terça-feira, 27 de março de 2012

A CIDADE DO ENDOVÉLICO .- (Por João Cardoso Justa)

Nota do administrador:
Figura sobejamente reconhecida no Alandroal João Cardoso Justa (J.C.) desde há muito se vem distinguido no panorama das artes e cultura.
Já por mais de uma vez aqui no Al Tejo foram divulgadas obras suas no capítulo da pintura, e foi com agrado que verificámos que muitas dos seus quadros têm sido objecto de exposições não só nacionais como internacionais.
J.C. surpreende-nos agora com uma incursão pelo mundo da história e geografia de há muitos séculos, com uma obra devidamente fundamentada na qual defende a tese de que   a mítica Cidade Céltica de Lacóbriga, com 2370  anos de idade, foi berço do Alandroal e está sob os nossos campos abraçada ao Templo Endovélico, que, (também defende JC) terá uma localização diferente daquela que os arqueólogos indicam.  

É sem duvida um trabalho de pesquisa digno de louvar, e que a comprovar-se muito dignifica o Autor mas muito mais contribui para a história do Alandroal.

J.C. teve a amabilidade de escolher o Al Tejo para divulgar a sua obra, enviando-nos parte do que pretende vir a ser uma publicação futura.
É apenas um resumo.

Temos plena consciência que o assunto ventilado não é acessível a qualquer um, mas muitos haverá que tal não lhes passe despercebido. Por isso mesmo, e dado que vai ser durante vários dias objecto de “postagem seguidas” aconselhamos os nossos leitores a guardarem o que a tal diz respeito, aguardando a publicação final.
Por fim: Um muito obrigado ao João Cardoso pelo reconhecimento demonstrado para com o “amigo Chico” mas também pelo Al Tejo.
Chico Manuel

                                A CIDADE DO ENDOVÉLICO

Nota introdutória:

Esta publicação, breve síntese de outra, mais abrangente e detalhada que penso editar oportunamente, não tem a pretensão de ser considerada um documento histórico apesar do extremo rigor (documentado) de tudo o que nela é referido. Não segue essa metodologia, não é escrita por alguém com formação em História, nem é preferencialmente dirigida ao “mundo académico.

Se as breves palavras que “rascunhei” há anos, numa tarde solarenga que inundava de morno silêncio a sala de leitura da Torre do Tombo, não tivessem resistido, teimosamente vincadas, numa das minhas caóticas sebentas, a determinação em realizar esta pesquisa histórica de que aqui vos pretendo revelar os resultados, ficaria por certo, como ficam tantas ideias da nossa vida, primeiro, adiadas para tempo incerto, e depois, esquecidas para sempre. Mas, tantos foram os olhares indiferentes, sobranceiros, senão desdenhosos, que em meu redor se multiplicaram quando, entre “a sacra e muy nobre” elite dos meios académicos, me atrevi a balbuciar a informação sintetizada nesse rascunho que, o medo ao ridículo, perante a minha própria inteligência e sobretudo a alheia, a foi remetendo aos poucos para os dúbios níveis do imaginário e do fantasioso. Contudo, em Setembro de 2011, após assistir a uma conferência sobre o Deus Celta Endovélico e da sua localização representativa no Templo (ainda não determinado arqueologicamente) no famoso outeiro de S. Miguel da Mota, o sentido codificado nas letras que traçara de atravesso no meu velho caderno entre o religioso ambiente da Torre do Tombo, reacendeu-se, vivo e incómodo, como nunca.

Efectivamente, (essa a ideia que eu tentava transmitir há muito) não era expectável que em redor de um Templo, com a carga mística contida no culto do Deus a que toda a Ibéria peregrinava, e a grandiosidade física que dos seus inúmeros vestígios podemos inferir, não existisse uma urbe de apoio logístico ao funcionamento de tal complexo e à guarida dos inúmeros devotos que ali se deslocavam (ainda não tinha lido Emil Hubner (1834-1901), que o afirma textualmente). Portanto, apenas duas elementares hipóteses se entrecruzavam em mim enquanto fui olhando os bicos dos sapatos pelo caminho até casa.
1ª - Que está por localizar uma cidade de dimensões consideráveis nas proximidades de S. Miguel da Mota.
2ª – Embora mais remota – Que o Templo do Deus Endovélico não se situava naquele ermo isolado, onde a decrépita ermida, de data incerta e construtor desconhecido, pretende simbolizar a cristianização do ancestral culto pagão.
Ora, era em pleno âmago da 1ª hipótese, que os meus velhos apontamentos, renascidos, incandesciam. E lá estavam, prova viva, entre desenhos e escritos vários, desencarnados de qualquer sonho ou fantasia, esperando que renovado olhar os relesse - «… os historiadores portugueses têm sucessivamente esquecido a existência de uma outra Lacobriga, transtagana (alentejana), céltica, mencionada por Ptolemeu, cap. V, tábua II, da sua Geografia, situada a oriente de Lisboa. Possível localização – Entre a ribeira do Lucifecit e a ribeira de Pardais????... » (ipsis litteris). Eis portanto, nesta última frase das minhas notas recolhidas no mausoléu dos pergaminhos, o motivo que, em vão, me acicatou a “incomodar”o mundo académico para a eventualidade desta descoberta. Aquele pequeno palmo de mundo, entre as ribeiras meridionais da Serra D`Ossa que serpenteiam até ao Guadiana, era o campo, a terra e as árvores e os matos e as ervas, onde nasci e cresci, era o passado da minha região, das “minhas gentes”, que estava em causa. E esse registo de quem fomos, no Alentejo, em Portugal, ou em qualquer outra parte deste planeta, deve ser exposto com absoluta verdade às gerações presentes, para que, desde as passadas, possam traçar a trajetória desta miraculosa raça humana, e, da sua leitura, retirarem o que a idoneidade de cada um achar por bem.

Nessa mesma tarde desafiei-me na realização de uma pesquisa própria, e, é para essa “viagem” regressiva pelo tempo que os convido, até à Antiguidade, até centenas de anos antes do início da era cristã, e aí, entre florestas habitadas por animais selvagens e ribeiros abundantes que se entrelaçavam num majestoso Guadiana (então denominado Anas), determinar a localização, exacta, desta surpreendente cidade que abraçava o Templo do Deus supremo dos Celtas, e que depois, ganhou a veneração de invasores cartagineses e romanos.

Deixei crescer barba e bigode cientista, empinei no nariz os meus óculos mais intelectuais, e assim, vestido com a pele de erudito sobre a essência ignorante (coisa nunca vista), encerrei-me três meses entre pergaminhos, papéis seculares, e microfilmes, na Biblioteca Nacional de Lisboa.

Qual o significado de Lacóbriga? Que particularidades comungavam esses aglomerados populacionais para que os historiadores assinalassem a existência de cidades homónimas no território hoje designado Portugal? – Estas eram, sem dúvida, as interrogações prioritárias de onde urgia partir.

Etimologia de Lacobriga ou Lacobrica

Escreve o erudito P. Henrique Florez, na sua España Sagrada: «Lacobriga - es nombre antiguo de los españoles primitivos, segun muestra la voz “briga”, frequentíssima en lugares antiguos, que significa vila ó poblacion : y en vista de que la misma voz suele entrar a composicion com términos latinos, como Augustobrica, Caesarobrica, etc. podemos reconocer en Lacobriga la etymologia de Lacus y briga; de suerte que por algun lago vecino recibiese el nombre…»
Mais específico ainda, Leite de Vasconcelos «… o nome “briga” significa “altura”, “castelo”, e provém do termo “brig” que se encontra no irlandês arcaico “bri”- montanha, e noutras línguas célticas. O nominativo irlandês “bri” perdeu a gutural, mas esta encontra-se ainda no genitivo “breg” < “brigos”.»
Podemos pois, desta conjugação etimológica, “Lacus (latina – lago ou lagoa) + “briga”, inferir como significado abrangente de Lacobriga, um núcleo populacional amuralhado, situado numa elevação, com a particularidade de estar próximo, ou, inclusivamente, rodeado por um lago. Simplificando, “Cidade do Castelo do Lago” (ou lagoa) (o P. Florez chama-lhe apenas villa ou Cidade da Lagoa).

Conhecendo de forma genérica o que procurávamos, a razão aconselhava o estudo das duas Lacóbrigas identificadas pelos historiadores. Uma, que seria a norte (na margem esquerda do Douro, diz Plínio (Liv. 3), assinalada no Itinerário de Antonino Pio (Imperador romano, 86 d. C. – 161) no trajecto de Lisboa a Braga (como Lancobriga), de que não nos ocuparemos por motivos que durante esta narrativa serão fáceis de entender (e também porque dela pouco ou nada reza a História, duvidando-se mesmo que possuísse dimensões de cidade), e a outra, essa sim, fundamental e determinante neste estudo, a Lacobriga que os cientistas históricos demarcaram no Algarve e de quem a cidade de Lagos usufrui, (usurpa, como veremos) há séculos, Passado e Fama. Analisemos então como se procedeu à identificação no sotavento algarvio, entre os Cónios (ver fig. 1), dessa mítica urbe que Ptolemeu indica a oriente de Lisboa e à cabeça das cidades Célticas.

Dos Autores Antigos, gregos e romanos, no que se refere à descrição do Sul da área geográfica que o Império Romano designará depois por Lusitânia, diferenciando-a da Bética pelo rio Guadiana (então, por todos referido como o rio Anas), as sub-regiões por eles demarcadas chegam-nos substantivadas pelo termo “Promontorium”. Deste termo latino, das suas diferentes traduções, interpretações, corrupções linguísticas, e respectivas demarcações no terreno, criou-se uma tal miscelânea (desde Avieno, Artimidoro, Estrabão, Plínio, Varrão, Agripa, Ptolemeu, Estácio de Veja, André de Resende, etc. (e este “etc.” inclui centenas que a este assunto se têm dedicado, até aos contemporâneos Jorge de Alarcão e Amílcar Guerra), que, se os “promontorium” fossem placas tectónicas nas mãos destes cientistas, viveríamos há milhares de anos sobre terramotos colossais, tantas são as voltas em que estas regiões colidiram, estrondosamente, nos seus textos. A vocês, meus companheiros de viagem, não os vou arrastar para este interminável “cataclismo” de onde saí com todos os neurónios retorcidos, não é esse o objectivo da nossa investigação, contudo, tenho que referir o “Promontorium Sacro”, traduzido por Promontório Sagrado, pois é neste que os Autores Antigos situaram Lacobriga (“in Sacro, Portus Hanibalis e Lacobriga” – Geografia de Ptolemeu).

É pois, (situemo-nos no sec. XVI) transportando sob o hábito de frade dominicano (que a Inquisição tornará particularmente popular) uma panóplia de “promontorium” e muitas outras informações que recolheu por toda a Europa, que o eborense André de Resende, pioneiro dos nossos arqueólogos, e padrinho de muitas localidades por inspiração própria (Vila Viçosa, por exemplo, para quem ele inventou o nome de Calipolis, e os habitantes desta localidade intitulam-se, há quinhentos anos, de calipolenses, sem que para isso haja qualquer raiz histórica), ávido de riscar no terreno as cidades e os lugares escritos nos seus papéis, qual divino Baptista - «Atravessemos agora o Guadiana e exponhamos aos estudiosos da Antiguidade as cidades da Lusitânia sobre as quais se julgará sem margem de dúvida ou pelo menos por conjectura provável.» - são palavras suas nas Antiguidades da Lusitânia (Adapt. de Raúl Fernandes). E conjecturou tão bem que, alegando uma lenda que os fantasiosos seguidores da “escola alcobacense” enfatizaram dos Autores Antigos, e segundo a qual terá existido um templo a Hércules na ponta de Sagres (Artimidoro foi o único a estar lá em presença e nega peremptoriamente qualquer vestígio desse Templo. Leite de Vasconcelos apenas lá encontrou uma lenda, e bem mais humilde, umas pedras que se moviam, à noite…), e assim, de nada mais que a brisa atlântica, o cabo de S. Vicente absorveu por séculos a designação de Promontório Sagrado, e a cidade céltica de Lacobriga, que André de Resende sabia estar indicada nas Tábuas de Ptolemeu a oriente de Olysipo (Lisboa), ficou a banhos até hoje no Algarve (então país dos Cónios), e as gentes nativas na área da sua verdadeira localização, os netos desses celtas, os descendentes dos lacobricenses que, assim o veremos durante este estudo, foram dos povos mais interventivos na nossa Antiguidade, ficaram privados da sua história com mais de 2.300 anos.

Parece incrível (para quem não acompanha de perto estes malabarismos interpretativos da História) que, em pleno sec. XXI, depois de milhares de supostas pesquisas, de milhares ou milhões de textos supostamente técnicos, mas afinal, apenas compostos por ideias emaranhadas em refinada linguística histórica, possam persistir mistificações do passado com esta dimensão, mas na realidade assim é, e aqui o demonstrarei de forma a não subsistirem quaisquer dúvidas. Em Lagos, ou nas suas proximidades, não existiu qualquer Lacobriga, e acrescento mais, em todo o Algarve não floresceu qualquer urbe pré-romana com as dimensões necessárias para se lhe atribuir a designação de cidade (Ossonoba não pode ser Faro, e que Balsa seja Tavira é muito duvidoso). Parta-se da listagem dos achados arqueológicos publicada por Carlos Fabião no seu estudo sobre o “guarum”(que é bem mais tardio), investigue-se, e medite-se no que essa zona, encerrada entre o mar e as serras, teria para comercializar com fenícios ou cartagineses.
O que resta agora do objetivo inicial da nossa investigação, da procura da Lacóbriga celta, que, julgando-a perdida na memória dos tempos, na esperança que algum moribundo vestígio seu nos surgisse entre a intricada escrita da Antiguidade, nos queimou olhos e cérebro na descodificação de dezenas de livros? A cidade de Lagos, e a convicção que os habitantes dessa localidade algarvia, eles próprios, embora de distinta forma, vítimas também desta falta de rigor científico, portanto involuntariamente, usurpam o passado dos povos que mais lutaram, morreram em chacinas várias, e (é grande a possibilidade atendendo a situações semelhantes com povo celta), se ofereceram e aos seus filhos em sacrifícios de sangue para manterem vivos os Deuses e as áureas sagradas em torno das tumbas dos seus mortos.





(Prossegue amanhã)

SEM MAIS...NEM MENOS!

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM


 A leitura, como a comida, não alimenta senão digerida
Cláudia Sousa Pereira

Terça, 27 Março 2012 09:35
No outro dia foi dia da poesia e não tarda nada será o do livro, momentos em que se multiplicam sessões de leitura pública promovidas por diversas iniciativas. Ao contrário do que muitos ainda dizem, eu cá acho que nunca se leu tanto como hoje em dia. Não são livros, nem será literatura, o suporte e a matéria dos leitores de hoje. Mas é leitura… em quantidade.
O desenvolvimento da visualidade, por oposição ou complemento da velhinha oralidade, tem-nos tornado mais disponíveis para ler o texto escrito, para além do texto icónico ou da imagem não-verbal. Lemos mais em silêncio, por oposição à leitura sussurrada que indicava inexperiência no ato de ler. O processo de descodificação do que está escrito, isto é, de entendermos o que diz efetivamente o texto que se lê, às vezes exige que o leiamos com o som da voz, para além do gesto do olhar ou dos dedos que percorrem o impresso. E isso é ainda mais urgente quando se lê poesia.
Fruto da democracia, ler é, então agora, um ato quase natural, e longe vão os tempos em que encontrávamos gente mais idosa no supermercado a pedir que lhes lêssemos esta ou aquela informação do rótulo de um produto. Esta democratização do acesso ao texto escrito permite-nos, para além de comunicarmos à distância e no tempo, que é no fundo uma das principais razões de ser da escrita, permite-nos a todos e todas ter também mais acesso à informação, mas também à contra ou desinformação. Tantas vezes lemos uma coisa e o seu contrário, quando factos são interpretados e expressos por opinião que os interpretam como se de textos literários se tratassem e, por isso, com significados plurais que encontram e desencontram sensações e emoções. E é muito curioso como vistas assim as coisas, e sobretudo de factos políticos, se fazem “leituras”, sendo que leitura passou então a ser sinónimo de opinião. E é por isso que o provérbio que diz que «A leitura, como a comida, não alimenta senão digerida» me parece de uma sabedoria inigualável.
É que a leitura, mesmo leitura, passou então a tornar-se um ato tão corrente e banal que nalguns momentos se assemelha, e pegando na mesma área de comparação, à fast food. Não é que de vez em quando não tenha de ser, mas lá que não é grande alimentação para o espírito lermos sem pensarmos, nem que seja um pouco, sobre o que lemos ou sobre a maneira como nos dão a ler determinado facto, não é. Ler mesmo é tentar ler também nas entrelinhas, é estar atento a cada substantivo, adjetivo e verbo e o lugar que cada um destes ocupa numa frase ou num parágrafo, e a banalização de encararmos o que lemos sem questões faz muitas vezes com que percamos o sentido da crítica e de sermos, de facto, bons leitores com oportunidade de formarmos uma opinião.
Às vezes as crianças, com aquele olhar inaugural sobre o mundo que alguns poetas também têm, questionam-nos sobre o sentido do que dizemos ou lemos de forma desarmante, o que nos leva a procurar, lá está, um sentido mais preciso do que é dito ou escrito. Há, pois, que não perder (quando vale a pena perder tempo com assunto por que nos interesse, claro!) a capacidade de nos interrogarmos melhor sobre os sentidos que a linguagem verbal, oral ou escrita tanto faz, nos permite ter.
Olharmos um texto com olhos de ver é lê-lo com atenção, e isso ajudar-nos-á olhar o mundo nele refletido também dessa maneira e entendê-lo melhor, ver-lhe os detalhes e vivê-lo melhor. E é por isso que, para mim, esta leitura, tantas vezes feita de conversa em torno do que se lê, é tão importante.
Até para a semana.
Cláudia Sousa Pereita

CÁ NO ALENTEJO

Assunção Cristas está hoje no Alentejo, onde vão ser assinados já alguns dos contratos apoiados pelo 6º concurso do Proder (Programa de Desenvolvimento Regional), num investimento total de 411 milhões de euros para 667 projectos agrícolas.

Candidatura do cante alentejano a património mundial da Unesco adiada.

O Festival Terras Sem Sombra regressa ao Alentejo para voltar a proporcionar concerto de música sacra.

Já começaram as obras de requalificação da estrada que dá acesso ao centro da vila de Juromenha e à barragem de Alqueva, num investimento da Câmara de Alandroal superior a 145 mil euros.

segunda-feira, 26 de março de 2012

DESTAQUE

Alandroal: Alunos da Escola Popular Túlio Espanca Preparam Comemorações do Dia Mundial do Teatro

É já no próximo dia 27 de Março que se comemora o Dia Mundial do Teatro e, para assinalar a data, os alunos do Pólo de Alandroal da Escola Popular Túlio Espanca, estão a ultimar os preparativos para a apresentação de uma peça de teatro especial, onde o público serão os idosos institucionalizados nas valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário existentes no concelho de Alandroal. O auditório do Fórum Cultural e Transfronteiriço de Alandroal será o palco para esta iniciativa, que vai acontecer no dia 27 de Março, pelas 15:30 horas.
Organizada em conjunto pelas entidades executoras do programa Contratos Locais de Desenvolvimento Social, com o apoio do Município de Alandroal, a iniciativa pretende assinalar o Dia Mundial do Teatro, por um lado, e possibilitar um dia diferente aos idosos institucionalizados, por outro lado. A iniciativa é aberta à população e todos podem assistir a este espectáculo, que associa as comemorações do Dia Mundial do Teatro com preocupações sociais.
Refira-se que o Teatro nasceu em Atenas, associado ao culto de Dionísio, deus do vinho e das festividades. As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre, construídos para o efeito. Em 1961, a Unesco institui o dia 27 de Março como o Dia Mundial do Teatro, data que ainda hoje se comemora.
Venha fazer parte da História do Teatro, participando nesta iniciativa que os alunos do Pólo de Alandroal da Escola Popular Túlio Espanca prepararam para si, em colaboração com a Câmara Municipal e as entidades executoras do programa CLDS.
Fonte: http://www.jornalecos.com.pt/

INFORMAÇÃO C.M.A..

 Município Está a Requalificar Acesso a Juromenha e ao Alqueva


Com a montagem do estaleiro, tiveram início na passada semana as obras de requalificação do troço de ligação entre a ER 373 (Alandroal – Elvas) e o centro da vila de Juromenha, e entre este e a água de Alqueva.Numa extensão total de 735 metros, esta requalificação vem facilitar o acesso público à água e às “Casas de Juromenha”, novo empreendimento turístico que nasceu naquele local e que abriu ao público recentemente.Num investimento total de 145.958,79 euros mais IVA e um prazo de execução de 120 dias, esta é uma obra muito importante para a valorização da vila do concelho do Alandroal que mais intimamente está ligada ao Guadiana e à Albufeira de Alqueva.O município de Alandroal vai concluir em simultâneo as obras de requalificação da envolvente ao cemitério, no extremo oposto da vila, e está a planear futuros investimentos na requalificação dos arruamentos da vila de Juromenha.
Gabinete e Imprensa C. M. A.

CÁ NO ALENTEJO

Em meados de Março acabaram de ser montados doze ninhos artificiais para o abutre-preto numa herdade do Baixo Alentejo. Este esforço de conservação faz parte de um projecto para melhorar o habitat da maior ave de rapina da Europa.

No Alentejo, segundo o Boletim Polínico, os pólenes encontram-se em níveis “muito elevados” principalmente das árvores como os plátanos, azinheiras, ...

O ciclista russo Alexey Kunshin (Lokosphinx) venceu este domingo a 30ª edição da Volta ao Alentejo, ao chegar em terceiro à meta da última etapa, ganha pelo português Filipe Cardoso (Efapel/Glassdrive).

Um hotel de cinco estrelas, com 42 quartos e três suites, vai abrir em setembro deste ano em Vila Viçosa..

IMPRENSA

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM

Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/

Protestos
Miguel Sampaio

Segunda, 26 Março 2012 10:19
Tivemos no passado dia 22 um anúncio do que se vai passar daqui para a frente, quando os protestos da população subirem de tom.
O governo reprimirá, desvalorizará e montará um circo mediático com a ajuda dos órgãos de comunicação social nacionais, que se encontram nas mãos de poderosos grupos económicos, para à laia de qualquer regime autoritário distorcer a verdade dos factos em seu favor.
Reprimirá como sempre tem feito, através da polícia, que esquecendo o seu papel de defesa dos cidadãos, se vira sempre que pode contra os mesmos, chegando a utiliza táticas muito pouco abonatórias para quem as pratica e que consistem na utilização de agentes infiltrados no seio dos manifestantes, para que estes provoquem desacatos e justifiquem a posterior violência que de outro modo não faria sentido.
Aconteceu já por diversas vezes e tem o duplo efeito de retrair aqueles que protestam e de retirar da rua grande parte dos cidadãos que por motivos óbvios não se querem ver envolvidos num episódio de guerrilha urbana.
Desvalorizará, porque tendo consciência da divisão da oposição, joga com isso.
O governo conhece bem quem tem pela frente, sabe que se trava uma luta absurda pelo controlo do movimento reivindicativo, entre aqueles que não se reveem no sistema vigente, que entendem já não darem os sindicatos, nem os partidos que os controlam uma resposta cabal e à altura das suas necessidades, e os que ainda se posicionam do lado de dentro de um sistema obsoleto por força das circunstâncias, burocratizado, pouco ágil, vocacionado para funcionar no seio de um sistema que os favorece, mas que favorece também os partidos, que sempre têm governado este país.
É desta aliança tácita, que o governo faz mão, para reprimir o que não conhece, para desvalorizar o verdadeiro risco à manutenção do atual estado de coisas.
Defendendo o instituído, com o beneplácito daqueles que sabem que de uma forma ou de outra, jamais chegarão ao poder e que preferem manter a sua influencia alinhando neste fogo do faz que anda, mas não anda.
Só assim se justificam os elogios do atual ministro da administração interna à manifestação organizada pela CGTP, sem nenhuma demarcação desta central sindical.
Por fim usará, a comunicação social, para montar um circo em torno de pequenos nadas, de forma a esconder o que verdadeiramente se passa, numa tática clara de contra informação, demonizando os intervenientes, que são também cidadãos deste país, mas infelizmente anónimos e sem força para impor agenda.
Nesta última, saiu-lhes o tiro pela culatra, porque os agentes destacados, num ato de imensa estupidez, resolveram atacar à bastonada, precisamente alguns dos jornalistas que faziam a cobertura do protesto, esquecendo-se que os jornalistas não são nem de longe nem de perto os patrões jornais. Aliás são mesmo alguns dos jornalistas deste país que nos vão valendo, porque senão nem sequer saberíamos que houve uma grave e protestos a ela associados.
Dá que pensar…
Até para a semana…
Miguel Sampaio

REPORTAGENS

NOITE DE FADOS NO




E DE PEQUENINO É QUE SE TORCE O PEPINO
Al Tejo agradece a colaboração do Dr. Paulo Jaleco

TEATRO NO ALANDROAL - XÔ DAS VELHAS

TRIBUTO A ARY E ZECA EM VILA VIÇOSA

 Fotos abusivamente “gamadas” do site amigo http://www.radiocampanario.com/

domingo, 25 de março de 2012

DIREITO À OPINIÃO

Caro Chico,

Não é a primeira vez que me sinto tentado a dirigir-lhe algumas palavras, numa vontade que resulta sempre de ver reproduzidas no espaço que dirige afirmações ou ideias injustas, incorrectas, redutoras ou distorcidas.
Reconheço o seu esforço para ser isento e admito que o facto de estar longe, e de a informação lhe chegar fragmentada, para não dizer distorcida, possa contribuir para isso. O que só prova que o meu amigo tem que estar mais atento e alerta.
É o caso das suas últimas afirmações sobre a política cultural no concelho, em que parece querer afirmar que o (excelente) grupo de teatro da Escola Popular é um oásis no deserto da cultura local "que nunca por nunca pode limitar-se a troca de politiquices baratas e sem fundamento".
Ora, meu caro Chico, não podia estar mais de acordo consigo. Mas como esta conversa já não é nova, obriga-me a tecer algumas considerações adicionais.
Vai-me desculpar as comparações entre o "antes" e o "agora", mas elas são inevitáveis para uma boa avaliação.
O grupo de teatro foi criado no início do meu mandato no âmbito do projecto da "Escola Popular Túlio Espanca" também lançado por nós. Uma escola que envolve hoje cerca de 500 alunos (sim, 500 pessoas do concelho, quase 10% da população) distribuídos por actividades tão diversas como o teatro, a informática, a ginástica, a história, a poesia, o inglês, as aulas de instrumentos tradicionais, etc.). Um projecto que já está presente em praticamente todas as localidades do concelho. Antes o que havia? NADA!
O Fórum Cultural é neste momento dirigido por uma pessoa do concelho, dos quadros da câmara, que tem a minha absoluta confiança para o lugar que ocupa e que tem demonstrado grande capacidade de trabalho e, sobretudo, grande capacidade de fazer muito com muito pouco.
É que, sem pôr em causa as capacidades de ninguém, fazer alguns brilharetes, durante algum tempo, com o dinheiro que não se tem a acumular dívida, qualquer um faz. Se eu quisesse podia hoje comprar para mim uma casa de praia, um iate, um carro de luxo e uma grande viagem e vivia três ou quatro meses "à grande". E depois, como seria? Como vivo do meu ordenado, como seriam os meus próximos 20 anos? Iam ser muito difíceis, por certo. O mesmo se passou a todos os níveis no Alandroal, e também com a "cultura de excelência" de um certo momento. Vamos juntar todas as despesas do Fórum Café Concerto com as Agenda Cultural e vai haver surpresas. Já falta pouco para sabermos os números e vermos onde se falta à verdade.
A programação do Fórum é neste sentido equilibrada entre o que são as expectativas do nosso público (que tem enchido salas a saído satisfeito) e o que os financiamentos comunitários permitem, porque dinheiro, é coisa que não ficou por cá.
Para além disso, sai com regularidade para as aldeias, onde a câmara nunca tinha levado NADA! Estive em muitos dos espectáculos dos Bonecos de Santo Aleixo nas aldeias, vi a genuína alegria das pessoas e sei do que estou a falar.
Para além dos espectáculos, o espaço tem acolhido eventos muito diversos que o dignificam. As exposições sobre o "Rio Guadiana" e sobre a "Rota do Contrabando" dirigidas pelo actual responsável, são o melhor exemplo de trabalhos de nível superior reconhecidos pelos visitantes. E a importância dada aos artistas locais merece ainda destaque.
A política cultural da câmara não se esgota aqui. Política cultural de um município é, do meu ponto de vista, muito mais do que um conjunto de actividades num espaço (Fórum).
Os principais eventos da câmara deixaram de ser "fogueiras de vaidades", incaracterísticas - que tanto se podiam fazer aqui como noutro lugar qualquer - para passarem a ser grandes momentos de promoção da cultura local.
Quer o Festival Terras do Endovélico, quer a Mostra Gastronómica do Peixe do Rio assentam na cultura, tradições e imaginário local para promover o que o concelho tem de melhor.
Quanto ao Endovélico, estamos criar o "Centro de Estudos do Endovélico", dirigido pela Dra. Ana Paula Fitas e envolvendo todos os investigadores que ao longo dos anos se têm dedicado a este estudo (Profs. Carlos Fabião, Amilcar Guerra e Thomas Shatner). Centro esse que será responsável pelo aumento do conhecimento em relação ao deus da Lusitânia e pelo acompanhamento científico e musealisação do futuro "Centro Interpretativo do Endóvelico", já em fase de estudo prévio de projecto de arquitectura. E sim, as estátuas vão vir para o concelho, para esse centro, conforme está acordado com o Director do Museu Nacional de Arqueologia, Dr. Luis Raposo. Alguém, alguma vez, de alguma forma, teve a coragem de pegar "com unhas e dentes" nesta tão importante temática do concelho e fazer este trabalho sério e consistente que tantos frutos pode dar no futuro? NÃO!
E alguém, alguma vez, de alguma forma, tinha valorizado o peixe do rio como ele está a ser valorizado? NÃO! NADA! Mas o Endovélico estava cá.
E o peixe estava cá, estava cá tudo. Nós partimos quase do zero com esta temática e apenas 3 edições depois está à vista de todos o sucesso da iniciativa e a importância que tem para a dinamização cultural, social e económica do concelho. E já agora, o "Receituário do Peixe do Rio" de "caríssimo" não teve nada, já que foi financiado por fundos comunitários.
Criámos o "Cinema de Rua" e muito em breve vamos ter Cinema Digital 3D numa máquina que não é "caríssima" como afirma a propaganda e que custa à câmara menos de 20.000 euros, já que é financiada em 70% por fundos comunitários. Em tudo idêntica às de Portel, Redondo e Reguengos, financiadas pelo mesmo programa.
Estamos a rever a "Carta Arquelógica" do concelho com a supervisão do Dr. Manuel Calado e trabalho de campo da Dra. Conceição Roque. Temos promovido escavações arquelógicas todos os anos. É capaz de me dizer há quantos anos a câmara não patrocinava estes trabalhos? (não esqueço a excepção do apoio dado aos trabalhos em S. Miguel da Mota, pagos pelo Instituto Alemão). Destas escavações resultaram, por exemplo, descobertas surpreendentes na Rocha da Mina no ano passado. Portanto, o que se fazia? MUITO POUCO para um concelho que se quer afirmar pela riqueza do seu património.
Está a ser criada uma "Comissão para as Comemorações dos 500 Anos dos Forais Manuelinos de Juromenha, Terena e Alandroal", cujo trabalho científico será dirigido pelo Professor Manuel Branco, que conduziu o mesmo processo em Évora. Para além do restauro dos antigos forais, vai ocupar-se da edição das suas transcrições e de um conjunto de actividades paralelas até 2015. Este assunto estava ESQUECIDO.
Vamos publicar as "Memórias Paroquiais do Alandroal", trabalho realizado já neste mandato pela Dra. Isabel Moreira.
Estamos a apoiar a Banda, de forma devidamente enquadrada num protocolo que permite que esta esteja presente em quase todas as festividades do concelho. O que já não estava a acontecer.
Vamos apoiar os Cantadores dos Reis na edição de um CD.
Estamos a apoiar a criação de um rancho folclórico em Hortinhas.
Está já em fase de publicação um livro de homenagem ao "Ti Limpas" e à poesia popular que também estava muito esquecida. Estamos a fazer recolhas de poesia popular que estão a ser realizadas pelo sector de cultura para futura edição e têm sido realizados encontros regulares de poesia popular em Capelins e Hortinhas.
Apoiamos todas as festividades do concelho, em particular as que mantém vivas as tradições mais antigas, com destaque para a Festa da Boanova, a Santa Cruz da Venda e a Santa Cruz de Cabeça de Carneiro que voltou a realizar-se ao fim de 17 anos.
E podia continuar com o FIKE, o protocolo com o CENDREV, os projectos de dinamização do castelo, etc.
Antes o que se fazia em todas estas áreas? MUITO POUCO, e em muitas delas, NADA!
Portanto, caro Chico, do meu ponto de vista, aquilo que temos hoje no Alandroal, apesar das grandes dificuldades financeiras, é uma política cultural e de promoção da cultura local como nunca tivemos! Uma política cultural com objectivos claros, com um rumo certo que vai muito para além dos ciclos eleitorais e dos fogachos de momento. Uma política cultural com objectivos que vão demorar 5, 10 ou até 15 anos a desenvolver totalmente, mas que tinha que ser começada agora, desta maneira. Uma política cultural virada para as pessoas e para o seu envolvimento directo.
Nós não andamos cá a "trocar politiquices". Isso são guerras que só têm beligerantes de um lado!
Nós estamos cá a trabalhar, e muito, que foi para isso que os eleitores depositaram confiança em nós. Há por detrás de tudo o que referi muito trabalho sério de muita gente séria que merece ser respeitado.
Se há politiquices não é da nossa parte que tudo fazemos para envolver o máximo de pessoas em tudo. Estamos muito agradecidos a todos aqueles que se envolvem de alma e coração nas actividades que a câmara promove.
Se há politiquices é da parte daqueles que tiveram a oportunidade, o tempo e mais dinheiro do que nós para fazer tudo isto e nada fizeram e que a coberto do anónimato que o Chico e outros lhes proporcionam tentam destruir tudo o que se faz de bem nesta terra porque não são eles a fazê-lo. Mas isto, já não é novidade para ninguém.
Pense nisto.
Com um abraço amigo,
João Grilo

Nota do Editor: Al Tejo sente-se honrado pela abertura demonstrada pelo Sr. Presidente da Câmara, e pela deferência demonstrada para com o editor.

Congratula-se por ser porta-voz de futuras iniciativas a levar a cabo pela Autarquia.
Esclareço ainda que face ao conteúdo inserido neste =direito à opinião = não colocarei qualquer comentário  sem que o mesmo seja enviado directamente para o mail francisco.tata@gmail.com

DESPORTO NO FIM -DE-SEMANA

FUTEBOL


Distritais de Évora

Divisão de Honra
Sporting de Viana 2 – Estremoz 0
Canaviais 0 – Calipolense 1
Oriola 3 – Giesteira 0
Escouralense 1 – Lavre 1
Borbense 0 – Portel 1
Bencatelense 0 – Monte Trigo 7
Santiago Maior 3 – Perolivense 1.

1ª Divisão
Cabrela 2 – Brotense 1
Luso Morense 3 – Corval 1
Santana do Campo 1 – Arcoense 1
Alcaçovense 3 – Aldeense 2
Valenças 1 – Arraiolense 4
Rosário 1 – S. Manços 2
S. Bartolomeu do Outeiro 1 – Fazendas do Cortiço 2

No Concelho do Alandroal
Benjamins : Terena – Estremoz
Infantis : Terena – Rio de Moinhos

Nacionais

2ª Divisão
Juventude 0 – Reguengos 0
Estrela 0 – Sertanense 1
Moura 3 – Fátima 2

3ª Divisão
Despertar 1 – Redondense 0
União 4- Fabril 2

Juniores A
Imortal 1 – União 1
Desp. Portugal – Lusitano


~

FOTO passeio 31 março

"MAI NADA"

"

UMA TARDE BEM PASSADA

Conforme havia destacado, quando referi  na rubrica “ Sugestões para o fim-de-semana” ,lá estive a assistir aos espectáculos proporcionados pelo II encontro nacional de Marionetas, realizado em Montemor.

De manhã assisti à representação da =Princesa Encantada= no mercado municipal. E na parte da tarde a partir das 15 horas até cerca das 17 apreciei, ri-me e senti-me jovem assistindo às diversas participações (sete) dos “bonecreiros” que participaram.
Mas não é isto que quero salientar nesta crónica.
Quero sim dar a conhecer que tive oportunidade de trocar umas breves palavras com um dos participantes e que por seu intermédio fiquei a conhecer mais sobre esta arte.
A conversa começou assim;
Dá-me imenso prazer quando vejo as crianças contentes e a rirem e participar desta maneira.
Retorqui : Não só as crianças, isto para mim faz-me reviver o passado, e pode crer, rejuvenesce-me.
Conversa, puxa conversa e não podia deixar de lhe dar a conhecer que no meu concelho numa iniciativa da Câmara em colaboração com o Cendrev no ano passado foi proporcionado a todos os habitantes do Concelho assistirem a espectáculos de «Bonecos Santo Aleixo» , e na verdade fiquei maravilhado quando o Sr. me disse que sabia que assim tinha sucedido (tudo vale a pena), isto após trocar-mos impressões sobre a origem dos Robertos, dos Bonecos Santo Aleixo, do Mestre Talhinhas, de Santiago Rio de Moinhos, etc.
Demonstrei a minha estranheza porque, numa arte tão bonita como difícil, não há ninguém que escreva textos novos (o mesmo se verifica na arte circense dos Palhaços), que poderiam valorizar as representações, obrigando os actores a repetirem, o barbeiro, a tourada, o castelo encantado, o burro teimoso, etc.
Bem sei, que esta arte se destina aos mais jovens, mas não deixei de imaginar o que seria uma representação tendo como figurantes os nossos políticos, maias a mais que nunca falta "cacetada", em todas as peças representadas.
Esperança no futuro - retorquiu-me o meu amigo, Há quatro anos éramos dois, no ano passado éramos quatro, este ano já somos oito. “Isto” não vai morrer.
Terminámos, porque outro “bonecreiro” se preparava para actuar. Não sem antes tomar conhecimento da artefacto que colocado no céu da boca consegue emitir o som característico dos Robertos.
= Tive que “cagar” muitos antes de me habituar a usá-los!= disse-me ele. Quer um?
Agradeço, mas não vou usar. Vou guardar como recordação.
Então até para o ano
Chico Manel

A NÃO PERDER HOJE NA SIC

O SUCESSO ALEMÃO E O FADO PORTUGUÊS -  é a Grande Reportagem deste domingo.

Reportagem Pedro Coelho e Rodrigo Lobo (imagem); edição de imagem Ricardo Sant’Ana; grafismo Carla Gonçalves; pós-produção áudio Edgar Keats; produção Isabel Mendonça e António Cascais (Alemanha); coordenação Cândida Pinto; direção Alcides Vieira

OS INQUÉRITOS DO AL TEJO

“Tá visto” os Alandroalenses pouco ou nada se interessam sobre o que diz respeito ao desporto (para mim um dado desde há muito adquirido, desde que constatei que a “ morte” do meu J.S.A. não motivou uma onda de rejusnecimento para o voltar a colocar no, local que merece)

Adiante:
No nosso último inquérito tentámos saber a opinião dos nossos leitores sobre a inauguração do novo espaço desportivo a ter lugar em breve.
Para tal colocámos as seguintes questões:
Sempre as equipas jovens do concelho? ( 6 votos)
Um jogo entre as equipas do concelho que disputam os distritais (3 votos)
Um jogo entre um misto das equipas do concelho e uma equipa dos nacionais (8 votos)
Um jogo de rugby entre o RCJ e outra de nomeada ( (2 votos)
O “old festival rcjuromenha” ( 4 votos)
Um concerto musical (1 voto)
Não fazer nada que a vida está difícil (10votos)
Total dos opinadores 34

De salientar que o maior número de votantes demonstram que o tempo não está para grandes festejos (10) com os quais eu concordo plenamente e acrescento o meu voto (passamos a ser 11).

Vamos então colocar uma nova questão, para a qual pedimos a vossa opinião.
Vamos dividi-la em duas partes.
Numa altura em que no Alandroal se verificam vários atentados ao alheio (roubos)
Opine:
O Alandroal continua a ser uma localidade segura?
Sim
Não

O policiamento é:
Eficaz
Nem por isso
É insuficiente

sexta-feira, 23 de março de 2012

INFORMAÇÃO C.M.A..

Concelho de Alandroal Inaugurou Nova Unidade Turística

Casas de Juromenha Conjugam tranquilidade, elegância e contacto com a natureza Um turismo rural capaz de o surpreender pela tranquilidade que proporciona, pelos pormenores de design das suas casas, pelo meio envolvente ou pelos serviços que oferece. Assim se apresentam as “Casas de Juromenha”, a mais recente unidade turística do concelho de Alandroal, inaugurada no passado mês de Fevereiro, na Vila de Juromenha. Tendo a Albufeira de Alqueva com pano de fundo, a unidade turística “Casas de Juromenha” é composta por cinco casas independentes e dois quartos duplos, que trazem à memória um típico monte alentejano. Decoradas com a simplicidade a que convida o ambiente rural, mas com todo o conforto e elegância, as casas estão equipadas com comodidades como ar condicionado, lareira, cozinha equipada, televisão ou internet wireless.As “Casas de Juromenha” têm ainda um atractivo especial, que poucas unidades turísticas poderão oferecer. Trata-se da sua forte ligação com a Albufeira de Alqueva, que carateriza todo o meio envolvente a este empreendimento turístico. Para explorar esse aspecto e promover o envolvimento dos seus hóspedes com a natureza, as “Casas de Juromenha” oferecem serviços de lazer e entretenimento, actividades de animação turística e marítimo-turística. Observação de estrelas, passeios pedestres com explicações sobre a fauna e flora do local, descidas de Kayak ou cursos de Windsurf e O'pen Bic, são algumas das actividades de que poderá usufruir. Se deseja usufruir de todo o conforto e serviços que esta unidade turística lhe pode proporcionar saiba que os preços para a estadia de uma noite começam nos 60€, com pequeno-almoço incluído. Além disso, saiba ainda que as “Casas de Juromenha” prepararam um conjunto de atractivas promoções para a época da Páscoa, onde se destaca a oferta de uma noite de alojamento na reserva de duas noites. Para fazer a sua reserva, ou simplesmente para obter mais informações sobre as “Casas de Juromenha” pode consultar o site www.casasdejuromenha.com, ou utilizar o telefone 268 969 242. Já sabe, reúna a sua família nesta época festiva e desfrute de uma experiência para mais tarde recordar. A Câmara Municipal de Alandroal congratula-se com a abertura desta nova unidade turística no nosso concelho, que vem completar a oferta disponível. Recorde-se que em junho de 2011 a oferta de alojamentos no concelho já tinha sido aumentada, com a abertura do Monte do Peral, em Montejuntos.
Gabinete de Imprensa C.M.A.

SUGESTÕES PARA O FIM-DE-SEMANA

ALANDROAL


O Fórum Cultual e Transfronteiriço de Alandroal recebe no próximo Sábado, dia 24 de Março, a partir das 21:30 horas, o espectáculo de teatro “Xô Das Velhas”, peça produzida em conjunto pelas companhias de teatro “Baal 17” e “AL-MaSRAH Teatro”.“Xô das Velhas” é um espectáculo que se serve da ficção para falar daquilo que a realidade tem medo, enxotando a tragédia da vida real e chamando a si a comédia real da vida. Nesta peça o espectador é convidado a descobrir e a refletir sobre a forma como as “velhas” encaram a evolução do nosso mundo, em que tudo anda muito rápido para o seu passo curto.É neste universo que um grupo de experientes actores se desdobra para contar as peripécias do dia-a-dia das “velhas”, do seu confronto com um mundo que se quer cada vez mais jovem, empreendedor e mercantil. A Câmara Municipal de Alandroal convida-o a assistir a este espectáculo, integrado na rede cultural Teias, e a passar um animado serão em família ou entre amigos.

JUROMENHA


ALDEIA DA VENDA


VILA VIÇOSA

Ensemble Project

24 de Março 2012
21H30Cine-Teatro Florbela Espanca
De Ary a Zeca Tributo é um concerto de homenagem aos grandes autores e compositores de Abril. Este é o tributo do Ensemble Project ao grande poeta da liberdade “Ary dos Santos“ e ao grande mestre da música contemporânea portuguesa “Zeca Afonso”. Neste espectáculo serão interpretadas as canções mais marcantes das suas obras.O Quarteto Ensemble Project é constituído por quatro músicos profissionais com formação erudita e do jazz, fazem parte deste projecto o consagrado saxofonista Ná Ná Sousa Dias, o baterista angolano Zé Zé Negambi, o pianista e maestro Vasco Gil e o cantor Zé Carvalho.
Gabinete de Informação e Relações Públicas


MONTEMOR


Programa
24 e 25 de Março 2012
O “teatro Dom Roberto” é uma genuína forma de teatro popular que quase chegou à extinção nas décadas de setenta e oitenta do século passado.
Serão muitos os que ainda se lembram da característica figura do fantocheiro, com a sua barraca às costas percorrendo as estancias de veraneio, feiras e mercados onde os estrídulos robertos entretinham miúdos e graúdos: – depois de montada a barraca, este “teatro” tinha uma completa “companhia” capitaneada pelo inefável Dom Roberto, o “actor” principal que invariavelmente distribuía pancadaria da grossa para gáudio da assistência.
Mercado Municipal
24 de Março
10h00 O barbeiro e A tourada Marionetas da Feira
24 de Março
11h00 Maria Liberdade, O Baile de Máscaras Trulé
24 de Março
12h00 O barbeiro, A tourada, o Bolo Refolhado, Princesa Encantada Fio d’Azeite
Jardim dos Cavalinhos
24 de Março
14h30 O barbeiro, A tourada, O Castelo de Fantasmas, Rosa e os três Namorados S.A. Marionetas
24 de Março
15h00 Dom Roberto e a Namorada. O Burro Teimoso A Barraca do Gregório
24 de Março
15h30 O Barbeiro. O Toureiro Limite Zero
24 de Março
16h00 O Barbeiro, A tourada, Rosa e os três Namorados Francisco Mota
24 de Março
16h30 O Barbeiro Marionetas João Costa
Auditório Biblioteca Municipal
25 de Março
10h30 – 13h-30 Seminário sobre o Teatro D. Roberto com Christine Zurbach, Policarpo dos Santos e Ildeberto Gama
(e se nada de anormal se passar lá estarei com as minha netas, na primeira fila a aplaudir, e a “contar”como isto é bonito, e recordar a meninice)

Vimos por este meio convidá-lo a participar no Passeio Inaugural dos Roteiros na Cidade de Montemor-o-Novo, o Roteiro da Açorda. .Com encontro no Largo Calouste Gulbenkian seguiremos à procura da história da cidade e da sua população através dos ingredientes de uma açorda alentejana. Outrora fruto de privações, hoje riqueza gastronómica, esta receita proporcionará uma viagem que mistura história e natureza numa conjugação única de odores alentejanos.
E no final, como não podia deixar de ser, um almoço de açorda no Hotel Montemor.
A visita é livre e a açorda (opcional) tem o custo de 5€.
( e se nada de anormal se passar… lá vou marcar presença)

“O ESPIRITO DA COISA”pelo PROJECTO RUÍNAS
Teatro
O Projecto Ruínas estreia a nova criação “No Espírito da Coisa”, em Montemor-o-Novo
Estreia a 23 de Março, 21h30 no Cine-Teatro Curvo Semedo
Em cena 24, 25 e 27 de Março, sempre às 21h30
Sinopse:
Um fim de semana, numa mansão à beira-mar: o actor falhado conta uma anedota, a funcionária partidária sussurra, o mulherão sorri, o Governador Italiano conversa animadamente, a funcionária partidária faz perguntas, o actor falhado conversa animadamente, a funcionária partidária discute, o actor falhado crava. O enredo caminha para um climax, a seguir ao qual tudo permanece na mesma...
O “espírito da coisa” é um espectáculo impossível. A narrativa foi gerada por software, um gerador de conteúdos. No limite, este gerador é uma espécie de deus do aleatório, frio, cruel e ausente, que se cingiu a criar e organizar personagens num determinado local durante um fim de semana. Abandonando-as de seguida para se depararem com a sua impotência face a uma existência sem sentido. A consciência dos seus próprios limites existenciais.
Encenação: Francisco Campos
Texto: Francisco Campos a partir de improvisações do colectivo
Espaço Cénico e Figurinos: Sara M. Graça
Interpretação: Maila Dimas, Miguel Antunes, Susana Nunes e Francisco Campos.
Desenho de Luz: Nuno Patinho

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM

Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/

 Foi você que disse P.M.E.?!
Martim Borges de Freitas

Sexta, 23 Março 2012 10:42
Não sei se estão todos recordados das últimas campanhas eleitorais. Nomeadamente da ocorrida em 2009. Não há assim tanto tempo decorrido. Se se lembram, se nos lembramos bem, a palavra ou, melhor, a sigla, mais ouvida e dita nessa campanha eleitoral terá sido PME. Ou seja pequenas e médias empresas. Se não estou enganado, de tanto se ouvir falar em PME, até o assunto foi objecto de várias rábulas humorísticas, ao ponto de se falar em “nano, mini, micro, pequenas e médias empresas”. Lembram-se? Pois, é! E agora? Onde estão elas? Quem fala nelas?
Todos já percebemos, a começar pelo Governo, que as empresas não têm financiamentos. A banca, que se esquiva a assumi-lo, cortou-os. Fala-se de milhões e de mais milhões, mas a verdade é que não há dinheiro. As PME não sabem para onde se virar. Os seus clientes não compram. Em muitos casos, não pagam o que compram. E conquistar novos mercados nunca foi tarefa fácil. Então agora, é mesmo muito difícil.
O Governo avisa que as empresas têm de ter mais capitais próprios, menos dívida. No seu conjunto, no Estado, nas empresas, nas famílias, o que se diz é que há crédito a mais, logo vai ter de se reequilibrá-lo. O problema é que quem diz isto, di-lo, agora, depois de ter incentivado ao longo de tantos anos a procura por mais e mais crédito a custos muito baixos. Estou a falar das empresas como poderia estar a falar das famílias. O problema, repito, é que quem ao longo destes anos teve capacidade de decisão, decidiu iludir. Iludir famílias e iludir empresas.
E aqui chegadas, as empresas, em particular as PME, vêem-se numa situação impossível: querem reequilibrar-se mas não terem forma de se poderem reequilibrar. Por muito que façam, sozinhas não conseguem sair da cepa torta. Faltam linhas de crédito para a gestão de tesouraria, que ajudem a pagar impostos, salários e fornecedores até que consigam receber dos seus clientes. Além disso, ao serem atingidas por uma carga fiscal das mais elevadas da Europa, é-lhes tolhida a ambição. E a receita que lhes é sugerida, a única receita que lhes é apontada é a de se internacionalizarem, a de exportarem. Como se fosse simples, como se fosse fácil. Para algumas, poucas, será. Mas quem conhece o tecido empresarial português, que conhece os empresários e as PME portuguesas sabe o quão difícil é internacionalizar as empresas que temos e pô-las a exportar.
A única saída, diz-se por aí, é fundirem-se. Mas como ultrapassar orgulhos antigos e desconfianças mútuas? Por muito que o Governo diga que “é necessário assegurar financiamento às empresas mais dinâmicas, mais produtivas, mais rentáveis e mais decisivas para o ajustamento externo da economia portuguesa”, a verdade é que há muitas barreiras a transpor. E são barreiras altas, muros sólidos, quantas vezes construídos contra aqueles que é preciso agora juntar…
As grandes empresas, as competitivas, essas, vão receber crédito. Essas, mesmo que estejam a aproximar-se do abismo, serão salvas. Não interessa como, mas serão salvas. O Estado e os bancos segurá-las-ão. Mas: e as pequenas? E as “nano, mini, micro, pequenas e médias empresas”? Essas, vão precisar, claro, de ganhar escala. Diria que vão precisar de deixarem de o ser. Vão precisar de se superarem. O que, convenhamos, sem apoio real, sem apoio efectivo, é, ao contrário da sua natureza, uma mega tarefa.
Martim Borges de Freitas
Lisboa, 21 de Março de 2012

BREVES DO ALENTEJO

Os presidentes das associações empresariais de Évora e de Portalegre contestaram hoje o abandono do projecto do TGV, anunciado pelo Governo, garantindo que o fim da alta velocidade ferroviária vai ter impactos “negativos” na economia do Alentejo.

O Turismo do Alentejo realiza hoje uma visita de prospecção ao território alentejano com o objectivo de lançar, em Junho próximo, a Tons de Pedra - Rota do Património Industrial, um roteiro turístico que passará por cinco concelhos alentejanos (Borba, Alandroal, Vila Viçosa, Estremoz e Sousel).

A Agência para a Modernização Administrativa distinguiu o município de Reguengos de Monsaraz com a “medalha de ouro” pelos resultados obtidos no desenvolvimento das medidas do Programa Simplex Autárquico..

IMPRENSA

A FAMILIA TIRA-PICOS

(Continuação da semana anterior)

SEM JEITO PARA ROUBAR

Ia de mal a pior a vida do Tira-Picos, Estava como a lavoura dos burros, torta e enviusada, ou se quiserem sem tralho nem maravalho. Sem a mulher para lhe fazer as sopas e coser os trapinhos, sem trabalho, ainda por cima o negócio do fundo das cadeiras estava cada vez mais fraco, e por mais que o Ceguinho Zé Rita lhe ensinasse a fazer cestos de verga os mesmos nunca saiam capazes de ser transaccionados.
A fome apertava, o dinheiro escasseava, e como na infância era mestre a surripiar o alheio, o Tira-Picos não arranjou outra forma de enganar o estômago senão ir às hortas pilhar qualquer coisa.
A primeira tentativa foi na horta do Adelino, onde haviam duas figueiras, que dito por todos davam os melhores figos de S. João, no Alandroal. Foi fácil entrar na quinta, pois o portão estava sempre aberto, e mais fácil ainda comer a canastra de figos que o dono já tinha apanhado. Só que para o Tira-Picos uma canastra não chegou, e ainda provou mais alguns colhidos da própria figueira. Foram dar com ele, com a barriga inchada de palmo e meio, olhos esbugalhados e vomitado por tudo quanto é sitio. Quando no Hospital o Médico lhe perguntou o que tinha acontecido o Tira-Picos responde: Comi uma canastra de figos e mais uns oitenta, e comecei a ter uma leve dor de barriga, depois não me lembro.

As laranjas do João dos Pereiros eram das melhores: da baía, grandes e docinhas como mel. Só que para entrar na horta era um problema. O muro era alto e ainda por cima tinha cacos de vidro no cimo. Mas nessa noite o Seabra deixou o “carro da mula” encostado à parede, e de cima do carro era fácil saltar lá para dentro. Seria mesmo nessa noite, e nada melhor que trazer logo uma saca de laranjas. Se bem o pensou, melhor o fez. Só que o carro não estava travado e quando em cima dos taipais o Tira-Picos se preparava para saltar, o carro desliza e não teve outro remédio senão agarrar-se ao muro, cortar as mãos nos vidros, mas saltou lá para dentro, enquanto o carro se espatifava no muro em frente. Todo este “cagarim” despertou o dono. Deixou-o comer as laranjas até matar a fome, deixou-o encher o saco, mas depois, enquanto o Tira-Picos dava voltas à cabeça para encontrar maneira de se raspar, apareceu, e deu-se ao trabalho de lhe esfregar “nas trombas” as laranjas uma a uma. Na manhã seguinte o Tira-Picos, parecia, na voz da velha Amélia, uma alma do outro mundo, com os dedos entrapados e a cara toda inchada.

Estava visto: com fruta não se safava. Experimentou então galinhas. E como na horta do Zé Cuco, as mesmas depenicavam à vontade, e o muro não era alto viu uma maneira fácil de “pescar” galinhas. Bastou-lhe arranjar fio de coco, um anzol, pôr na ponta do mesmo uma fava e fazer o lançamento. Não demorou que uma caísse no engodo, e quando se preparava para engolir a fava, bastou um puxão e ela aí vem, asinhas a bater a caminho do pilha galinhas.
Azar dos azares...a guarda ia a passar e dá com aquele estrafego. Com que então a roubar galinhas? Raios partam isto. Estava a praticar para fazer uma boa pescaria amanhã na “rebêra” e a merda da galinha come-me o isco e ainda por cima dá cabo do anzol.
Nessa noite o Tira-Picos dormiu na cadeia, mas pelo menos teve um bom jantar e ainda por cima acompanhado por um copinho.
Saudações Marroquinas
Xico Manel

(Continua p´rá semana)