FERIADO
P´RÁS CANETAS
Coisas de
alguns estadistas Locais neste ESTADO de coisas.
Não querendo
de todo seguir ao propósito, no já distante ano de 75 e sendo «edil» na
Comissão Administrativa da Câmara do nosso Concelho, confrontei-me com uma “das
mais Educativas situações de protesto”, quanto ao feriado do 1º. de Dezembro.
Naquele
tempo a data não figurava no calendário dos feriados nacionais, em termos das
relações de trabalho para o todo dos trabalhadores. Mas, já então e em
intolerável atitude discriminatória para OS OUTROS, concedia-se tal benefício
aos “funcionários públicos.
JOAQUIM
OLIVEIRA (já falecido) pai do Miguel, do Francisco e de outros trabalhava
sazonalmente numa empresa prestadora de serviços á Câmara, na área das redes
viárias (poucas Empreitadas havia, como suposto é. Os QREN’s e outros estavam
longe…) e…não trabalhou naquele 1º. de Dezembro. Vejam só.
Feriou…de
CONTA PRÓPRIA.
Muito
apreciador “do copo”, não raro era vê-lo tertuliando em qualquer taberna da
vila, exibindo-se com apreciada linguagem gestual “dedilhando uma invisível
viola” e acompanhando-se em “seus cantes próprios” (irremediavelmente não
registados).
Descendo o
“Outeiro das Nozes”, vindo decerto de Zé Canhoto, entrou na Taberna da Tia
“Cuca”. A descrição do percurso, de minha autoria, não fugirá muito á regra
destes “Bacos” caminhantes.
A manhã
avançava e eis senão que, JOAQUIM OLIVEIRA, saindo deste último lugar (como
certo foi até aqui onde concentro o escrito) se encosta ao secular peitoril de
madeira da montra da «Farmácia do Pita», olhou (veria dois em um, como agora se
diz) para o banco que se encontrava ao “fundo” da Praça (onde eu estava, mais
Vicente Roma e Adérito Neves, saudosos amigos) e assim me confrontou:
Decorreram
38 anos e jamais esqueci esta Singular Manifestação Inteligente de Protesto,
vinda de um analfabeto SENHOR.
Oxalá este
pequeno escrito aproveite a quem tem que «decidir» sobre a vida de quem
trabalha.
1 comentário:
Gosto de estórias assim, de um realismo tal que quem as ouve contar parece-lhe que também assistiu a tudo o que é contado.
E hoje, como é quanto a canetas e picaretas? As palavras têm rima..., mas vai lá... vai...
Um abraço.
AC
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