Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/
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Terça, 29 Maio 2012 09:22
Como
na semana passada me “estiquei” no tamanho da minha crónica, desta vez prometo
ser breve e inseri-la no evento que conseguimos, CME e Livreiros, ainda este
ano levar a cabo em Évora: a Feira do Livro.Este
certame tem em Portugal um público muito especial e muito, digamos assim,
elitista. Porque de facto os consumidores de livros são uma minoria dos
portugueses e, desta forma, organizar insistentemente feiras do livro é uma
espécie de tentativa para que a aquisição e a leitura de livros passe a ser,
pelo gosto e pelo hábito, uma atividade mais de todos. Ao
contrário das duas grandes feiras do livro em Portugal – em Lisboa e no Porto –
aqui em Évora, e provavelmente noutros concelhos do país, as feiras têm um
orçamento exclusivamente municipal. Desde o aluguer da tendinha à programação
da animação, desde que entrei para cá de vereadora em altura de penúria, temos
“feito oitos com pernas de nove” para continuar a realizá-la.Todos
sabemos, ou pelo menos imaginamos, que o negócio de um qualquer livreiro seja
muito mais feito pelo amor ao livro, à leitura e aos leitores do que
propriamente para enriquecer. Daí que algumas das livrarias da cidade
comercializem outro tipo de produtos que ajudem a equilibrar o pouco que “dá”
esse amor ao livro de pura leitura por prazer. Também por isso, e ao contrário
das outras feiras das capitais, os livreiros não pagam nada para que, durante
aquele tempo que dura a feira, tenham a sua montra e o seu balcão na praça mais
concorrida do Concelho. Não pagam nada que é como quem diz… têm um trabalho
danado que, se calhar, lhes custa os olhos da cara, lhes tira horas de sono e
como está na moda laranja, mas de casca pouco fina, dizer-se, lhes sai do
lombo.
E
é por isso que a única maneira de irmos levando estes esforços adiante tem sido
fazê-lo em conjunto, o que em abono da verdade só descobri depois da primeira
que organizei enquanto vereadora, dando ouvido a outra parte, se calhar a
minoritária, que via numa outra localização da Feira do Livro uma mais-valia.
Serão aqueles, os muito bons leitores e eventualmente tão bons compradores de
livros que, se calhar nem precisam de Feiras para nada. Que eu sou uma leitora
dessas, é verdade. Que alguns dos livreiros viam outros locais que não a Praça
com bons olhos também é verdade. Que eu também gostava de deslocalizar a Feira
e levar leitores e compradores de livros a outros largos ou ao jardim público
também continua a ser verdade. Não digo que nunca que não apoiarei outro
modelo, outra versão, mas terá sempre de ter uma muito maior participação e
empenho dos envolvidos e interessados, sendo os munícipes uma grande parte
interessada. E estando consciente que jamais agradarei a todos, é com todos que
trabalharei para manter este evento de promoção do livro e da leitura e, já
agora, do comércio do livro. O que o caro ouvinte pode fazer por isso? Ir à
Feira, pegar nos livros, abri-los, ler excertos, contracapas e badanas, e falar
com os livreiros sobre eles, porque como diz o provérbio «não se pode julgar um
livro só pela capa».
Até
para a semana!
Cláudia
Sousa Pereira
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