quarta-feira, 28 de março de 2012

A CIDADE DO ENDOVÉLICO - (João Cardoso Justa)

(Continuação)

Espanha de Ptolomeu

De: A evolução dos Mapas através da História
Autor: Mário Ruiz Morales
Sub-Delegação do Governo de Granada
Universidade de Granada

Como atrás opinei, não há registo de qualquer cidade pré-romana desde a ponta de Sagres ao (então existente) delta do Anas (Guadiana). O mesmo se pode depreender da “Ora Marítima” de Avieno (sec. IV).
Assim, o projecto inicial que nos desafiara, a descoberta da Lacóbriga “perdida”, alterou-se em absoluto. O que iremos demonstrar, sem prejuízo da exacta localização da cidade entre os torrões alentejanos onde permanece sepultada, é que André de Resende (e quem o seguiu), cometeu um tremendo erro ao identificar o Cabo de S. Vicente como sendo o Promontório Sagrado, e, tirando partido da semelhança fonética, “colou” Lacóbriga a Lagos - «O vulgo designa Lacóbriga pelo nome mutilado e algo modificado de Lagos» (Ant. da Lusitânia – R. Fernandes) – afirma ele parecendo querer aliviar as responsabilidades – e atribui a Portimão o nome de Portus Hanibalis (de Portus Hanibalis, supostamente edificada pelo comandante cartaginês Haníbal, pouco mais nos contam os escritos históricos, sabe-se, contudo, que no período árabe se designava por Burj Munt, que significará “Torre no Monte ou Monte da Torre) (quanto a Lagos, diz-nos Mário Saa (1893-1971) em As Grandes Vias da Lusitânia, que no sec. Xll era uma pequena aldeia chamada Halcos), ocultando assim a sua verdadeira localização, que era, sem margem para dúvida (aqui ficará provado), nas terras do Endovélico, em pleno coração dos celtas do Alentejo. Recorde-se, para melhor entender estes “equívocos”, que, à época de André Resende (séc. XVI), Lagos e Portimão eram centros populosos com alguma importância no suporte da controversa Escola Náutica de Sagres fundada pelo Infante D. Henrique, e já com forte implantação da Igreja Católica (Lagos já tinha Bispo, e uma Capela dos Ossos…?).
Concentremo-nos então em desmontar esta teia de inverdades que se emaranha na História desde há séculos. Vários são os documentos históricos de que nos serviremos e que mencionam Lacóbriga, cuja construção (há quem escreva reconstrução, o que pressupõe a existência de um povoado mais antigo) é atribuída ao governador cartaginês Bahodes por volta do ano 370 a. C. (antes de Cristo). Nos Autores Antigos existe mesmo a descrição de um episódio nela passado na guerra de Sertório de que Plutarco dá conta na Biografia deste general romano (Tito Lívio também o menciona) e que muitos outros depois repetem. Mas, antes de analisarmos esses milenários registos e outros posteriores, vejamos aquele (finais do sec. XVI) que nos conta a formação de Lacobriga (em Lagos, não ousando contrariar o “mestre” André de Resende), e, como nesse mesmo escrito, algumas linhas depois, o historiador contorce os factos de tal forma que, descreve também a construção do Templo Endovélico nas Abas da Serra D´Ossa. Um malabarismo curioso, assim o veremos, mas, por pouco inteligente, de uma incoerência total. O seu autor é Frei Bernardo de Brito (1569-1617), um dos mais profícuos filhos da fantasiosa escola Cistercense de Alcobaça, estudante em Roma e Veneza, doutorado em Teologia por Coimbra, e nomeado Cronista-Mor do reino em 1614. Rodeado de apontamentos vários, onde pontificavam os do “sistema” Resende, molhou a pena no tinteiro, e, com um olho no papel e outro em todas as fogueiras da Inquisição que ardiam pelo país, escreveu um texto (Livro ll, Cap. Xll, da “Monarchia Lusytana”) que, “espremido” do seu palavreado medieval e nacionalista (estávamos em plena ocupação espanhola), nos pretende convencer do seguinte: O governador cartaginês Bahodes, depois de sofrer grande contestação na Andaluzia (a Turdetânia, suponho) refugiou-se no Porto de Haníbal (que afirma ser Portimão, claro) onde, ao perceber que as trocas comerciais eram tão cordiais, afectuosas até, com os Lusitanos (para ele o povo dos Cónios não existiu), mandou chamar os chefes das tribos do «sertão» (Alentejo, dos Celtas) e, durante uma grande festança com bois assados junto ao Templo de Hércules (que nunca existiu na ponta de Sagres), pediu-lhes permissão para construir uma cidade no interior, de forma a tornar mais acessível o intercâmbio de bens entre estes e os comerciantes cartagineses. Os chefes tribais do «sertão» (celtas do Alentejo, recordo) acharam uma ideia brilhante e concederam-lhe para tal objectivo, (a criação de um posto comercial mais no interior) uma cidade do povo Cónio(!), ainda mais distante e litoral(!), Lagos (!). Tudo isto é absurdo, é evidente, mas a incoerência na construção de tão desastrado texto por Frei Brito, continua – Depois de construída Lacobriga, Bahodes é substituído pelo governador Maharbal, este, «um dos que mais afeiçoados à nação Portugueza de quantos até aí tinham entrado em Espanha», instalou-se também em Portimão, e aí, há 2.370 anos(!), ouviu falar da cidade de Elvas, muito “famosa” nessa época «que já nesse tempo era cousa notável» (Há um desconhecimento total sobre Elvas nessa fracção do tempo. Ou não existia, ou seria um pequeno povoado da tribo dos Helvécios, presume-se), e, portanto, Maharbal contornou a costa, subiu o Anas (Guadiana) para apreciar essa «cousa notável» que era Elvas, e, sendo acometido por grave e súbita doença, consultados os “adivinhos” («agoureiros»), estes informaram o governador que o Deus Cupido estava muito zangado com ele (entretanto, Frei Brito introduziu no texto a história de uma nau grega que se perdera, cuja carga eram Ídolos de Vénus e Cupido e sacerdotisas venusianas, que os cartagineses capturaram) e, só a construção de um templo dedicado à divindade enfurecida, o poderia curar da desconhecida maleita. «Tal foi o medo em Maharbal, que concedendo liberdade aos gregos, deu logo ordem à formação do Templo, acudindo os Portugueses com tanto gozo à obra, que antes que o Capitão (Maharbal) se partir dali, foi acabada e posta no Templo de Cupido… (descreve o ídolo, e continua) … chamando a este ídolo em nossa língua antiga de Endovélico, cujo nome vemos nos templos de agora em algumas pedras do Templo dos romanos…». Assim, com esta “simplicidade”, se separou a cidade de Lacóbriga, em trezentos e tal quilómetros, do Templo Endovélico que, ficámos a saber pelo erudito Padre de Cister, se Elvas não fosse «uma cousa tão notável» que dava brado há 2370 anos entre os Cónios das praias algarvias do barlavento, os Celtas não teriam adorado o seu Deus, uns milhares de anos antes dos acontecimentos relatados por Frei Brito…
Depois de folhearmos estas páginas de puro ridículo, debrucemo-nos sobre o episódio mais conhecido da História Antiga em que Lacóbriga é referida, e que, na procura de explicações racionais para os acontecimentos nele referidos, mais tem perturbado os historiadores modernos, forçando-os a duvidar da situação geográfica que os clássicos lhe atribuíram. «Problemática» Lacóbriga, chama-lhe Amílcar Serra sem saber onde a colocar para que os registos históricos façam sentido (Alarcão “atira” com ela para a Arrábida, outros até para Coimbra). Esse texto, que podemos ler na “Biografia de Sertório” por Plutarco, e em muitos outros autores, contém informações preciosas para este nosso estudo, permitindo preencher as dúvidas que tanto têm perturbado quem o analisou em complexas conjecturas, e, marginalizando o evidente, “saltou” com a localização da cidade de Lacóbriga e do quartel-general de Sertório pelo mapa da Península Ibérica, (Pompónio Mela, Schulten, Muller, Tovar, Roldán, Alarcão, Amílcar Guerra, etc. etc.) tentando alcançar uma explicação racional para a sucessão dos eventos descritos no referido documento.
O enquadramento histórico das ocorrências registadas nesse texto, compreende o período em que Sertório, depois do seu retiro no norte de África causado pela guerra entre Mário e Sila, volta à Península Ibérica (há quem diga que a pedido das tribos que nela continuavam a resistir aos invasores romanos) e comanda os guerreiros nativos a quem juntou outros trazidos das regiões africanas. Entre as legiões de Roma que venceu, as comandadas pelo procônsul Quinto Cecílio Metelo Pio, foram das que mais sofreram com as investidas constantes de Sertório que, adoptando a táctica de guerrilha nativa, a mesma que anos atrás tanto sucesso permitira a Viriato (O segundo Viriato de que fala a história, natural do chamado Hermínio Menor, Marvão (!). O primeiro Viriato, contemporâneo de Aníbal Barca, faleceu na batalha de Cañas (216 a. C.). Viriato, não era um nome próprio, era um título, “o que usava as vírias”, símbolos de poder). Conta-nos Plutarco que Cecílio Metelo, vendo as suas legiões cada vez mais desgastadas por uma guerra para que não estavam preparadas, e querendo mudar a feição da contenda, resolveu cercar a cidade mais fiel a Sertório, Lacóbriga. A intenção do cerco era vergar os lacobricenses pela sede, uma vez que, apesar da abundância de água que rodeava a fortaleza, esta, intra-muros, possuía apenas um poço (outros escrevem cisterna). Imaginando uma rápida rendição, Cecílio Metelo ordenou aos seus homens que se aprovisionassem para meia-dúzia de dias, mas Sertório, rapidamente avisado pelos seus vigias, ordenou que se enchessem dois mil odres de água, e, pela calada da noite e pelos trilhos da serra, conseguiu introduzir o precioso líquido na fortaleza aliada. Cecílio Metelo, ao perceber que os sitiados resistiriam muitos mais dias que os previstos, enviou o seu lugar-tenente, Aquílio, com seis mil soldados, para recolherem novos mantimentos. Antecipando esta decisão do comandante rival, Sertório montara-lhes uma emboscada onde dizimou completamente as tropas de Aquílio que, sem armas e sem cavalo, se apresentou perante Cecílio Metelo, e todos, apavorados com a aproximação dos guerreiros de Sertório, atravessaram o Anas (Guadiana) e refugiaram-se nas cidades que dominavam para além deste rio.
O que contém este breve, mas sangrento, episódio da guerra contra Roma, que relatámos por súmula dos diversos textos históricos que a ele se referem, que tanta discussão tem causado entre os meios académicos? Que interrogações impedem os investigadores de refazerem pela razão os acontecimentos nele descritos? A mais evidente, por roçar o incompreensível, é a relação de privilégio (mencionada em todos os documentos) entre Sertório e a cidade de Lagos (suposta Lacóbriga). Como poderia existir tal afinidade, entre uma povoação situada nos confins do barlavento algarvio e o ex-cônsul romano que desenvolvera toda a sua campanha militar no centro da Península Ibérica e, que se saiba, nunca estabeleceu qualquer contacto com povos tão meridionais? Não faz sentido, contudo, fez acumular entre estudiosos modernos as dúvidas sobre a localização de Lacóbriga em Lagos (e por consequência, do Promontório Sagrado corresponder ao cabo de S. Vicente). E onde estaria aquartelado Sertório para que, de imediato, ter a informação do cerco e da premência de água? Bem perto, certamente, porque conseguiu resolver o problema com os famosos odres de água introduzidos na cidade através dos matagais da serra. E que serra? E a que distância estaria do Anas (Guadiana) a cidade dos lacobricenses, para que Cecílio Metelo o conseguisse cruzar com as suas tropas de forma tão rápida, evitando a perseguição dos guerreiros de Sertório? É inimaginável a quantidade (e a qualidade) das teorias avançadas na tentativa de dar respostas a este “imbróglio”. Direi mesmo que os historiadores entraram num “devaneio” total (desde o quartel-general de Sertório ser em Conitorgis, mais uma das cidades por localizar, desde marchas forçadas dos guerreiros sertorianos de 100 km por dia, teorias e mais teorias, e Lacóbriga saltitando pelo mapa como peça de dominó sem lugar onde encaixar). Contudo, para mim, nascido e criado entre os campos que, através dos meus velhos rascunhos, continuavam a reclamar para si a pertença dessa mítica cidade, outros pormenores da descrição do malogrado cerco de Cecílio Metelo, começavam a desenhar uma imagem que há anos conhecia. Afastei-a por improvável, mas ela teimava em emergir da memória e introduzir-se nos meus raciocínios, ganhando gradual sentido em cada aparição. Até que, incontornável, claramente impressa no texto que então examinava (Mappa de Portugal, Antigo e Moderno, do padre João Bautista de Castro, Pub. 1775) sobre Lacóbriga, essa visualização de que falo, me olhou nos olhos, feita palavra, surpreendente, entre os papéis velhos que enchiam a minha secretária na Biblioteca Nacional. No documento aberto entre as minhas mãos, o padre Castro começava por referir uma história muito famosa na tradição oral, recolhida por Baptista Mantuano nos seus Agelários, (André de Resende diz que a ouvia desde a sua meninice, em Évora) - «Em tempo dos romanos foy cidade muy famosa (Lacóbriga) e lembra-se della Baptista Mantuano, quando diz, que erigira o Senado desta povoação, sete estátuas a Ardiboro (Resende, diz Ardíburo), capitão insigne do imperador Valentiniano, as quais prostraram os Vandalos quando a tomaram.» E, algumas linhas depois, - «Há quem diga que Lacobriga é a villa de Abrantes, outros do Landroal, e João de Mariana diz, que é a villa de Alvor, fundada por Aníbal.»
Landroal”(!), significava isto que, séculos atrás, alguém concluíra o que eu, depois de ler o texto sobre o cerco de Lacóbriga pelas tropas de Metelo, recusava aceitar, a vila do Alandroal satisfazia por inteiro todas as condicionantes (no domínio geográfico e no lógico) implícitas no polémico documento de Petrarca e muitos outros, e a imagem, que de uma forma recorrente dançava na minha memória (e vos mostrarei aqui, quando explicar o que afirmo) completava-lhe o sentido. Ávido por companhia nas minhas conjecturas, parti em busca do historiador que colocara na História semelhante hipótese. Quem era esse homem que ousara desafiar Resende? Em que argumentos se fundamentara para desafiar os dominicanos? Muitos livros depois, “entrei” no Nº XXX das Notícias da Conferência da Academia Real de História em 1724. Em “livros de folha”, 174, (Miscelânea de papéis políticos e curiosos) diz o seguinte: - «Em nome do grande João de Barros, está neste livro uma descrição da antiga Lusitânia, que não é seu, mas de Gaspar Barreiros, como se vê por alguns lugares em que faz menção à sua Corografia impressa; este Tratado é “douto”, e não está acabado, a última terra que menciona é Tentugal, que quer que seja a antiga Concórdia, e nos nomes antigos discorda muitas vezes de André de Resende, e algumas com boas conjecturas…» (e mais abaixo, no mesmo texto) «sobre a etimologia de Lisboa e a sua formação, aponta muitos erros que a vaidade dos Autores modernos quis autorizar, e é digno de se ler este discurso, como todo o Tratado; descreve algumas terras mediterrânicas, e para que Beja, e não Badajoz, seja Pax Julia, diz que acrescenta aqui os argumentos que defendeu na sua Corografia, e também confirma que Julia Mirtilis, a que chama Mirtilis Julia, é Mértola, e tratando logo de outra Lacóbriga dos Turdulos, mostra equívoco dos dois nomes e infere que uma delas é o Landroal.» Gaspar Barreiros, era este o nome do historiador que não alinhara nas confusões (manipulações) de André de Resende (por ser franciscano, portanto com outras “raízes” na Igreja Católica?). Gaspar Barreiros nasceu em Viseu por volta do ano 1500, formado na Universidade de Salamanca, foi um dos maiores eruditos e geógrafos do sec. XVl. Era sobrinho do célebre João de Barros e incumbido mais tarde por decreto régio de finalizar as Décadas de seu tio, tarefa que não realizará. Foi cónego de Viseu e Évora, chegou a pertencer à Inquisição sob as ordens do Cardeal D. Henrique, deslocou-se como embaixador a Roma onde abraçou as regras jesuítas, mas, meses mais tarde, possivelmente desgostoso com essa vivência, rogou ao Papa que o deixasse enveredar pela humildade dos franciscanos. Do extenso trabalho que deixou manuscrito nas mãos do seu irmão Lopo de Barros, apenas se imprimiu a “Chorographia de alguns lugares…”, e “Críticas de Quatro Livros… “. Da restante obra, supostamente perdida, ou escondida em obscuras bibliotecas, Justino Mendes de Almeida conseguiu localizar o que designou por “Um inédito de Gaspar Barreiros: «Suma, e Descripçam de Lusitania» (Coimbra/1984), e na qual o Geógrafo se refere a Lacóbriga. Para meu desapontamento, é um texto vago, não nega com frontalidade a existência da Lacóbriga algarvia (diz que só Pompónio Mela a menciona) e depois de pretender que os restantes historiadores confundiram Lacóbriga com Lancóbriga, afirma: - «… assim que todos se enganaram, e quanto ao lugar de hoje onde seria Lancobriga nisto há muita dúvida, e muita notícia obscura, quanto a mim parece-me que deve ser o Landroal.» Dos apontamentos, ou das conclusões já sintetizadas, onde fundamentava esta opinião, nada achei. A que informações teve acesso o cónego Barreiros nos anos que passou em Évora, ou o que viu “in loco”, no Alandroal, para que a Conferência da Academia de História em 1724, considerasse tão “douta” esta arrojada hipótese? Silêncio total, é a resposta da História a que temos acesso. Até que em 1888 (finais do sec. XlX, em que as chancelas da Inquisição já se haviam quebrado sob os pés dos iluministas), outro investigador passeia a batina pelos campos alentejanos, contrai repetidamente o sobrolho sobre os escritos dos Autores Antigos, e, (profundo apaixonado pela História e pela Arqueologia) atreve-se a desenterrar, desde as faldas da Serra D´Ossa, a problemática questão da Lacóbriga dos Celtas. Chamava-se, esse curioso e erudito padre (músico também), Joaquim José da Rocha Espanca (1839 – 1896), e o estudo onde compilou as suas investigações e conjecturas, foi publicado na “Revista Archeológica”/ Lisboa, onde assina sob a data de 07/08/1888. Apesar de algumas evidências absolutas que aponta, e onde reclama a localização dessa antiquíssima cidade no Alto-Alentejo (mais propriamente entre os “Vilares de Bencatel e Pardais, defenderá depois, num complemento mais detalhado desta publicação), o único interesse que recebeu em troca do seu texto, concentrou-se por inteiro na preocupação dos museus pela recolha dos muitos achados arqueológicos que o esforçado padre recolheu entre vinhas, terras de “semeadura”, e infindáveis olivais. Da sua argumentação histórica, do alerta que pretendeu enviar aos outros investigadores para a existência, sob os campos alentejanos das últimas ondulações da Serra D’Ossa, da cidade que Ptolemeu colocou à cabeça das cidades Celtas, o incompreendido clérigo, sem eco nem audiência, ficou até hoje a pregar ao vento em pleno «sertão». E porquê? Que razão impede um olhar mais atento dos historiadores para as opiniões de Gaspar Barreiros (que não nega a existência da Lacóbriga em Lagos) ou de Rocha Espanca (que também o não faz, falando sim de uma 3ª Lacobriga), quando afinal está claramente escrito nos Autores Antigos que essa cidade é Celta (e se sabe que o coração da região celta era o Alentejo) e se situa a oriente de Lisboa? Porque, (e foi isso que os impediu de negar a localização inicial de André de Resende), existe um outro pressuposto, a cidade deve localizar-se no “Promontório Sagrado” (Promontorium Sacro) «in Sacro Lacóbriga e Portus Hannibalis» assinalam os mesmos textos. Ora, convenhamos, encontrar um promontório no centro do «sertão» alentejano, não se afigura tarefa fácil.

J.C.

( Para seguir amanhã)

2 comentários:

Luis Lobato de Faria disse...

Ora viva, estou a seguir, a minha leitura dos seu blog é diária, o seu blog é o melhor instrumento de divulgação cultural destas paragens, muito obrigado e um abraço.

Luis Lobato de Faria

Anónimo disse...

O Luis Lobato "de Faria" demonstra nesta postagem o seu conhecimento...e, desde já, a sua ANCESTRAL defesa pelos "infortúnios" (COITADOS) destas gentes e paisagens Alentejanas...
Á partida fica-lhe BEM e...no vagar alentejano PERCEBE-SE.

Recebe-se bem...QUEM VIER POR BEM.

ESTEIROS???