(OUTROS TEMPOS)
Tudo começava em meados de Setembro (nessa altura a
“Festa” tinha lugar no último Domingo de Setembro e prolongava-se pela Segunda
e Terça Feira) com o Mestre BATATA a erguer o Coreto nos Arrequizes, local do
evento. A partir dessa altura estava interdito o “jogo da bola”. A seguir
erguia-se um palanque na Rua do Rodo, com o propósito de aumentar a capacidade
da Praça de Touros. Dizem os mais velhos que uma vez se desmoronou, provocando
ferimentos em inúmeros espectadores.
Guardo na memória a equipa de Festeiros que punham
mãos à obra. Mestre ZÉ BIGA, JANGA, JERÒNIMO, ZÉ TÁTÁ, CATITA, BATATA, MANUEL
ROMA e outros cujos nomes não me ocorrem, assumiam os riscos, para o bem e para
o mal.
Aguardavam-se a saída dos prospectos, para confirmar a
Banda, o Rancho, as Orquestras...o resto era igual de ano para ano: Fogo de
Artificio dos afamados pirotécnicos Alves e Filhos, do Sardoal, Vacas do
Caixeirinha ou do Sebastião Cordeiro, feéricas iluminações eléctricas e serviço
de tômbola, com o sorteio dos géneros ofertados e as famosas garrafas de
escachado “Cristalino”.
Sábado à tarde vinha o “gado bravo”...íamos esperá-lo
ao alto de Carambô, dependurados nas copas dos chaparros, descia a Ladeira das
Pedras, e já no Touril apareciam os “valentões” para opinarem da bravura dos
cornuptos. Quando comecei a interessar-me por estas “coisas” das touradas, eram
ídolos o CHICO PALHA, O SARLICA, O CHICO RIJO...antes haviam sido o JOÃO
COLUNAS, O PATO...fizeram também escola o PASSARINHO, o ARMINDO e mais tarde o
SOUSA, o ZÉ PEDRO o EXPERIÊNCIAS o MONCHIQUE.
Ainda perduram na memória de muitos, os Bailes da
Festa, com famosas Orquestras vindas de Espanha: MONTE CARLO, de Setúbal, A
PARAÍSO, OS CINCO DE PORTUGAL da Moita, etc, etc. Os bailes tinham lugar na
Praça e Touros, e a entrada só para ver o Baile e ouvir as Orquestra custava
2$50.
A TOMBOLA era uma das grandes atracções. Nela se
aglomeravam as gentes, aguardando que a sorte os bafejasse, com linguiças,
chouriços, pães, descomunais melancias ou quem sabe um bom paio.
Com o ressurgir da Banda Municipal, e com o intuito de
angariar fundos, passou a Festa a ser organizada por outra comissão. É de toda
a justiça salientar aqui o trabalho desenvolvido pelo JUVENAL
Com novos elementos, surgiram novas ideias: passou a
realizar-se no primeiro Domingo de Setembro, foi transferida para a Praça,
passou a haver mais ornamentação, mais luz.
Com o desmantelar da Banda, chegou ao fim esta
Comissão.
Surgiram então novos elementos apostados em não deixar
morrer a Festa. Desta vez em nome da Sociedade Artística, e contando com
elementos nos quais me incluo, o ZÈ FONTES, O ANTÓNIO JOÃO, o TOI, os
BALSANTES, O MALATO, o ZÉ COLUNAS, o SALVADOR o JOEL, o GRILO, trouxeram sangue
novo ao evento: passou a ter a duração de quatro dias, foi alargado o espaço do
“ARRAIAL”, passou a incluir provas desportivas. A coincidir com a Festa foi
lançada uma revista: “ALANDROAL TERRA MINHA”, era o seu nome, e constituiu na
altura um grito de revolta contra o regime vigente.
A Festa viria a atingir o seu auge quando o CARLOS
GOMES se lembrou de organizar uma SEMANA CULTURAL, com início no primeiro
Sábado de Setembro e terminus no segundo Domingo do mesmo mês. Teve posterior
seguimento pela mão de JOÃO NABAIS. Foi pioneira de muitas outras semanas
culturais que se realizaram nas redondezas, e deu mote para que se viesse a
realizar a tão famosa EXPO-GUADIANA. (Isto no meu entender).
São tempos passados e cada um dá-lhes o valor que
quiser. Foram apenas recordações, de alguém que continua a “viver “a sua Festa
de Setembro, não admitindo sequer compará-las com outras.
Não havia foguetes como os nossos... Garraiadas como
as nossas...Tômbola como a nossa. Há lá PROCISSÂO tão bonita... com SANTA tão
linda...com repiques de sinos tão comoventes....e que lindo que é o HINO da
NOSSA PADROEIRA, quando se faz ouvir pela nossa BANDA, à saída da PROCISSÂO!
QUE NUNCA TERMINE!
Xico Manel
19 comentários:
Não posso deixar de fazer este comentário:
Antes da Semana Cultural as festividades foram ainda realizadas por mim, Juvenal Roma João Rebocho, Teixeira, etc, durante dois ou três anos onde no ùltimo ano as despesas já rondavam mais de mil contos. Para as variedades trouxemos a esta vila os cantores José Alberto Reis, Cândida Branca Flor, Paco Bandeira entre outos artistas e Bandas de renome que não recordo.
Sr Francisco.
Começa a ser do conhecimento geral o relatório do tribunal de Contas á camara do Alandroal, realizado nos finais de 2009 e 2010, relativo a esse ano e anteriores. Não sei se tem conhecimento dele ou não. Em meu entender é uma peça demolidora do que aqueles dois executivos realizaram ao longo dos seus 8 anos. Estará interessado em publica-lo e de uma forma aberta deixar que todos se pronunciem para esclarecer duma vez por todas algus dos crimes cometidos ( entre eles 117 de peculato e 92 de peculato de uso) vulgo, roubo dos cofres do Estado!? (pag 18 de 50 do referido acordão)
Não se trata de jornais, disse que disse, parece que, etc. etc. Trata-se da instancia superior em termos de fiscalização do próprio estado e suas dependencias.
Se entender publique e diga alguma coisa.
É um exercicio mínimo de cidadania em prol de todos, poucos, que se interessam pela coisa pública, pela decencia e urbanidade.
Se concordar, poderá expor o teor da mensagem que acabei de lhe enviar, não como comentário mas, sim como matéria de primeira página. Se assim for o debate poderá ser interessante.
O que por mim for publicsdo será sempre transcrições do documento oficial, excepto considerações de ordem pessoal que terão o destaque necessário. Obrigado
Ao Sr. Francisco Manuel Ramalho Tátá, responsável pelo Blog denominado “AL TEJO”
Aos 08 dias de Agosto de 2012, venho por este meio, na qualidade de descendente/filha do cidadão Francisco António Palha Faustino, de alcunha "CHICO PALHA", exigir ao sr. Administrador que retire, com efeito imediato, tal referência do seu post.
O sr. Francisco Tátá já havia sido informado, há muito tempo a esta parte, que estava liminarmente PROIBIDO de fazer qualquer referência a pessoas da minha família íntima, nomeadamente, agregado familiar, ascendentes, descendentes, colaterais, vivas ou falecidas.
Face à ousadia, persistência e insensibilidade, do sr. Francisco Tátá, se a referência em causa não for retirada desse “espaço”, encetarei as diligências que vir como necessárias, adequadas e proporcionais a tal desrespeito para com a minha pessoa e outras, assim como pelo desprezo pelas minhas legítimas exigências.
As minhas exigências são de tal forma legítimas, como óbvias, a pessoa em causa faleceu no passado dia 08 de Junho do corrente ano.
Aguardo pelo cumprimento do acima exposto…
Sem mais assunto;
Ass: Maria Olívia Neves de Carvalho Gomes
Companheiro
Parabens pela recordação da Festa.
Estou quase de partida para a Festa e este texto daria um bom comentário daquilo que se perdeu com "estas Festas de agora" em relação às outras. A perda do bairrismo, a perda das decisões de Rua, o trabalho, as alegrias e as zangas, tudo isso que numa só palavra se chama Tradição.
Havia medo e foiteza, havia risco, um risco diferente de agora, cujas dicisões da Festa se fabricam em gabinetes, longe, muito longe da iniciativa popular que unia as pessoas com a Festa e a Festa unia as pessoas,
Mas vamos à Festa ou daquilo que ainda da Festa nos resta, a AMIZADE.
Helder
Resposta aos comentários:
Arlindo:
Muito obrigado pelo teu comentário.
Como deves calcular não mencionei os nomes que fazes o favor de indicar por puro esquecimento (já lá vão + de 40 anos). Fizeste bem em relembrar os nomes indicados pois são dignos de todo o apreço por tornarem possivel a realização das nossas Festas. Obrigado.
Um abraço para ti e para a Ana e até amanhã.
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A proposito do comentário enviado por "anónimo" sobre a auditoria à Camara do Alandroal:
O blogue está e sempre esteve ao serviço da comunidade alandroalense como tal nunca aqui se recusou a publicação de algo que possa esclarecer a população e que seja do interesse de todos.
Procurei no "site" do Tribunal de Contas pesquisando = auditoria à camara do Alandroal =, mas. (talvez por inepcia minha) não consegui chegar lá. Assim, deixo ao seu critérioo envio pormonorizado da notícia, ou indicação concreta onde procurar.
Se fizer o favor de me enviar o texto e considerações sobre o mesmo poderá fazê-lo para o meu mail (para salvaguarda) mesmo que pretenda que seja publicado como anónimo.
Aproveito para esclarecer que nesta postagem e sobre este assunto não publicarei qualquer comentário.
Muito obrigado por ter comentado
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A propósito do comentário enviado por uma Srª "alandroalense" e no qual é evocado o nome do Alandroalense Chico Palha, não perco tempo a dar qualquer explicação, deixando apenas um pequeno reparo: "Que eu saiba António Neves Berbem (este sim tinha conhecimento de ser familiar, ao contrário de Francisco Palha que desconhecia pertencer à familia) = não foi enviado qualquer reparo, pese embora o seu nome seja amiúde aqui referido.
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Boas Festas para todos
Chico Manuel
Sr. Francisco Tátá, o meu comentário está devidamente identificado com o meu nome.
Quanto à “Alandroalense”, não sei o quis dizer com isso mas agradecia que se explicasse melhor, se tiver coragem para tal.
No que se refere ao indivíduo que mencionou, não sei a que propósito foi para aqui evocado, eu falei de “FAMÍLIA”.
Quanto ao meu pai, FRANCISCO PALHA, o sr.”Alandroalense” consegue ser inverdadeiro!!! Como tem a coragem de afirmar que não tinha conhecimento que o Sr. Francisco Palha era meu PAI??? Onde andou estes anos todos??? Essa afirmação é ridícula para quem o conhecer a si e a mim…o sr. cai em descrédito…mas enfim…
Mas agora, que diz ter conhecimento (que é falso), então é da sua inteira responsabilidade retirar a referência que fez ao meu PAI!!!
Agradecia que me tratasse pelo nome, visto estar devidamente identificada, não ser nenhum número, e ser tão Alandroalense quanto o Sr.
Fica aqui o meu nome para o caso de saber ler…
Maria Olívia Neves de Carvalho Gomes
Obs.
Embora possa ser descrita com outras essências e tonalidades (lembro a chegada da Estelheza das 3...) a Festa de Setembro era muito do muito que aqui está narrado.
Do que não há duvida é que todas as Festas nasçem e vivem na imaginação das pessoas... ou,então,não são coisa nenhuma.
Por isso, adiro na integra a esta e a todas as recordações desta qualidade que o al Tejo nos vai dando o ensejo de relembrar e cultivar.
Abraço
ANB
Parabéns amigo Francisco do seu bonito texto relativo às festas de Setembro, ao relembrar e trazendo recordações de algumas pessoas que eu me lembro. Que bonita que era a festa nesses tempos de que eu me lembro, era quando a vida se saboreava e os dias eram lentos bonitos e súdaveis !!!
Na saída, da famosa procissão em honra de Nossa Senhora da Conceição, assim que Banda começava a tocar o lindo HINO de Nossa Senhora até arrepiava de tanta emoção, tal como à entrada da santa.
FESTAS DE SETEMBRO REPUBLICADAS (errata)
1. O Mestre João Carronca (João Alferes Gonçalves) também integrava a Comissão inicialmente descrita.
2. A Orquestra Monte Carlo era de Badajoz, ou das proximidades (de Setúbal era a Blue Star).
3. A publicação da "TERRA MINHA ALANDROAL" iniciou-se em 1955, passando á reedição em 1973 (com IGNORANTES E VIOLENTOS ataques do poder local de então e de outros poderes locais DE INFLUÊNCIA...E MUITO APOIADOS!!!).
AS FESTAS SÃO O SENTIR DO POVO
Que se vivam em saudável amizade E MUITO HUMANISMO.
Do Alto da Maria Pontinha
Se um autarca governa com descriminações,não vai a lado nenhum, se antes as havia agora as há,não venham com tretas de mudança porque o que mudou foram as moscas.
Tem feitas tantas destas com varias pessoas só porque não estão do vosso lado e em liberdade e em democracia escolheram livremente outros caminhos,que mais parece que a mudança aqui feita foi um retrocesso total à liberdade de escolha,pois quem não está por vocês é castigado tal tempo da inquisição.
Confesso que o tinha noutro patamar caro Presidente João Grilo,quem perde com esta sua má e tendenciosa política é o Alandroal e o Sr., do Alandroal tenho pena, já de si e dos seus parceiros de governação não tenho pena nenhuma e não tenha dúvidas que o caro não foge a regra do ditado popular (cada um tem a sorte que merece).
O que eu e muita gente gostariamos de saber é porque não foi convidado para o espectaculo das cantigas dos filhos da terra a ter lugar nas nossa festas e em boa hora, o unico cantor da terra digno do nome,sem querer ofender os outro que cantam muito bem.
Peguntamos, porquê, Sr. Presidente, porquê ???????????
Sr Francisco
O Relatório do Tribunal de contas tem 90 páginas mais umas 45 de anexos. Não é por isso fácil envia-lo, quer em papel, quer digitalizado mas, penso que o pode adquirir através da cedencia de qualquer amigo seu que pertença a qualquer orgão autárquico, visto que foi enviado por correio registado a todos eles.
Em primeira análise, pode ter-se em consideração sómente as primeiras 16 páginas que são as conclusões.
continua
RTContas
CONCORDA QUE NO PRINCIPAL DIA DAS FESTAS (DOMINGO) O PROGRAMA DE VARIEDADES SEJA PREENCHIDO POR ARTISTAS LOCAIS OU PREFERIA ARTISTAS DE MAIOR NOMEADA?
A essa pergunta respondi sim no questionário, mas tenho que deixar aqui a minha humilde opinião se me for permitido, seria bem melhor para o espectáculo e mais rico em termos artísticos, musicais entre outras coisas, se tivessem convidado o único artista profissional local, pelo que tenho lido acho que nem foi convidado por quem de direito, não sabemos se o mesmo poderia ou não poderia estar presente, mas sem convite é que não vai estar mesmo, foi lida a sentença logo à partida, e assim o espectáculo não vai ser o que poderia ser, cantam todos muito bem, mas são amadores, a verdade é que não se aproveita convenientemente os recursos humanos do Concelho é tudo por simpatia e não por mérito próprio.
Não sei se são ou não politiquices agora que são parvoíces e das grandes, são, ou alguém anda de má-fé ou então andam muito distraídos.
Alandroal assim não vais longe, é tacanhice a mais.
Boas festas para todos e para todos boas festas.
A Sul do Equador
Com todo o respeito, aida bem que não convidaram o rapaz é que de boa vontade está o mundo cheio e só não chega, aquilo musicalmente e em termos de cantigas foi muito mais, podia ter havido mais trabalho de casa, o Manuel Augusto ainda deu um jeito e a filha do dino um ar da sua graça.
Enfim resta a boa vontade e já é muito bom.
João Manuel Palha
Querem fazer omeletes sem ovos e depois é uma desgraça, e apesar de ter acabado a festa com a banda da terra, e alguns cantores da terra, nem todos, aquilo foi uma coisa muito amadora e com falta de muito ensaio porque se tivessem trabalhado teria sido melhor, para se fazer assim encima do joelho só os profissionais e nem todos.
Já lá vai o tempo em que tínhamos no Alandroal grandes músicos e grandes orquestras, agora temos umas pessoas com jeitinho para a coisa e não se passa mais nada, fica-se pelo jeito e pela boa vontade.
O que temos e que é profissional foi excomungado e o resultado foi o que se viu, engraçado, simpático, mas muito fraco musicalmente e a nível da cantorias nem se fala.
Músico da banda reformado que graças a Deus ainda não está surdo.
Pois eu o que gostei mais da festa foi ouvir o artista profissional cantar o sole mio. BRILHANTE!BIS!BIS!BIS!
ARTISTA PROFISSIONAL NÃO ESTAVA LÁ NENHUM.
LÁ PORQUE SE CANTAM UMAS CANTORIAS NUNS BARES E RESTAURANTES NÃO FAZ DE NINGUEM PROFISSIONAL, QUE SAIBA NINGUEM DALI VIVE EXCLUSIVAMENTE DAS CANTIGAS SÓ POR AÍ PROFISSIONAIS NEM UM.
NÃO TENHO NADA CONTRA AMADORES QUE OS HÁ A CANTAR BEM MELHOR QUE ALGUNS PROFISSIONAIS, INFELIZMENTE NÃO É O CASO DOS ARTISTAS DA TERRA.
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