segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A CRONICA DE OPINIÃO HOJE TRANSMITIDA NA DIANA/FM



                                                                                              MARIA HELENA FIGUEIREDO
                                                                   COM PEZINHOS DE LÃ….
Na passada 6ª feira reuniu a Assembleia Municipal de Évora. Foram muitas as propostas de moção apresentadas, mas uma delas, acho que merece que nos detenhamos com atenção.
Porquê? Porque a sua leitura literal não chega para a entendermos em toda a sua extensão.
Estou a referir-me, claro, à proposta de moção apresentada pelo CDS-PP a que foi dada a designação “Evocação e Valorização do 25 de Novembro”.
É uma moção com um cariz profundamente ideológico de direita e reaccionário a que o CDS-PP trouxe à Assembleia Municipal, a coberto de uma linguagem envolvente que pretende travestir-se de democrata.
Reaccionária não apenas pelo elogio que faz ao 25 de Novembro mas pela forma – acobertada – como no fundo olha o momento mais importante da nossa vida colectiva nas últimas décadas, o 25 de Abril.
É uma moção em que se faz o elogio da data que “recolocou as elites militares no seu devido lugar” e afastou o MFA das derivas revolucionárias.
Quem eram as elites militares que o CDS quer celebrar? Eram os generais e oficiais que não tinham maioritariamente participado no movimento dos capitães e no 25 de Abril, esse sim o momento alto, de libertação de um Povo sujeito a um regime totalitário.
As elites militares que o CDS quer celebrar eram nem mais nem menos aqueles que tinham mandado milhares e milhares de jovens para a frente de combate nas colónias, numa guerra injusta e que protegia apenas os interesses de alguns. E também militares que protagonizaram alguns dos momentos mais negros da presença das tropas portuguesas nas colónias.
As elites que contaram desde o 25 de Abril com o apoio dos saudosistas dos tempos da outra senhora e até de uma “maioria silenciosa” que logo no 28 de Setembro tinha rumado, armada, vinda muito do Alentejo, para Lisboa e que foi travada pelos jovens militares e por muitos populares.
Mas a moção elege também o 25 de Novembro como o momento que uniu grandes figuras em torno do “restabelecimento da ordem e do progresso de Portugal”. Ordem e Progresso: mais duas expressões que, juntas, quem viveu nos tempos da ditadura bem conhece o significado.
A desfaçatez – sim porque seria demasiado simples se se tratasse de ignorância – não se ficou por aqui: a moção do CDS-PP invoca como conquista do 25 de Novembro a realização de eleições verdadeiramente livres e democráticas e , pasme-se, a Constituição da República Portuguesa de 1976.
Eleições que se tinham realizado em Abril de 75 – durante o tal período em que para o CDS o Diabo andava à solta – e a Constituição de 76 que o CDS-PP tantas vezes se vangloriou de ter votado contra.
Devia por isso ter algum pudor agora o CDS – PP face a tamanha mistificação e branqueamento da sua própria história.
A moção foi rejeitada com os votos da CDU e do Bloco de Esquerda, mas o PSD votou a favor, juntando-se assim ao que de pior passou pela Assembleia Municipal nos últimos tempos. E o Partido Socialista, igual a si próprio, absteve-se.
Ficamos a ver o que se seguirá, lembrando sempre aquela canção do Sérgio Godinho que nos diz que
O fascismo é uma minhoca
que se infiltra na maçã
ou vem com botas cardadas
ou com pézinhos de lã
Até para a semana!



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