A CHUVA
Há quanto tempo não via,
O toque da chuva caindo,
Ao sopro da ventania,
Que nos meus olhos batia,
E me segredava ao ouvido.
Há quanto tempo esperava,
A fonte que alimenta a vida,
Que no campo tudo encharcava,
De mil cores se apalavrava,
De virtude enriquecida.
Hoje visitou-me apressada,
Mal aguou a terra infinda,
Cheia de sede tão gretada,
À espera de ser molhada,
Moribunda ressequida.
E não quis por cá ficar,
Apagou as nuvens do céu,
Trouxe o sol a madrugar,
E voltou a emigrar,
Ai… minha esperança morreu.
27-02-2018 Maria Antonieta Matos

3 comentários:
Gosto muito de ler os seus poemas. Aqui ou no facebook. Obrigada por nos prendar com mais este. É maravilhoso e diz muito.
Quando estou inspirada também escrevo alguma coisa (que tenho guardado só para mim). Mas este tempo (meteorológico) anormal que temos vivido, às vezes torna-se inspirador. Vou colocar aqui uns versinhos que fiz há dias na senda destas alterações climáticas a que temos assistido.
O Tempo que vai fazendo
Num inverno frio e seco
Chove chuva miudinha
Quando passo ali no beco
Já lá canta a andorinha
Quando canta a andorinha
Já lá vem a primavera
Canta também a rolinha
Quatro estações? Já era!
Primavera prolonga o frio
Outono continuou quente
No inverno não corre o rio
No Verão um calor ardente
Portugal já não é o que era
Pouco azeite, vinho e pão
Não há tempo de Primavera
Nem canta o galo capão
Chuva transforma a vida
Sem chuva vida não há
Se ela estiver de partida
Vamos ver como será
A fonte não corre não
O trigal já não cresce
Os frutos como serão
O azeite desaparece
Maria M
Mais uma vez a nossa Poetisa Maria Antonieta nos deliciou !
Não posso deixar de felicitar e agradecer a nossa outra Poetisa Maria M.
Obrigada a ambas !
OBrigada pelos vossos comentários sempre tão carinhosos e pela quadras lindas que juntou a Maria M. Embora não tenham rosto são bem vindos no meu coração. Maria Antonieta Matos
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