(Continuação da semana anterior)
FINALMENTE...NO BOM CAMINHO
Há males que vêem por bem... Depois de “enxotado” de casa dos sogros pela segunda
vez, e vendo-se novamente “sem eira nem beira”, a acudirem-lhe à lembrança os
tempos que se viu só e abandonado, após a “mijaceira” depois daquela noite de
bêbada, e prevendo que novos males se avizinhavam, Tira-Picos resolveu dizer
basta, “empinar o juízo”, “deitar contas à vida” e “tornar-se alguém”.
O primeiro passo era ir falar
“de homem para homem” com o sogro. Afinal ele era casado, de papéis passados
(mentira), o filho era dele, e alem do mais tinha direito a umas cabeças de
gado que entretanto tinham nascido. Pelo menos a uma vaca, não contabilizando o
que estava por colher na horta que o sogro lhe tinha posto à disposição.
O gaiato nem penses levá-lo daqui, quero que ele seja
alguém. A Maria Amélia é lá com ela. Tu, toma lá uma nota de dez, e põe-te a
andar...
Não estivesse o pensamento do
Tira- Picos, já com as ideias definidas, do que se propunha fazer, e teria sido
nessa altura que ajustava contas com o sogro: mandava-o meter a nota no cu, e
arreava-lhe tamanha carga de porrada, que nem ele sabia de que freguesia era.
Assim preferiu, arrecadar a
nota, deixar a educação do Sinfróneo ao cuidado dos avós, que para isso tinham
posses, esquecer por uns tempos a Pardaleira e concretizar o que tinha em
mente.
Se as cadeiras com fundos de
buinho, tinham desaparecido num ápice, quando da feira de artesanato em Lisboa,
porque não havia ele de ir experimentar vender cadeiras aos Lisboetas?
Agora até já sabia o caminho!
Com a nota de dez comprou
umas cadeiras... pôs-lhe os fundos... e marchou caminho e Lisboa.
Não precisou de sair do
Terreiro do Paço. Logo no barco vendeu metade, e as restantes voaram num
instante.
No primeiro mês só lá ia uma
vez por semana, mas ao fim de pouco tempo o negócio tornou-se tão próspero que
passou a ir dia sim, dia não. Entretanto aprendeu as fazer os cestos de verga.
Alternava os cestos com as cadeiras, e mais tarde já era representante de todos
os artesãos do concelho, comprando cá, vendendo lá.
Tornou-se conhecido no meio,
já não se limitava, a levar...trazia também produtos que não eram vistos no
Alandroal, e que transaccionava por bom preço.
Comprou uma carrinha, mais
tarde uma camioneta e agora já tem um carro frigorífico, onde faz o transporte
de mariscos.
Já não mora no Bairro das
Minhocas, mas em casa própria.
Já tem a sua mulher ao seu
lado e o Sinfróneo estuda em colégio particular.
Já não pede a bicicleta
emprestada, mas desloca-se em "jeepa" do próprio.
A Pardaleira, já não é
conhecida assim, mas por D: Mélinha.
O Tira-Picos ainda vai à
tasca do Água-Mel, mas não bebe um tinto...bebe whisky.
Deixou de ser o Tira-Picos e
passou a ser o Senhor Carrilho Soares.
Pondera agora conjuntamente
com o sogro, com o qual tem agora uma S.A.R.L, da qual resultaram algumas
P.M.E., se deve ou não aceitar o convite que lhe foi dirigido, pelo P.S.F.
(Partido: Portugal Sem Fundos), se, se deve candidatar a Presidente da Junta.
Quanto a mim: moveram-me um processo, que corre os
seus trâmites em Tribunal, no qual me acusam de ter denegrido a sua imagem. O
que eles não sabem é que assim que eu queira, pura e simplesmente desaparecem.
Há...há...há...
E é já....
Ponto final nos Tira Picos
Ponto final nos Tira Picos
Saudações Marroquinas
Xico Manel
2 comentários:
"Quanto a mim: moveram-me um processo, que corre os seus trâmites em Tribunal, no qual me acusam de ter denegrido a sua imagem. O que eles não sabem é que assim que eu queira, pura e simplesmente desaparecem. Há...há...há..."
E é já....
É UMA VERGONHA A FRASE!Fica o registo da mesma...e não só.
Olha...doeu-se!
(Oh Srª (a) desaparecem os protagonistas da ficção. Oh tem algo a ver com as personagens?
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