terça-feira, 29 de maio de 2012

POEMAS DA LISETTE


Apresentação:
Desde sempre, aqui no Al Tejo temos dedicado uma atenção muito especial à Poesia.
 Fomos assim,  os primeiros a dar a conhecer todos os Poetas Populares que prestaram a sua colaboração no livro Cantadores de Alegrias, Mágoas e Mangações em boa hora editado pela Câmara Municipal do Alandroal no já longínquo ano de 1993. Muitos são ainda os Poetas que oriundos do Concelho do Alandroal aqui nos autorizam a divulgar as suas Obras como por exemplo o Carlos Camões Galhardas, a Ausenda Ribeiro o Hélder Salgado entre outros.
Em recente almoço de confraternização entre colegas que abraçaram a mesma vida profissional, tive o grato prazer de saber que uma colega e amiga desde os longínquos tempos de estágio nos CTT  se dedicava a  fazer Poesia, tendo já conquistado variadíssimos prémios nesta modalidade de escrita,  e participando recentemente num programa de gabarito na nossa TV onde teve o privilégio de dar a conhecer um dos seus poemas pela voz do grande Declamador Vítor de Sousa.
 Posta que foi ao corrente dos fins que deste o principio nortearam este espaço, a Lisette Alvarinho de pronto se prestou a connosco colaborar disponibilizando grande parte da sua Obra para divulgação no Blogue.
 Assim, e feita a indispensável apresentação é com enorme satisfação que amiúde e com o título  =  POEMAS DA LISETTE= aqui vamos transcrever parte dos seus Trabalhos.

Tendo a certeza que irão por certo merecer a vossa atenção, tal como mereceram a minha e que vão ser do vosso agrado aqui lhes deixo  para começar três dos muitos poemas que irão de futuro fazer parte desta rubrica.
Chico Manuel

DORMEM OS SENHORES

Dormem os senhores
Em lençóis de linho.
Espreguiçando o sono
Muito de mansinho,
Não vá, de repente,
Acordar o povinho
E pensar que é gente.
Lá gente não são!
São máquinas usadas,
Em segunda mão.
Seu corpo cansado
Servindo o patrão.
Sorriso ensaiado,
Esconde o segredo
Que o rosto cansado
Transformou em medo.
Medo de não ter,
Para o seu menino,
Um melhor destino.

Lisette Alvarinho
 16/11/2011

ESTE MEU MUNDO

Dentro de mim existe um Mundo
Interdito a todos e a tudo.
Tão enorme e tão profundo,
Tão feito à minha maneira,
Que tentar entendê-lo é asneira.
Mundo-corpo, Mundo-alma,
Mundo de que se não fala.
Qual poema feito em noite calma,
No silêncio duma grande sala,
Construída à minha dimensão,
Com paredes enormes de betão.
Onde só a lua entra de mansinho,
E o mar bate em desalinho.
E os três em perfeita comunhão,
Falamos da nossa solidão.

Lisette Alvarinho
29/01/1987

EU QUERO

Eu quero comprar o Sol
E fazer dele um lençol
Onde vou bordar a esperança
Que, depois de ser criança,
Todo o homem possa ter
O privilégio de escolher
Em que Mundo quer viver,
O que quer e não quer ser.
Fazer do azul o sonho
-Melodia que componho-
Escrever a cada instante
Como a vida é importante,
Como tem dignidade
Quando suporta a saudade
Da família que deixou
Quando partiu rumo ao norte
E, decidido, pronto e forte
Vai procurar noutro porto
O Mundo que desejou.

Lisette Alvarinho
16/11/2011


3 comentários:

Anónimo disse...

Lindos poemas. Que grande sensibilidade. Gostei muito. Parabens
Rodrigo de Matos

Anónimo disse...

Exactamente como diz o Rodrigo de Matos.
« Lindos poemas. Que grande sensibilidade. »
Também gostei muito.
Assim como gostei dos «Olhares» que estão aqui mais abaixo.

Parabéns pelas duas postagens.

Anónimo disse...

Parabéna Lisete gostei muito.
Fatima