segunda-feira, 29 de julho de 2013

MEMÓRIAS DO PASSADO - Hoje um "apontamento" do Tói

                                                       FERIADO P´RÁS CANETAS
 Este escrito vem tão somente ao propósito “da confusão que se instalou no País” sobre o “usufruto” dos feriados dando lugar, por exemplo, a que o 24 de Junho (genuinamente Tripeiro) fosse retirado aos trabalhadores do Município do Porto por Rui Rio e de, em “crescendo da confusão”, Luis Meneses, de Gaia o TENHA MANTIDO.
Coisas de alguns estadistas Locais neste ESTADO de coisas.
Não querendo de todo seguir ao propósito, no já distante ano de 75 e sendo «edil» na Comissão Administrativa da Câmara do nosso Concelho, confrontei-me com uma “das mais Educativas situações de protesto”, quanto ao feriado do 1º. de Dezembro.
Naquele tempo a data não figurava no calendário dos feriados nacionais, em termos das relações de trabalho para o todo dos trabalhadores. Mas, já então e em intolerável atitude discriminatória para OS OUTROS, concedia-se tal benefício aos “funcionários públicos.
JOAQUIM OLIVEIRA (já falecido) pai do Miguel, do Francisco e de outros trabalhava sazonalmente numa empresa prestadora de serviços á Câmara, na área das redes viárias (poucas Empreitadas havia, como suposto é. Os QREN’s e outros estavam longe…) e…não trabalhou naquele 1º. de Dezembro. Vejam só.
Feriou…de CONTA PRÓPRIA.
Muito apreciador “do copo”, não raro era vê-lo tertuliando em qualquer taberna da vila, exibindo-se com apreciada linguagem gestual “dedilhando uma invisível viola” e acompanhando-se em “seus cantes próprios” (irremediavelmente não registados).
Descendo o “Outeiro das Nozes”, vindo decerto de Zé Canhoto, entrou na Taberna da Tia “Cuca”. A descrição do percurso, de minha autoria, não fugirá muito á regra destes “Bacos”  caminhantes.
A manhã avançava e eis senão que, JOAQUIM OLIVEIRA, saindo deste último lugar (como certo foi até aqui onde concentro o escrito) se encosta ao secular peitoril de madeira da montra da «Farmácia do Pita», olhou (veria dois em um, como agora se diz) para o banco que se encontrava ao “fundo” da Praça (onde eu estava, mais Vicente Roma e Adérito Neves, saudosos amigos) e assim me confrontou:
 Com que então Feriado p’rás canetas!!! P’rás picaretas nada, não!!! Está bem, está!!!
 E, trim, trim, trelerim, tintim seguiu Caminho da Fonte abaixo, porventura na direcção “da Estrada Real” (a que tinha o Arco lá ao fundo)…e, porque não, da Taberna do Lica.

Decorreram 38 anos e jamais esqueci esta Singular Manifestação Inteligente de Protesto, vinda de um analfabeto SENHOR.
Oxalá este pequeno escrito aproveite a quem tem que «decidir» sobre a vida de quem trabalha.
 Abraços para todos
 Tói da Dadinha  

1 comentário:

Anónimo disse...

Gosto de estórias assim, de um realismo tal que quem as ouve contar parece-lhe que também assistiu a tudo o que é contado.

E hoje, como é quanto a canetas e picaretas? As palavras têm rima..., mas vai lá... vai...
Um abraço.

AC