sexta-feira, 2 de novembro de 2018

AGORA QUE O TRABALHO ESTÁ PRONTO, PRIMEIRO VAMOS BEBER UM COPO E AFINAR A GARGANTA

E DEPOIS VAMOS ATÉ AO MEXICO PORQUE O BAILE ESTÁ “ARMADO”

PONTOS DE VISTA

                                       CADA CABEÇA SUA SENTENÇA!
Vila Viçosa rejeita transferência de competências
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“Há competências que são do Estado, e que se devem manter do lado do Estado”, diz vice-presidente de Montemor-o-Novo
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“Acreditamos que o dinheiro público é melhor utilizado nos municípios”, diz João Grilo sobre transferência de competências
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Arraiolos rejeita competência de gestão do castelo. Autarca defende que proposta “é a transferência de um problema que o Estado tem” 

SUGESTÕES





DESPORTO NO FIM-DE-SEMANA

                                                                                FUTEBOL
                                                                                  INAtel
TAÇA FUNDAÇÃO
Ché Morense – Alandroal United
                                      Distrital Associação Futebol de Évora
TAÇA DINIS VITAL – 2ª Eliminatória
Escoural – Juventude
Viana - Corval
Outeiro – Arcoense
Bencatel – Portel
Calipolense – Reguengos
Cabrela – Canaviais
Lusitano – Alcáçovas
Monte Trigo – Arraiolos.
                                             CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E 
Redondense – Armacenense
Olhanense – Vidigueira
Moura – Oriental.
                                                                        PARTICULAR

                                                                                     FUTSAL
G.U.S. – Reguilas Tires
                                                                             RugbY
Taça Portugal – Sub 18
R.C. Elvas – R.C. Montemor

IMPRENSA DA REGIÃO - LINHAS ELVAS


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

TROCAS E BALDROCAS

PENSE LÁ NISTO E REPARE COMO SOMOS POR VEZES TÃO IDIOTAS QUE TENDO BONS MOTIVOS IMPORTAMOS “PARVOICES” MADE IN U.S.A.



A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                OLHAR AS PEQUENAS COISAS
A propósito do resultado eleitoral no Brasil, acentuou-se a discussão sobre as razões dos avanços dos fascismos em diversos pontos deste atormentado mundo.
Não deixa de ser irónico que a maioria das análises, comentários, elucubrações e palpites não se foquem no essencial e se entretenham a encontrar possíveis explicações no que é assessório, conjuntural e lugar-comum.
Preocupa-me a divulgação e aceitação generalizada de opiniões que desvalorizam os perigos e ameaças, comparando as formas de representação dos fascismos do século vinte com as actuais, para concluir que se trata de fenómenos diferentes, fugindo à observação e constatação de que a base ideológica e social é a mesma.
Lá porque um qualquer Bolsonoro não faz a saudação romana ou um qualquer político português mantém na naftalina a farda da Legião ou da Mocidade, não significa que o caminho e as suas consequências sejam diferentes.
Quando se acha normal que sejam divulgadas conversas telefónicas privadas e que o crime seja relevado em nome da curiosidade sobre o seu conteúdo, estamos no caminho que leva à aceitação da supressão da liberdade.
Quando entra na discussão o facto de uma deputada ter sido fotografada a, supostamente, pintar as unhas durante a discussão do Orçamento de Estado e é apresentado como exemplo de desinteresse passando a imagem de que ali nada se faz e não passa de um coio de malandros, está-se a promover aquilo que leva ao cozinhar do caldo de onde nascem os fascismos.
Aquilo que deveria ser uma mera curiosidade e alvo de algum humor, é colocado na discussão, como central no funcionamento da democracia, enquanto que qualquer intervenção feita pela deputada sobre os temas em discussão é varrida para um qualquer canto que não merecerá comentário, excepto se a senhora disser algo de desinteressante e sonante.
Dizem os moralistas que se a conversa telefónica não tivesse acontecido não teria sido gravada e divulgada e que se a senhora não tivesse passado o pincel na unha, o jornalista da Reuters não teria registado o momento. Claro que não, mas ao alinharmos neste pensamento estaremos a legitimar uma sociedade de vigilantes e de vigiados e, pior ainda, de justiceiros e lá se vai o princípio da legalidade a que todos deveremos estar sujeitos, substituído pelo princípio do “certo e errado” à medida de cada um ou, pior, de cada onda que se levante.
É possível travar este caminho? Tem que ser, mas sem tibiezas nem justificações. Não cedendo a tentações de alinhar na moda de pegar numa qualquer notícia, verdadeira ou falsa, e gritar “vergonha” ou “indignação” para chamar a atenção do vizinho ou para garantir que não destoamos do resto do rebanho.
Como alguém afirma, o fascismo até se pode discutir e analisar mas essencialmente combate-se.
Até para a semana
Eduardo Luciano



FOI NESTE DIA !

PARA QUEM NÃO SABE…



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

QUAL HALLOWEEN - QUAL CARAPUÇA! PÃO DE DEUS É QUE É


O Pão Por Deus é uma tradição bem Portuguesa, mas a sua origem evolução e história até hoje é algo fascinante. Por vezes no entanto pensamos que poderá estar ameaçado por um Halloween que até poderá ter raízes longínquas partilhadas. A globalização tem cada vez implementado mais o Halloween entre os Portugueses. O fenómeno da televisão, e mais recentemente a Internet, trazem até nós esta festividade anglo-saxónica.
As Origens Pagãs
As oferendas aos mortos nestas alturas do ano são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo as celtas que habitaram o que é hoje Portugal. Tendo em conta que muitas teses apontam a origem do Halloween como festividades célticas é interessante ver as semelhanças e desenvolvimento de ambos. Também sabemos que muitas festas pagãs foram aos poucos tomando roupagens Cristãs, e a pouco e pouco se fundiram.
A Origem do Pão Por Deus Cristão
Com o passar dos anos foi cada vez mais promovido pela Igreja Católica o culto dos mortos, e a tradição de reservar lugar à mesa, e também de deixar comida para os mesmos. Começou também o costume de deixar o primeiro pão de uma fornada nesta altura à porta da casa tapado por um pano. Seria para honrar os mortos, mas a intenção era também quem de mais pobre por ali passasse tomasse a parte física para si. Assim este pão para os fieis defuntos começou a ter a vertente de partilha com quem necessitava.
O Terremoto de 1755
Um dos dias mais negros da história de Portugal é o de 1 de Novembro de 1755. Neste Dia de Todos os Santos, Lisboa viria a sofrer a maior catástrofe da sua história, sendo muito do país também afectado por ela. Aí os afectados por tal tormenta foram a quem algo salvou pedir Pão Por Deus, tentando ter algo para matar a fome, aos que sobreviveram à catástrofe, Relatos contam que nos anos seguintes nesse mesmo dia se aumentou o costume do Pão Por Deus, em jeito de celebração e agradecimento a quem tinha sobrevivido. Talvez por isso esta tradição seja tradicionalmente mais forte na região da grande Lisboa.
A Evolução até aos dias de Hoje
Com o passar dos anos progressivamente passou a ser cada vez mais um peditório das crianças. No século XX, onde os registos são mais constantes e fiáveis, começamos a ver muito o Pão Por Deus como a festa das Crianças. Neste dia as crianças de manhã cedo iam de porta em porta a pedir o Pão Por Deus. Recebendo tradicionalmente frutos secos, romãs, pão e bolos. Nos anos mais recentes, e mesmo contando alguns ciclos de menor fulgor, começou a ver-se cada vez mais como um dia em que as crianças pedem de porta em porta doces, sendo que ainda se continua a ver alguns frutos secos. O saco de pano do Pão Por Deus é muito comum em todos estes registos, e nos dias que correm continua a existir, sendo que com a Internet temos visto muitos pequenos negócios a vender até versões personalizadas dos mesmos.
O Doçura ou Travessura Português
Um dos pontos de enfoque da cultura popular americana, que nos chega pela televisão e Internet, é a doçura ou travessura. É, no entanto, engraçado ver que algo semelhante existe tradicionalmente registado em Portugal. As rimas e cantigas são normalmente descritas quando as crianças batem à porta. E em alguns casos vemos que detêm estrofes de agradecimento a quem oferta doces, mas menos simpáticas para quem não o faz.
Bolinhos e bolhinós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
 A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s´alevantar
Para vir dar um tostãozinho
 A resposta nas casas em que são ofertados doces.
Esta casa cheira a brôa
Aqui mora gente bôa
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora um santinho.
E a resposta para quem não os dá
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.






VIDA AUTÁRQUICA


                       Deliberações reunião Vereadores C.M.A.


OH CUM CARAÇAS!


Apesar de o equipamento ser reconhecido como uma mais-valia para a população local, as críticas surgem sobretudo pelo caráter solene dado à cerimónia, à qual não faltaram, além dos autarcas da freguesia, a presidente de Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, e o padre Bruno Miguel Ávila, que benzeu a nova máquina ATM. O momento foi ainda selado pela autarca com discurso seguido da utilização inaugural da caixa.
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CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

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JOSÉ POLICARPO
                          PEQUENA GENTE NÃO FAZ UM GRANDE PAÍS
Somos um pequeno país, com demasiada pequena gente. Não perdemos o ensejo, salvo raras exceções, de colocar-nos em bicos de pés para tecer e zurzir comentários pouco abonatórios sobre terceiros. Digo isto a propósito do perfil do presidente recém-eleito do Brasil.
Não sou totalmente insuspeito, porque até compreendo a repulsa que o próprio tem às questões da criminalidade e da corrupção do seu país. Contudo, colocarem em causa a eleição dele em virtude das propostas alegadamente por ele defendidas e submetidas aos seus concidadãos de forma livre e transparente, é não quererem ou não entenderem, nada de nada.
O Portugal pós 25 de Abril sofreu grandes transformações ao nível dos direitos e liberdades dos cidadãos. Conquistas ao nível da igualdade de género, liberdade de expressão, direitos sociais e muitas outras ocorreram neste últimos quarenta e quatro anos. Por outro lado, infelizmente, criou uma massa intelectual, com muito poder, que molda o pensamento da turba anestesiada.
Normalmente estas pessoas situam-se à esquerda do espectro partidário, mas também os há em todos os partidos. Autointitulam-se de reserva moral da nação. Dizem tudo dos outros, mas nunca fazem uma avaliação de si próprios. Chocam-se com a defesa pública de determinadas posições, todavia, com as atitudes privadas e praticadas fora dos holofotes dos meios de comunicação social e das redes sociais nada as incómoda.
Ora, esta gente esteve calada a propósito dos motivos que propiciaram as bancas rotas do país. Quedou-se, também, silenciada com a captura do regime e do país pela banca. Alguma dela votou duas vezes no partido socialista liderado pelo Sócrates. Esta gente que se julga imaculada compra roupa de marca, viaja bastante e come em restaurantes afamados.
São por isso a verdadeira razão do baixo desenvolvimento do nosso país, porque toda ou quase toda, de forma direta ou indireta, está sentada à mesa do orçamento do Estado e não pretende que alguma coisa mude. Mas arrogam-se no direito de mandar postas de pescada sobre assuntos que pouco ou nada sabem. Assim vai o nosso país.



POETAS DA MINHA TERRA - Jerónimo Major


UMA BOA IDÉIA


QUANDO O PEQUENO “TRAMA” O GRANDE

NUNCA TE JULGUES O MAIS FORTE

O ALANDROAL A VER AS ESTRELAS!


terça-feira, 30 de outubro de 2018

UMA ESTÓRIA DO A.C.

                                     Assalto ao Quartel
Ninguém sabe como é que Salzedo se guindou ao pináculo do ministério, mas todos sabiam de antemão os problemas bicudos em que se iria meter, no seu relacionamento com a tropa. Há aqueles tipos que olhando para eles nos passam logo a impressão de que não vale a pena insistir. São tortos…, em algumas regiões chamam-lhe “garrochos”, sem sentido de humor – quando pensam que estão a dizer uma piada, sai-lhes a maior das heresias, não admitem qualquer discussão sobre assuntos sérios (e outros) porque nasceram com a razão do seu lado. Com este perfil foi o Salzedo plantado na ERC. E o passo seguinte, como é habitual neste tipo de bons serviços, deu-se a seu tempo:  uma nomeação ministerial, e logo para a pasta da Defesa Nacional…, … tão a seu gosto que eram as manobras militares da tropa. O pior veio depois…

O aforismo popular, do tempo da monarquia, foge cão que te fazem barão inspirou os detratores maldizentes do Defensor Mor, sobre quem diziam “foge Salzedo que te fazem morcego”. Não que o ministro Salzedo andasse pela calada da noite roubando a seiva vital da tropa…, nada disso! O dito foi tomando foros de verdade quando se percebeu que o Salzedo da defesa tomava decisões, sobre tudo e mais alguma coisa, de cabeça para baixo. E interrogado pelos detestáveis media sobre o assunto disse airosamente «que assim, de cabeça para baixo, o sangue lhe inundava melhor o cérebro, dando-lhe mais rendimento na construção das complexas ideias ministeriais».
Homem áspero, desejoso de pôr a tropa em marcha, sob seu comando fosse onde fosse a guerra, Salzedo já ia em mais de metade do ministério e nada acontecia; ao menos um “neo” Tolam podia encalhar em frente ao forte do Bugio para pôr os almirantes a tirar o pó dos fatos de mergulho; dando também oportunidade ao Marçalo de ser fotografado a dar umas braçadas na direção do acontecimento… e a tirar umas selfies com um ou outro cabo dos fuzileiros ; e porque não uma invasão de espiões chineses, lançados de paraquedas sobre Monsanto, com a missão de raptar o nosso 1º LaCosta, agora refugiado no Terreiro dos Passos…, à mão de semear de qualquer carteirista do 28 ou do 15…; … assim divagava para si o dono da tropa fandanga, sonambulando refastelado no cadeirão ministerial, com aquele seu ar ausente de contar moscas, quando acorda em sobressalto com a carantonha do seu chefe de gabinete, postado à sua frente com um telefone Huawei na mão… sussurrando-lhe: o LaCosta quer falar ao “senhor ministro defensor”. O chefe de gabinete bateu em retirada assim que passou o testemunho para a defesa, duvidando que viesse dali o melhor ataque…, … antes o maior desastre…
 O telefonema
-Tá lá…, tá lá…, meu 1º há guerra pr’aí?… …Salzedo foi interrompido bruscamente pela VOZ…
«Ó Salzedo… quantas vezes já disse para não me chamares “meu 1º”… …há guerra o caraças… …foram-te ao paiol de Tancús e tu não dás por nada?... …como é que eu soube?... …foram os gajos do SISUDO (sigla secreta) e do CODESINF (Contra Desinformação)… …tu não lhes atendes o telefone e o general Rabisco está a dormir a sesta… …a mulher recusa-se a acordá-lo… …porra!, que merda é esta?!?».
-Ó LaCosta acalma-te lá…, para eu perceber o que é isso do paiol…
«Acalma-te lá?... e o que é isso do paiol?... vou fazer de conta que não estou a ouvir o que o defensor do meu governo me está a replicar… agora percebo porque é que o Centeio te chama de papa moscas… bem vista essa do Centeio».
-Papa moscas?!..., gaguejou em seco o “defensor do governo”, que recebeu uma resposta ainda mais seca: «faz-te à estrada…, acorda o sorna do Rabisco… e não me apareçam sem o nosso material de guerra…, o país está desarmado Salzedo…». O 1º LaCosta ainda ouviu um enorme chiar de pneus seguido de um estrondo ensurdecedor – O Defensor Mor acabara de se estampar no parque de estacionamento do ministério.
Depois de certas peripécias que acontecem na vida de qualquer mortal…, quanto mais na de um Defensor da República, Salzedo chega a Tancús dois dias depois do inusitado roubo. Entre andanças e marchas forçadas, que já parecia estar num daqueles cursos malucos dos “comandrones”, fizera a viagem num velho chaimite, peça de museu do ministério, que o deixara a meio do percurso com o motor gripado, tendo que palmilhar o restante montado no par de sapatos estreado novinho em folha, que deixou biqueiras, solas e tacões colados ao esbraseante alcatrão do mês de Junho. Viera só, contra ordem superior do 1º LaCosta, pois o patife do Rabisco passara à clandestinidade no mais sigiloso dos sigilos.
À porta do quartel da “tropa fandanga”, fechada a sete ferrolhos, um grande letreiro anunciava «Estamos fechados para balanço do armamento militar à guarda no nosso paiol». Salzedo anunciou-se como o ministro Defensor, mas o sentinela mandou-o pentear macacos para outro lado; em primeiro lugar, porque não lhe entrava na cabeça que um tipo que se intitulava o ministro Defensor não soubesse a senha de passe de entrada; e em segundo lugar, por estar farto do que acontecera nos dias anteriores, com todos os malucos à solta a baterem à porta da Unidade. Salzedo chegou mesmo a ouvir aquele impropério muito comum: «que fosse bater à coisa da sua prima».
Bem vistas as coisas, o rapaz que estava de guarda à porta de armas de Tancús tinha toda a razão, pois estava ali a cumprir uma nobre missão de defesa. Afinal, pensou Salzedo, esta coisa não está assim tão mal guardada como dizem…, pode ser que tudo não passe de uma fake news…, quem sabe se o LaCosta não anda a fazer um simulacro com o governo… é bem capaz disso… para me lixar a fazenda… e o cabedal… vamos desmascará-lo… surpreendê-lo à má fila…
2º Telefonema
-Tá lá…, tá lá…, sou eu o Salzedo…, ó LaCosta os gajos aqui não me deixam entrar no quartel… o tipo que está à porta de guarda perguntou-me a senha… qual senha?... sei lá se soubesse tinha-lhe dito…, mas ainda lhe disse o teu nome e o rapaz manda-te dizer que vás bater à coisa da tua prima que também não te conhece de lado nenhum…, … que se insisto solta os cães…, estão encerrados a fazer um inventário ao material de guerra… não querem ser chateados… sim…sim… coisa da tua prima e não querem ser chateados foi o que o gajo disse… …para eu lhe perguntar o nome e o nº mecanográfico?... ó meu 1º telefona tu a estes malucos… estou com medo dos cães… …o Rabisco?... …baldou-se, a mulher diz que está clandestino… … não, não é mal do intestino… …é Clan-des-tino. Estou?... sim estou… espero dez minutos e volto a tentar… ok meu 1º… …ao altifalante do telemóvel do Salzedo ecoou uma voz irritadíssima, entretanto abafada pelo dedo indicador do ministro defensor, pressionando o botão de desligar… (a porra são os cães).
 Encontro imediato de 1º grau
 Quem visse Salzedo fazer-se à porta de armas, tal minotauro com cabeça humana destilando raiva pelas narinas, sem mais delongas procuraria refúgio nos píncaros da árvore mais próxima. A sentinela, alerta, reconheceu-o à distância e cogitou «olha… ali vem o mesmo maluco de à pouco… o defensor!»; pressentindo a fúria que o outro arrastava consigo tentou pegar na arma que tinha à tiracolo, gesto que foi contrariado pela mão de alguém que chegara. Ao mesmo tempo chegara o desembestado Salzedo que esbarrara com essa mão…, e depois com a outra, que subiam para uns braços abertos que lhe deram um apertado abraço de boas vindas ao quartel general de Tancús. O defensor mor reconheceu de imediato a voz do abraçador quando este lhe disse «bem vindo a casa senhor ministro defensor nacional.
Salzedo nem queria acreditar: –ó Rabisco, anda meio mundo à tua procura e o outro meio a ver se te encontra… … o que fazes tu aqui homem? Ao que o Rabisco respondeu – para falar verdade, no meio de tanta gente séria, só posso dizer que não sei o que estou aqui a fazer, pois perdi a bússola do passado nas últimas manobras militares que se realizaram aqui em Tancús, tudo provocado pelo rebentamento de uma granada defensiva que inadvertidamente lançaram para muito perto do meu estado maior.
-Homessa…, essa é boa…, pensava eu que os generais estavam a recato das armas…, mas se o nosso general não sabe o que está aqui a fazer, porque está aqui?
«Defensor Salzedo…, alguém o confundiu com um elemento da PJ que viria para sabotar a auditoria ao armamento de Tancús, ou seja, de Portugal… certo? Coube-me a patriótica missão de barrar-lhe o caminho…, pelo que, desde já, lhe apresento as minhas sinceras desculpas».
O defensor mor, que tinha mau feitio, cuspiu para o chão sete vezes após o que ordenou: «vamos lá então passar revista ao poial…, desculpem meus senhores…, quero dizer PAIOL… em frente marche.
 As armas de Portugal assinaladas…
 -Olha… olha…, as nossas arminhas estão cá!..., exclamou o Salzedo ao entrar no paiol, seguido da vassalagem curva e sorridente. O Rabisco lançou um sorriso amarelo, mais riso apatetado, para o defensor mor cujos olhinhos pequenininhos saltitavam atrás das grossas lentes dos óculos. «O material voltou à casa mãe…, meu querido defensor…, feitas as contas, com noves fora e raiz quadrada, temos um superavit de quatro G3, cinco caixas de chumbo para pressão de ar e três caixas de granadas defensivas… … tudo graças aos esforços da nossa PJM… aqui na pessoa do nosso major Frazão, que contou com a colaboração da TNT de Louvalé…, militares a quem vou propor condecoração no  futuro dia do Camões, com medalha de cruz de latão e dois tostões por serviços devolutivos à pátria».
O defensor, ouvindo atentamente o Rabisco, esfregava as mãos de contente ao mesmo tempo que pensava «por esta é que o LaCosta não espera…». De seguida atacou nove vezes o teclado do seu Huawei, aguardando que o LaCosta atendesse.
Cinco minutos depois: –este diz que não atendo o telefone… e ele ainda é pior… pssssss… ouviu-se a VOZ questionando quem estava lá...
-Felizmente parece que não ouviu… … ó meu 1º sou eu… o Salzedo… com muito boas notícias… as arm… … Salzedo ouviu um palavrão de primeira categoria, pedindo imediatamente desculpa pelo equívoco constante…  que não o fazia por mal… apenas um velho hábito da tropa, onde nos metem coisas na cabeça que ficam para toda a vida.
-Sim… sim… vou completar de imediato meu… senhor: –as armas de Portugal foram recuperadas…, isto é…, foram encontradas graças a Deus e ao major Frazão… … todinhas sim… até com mais umas fora do lote… suponho eu serem de juros… sim… sim, certamente… ainda ficamos a ganhar com o roubo… e o Rabisco também apareceu, muito enegrecido por três dias de clandestinidade… mas não sabe onde esteve.
O LaCosta tomou conta da conversa, pois o Salzedo não se calava: –ficas desde já avisado que vais ser condecorado pelo Marçalo. E o Rabisco passa à peluda, pois são já muitos anos de tropa… “fandanga”…

Discurso de Marçalo, no jantar de despedida do Salzedo, um ano após o episódio rocambolesco:
Três vezes negou Pedro
a Jesus na última ceia.
E foi-lhe apontado o dedo:
tu me negaste por medo
de ser envolvido na teia.

O Salzedo negou mais,
pelo menos vezes sete!
Cuidado que é demais…
Negar o que compromete
é bom título para manchete.
A quem negou o Salzedo? Não sei…, nem isso interessa…

AC

SENDO ASSIM ????!!!!!.....

365,31 euros.
Trezentos e sessenta e cinco euros e trinta e um cêntimos.
Que número é este?
Recebemos o cálculo final dos juros a suportar pela autarquia para o financiamento BEI de 442.723,53 euros para a obra de “Melhoria da Mobilidade Urbana e Segurança Rodoviária do Concelho de Alandroal - 1ª Fase”, a obra de que tanto se tem falado.
365,31 euros de juros em toda a vida do empréstimo de quinze anos com dois anos de carência.
Para que não restem dúvidas: os juros totais deste empréstimo, que mais não é que um reembolso a juro quase zero, são de 365,31 euros.
28,1 euros por ano!
0,94 euros por mês!
Para garantir um milhão de euros de investimento na sede de concelho!
É isto que vai comprometer a gestão da autarquia e o futuro do concelho?

In Facebook João Maria Grilo
         PARA DESCOMPRIMIR….



CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

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                              O ORÇAMENTO, OS NÚMEROS E AS OVELHAS
Julgo que já aqui fiz uma piada, ou tentei fazer, em que joguei com a expressão “se no princípio era o Verbo agora… é a Verba”. Quer a palavra, quer o dinheiro – os números, aquilo com que se compram os melões – podem também ter vários sentidos e, por isso, vários significados e interpretações. Vem esta conversa a propósito do orçamento para 2019, que está em final de discussão entre os Partidos na Assembleia da República e o Governo.
Os orçamentos, mesmo sendo instrumentos técnicos onde importa fazer muitas contas e muitos exercícios entre o deve e o haver, são acima de tudo documentos políticos. Recordo com alguma emoção, mesmo depois de todas as conversações, depois de todas as assinaturas entre os Partidos que designamos da Esquerda e que formaram a “Geringonça”, quais cerimónias de casamentos complicados como os dos reis e das rainhas em que haveria muito património a defender mas também muitas questiúnculas entre membros das respectivas famílias; lembro como foi emocionante a aprovação do primeiro orçamento desta legislatura. Foi nesse momento que percebemos que era possível Partidos normalmente habituados a viver à conta do capital de queixa, comprometerem-se numa certa medida com a gestão que, tentando dirimir o motivo da queixa, tantas vezes obriga a fazer oitos com pernas de noves.
Os orçamentos são, afinal, como as salsichas. Uma vez que os provamos e aprovamos, mais vale nem saber de que são feitos. A suposta precisão dos números, que são ainda assim a matéria prima de um orçamento, transforma-se em retórica e num difícil exercício de conciliar a lógica com a dialética. Às vezes é mesmo muito difícil perceber como se ajeitarão números, sempre curtos, sempre poucos, sempre regateados, e afirmar que só se pode fazer com eles uma parte daquilo que outros exigem, e o fazem tanto para além do resultado possível da soma das partes exigidas. Parece não haver aritmética possível no exercício de um orçamento.
Planear, mesmo com todas as interrogações que um qualquer futuro em qualquer parte do Universo signifique, implica encontrar alguma estabilidade que a matemática tantas vezes parece querer dar aos sentimentos e vontades de geometria tão variável. No final da história, bem vistas as coisas, tudo parece encaixar-se: não numa certeza de números que se esgota, mas numa necessidade de quem aprova um plano se poder entender. Puxa daqui, puxa dali, num documento que parece estar orquestrado pelos números, está, aparentemente também e regressando à Verba e ao Verbo, orquestrado pelas palavras que reflectem ideologias. Como se nos mandassem a todos contar ovelhas para saber quantas são, esquecendo que esse é um exercício que serve só para nos embalar.
Até para a semana.
 CLÁUDIA SOUSA PEREIRA