assunto: a revolução do 25 de Abril valeu inteiramente a pena.
Foi o tal “dia inicial inteiro e limpo” sem o qual também não haveria o primeiro 1º de Maio cuja legalização, quase em cima da hora, só aconteceu após uma discussão brava entre a CGTP e A. Spinola.
Convém, aliás, ter presente a ideia firme de que as revoluções são e continuarão a ser sonhadas por visionários, realizadas por homens determinados mas quem delas mais se aproveita são os oportunistas de todas as espécies.
Assim tem sido. Houve uma sucessão de traições que, em Portugal, estão à vista. Tanto à esquerda como à direita, após o 25 de Abril foi-se à vidinha… Se bem que a vida não pare!

QUESTÃO a meio da SEMANA
 Um grau indispensável de politica em Portugal: o comportamento político desde os tempos iniciais da UEC (onde o conhecemos) de Miguel Portas, excepto talvez depois de ter morrido.
Comparem agora com o grau zero da política:
 “Objectos pessoais de Salazar em exposição”;
 “ A mudança forçada do discurso de Angela Merkl;
 “ O combate à corrupção…”
 E ainda conforme a g.i. do D. Notícias de 29/4 sobre o BPN:
  Luís Figo— 749 mil euros;
  Dias Loureiro—10 a 30 milhões de euros,
  Duarte Lima---6 milhões de euros,
  O Presidente da Republica e Filha lucraram 11,5 mil euros por mês com as acções da SLN. Em conjunto, somaram 356,9 mil euros. 
Mais exemplos e desmentidos para quê? Somos parvos? 
AnB - 02 Maio 2012



INFORMAÇÃO C.M.A.


Agenda Cultural Maio de 2012 Já está disponível a Agenda Cultural do Município de Alandroal para o mês de Maio, onde o destaque é o concerto do vencedor do programa Operação Triunfo, Jorge Roque, acompanhado pela banda Nefta. Pode consultar a Agenda Cultural, em qualquer momento, no site da Câmara Municipal de Alandroal, www.cm-alandroal.pt ou na página do facebook do município, em www.facebook.com/cmalandroal.

Câmara Municipal de Alandroal Gabinete de Imprensawww.cm-alandroal.pt www.facebook.com/cmalandroal

CRÓNICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA DIARIAMENTE NA RÁDIO DIANA/FM


Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/




Quarta, 02 Maio 2012 08:17
A comemoração do 38º aniversário do 25 de Abril de 1974 ficou marcada, no mediatismo destes dias, mais pelas ausências que pelas mensagens de quem esteve presente. Nesta data fundamental e estruturante da nossa história recente, uma associação de antigos militares e duas figuras políticas do regime, Mário Soares e Manuel Alegre, resolveram marcar a sua posição com a recusa na participação nas cerimónias oficiais. Apenas um direito que foi exercido, dir-me-ão…se bem que no caso de Soares, é de sublinhar que um ex-Presidente tem responsabilidades institucionais que deve cumprir.
Fazem-me um pouco de confusão estas posturas, até porque denotam uma certa arrogância e superioridade intelectual, passando a mensagem que eles sabem melhor que ninguém o que é ou deve ser uma democracia e assumem-se como autênticos donos do 25 de Abril. Enfim, as atitudes ficam com quem as toma.
Amuos e birras à parte, acho que faz sentido nestas ocasiões valorizarmos o trajecto percorrida a evolução a todos os níveis que Portugal verificou nas últimas 3 décadas.
Primeiro, sublinhar o que foi conseguido: a liberdade de expressão e os valores da democracia e da tolerância são, para mim, a essência de uma vida em sociedade, saudável e harmoniosa. De enaltecer, pois, os protagonistas que conseguiram, com o seu gesto e a sua coragem, derrubar um regime anacrónico e moribundo que há mais de 40 anos mantinha Portugal na obscuridade e no subdesenvolvimento. Os excessos revolucionários que, a dado momento, quase levaram a que seguíssemos de um regime ditatorial para outro, foram felizmente corrigidos pela vitória final da Democracia. E os razoáveis níveis de desenvolvimento e qualidade de vida (saúde, educação, acesso à cultura, poder de compra), são a herança mais visível, não obstante o sucedido na última década.
Muito há a fazer? Sim, promovendo o pleno exercício da cidadania e da participação cívica. Apesar da troika e da emergência financeira do curto prazo, a Educação, a Formação, a Competitividade continuam a ser, a meu ver, as variáveis estratégicas para Portugal.
Para concluir, nestes dias faz também sentido, como bem fez o Presidente da República, apelar à auto-estima e mostrarmos ao mundo qual é a verdadeira imagem de Portugal. Mostrar que somos um país credível e com potencialidades, com inúmeras competências positivas.
Enfim, algumas personalidades políticas de outros tempos têm todo o direito de não gostar da democracia representativa em que vivemos e da actual agenda governativa. Ficava-lhes bem alguma humildade e perceberem que o estado a que chegámos é responsabilidade de todos, também deles, que será pelo esforço de todos que sairemos daqui e que, numa sociedade plural, não há monopólios da verdade.
Carlos Sezões

PAUSA PARA DEGUSTAR


COLABORAÇÃO DR. ALEXANDRE LABOREIRO


A sociedade e o deficiente

«devemos atirar fora com certos maus hábitos de pensamento, de que somos mais ou menos culpados».
Presidente Eisenhower
(inDiscurso em Paris” - 1957)
É sem margem de dúvida que constatamos que a relação de um ser humano com os seus semelhantes é sempre complexa e multifacetada: só podendo ser bem compreendida se enquadrada na super-estrutura cultural e política do tempo a que se reporta. Aliás, Ortega e Gasset lembraria que o Homem é ele próprio e a sua circunstância.
Os tempos actuais  -  observa Gilles Lipovetsky  -  primam pelo efémero (o que hoje constitui valores superadulados, amanhã poderão ser subvertidos e abandonados)  -  salientando ainda Lipovetsky que presentemente a vida humana é marcada por um forte individualismo, pautado por uma aderência aos valores materiais (enquanto objecto de exibicionismo   -  sentindo-se o Homem, pela sua exibição, num lugar de afirmação e distinto do seu próximo: comportamentos caldeados pelo seu fraco interesse pelos bens culturais).
Face a esta contextualização, não nos admiramos que a sociedade apregoe valores de um pluralismo humanista, mas enveredando por um individualismo agressivo e pouco solidário  -  digerindo mal a diferença (ao ponto de  -  em certa medida  -  o deficiente, especialmente o deficiente profundo, ser objecto de preconceito: oscilando a atitude preconceituosa entre o “coitadinho” e a descriminação).
A ilustrar esta constatação, poderemos invocar a colectânea de “estórias” sobre a vida e a deficiência  -  contos escritos pelos pais de jovens inadaptados (“ajudando-nos a compreeender melhor esse mosaico de afectos e sensibilidades, preenchido de dificuldades quotidianas, dando-nos um filme do interior desse mundo onde se descobre simultâneamente o chumbo e a prata, que a muitos assusta ou é indiferente” -   como se pode ler no Prefácio).
Ora, esta antologia («Tiagolas»  -  com coordenação de Manuel Miranda) procura apelar à atenção da sociedade para com a deficiência, levantando as barreiras da indiferença social gélida que vem sendo uma constante: lembrando que qualquer uma destas personagens que desfilam por esta antologia, poderia ter andado ao colo de cada um de nós.
            É que infelizmente, ainda subsiste  -  longe de ser colmatado  -  este problema de Ética, de Cidadania, Solidariedade, Político e Humanitário no nosso país: numa Nação de cultura judaico-cristã, que está jogando mal com os princípios que presidem ao percurso de vida de Jesus (quanto a mim, o mais belo ícone da História da Humanidade). Temos de considerar que vamos esquecendo a máxima (perfeitamente cristã) proferida por Lenine num dos seus discursos: “De cada um segundo as suas capacidades, a cada qual em função das suas necessidades”
            Ora, esta falha de uma atitude cívica, que deveria conduzir o deficiente a viver os seus dias de  vida que lhe couberam, de uma forma mais agradável, suportável e humana (de uma dignidade como pessoa -  acentue-se) resulta do incumprimento cívico da sociedade civíl, e, por vezes do próprio Estado: se atendermos aos inúmeros exemplos relatados pela jornalista Bárbara Wong (in “A minha sala de aula é uma trincheira”), onde perpassam casos de professores vítimas de problemas oncológicos (e, logicamente incapazes para continuar a cumprir os seus deveres profissionais, e a quem foi negado o direito à aposentação pelas sucessivas juntas médicas  -  chegando alguns a falacer pouco tempo depois: obrigados a apresentar-se nas Escolas, sob ameaça de lhe cortarem o vencimento)  -  enumerando a jornalista o caso de um professor com um cancro na língua e uma professora com um problema de leucemia; não sendo impune (relatado igualmente pela autora do livro) o acto de incensibilidade de alguns alunos, com “chistes” de mau gosto, a uma docente obrigada a leccionar (pela junta médica) apesar de  -  sofrendo de cancro do cólon  -  ter de recorrer a um saco colector: aumentando-lhe o sofrimento.
            Francesco Alberoni diz-nos (in “O Altruísmo e a Moral”): “Se faltar a espontaneidade do impulso do amor, a moral é ainda possível, porque existe o dever. O dever entra, por assim dizer, no vazio deixado pelo amor. Se eu não posso amar o meu próximo, posso da mesma maneira impôr a mim próprio fazer-lhe bem, agir a seu favor, ser imparcial em relação a ele”. Assim, com a nossa consciência iluminada pelo Amor, ou pela Ética, proporcionemos ao deficiente a dignidade que, como pessoa, é inerente a ele  -  enquanto participado pela condição de Ser Humano que sofre. Tal como na máxima de S. João de Deus (in “Segunda Carta à Duquesa de Sesa”): “Querer para o próximo aquilo que quereríamos que nos fizessem a nós; desejar que todos se salvem, e amar e servir a Jesus Cristo, por Ele e não por temor do Inferno”. E se, inclusivamente, se juntasse aos sócios de uma Instituição protectora do Deficiente, que devotadamente se dedica a alcandurar o inadaptado à dignidade de Pessoa? Constituiria um acto de Ética Social, participado de Humanismo Cristão  -  e de Boa-Vontade cívica.
José Alexandre Laboreiro 



DIVULGAÇÃO - CASA DE BRAGANÇA


Temporada de Concertos 2012
 27 de ABRIL              concerto     Patrizia Giliberti, piano  Rafael Reis, órgão 1400€*                                                                                                                       
 25 de MAIO                  concerto     Adrian Florescu, violino   ….harpa 1400€  **                 
 29 de JUNHO               concerto     Quarteto Odeon                     1400€
 27 de JULHO                concerto     Quarteto Odeon                      1400€
 31 de AGOSTO            concerto     João Bon de Sousa                            1000€
 28 de SETEMBRO       concerto     Capela Portuguesa                           1400€
 26 de OUTUBRO         concerto      Patrizia Giliberti, piano Rafael Reis, órgão 1400€*                                                                                                          
 14 de DEZEMBRO       concerto de Natal:  Quantz Consort                   1400€

                                                      TOTAL
 Executantes      10 800€       
 Divulgação  (1500 folhetos, 20 posters)    1 679.€ + IVA
 Afinação do órgão e do piano      1 500€
  TOTAL       13 979€
 * inclui ensaios abertos, durante  período de abertura do museu ao público, no dia do recital e na sexta-feira da semana anterior.
 ** inclui despesas de deslocação de instrumentos

 Visitas temáticas 2012
 MAIO, 26                  -  A Embaixada Japonesa Tenshö na corte de D. Teodósio II,em 1584  11h00                          
                                    Tiago Salgueiro, técnico superior do MBCB
 JUNHO,  23               -  Reconstruindo o Paço de D. Teodósio I 11h00 às 17h00          Membros do projecto De todas as partes do mundo: Inventário de D. Teodósio I: Nuno Senos, Ana Lopes, Ana Isabel Buescu, Maria João Ferreira, Nuno Vassalo e Silva
  17h00 -   Concerto na Igreja dos Agostinhos - Cante alentejano pelos ranchos corais de Évora, Moura e Aldeia Nova de S Bento
JULHO, 28 -  D. Manuel II no Paço Ducal de Vila Viçosa  - 11h00   Maria de Jesus Monge, directora do MBCB
SETEMBRO, 29  -  Mobiliário de assento - 11h00  Manuel Antunes, técnico superior da Câmara Municipal do Porto
OUTUBRO, 27          -  As fortificações quinhentistas de Vila Viçosa: A Cerca Nova. - 11h00                        
 Tiago Salgueiro, técnico superior do MBCB


BREVES DO ALENTEJO




Baixo Alentejo de novo ausente do percurso da Volta a Portugal em bicicleta.

Romaria à Senhora de Aires levou milhares a Viana do Alentejo.

Ovibeja 2012 chegou ao final com balanço extremamente positivo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O BORDA D´ÁGUA NO MUNDO RURAL (Crónica mensal do Tói da Dadinha)


« MAIO PARDO E VENTOSO, TRAZ UM ANO FORMOSO »

- AGRICULTURA
 Lavre á volta das matas e limpe o melhor possível para evitar incêndios. Tratar e regar os batatais. Iniciar a transplantação do arroz. Semear girassol e soja. Enxertar damasqueiros, amendoeiras, cidreiras e laranjeiras.

- HORTA
 No Crescente (dia 28), em local definitivo, semear e plantar abóboras, agrião, alface, beterraba, brócolos, cenoura, couves, espinafre, feijão, melancia, melão, nabo, pepino, pimentos, rabanete, repolho, etc. Colher alcachofras, espargos, ervilha, fava, cebola verde; plantar tomate e tratar o já plantado com caldas cúpricas; os batatais devem ser regados e tratados com caldas.

- JARDIM
 Semear cravos, manjericos, trepadeiras e plantas anuais. Colher flores para semente.

- ANIMAIS
 No Crescente (dia 28), deve-se castrar o gado, tosquiar as ovelhas; procria de cagras e coelhos.

Bons êxitos, afectuosas saudações rurais e que VIVA O 1º DE MAIO dia do Trabalhador.
 Tói da Dadinha

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA/FM



Terça, 01 Maio 2012 09:57
Hoje 1º de Maio, Dia do Trabalhador, falo-vos da minha relação com os sindicatos, estruturas que respeito mais pelo seu valor histórico do que por aquilo em que se foram tornando nos anos mais recentes. Faço-o com algum conhecimento de causa, não só porque o meu pai, que morreu cedo e por isso a trabalhar, era advogado em sindicatos ligados a uma central sindical – a UGT, e por isso por vezes chegavam à minha vida relatos de situações laborais que me confrontavam com a injustiça, como eu própria fui dirigente sindical de um sindicato afeto à Fenprof, aqui defendendo ativamente os direitos da classe profissional a que pertenço. E desta minha experiência, com o que sobre ela elaboro hoje a minha opinião, posso-vos dizer que quando deparei um pouco ao acaso com um provérbio sobre o mês que começa achei logo que estava tudo ligado. Diz o provérbio que «Maio é o mês em que canta o cuco» e já vos digo onde encontrei eu a ligação.
Das histórias que ouvi contar ao meu pai, a que mais me tocou não dizia respeito à relação laborar patrão-operário, muito embora as situações pouco sãs destas fossem também recorrentes. Recordo-me do drama vivido por um trabalhador da indústria têxtil a quem os colegas de trabalho martirizavam num bullying constante, escondendo-lhe peças de tecido na sua mala para que fosse acusado de roubo. E eu, com a cabeça cheia dos dramas narrados pelo escritor francês Émile Zola que transportava para a literatura a miséria da era industrial do século XIX, imaginava o dia-a-dia atormentado daquele trabalhador a quem o sindicato parecia ser o único a dar ouvidos. Aquilo era o meu caso real, mais próximo, do que falavam os filmes sobre as lutas de Chicago, cidade onde em 1886 se reuniram milhares de pessoas no primeiro 1º de Maio do Mundo, numa manifestação que tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, tendo início, também nesse mesmo dia, uma greve geral nos EUA.
Quando entrei como assistente-estagiária para o mundo laboral fiz-me então sócia de um sindicato, onde fui até muito ativa, chocada com o que, sendo considerada uma carreira de elite dentro da carreira docente, considerava-a (e considero) uma carreira precária, já que a entrada num quadro estável apenas se faz praticamente no final, depois de provas académicas e científicas ultrapassadas, e dependendo de vagas que podem nunca vir a abrir. Confesso que, face a outras precariedades e, sobretudo, face à inércia que se cola a muitos que conquistam cedo a estabilidade, ultrapassei a questão, que fui deixando mais abaixo nos rankings das minhas preocupações com a vida. Mas dessa passagem pela vida ativa de um sindicato várias coisas me foram desiludindo: a profissionalização de sindicalistas que se afastavam a olhos vistos da realidade da classe dos professores; o peso administrativo dentro do sindicato, que muitas vezes era resultado daqueles se tornarem quase sucursais de seguradoras com diferentes serviços de mutualismo e benesses sociais; bem como o conforto em que facilmente se instalavam quando mesmo não concordando, por exemplo, com muitos aspetos da formação contínua, rapidamente se transformaram eles próprios em centros desse tipo de formação. Claro que só a distância no tempo me dá agora esta perspetiva mais crítica e poder-me-ão sempre acusar de naquela altura ter sabido aproveitar a situação, mas a verdade é que envelhecer tem também esta particularidade de irmos ganhando mais consciência de algumas coisas da vida.
Para terminar, devo dizer-vos que quando assisto desde há uma década pouco mais ou menos, aos discursos quase a roçar o extorsionário de certos sindicalistas, estes me fazem lembrar a história do cuco; não pelo que este faz com as crias, pois em vez de construir ninho, deposita os seus ovos nos ninhos de outras aves que ficam com a tarefa de cuidar do jovem cuco até este ser independente, mas porque parecem sempre desejar ser esta espécie de hospedeiros que se apressam a ficar com os ovos dos outros, que atraem para o seu ninho, para poderem prolongar esse choco e dele receberem não só o seu sustento, mas os louros de por eles fazerem tudo. Não serão todos assim, não, mas que os há, há e é importante que, conscientes destes riscos, para mim são-no, quem continue a acreditar na necessidade de representar grupos profissionais e defender os seus direitos, num trabalho político e cívico inquestionável e importante, deva continuar ou começar a fazê-lo de forma a que essas estruturas não caiam num autismo que muitas vezes impede a solução equilibrada e moderada, em que o ótimo se torne inimigo do bom e onde o desejável não impeça o possível. E é por isso que o diálogo e a concertação social em torno das questões laborais devem continuar sendo isso mesmo: diálogo e concertação. Bom 1º de Maio a todos os que foram, são e procuram ser trabalhadores, estes infelizmente em tão grande número nos dias que correm.
 
Até para a semana.
Cláudia Sousa Pereira

1º DE MAIO 2012 - DIA DO TRABALHADOR

LONGE VÃO OS TEMPOS...