(lêr postagens colocadas em 27 e 28/03)
(Continuação)
O Promontório Sagrado
“Promontorium”, termo latino, cuja tradução nos remete de imediato para a óbvia tradução da palavra promontório (ou cabo). No entanto, assim como em muitas questões de outro âmbito, o óbvio é uma ferramenta do erro, remetendo o entendimento para verdades de sinal contrário. “Promontorium”, significa também – acima de, elevação, serra, montanha (quando a significação pretendida era serra ou montanha, incluía também a zona envolvente. Leite de Vasconcelos refere-o antes de embarcar em mais uma “calamidade” entre promontórios marítimos) e, com esta intenção de sentido era vulgarmente utilizado na Antiguidade). Resulta daqui que, com toda a propriedade, a expressão “Promomtorium Sacro” pode (e deve, neste caso específico) ser traduzida por Serra Sagrada ou Montanha Sagrada. E onde, com mais segurança de verdade histórica, se poderá encontrar serra ou montanha que corresponda a esta designação? Em Sagres, onde afinal nunca existiu qualquer templo? Na Arrábida, onde alegadamente existia um templo a Neptuno (numa época pré-romana?)? Como é possível que, aos nossos historiadores, não tenha ocorrido que a serra onde os Celtas tinham os altares dos seus deuses supremos (Endovélico, Atégina (Proserpina), Runesus, Fontana, Fontano, talvez Fagus (herdade da Faia)), essa Serra Sagrada, fosse, naturalmente, a Serra D’Ossa? Que outra Serra, que outra Montanha Sagrada poderia existir, senão aquela que congregava os Deuses no coração da nação céltica (Alentejo), e, (“coincidência”!) geograficamente situada, sem qualquer margem de erro, a oriente de Lisboa? Nos limites desse “Promontorium Sacro”, se situou Portus Hannibalis porque o comércio com os cartagineses (cereais, lã, e sobretudo os produtos da abundante extracção mineira) fazia-se pelo Anas (Guadiana), todos os historiadores o reconhecem. Embora a História nada diga de relevante sobre Portus Hannibalis, através do nome árabe, Burj Munt – Torre no Monte, ou Monte da Torre, Juromenha é uma boa candidata à sua localização, mas não tenho qualquer garantia que o confirme. Mas tenho sim , e muitas, evidências (ao longo deste estudo se irão revelar) que nesse “Promontorium Sacro”, o mesmo (e único) que Ptolomeu mencionou, está, a Lacóbriga que Bahodes ergueu, e junto à qual, Maharbal engrandeceu o templo de Endovélico, o grande Deus do Celtas, depois denominados Celtici, que viviam entre o Tejo e o Guadiana. E é essa Lacóbriga, a única que preenche todas as condicionantes implícitas no polémico texto que descreve o cerco montado por Cecílio Metelo, sem recorrer a qualquer esforço imaginativo nem discursos fantasiosos. E é, dessa enigmática cidade, da Cidade do Castelo do Lago, ou Cidade da Lagoa, situada a oriente de Lisboa, nas abas da Serra D’Ossa, perto do rio Anas (Guadiana), e que apenas possui uma cisterna no seu interior, que aqui vos mostro uma imagem, mil anos depois da sua construção, após D. Dinis já ter erigido sobre as suas fundações o actual castelo que, como veremos, possui ainda mais “segredos” para revelar.
- Na zona aqui demarcada em azul, Duarte D´armas, para que não restassem dúvidas, escreveu “Alagoa”.
- No quadrado a vermelho, chamo a atenção para umas intrigantes ameias que, sendo vistas de Sul, eliminam a tentação de as considerar um resquício de Vilares, que o «vulgo» aponta como sendo o originário Alandroal.
Vejamos agora, com a localização de Lacóbriga determinada (e uma parte, repito, uma parte, da cidade já documentada na Fig. 3), o famoso episódio do seu cerco que tanta tinta delirante consumiu sob as “doutas” penas dos historiadores.
J.C.J
(Prossegue amanhã)

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