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Quarta, 30 Maio 2012 08:21
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Nestes
tempos de elevada exigência, em função da situação económica e financeira que
todos conhecemos, andam metade do país político e a totalidade da classe dos
comentadores entretidas com as alegadas pressões sobre a comunicação social por
um dos membros do governo.
Tenho
para mim que a liberdade de imprensa é demasiado séria na vida das sociedades
para a menosprezarmos mas também para a banalizarmos como arma de arremesso
política. E é o que me parece que está a acontecer nas últimas semanas.
Vamos
por partes e comecemos pelas pressões. Nas relações entre políticos,
empresário, gestores, dirigentes desportivos e também jornalistas, as
fronteiras entre a discussão, a irritação e a pressão são ténues e dependem
muito das relações pessoais existentes. Em bom rigor, todos pressionam todos,
conforme os contextos e objectivos em causa. Não há padrões rígidos sobre a forma como
se gere a inevitável tensão (e, por vezes, a excessiva intimidade) que existe e
existirá sempre entre comunicação social e política. Há políticos que
pressionam jornalistas usando abusivamente o seu poder para influenciar o
trabalho dos media. Assim como há, sem dúvida, jornalistas que pressionam
políticos, usando abusivamente o seu poder para conseguir uma notícia ou uma
inconfidência em primeira mão.
Desde
modo, como escrevia e bem Ricardo Costa, director do Expresso, não faz sentido
estarmos sempre obcecados com algo que é inerente
à relação entre política e comunicação; no fundo, um certo “jornalismo queixinhas” que coloca o órgão de comunicação como centro de notícias, não é saudável. O que qualquer jornalista deve fazer é simplesmente ignorar, não ser pressionável e decidir por si a relevância de factos e qual a matéria publicável. E não ligar a desabafos, irritações, ameaças de black-out ou outras.
à relação entre política e comunicação; no fundo, um certo “jornalismo queixinhas” que coloca o órgão de comunicação como centro de notícias, não é saudável. O que qualquer jornalista deve fazer é simplesmente ignorar, não ser pressionável e decidir por si a relevância de factos e qual a matéria publicável. E não ligar a desabafos, irritações, ameaças de black-out ou outras.
Bem
mais grave, e diria mesmo essencial, são as tentativas que vimos, de quando em
vez, assentes em estratégias de controlo dos grupos de comunicação social, como
aconteceu há uns anos com a planeada aquisição da TVI – isso sim, pode afectar
o pluralismo que todos defendemos.
Por
último, estas questões de forma afastam-nos do conteúdo, que é o mais
importante. O chamado “caso das secretas” é demasiado grave para ficar no
diz-que-disse e nos supostos arrufos telefónicos entre ministros e jornalistas.
Investigue-se, noticie-se e responsabilize-se para que no final, todos os
intervenientes, independentemente de pressões, terem feito bem o seu trabalho.
Carlos
Sezões
Gestor
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