São troncos de árvores, secos e dobrados,
Na planície, de espaços limitados,
Dos caminhos percorridos, sem fronteiras.
Faculdades de saber inexorável,
Tão ricas e tão ignoradas.
São cérebros vazios, nas lentas madrugadas,
E na agonia dos dias que, consomem.
Crianças que os anos, desgastaram,
Na cadência de horas, sem tamanho.
Cordeiros esquecidos, num rebanho,
Que se agita ao ritmo angustiante
Dum mundo que se agiganta e se destrói.
São hera que secou nessa parede,
Que seus sonhos e saberes escondeu,
E numa qualquer noite os devolveu,
Á terra que um dia os viu nascer.
Lisette Alvarinho
VIVER SAUDADE
Principio de noite, inda acordada,
Penso que é longo o caminho
E pouco o tempo.
E esmagada sob as patas da boiada,
Me quedo nesta cela do convento,
Onde o azul já se não vê.
E eu procuro já nem sei o quê.
Olhos voltados para aquele dia,
Em que ouvi cantar a cotovia,
E o sol me tomou e fez mulher.
E eu fui tudo o que se sonha,
O que se quer.
Lisette Alvarinho
20/09/1987
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