sexta-feira, 27 de julho de 2012

UM OSSO DE CADA VEZ (A habitual crónica semanal de ANB)

UM OSSO de CADA VEZ 
"Antes que eu discurse, tenho algo meritório para dizer"
(Adap)


I
De acordo com os ensinamentos que se podem retirar da leitura de alguns trabalhos da área da sociologia politica, é de aceitar a ilação clara que um dos factores que permitem distinguir a qualidade dos políticos, é a maior ou menor frequência com que têm necessidade de se autoelogiar. De uma forma aberta ou disfarçada. Directa ou indirecta. Real ou virtual.
Como termo de comparação, percebe-se que de um modo geral os grandes políticos dispensam o acto de se autoelogiar; os politicos bons autoelogiam-se umas vezes por outras e os políticos suficiente (s), não fazem outra coisa senão repetir a dose de auto-elogios. Daí para baixo nem vale a pena falar porque reina a manipulação grosseira. À solta e por conta própria.
Se querem o exemplo de um político que dispensou elogios, vejam o caso de W. Churchill no passado e de Nelson Mandela na actualidade. À escala portuguesa, recordem-se de F. Salgado Zenha e de F. Sá Carneiro que iam em frente e dispensavam elogios fáceis. O primeiro teve as pastas que quis, o segundo foi 1º ministro.
E, já agora, reparem no modo como N. Mandela liderou com De Klerk a resolução de um problema político muito difícil que podia ter levado a uma guerra civil generalizada como era o de liquidar o apartheid na R. África do Sul.
Comparem-nos em seguida com grande parte dos políticos portugueses nos diversos níveis em que actuam.
Vejam quantas vezes persistem em elogiar-se e listar aquilo que vão fazendo e tirem daí as vossas conclusões…
Como se não fosse essa, aliás, a sua missão e o seu principal dever nacional e Autárquico.

II.
Os OSSOS da Igreja
Está mais ou menos aceite que a Igreja se mexe (e o Vaticano se muove) com bastante cautela no território da intervenção politica. Às vezes, até dá a sensação sábia que consegue estar bem com Deus e com o Diabo como historicamente tem repetidas vezes acontecido.
Em Portugal, D. Manuel Martins, o bispo vermelho foi uma excepção. D. Januário Ferreira tornou-se há dias a outra.
Atenção, porém, ao que esta nova casta do alto clero anda a dizer através do jovem bispo do Porto, o dialogante e bom conversador D. Manuel Clemente e também ao que acaba de reclamar em voz alta, Dom Jorge Ortiga.
Disse o ex-presidente da Conferência Episcopal que:
(a)            “(…) para os políticos vale apenas o bem-estar pessoal ou, quando muito, o do seu grupo ou partido”;
(b)             e que “Nós sentimo-nos inquietos e incomodados com aquilo que aflige os outros(…). Apostai em causas, ideias e projectos.
Lutai por eles, apelou o Bispo.”
Postas as coisas neste pé, pensem lá, se desta vez, a Igreja de Bento XVI, está disposta a pactuar com a situação social que estamos a viver?

III.
INTERNACIONAL
O caso da saída da Grécia do euro acaba de ter uma sentença prévia através da intervenção, em dias sucessivos, dos poderosos Ministros das Finanças e da Economia da Alemanha.
Pode sair do euro, já em Setembro, depois de ter sido objecto de dois resgates, isto é, depois de deixar de ser “um caso assustador” e dos principais bancos alemães terem visto paga a parte de leão da divida grega.  
Com a guia de marcha pronta para os gregos, a pergunta que se põe é esta: qual é o país que está em risco de seguir o mesmo caminho?
Ou será que ainda acreditam na mentira e na patranha de que a Alemanha tem andado a assinar uns cheques para ajudar a pagar a divida de países como a Grécia e Portugal vendendo de caminho por portas e travessas uns submarinos bastante caros?
Acreditam nisso, ou acham que a crise do euro lhe tem sido bastante vantajosa e que o impasse da Europa tem sido um bom negócio para os países centrais da União Europeia?
Sabem que há 17 biliões de euros tanto quanto a economia dos USA e do Japão juntas em paraísos fiscais internisados?

IV.
O Presidente B. Obama inspirado na mistura da sua raça com os valores americanos, (e no exemplo de T. Jefferson, amigo pessoal do Abade Correia da Serra, de Serpa, o grande Presidente americano que viveu com uma escrava negra) construiu a imagem de um grande idealista e fez a primeira campanha de conquista e ascensão ao poder nesse sentido.
Claro que, quando chegou à Casa Branca alterou, de imediato, o discurso de acordo com o realismo político do cargo porque as responsabilidades e os interesses politicos “da nação indispensável” americana assim o determinam e impõem à escala mundial.
De qualquer modo, não vem deixando de se afirmar através de atitudes e decisões politicas que o distinguem dos tais políticos menores que apenas insistem em autoelogiar-se.
Comparem a sua decisão de declarar luto nacional e de ir ao estado do Colorado/Aurora falar directamente com as famílias “dos assassinados Batman”.
Comparem a sua presença no hospital e junto dos familiares das vítimas com a atitude merdos@ de certos politicos portugueses que foram incapazes de estar ao lado das vítimas dos incêndios no Algarve e na Madeira.
Comparem a firmeza de B. Obama com a falta de coragem politica de certos actores politicos que vamos tendo por cá e aqui têm mais um OSSO português muito difícil de engolir.

V.
Há ainda outro Osso que continua atravessado na garganta dos alandroalenses.
Por isso, já não é a primeira vez que falamos aqui no “al Tejo” do Jardim das Meninas no sentido de o devolver à sua função original.
Continua sem se perceber porque é que o Jardim das Meninas não pode (e deve) transformar-se num mini Parque de esculturas ao ar livre de “Figuras históricas do Alandroal” no qual poderiam participar artesãos locais?
Custa assim tanto pensar o Jardim como um pequeno espaço de “arte pública” ao serviço   das crianças e da Comunidade local?
Ou a sesta pacata desta vereação vai durar sem atender ao “aviso lixado de Passos Coelho” para que “os eleitores não se lixem” nas próximas eleições?
Anb
 (27/7/2012)

                                                 

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