quarta-feira, 28 de março de 2012

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM

Universidades do Futuro
Carlos Sezões

Quarta, 28 Março 2012 09:54
Há umas 2 semanas atrás, tive a oportunidade de promover em Lisboa um debate sobre as universidades que queremos para o futuro. Nesse evento, estiveram presentes um conjunto de personalidades oriundas do mundo académico, tanto público como privado, que partilharam as suas perspectivas sobre algumas questões-chave para os próximos tempos.
Num momento em que as universidades portuguesas têm de competir a nível global, com os recursos escassos que conhecemos, o diagnóstico foi fácil de efectuar. O ensino superior enfrenta hoje, efectivamente, desafios profundos:
- A necessidade de uma relação mais intensa e próxima com o meio económico e social envolvente;
- Conciliar um ensino superior de massas com a necessidade de se balizar em níveis de exigência elevados, produtores de elites empresariais, sociais e políticas;
- Orientar os professores, simultaneamente, para os papéis de “geradores de conhecimento”, com foco na investigação, e de “promotores de aprendizagens”, com foco nos estudantes – como os devidos reflexos nos sistemas de avaliação de desempenho.
- Internacionalizar e atrair, de modo eficaz, bons alunos e professores.
Naturalmente, fazer é sempre o mais complicado que diagnosticar. Lembro-me que, quando estudei Gestão de Empresas, na Universidade de Évora, há mais de uma década, muitas das questões que mencionei já eram factores de preocupação.
Fiquei, contudo, com a noção que existem alguns caminhos a seguir de forma prioritária e simples. Primeiro, a abertura das universidades ao seu meio envolvente, integrando entidades externas (empresas, associações, fundações, instituições públicas…) nos seus processos de decisão, prestando serviços à sua comunidade, promovendo assim também receitas próprias. Depois, reforçar a sintonia entre o conhecimento e as competências que são trabalhadas nos cursos e aquilo que é exigido nos mercados de trabalho. É essencial mapear empregabilidade e saídas profissionais para percebermos se estamos a investir nas áreas certas. Ainda é essencial investir na aplicabilidade prática da investigação – temos excelentes resultados em termos da evolução do nº de investigadores e da produção científica mas péssimos indicadores na utilização empresarial dessa mesma inovação. Por último, ter a ambição de criar centros de excelência de nível mundial, de modo a começar a exportar serviços de formação - a Universidade Católica, com o seu projecto específico na área do Direito (Global School of Law), que é um caso de sucesso reconhecido internacionalmente.
Haja visão e ambição e, este sector que muitos apenas vêem apenas como fonte de problemas, pode ser uma das áreas de sucesso do Portugal do século XXI.
Carlos Sezões
Gestor

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