terça-feira, 18 de outubro de 2016

UMA RECORDAÇÃO DO LUÍS DE MATOS

Um Petisco de ...
 Conta-se que num belo dia de Inverno, o Mestre Mário Major, que era sapateiro de profissão, morava na Rua do Montinho, na última casa junto ao chafariz, em Terena e tratou de cozinhar uns corvos para uma petiscada. Era uma pessoa que fazia petiscos com todo o género de bicharada. Segundo dizem, era um ás. Não havia outro como ele. Convidou o José Belo, pai do Manuel Inácio Belo, agricultor do Monte da Cruz Branca e o Manuel Inácio Mira, mais conhecido por Mestre Manel Sapateiro que morava na Rua das Casas Novas. Os três homens comeram o petisco, mas só o cozinheiro é que sabia a malandrice que tinha feito. O que eles sabiam é que era bom. Não era nem é normal comerem-se aves daquela espécie. 
No final, quando o Mestre Mário lhes disse o que tinham comido, o Mestre Manel Sapateiro, pensou para com ele. 
Deixa-te estar que vais pagá-las! Quando mal te descuidas, estás a comer um petisco à minha maneira. E assim foi. Pediu a um amigo que lhe matasse um gato para pregar um partida lá na Sociedade e com a carne do bicharoco mandou fazer um petisco. Convidou os outros dois, pois então, havia que retribuir o convite. Ao que parece cheirava tão bem, que o António Galrito que era o farmacêutico local, disse para o Mestre Manel:
- É pá, cheira muito bem! O que é que vocês aí têm?
O Mestre Manel Sapateiro, disse prós seus botões:
- Olha! Mais um. Este já caiu no anzol e diz-lhe:
Então, se queres chega pra cá.
Sentados à mesa, começaram a petiscar com o maior dos apetites. Entretanto o petisco acabou. Foi então que o Mestre Manel, sempre com a graça que lhe era peculiar, mostrando a cabeça do animal, lhes disse:
- Olhem! Aqui está a cabeça do animal que estivemos a comer. 
Aos outros companheiros não lhes causou qualquer impressão, mas ao farmacêutico, já não foi bem assim. De imediato teve um grande enjoo e ao que parece esteve vários dias doente e aborrecido com o Mestre Manel, enquanto os restantes convivas acharam muita graça à brincadeira.

Luís de Matos

2 comentários:

Francisco Tata disse...

Bem eu tambem já fui vitima de uma partida identica. Salvo erro foi o Américo que uma vez no Melão (velho), preparou um petisco de truz, com uma raposa.
Foi de comer e chorar por mais...

Anónimo disse...

Ora venham lá mais historietas do Sr. Luís de Matos. Cá por mim fico à espera de mais "apontamentos" deste género, não só porque me fazem olhar para trás com nostalgia, como, também, servem para deixar registado como era a vida noutros tempos. E como partidas deste género serviam, não para criar inimizades, mas, para exactamente, as fortalecer
Parabéns ao autor