MARIA HELENA FIGUEIREDO
COM
PEZINHOS DE LÃ….
Na
passada 6ª feira reuniu a Assembleia Municipal de Évora. Foram muitas as
propostas de moção apresentadas, mas uma delas, acho que merece que nos
detenhamos com atenção.
Porquê?
Porque a sua leitura literal não chega para a entendermos em toda a sua
extensão.
Estou
a referir-me, claro, à proposta de moção apresentada pelo CDS-PP a que foi dada
a designação “Evocação e Valorização do 25 de Novembro”.
É
uma moção com um cariz profundamente ideológico de direita e reaccionário a que
o CDS-PP trouxe à Assembleia Municipal, a coberto de uma linguagem envolvente
que pretende travestir-se de democrata.
Reaccionária
não apenas pelo elogio que faz ao 25 de Novembro mas pela forma – acobertada –
como no fundo olha o momento mais importante da nossa vida colectiva nas
últimas décadas, o 25 de Abril.
É
uma moção em que se faz o elogio da data que “recolocou as elites militares no
seu devido lugar” e afastou o MFA das derivas revolucionárias.
Quem
eram as elites militares que o CDS quer celebrar? Eram os generais e oficiais
que não tinham maioritariamente participado no movimento dos capitães e no 25
de Abril, esse sim o momento alto, de libertação de um Povo sujeito a um regime
totalitário.
As
elites militares que o CDS quer celebrar eram nem mais nem menos aqueles que
tinham mandado milhares e milhares de jovens para a frente de combate nas
colónias, numa guerra injusta e que protegia apenas os interesses de alguns. E
também militares que protagonizaram alguns dos momentos mais negros da presença
das tropas portuguesas nas colónias.
As
elites que contaram desde o 25 de Abril com o apoio dos saudosistas dos tempos
da outra senhora e até de uma “maioria silenciosa” que logo no 28 de Setembro
tinha rumado, armada, vinda muito do Alentejo, para Lisboa e que foi travada
pelos jovens militares e por muitos populares.
Mas
a moção elege também o 25 de Novembro como o momento que uniu grandes figuras
em torno do “restabelecimento da ordem e do progresso de Portugal”. Ordem e
Progresso: mais duas expressões que, juntas, quem viveu nos tempos da ditadura
bem conhece o significado.
A
desfaçatez – sim porque seria demasiado simples se se tratasse de ignorância –
não se ficou por aqui: a moção do CDS-PP invoca como conquista do 25 de
Novembro a realização de eleições verdadeiramente livres e democráticas e ,
pasme-se, a Constituição da República Portuguesa de 1976.
Eleições
que se tinham realizado em Abril de 75 – durante o tal período em que para o CDS
o Diabo andava à solta – e a Constituição de 76 que o CDS-PP tantas vezes se
vangloriou de ter votado contra.
Devia
por isso ter algum pudor agora o CDS – PP face a tamanha mistificação e
branqueamento da sua própria história.
A
moção foi rejeitada com os votos da CDU e do Bloco de Esquerda, mas o PSD votou
a favor, juntando-se assim ao que de pior passou pela Assembleia Municipal nos
últimos tempos. E o Partido Socialista, igual a si próprio, absteve-se.
Ficamos
a ver o que se seguirá, lembrando sempre aquela canção do Sérgio Godinho que
nos diz que
O
fascismo é uma minhoca
que se infiltra na maçã
ou vem com botas cardadas
ou com pézinhos de lã
que se infiltra na maçã
ou vem com botas cardadas
ou com pézinhos de lã
Até
para a semana!

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