Apresentação:
Desde sempre, aqui no Al Tejo temos dedicado uma atenção
muito especial à Poesia.
Em recente almoço de confraternização entre colegas que abraçaram a mesma vida profissional, tive o grato prazer de saber que uma
colega e amiga desde os longínquos tempos de estágio nos CTT se dedicava a
fazer Poesia, tendo já conquistado variadíssimos prémios nesta
modalidade de escrita, e participando
recentemente num programa de gabarito na nossa TV onde teve o privilégio de dar
a conhecer um dos seus poemas pela voz do grande Declamador Vítor de Sousa.
Assim, e feita a
indispensável apresentação é com enorme satisfação que amiúde e com o
título = POEMAS DA LISETTE= aqui vamos
transcrever parte dos seus Trabalhos.
Tendo a certeza que irão por certo merecer a vossa atenção,
tal como mereceram a minha e que vão ser do vosso agrado aqui lhes deixo para começar três dos muitos poemas que irão de futuro
fazer parte desta rubrica.
Chico Manuel
DORMEM OS SENHORES
Dormem os senhores
Em lençóis de linho.
Espreguiçando o sono
Muito de mansinho,
Não vá, de repente,
Acordar o povinho
E pensar que é gente.
Lá gente não são!
São máquinas usadas,
Em segunda mão.
Seu corpo cansado
Servindo o patrão.
Sorriso ensaiado,
Esconde o segredo
Que o rosto cansado
Transformou em medo.
Medo de não ter,
Para o seu menino,
Um melhor destino.
Lisette Alvarinho
ESTE MEU MUNDO
Dentro de mim existe um Mundo
Interdito a todos e a tudo.
Tão enorme e tão profundo,
Tão feito à minha maneira,
Que tentar entendê-lo é asneira.
Mundo-corpo, Mundo-alma,
Mundo de que se não fala.
Qual poema feito em noite calma,
No silêncio duma grande sala,
Construída à minha dimensão,
Com paredes enormes de betão.
Onde só a lua entra de mansinho,
E o mar bate em desalinho.
E os três em perfeita comunhão,
Falamos da nossa solidão.
Lisette Alvarinho
29/01/1987
EU QUERO
Eu quero comprar o Sol
E fazer dele um lençol
Onde vou bordar a esperança
Que, depois de ser criança,
Todo o homem possa ter
O privilégio de escolher
O que quer e não quer ser.
Fazer do azul o sonho
-Melodia que componho-
Escrever a cada instante
Como a vida é importante,
Como tem dignidade
Quando suporta a saudade
Da família que deixou
Quando partiu rumo ao norte
E, decidido, pronto e forte
Vai procurar noutro porto
O Mundo que desejou.
Lisette Alvarinho
16/11/2011
3 comentários:
Lindos poemas. Que grande sensibilidade. Gostei muito. Parabens
Rodrigo de Matos
Exactamente como diz o Rodrigo de Matos.
« Lindos poemas. Que grande sensibilidade. »
Também gostei muito.
Assim como gostei dos «Olhares» que estão aqui mais abaixo.
Parabéns pelas duas postagens.
Parabéna Lisete gostei muito.
Fatima
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