QUESTÃO do DIA
“O
céptico sábio sorri só com um lábio”
Millôr Fernandes
Portugueses
vistos de dentro.
Começamos para
variar com duas dúvidas: 1) o PS
nacional e a F. distrital de Évora é algum orfanato inseguro e socrático
reformatório dos que perderam a face da seriedade autárquica e já perderam
eleições?
O Rei Juan
Carlos, o vizinho próximo, andou a caçar elefantes, a dar tiros nos pés, a pedir
perdão e a partir a bacia? No caso de Espanha com 5 milhões de desempregados
isto é o quê...
Passamos, de
imediato, às duas interrogações enquanto situações com as quais andamos
curiosos e a ponderá-las seriamente.
Vejam, Portugal,
é ou não é um país de paradoxos?
Reparem que
quando um dia adoecer, terei de interrogar-me, se não será melhor fazer-me
antes de preso, e constituir-me um bom recluso numa cadeia leve. É certo que
não terei a liberdade de beber quatro bicas diárias mas manterei o espírito tranquilo
quanto à certeza e conforto de ter a comidinha e o sono descansado a tempo e
horas.
Diria mesmo que,
mal por mal mais vale a cadeia do que o Hospital, onde um doente internado paga
de taxas moderadoras tudo ou quase tudo. Em compensação, um preso que esteja à
sombra não paga nada. Tem cama, tem comida, até tem trabalho se quiser e,
claro, assistência médica de borla.
Que tal ser um
preso rico, estar dentro e almoçar e jantar fora? Gostam deste recreio? Já
perceberam porque é que muitos presos voltam sempre (por paradoxo) ao local do
crime?
QUESTÃO a meio
da SEMANA
“Quanto mais o dia
passa mais os preços baixam” -
Placard do Pingo Doce
Vamos dizer em
toada bastante simples que o termo “Crise” é temível, além do mais, porque se
sabe mais ou menos quando e como começam as Crises, mas nunca se sabe quando
acabam e com que consequências. Das previsíveis às improváveis. Das mais
violentas com guerras à mistura às aparentemente mais pacíficas, a frequência
das crises do capitalismo entrou em aceleração.
Entretanto por
detrás da palavra “Crise” está a sua interpretação global. De facto, temos tido
crises destrutivas e respostas criativas para todos os gostos na vida dos povos
e do mundo. Há, aliás, uma bibliografia abundante sobre o tema mas o que talvez
importa acentuar é que as Crises são sempre um momento histórico de ruptura com
o passado: não se repete e nunca mais volta! Comparem com o exemplo traiçoeiro
da morte dos dois subsídios em Portugal.
Para não alongar
estas notas avulsas, podemos concluir que Portugal já frequentou crises de
diversa natureza que foram sendo ultrapassadas e resultaram, mal ou bem, em
novas fases da vida do país monárquico, republicano, fascista ou democrático.
O problema
principal desta crise total é que está a impor-nos uma nova fase absolutamente
imprevisível no nosso modo de viver, interno, externo e globalmente. Daí o medo
dos mais avisados que tudo possa agravar-se e acabar mal.
A surpresa desta
Crise é que, começando por ser de natureza financeira, se transformou num
confronto global da sociedade (e dos seus activos sociais) contra os poderes
políticos neoliberais em exercício, mostrando os actores políticos muitas
dificuldades em repor a confiança e acompanhar os diversos turbilhões que vão
aparecendo constantemente.
É o que pode
perceber-se, dado que nem Portugal nem a Europa têm tido a oportunidade de
contar com a visão superior de grandes líderes. O que seria difícil. Mas não
deve deixar de ser desejado. E de ser uma ambição legítima dos povos contra à
destruição cega da confiança nos valores e pratica competente dos princípios
democráticos.
Haja esperança!
Adiante.
QUESTÃO da
SEMANA
É verdade que as
situações de crise potenciam por toda a parte as situações mais absurdas.
Portugal não é excepção. Talvez, diria eu, devido à impreparação politica do
próprio pessoal político do governo: mais preocupado em falar muito e em falar
a toda a hora do que, em assumir, com sentido de estado os erros e o que está a
ser mal conduzido.
Vem isto a
propósito da Segurança Social onde o seu jovem ministro tem vindo a tomar
posições precipitadas e até bastante perigosas falando mais uma vez em reforma
do sistema de pensões. Embora já o tivessem travado um pouco, o que o ministro
criou, de facto, foi mais uma crise de confiança no governo e nas suas
entidades sociais.
A situação é um
absurdo. Porque assim como o primeiro-ministro mandou os jovens emigrar, este
ministro audio-motar chega a dar a ideia que a melhor solução para a Segurança
Social é descontar o mais possível e morrer o mais cedo que pudermos… adoptando
os índices convenientes.
Logo após, ou
imediatamente antes de reunirmos todas as condições para requerer as ditas
reformas que, ano após ano, vão sendo menores e estão cada vez menos bem
geridas e garantidas.
Na visão do Ministro, parece que só assim o
sistema de pensões será sustentável. Isto independemente da grande maioria dos
portugueses ter feito descontos bastante pesados ao longo da sua vida contributiva
e de ter legítimo direito a que o Estado lhe devolva uma parte do que lhe foi
cobrando.
Em que ficamos?
De quem é a primeira responsabilidade social?
A Segurança
Social existe para servir de protecção aos trabalhadores? Ou são estes que têm
de esperar que o Estado lhe faça o favor de cumprir com as suas obrigações de
acordo com o contrato social que Ele próprio estabeleceu?
Anb - 27/4/2012

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