Sexta, 27 Abril 2012 09:18
Cumprimentando a Rádio Diana pelo seu
aniversário cumprido no passado dia 22, vou hoje falar do 25 de Abril, não de
1974, mas de 2012. Este ano, o 25 de Abril ficou marcado por dois
acontecimentos: um, a morte de Miguel Portas; o outro, as ausências na sessão
solene comemorativa do 38º aniversário sobre o 25 de Abril de 1974.
Vou começar pelas ausências dos
militares de Abril, de Mário Soares e de Manuel Alegre. A minha primeira
percepção é a de que, pelos vistos, o país está mesmo a mudar. Quando os militares
de Abril se vêem na obrigação de faltar à comemoração solene daquilo que eles
mesmo querem festejar e festejar permanentemente, é porque algo está a mudar. E
se o que está a mudar incomoda os que achavam que o país iria ficar sempre e
para sempre como o que os militares de Abril queriam, então, talvez este 25 de
Abril de 2012 venha a ter algum significado no futuro.
Já quanto à ausência de Mário Soares,
mais do que a de Manuel Alegre, também pode vir a ter algum significado, desta
feita, no interior do PS. É que, ao que parece, Mário Soares entrou em ruptura
com Pedro Passos Coelho, justamente aquele que ele tanto elogiara. Por
conseguinte, o 25 de Abril de 2012, pode bem vir a ser também a data a partir
da qual o PS mudou de rumo. Fiquemos, pois, atentos ao que se vai seguir.
O segundo acontecimento que ficará
associado ao 25 de Abril de 2012 é triste e é o da morte de Miguel Portas. Pode
parecer estranho ao ouvinte que eu utilize este espaço para assinalar o muito
prematuro desaparecimento de Miguel Portas, mas eu esclareço…
Em primeiro lugar, não ser de
esquerda não me impede de enaltecer e elogiar homens cujas ideias políticas não
são ou não foram em nada coincidentes com as que defendo. Em segundo lugar,
Miguel Portas ser irmão de quem é não me obriga a fazê-lo – quem conhece o meu
trajecto político percebe porquê. Em terceiro lugar, Miguel Portas foi meu
colega em Economia, quando o ISEG ainda se chamava ISE. Foi aqui que o conheci,
ele já no final do curso, eu a iniciá-lo. Eu da Juventude Centrista, ele
comunista. Pude, assim, participar, entre outras,
Acompanhei, depois, à distância, a
sua vida jornalística e política. Assisti, sem surpresa, à sua saída do PCP.
Sempre me pareceu ser um homem de fundas convicções e incapaz de preferir
qualquer regalia ou benefício pessoal às suas ideias. Não era um carreirista.
Nem aparelhista. Verdadeiramente, nunca poderia ter sido um apparatchik.
Só voltei a cruzar-me com o Miguel em
2004 e 2005, em Bruxelas e Estrasburgo, quando foi eleito deputado ao
Parlamento Europeu. Desde aí, nunca mais … E agora, pelo menos nesta vida
terrena, nunca mais mesmo! Que descanses em paz, Miguel.
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Lisboa, 26 de Abril de 2012
Martim Borges de Freitas

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