Plínio, o Borboleta
O tempo da escola
- Foi o começou do meu calvário, da nossa tragédia, - disse-me com uma voz tão magoada que me deu pena.
- Eu e a Pulquéria éramos os melhores e ao mesmo tempo os piores
alunos da classe, quando chegavam os exames não passávamos, - interrompi-o.
- Como é que isso podia, acontecer, Plínio? enervavam-se?
- Não, fazíamos a propósito, - disse-me com um sorriso triste nos lábios.
- De propósito?
- mas isso foi possível.
Com ar tranquilo foi descrevendo a sua aventura, contou que o
namorico com a Maria começara com uns sorrisos e troca de olhares. Depois
começaram a falar até que as desconfianças, as más-línguas os descobriram.
Ela era das da aldeia das Hortinhas o que dificultava a nossa
relação. Decidimos, apesar de vigiados, chumbar nos exames, assim estaríamos
mais tempo ao pé um do outro.
- Claro,
duplicavam o tempo e, no último ano de exame como foi? - perguntei.
- Não houve exame. Tínhamos a certeza que após o exame nunca mais
nos veríamos. Na véspera do exame da quarta classe, já com quinze anos feitos,
devido ao atraso do carreiro que vinha buscar a Maria e trocando as voltas à
professora, consegui dar-lhe um escrito.
“Estarei à uma da manhã junto à cabana das bestas, vê se podes
lá estar. Toma cuidado com o cão para que não ladre e procura não fazer
barulho”,
- E ela foi?
- Sim tinha a certeza que não faltaria. Deu-se um imprevisto.
Naquela noite, ou porque tivéssemos tido, pela primeira vez relações sexuais ou
porque lhe apareceu a menstruação, ela sentiu dores horríveis e teve fortes
hemorragias
Levaram-na a um médico em Vila Viçosa e encerram-na no Seminário, que também
albergava um núcleo de freiras.
- Imagino o sofrimento, o teu e o dela, Plínio.
- Foi grande e doloroso, com o psíquico a sobrepor-se ao físico,
mas durou pouco tempo. - ao dizer esta frase o rapaz baixou a
cabeça e começou a dar, novamente, mostras de cansaço.
- Ela morreu?
- perguntei com ansiedade.
- Morreu ao
sétimo dia de entrar para o Seminário e eu morri no dia do seu funeral.
(Termina amanhã)
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