(Continuação)
O FIM DO SONHO NA BANDA
Bem ou mal, o Tira-Picos, lá se foi aguentando como elemento da Banda. Lá se foi acostumando a “tocar caixa” , mais ou menos, e lá ia correndo as Festas todas à custa da Banda. A mulher aviava-lhe os “comes e bebes”, e, volta e meia lá aparecia nas Festas para apoiar o seu marido e embasbacar-se com o seu aprumo quando marchava. E então nas Procissões! Toda ela se “babava” quando ele acompanhava a cadência dos passos dos fiéis enquanto a Banda criava novo fôlego. Até os sogros já se deslocavam, para acompanharem o genro naquelas Festas circunvizinhas. E depois sempre entravam mais uns tostões para o orçamento familiar, pois o negócio de deitar fundos nas cadeiras ia de mal a pior.
Enfim, tudo corria pelo melhor até que a Banda foi contratada, por dois dias, para fazer a Festa de S. Brás. Na altura e devido há falta de transporte, era hábito, os elementos da Banda pernoitarem na localidade onde iam actuar, e como era de Verão levavam umas mantas e estendiam-se por ali. Só que durante a noite arrefeceu, e o Tira-Picos viu na Igreja um bom local para”ferrar o galho”. Começou por dependurar o boné na cabeça do Santo, depois vestiu-lhe o casaco, achou graça e vestiu-lhe as calças. Parecia um músico a sério. Não esteve com meias medidas Pôs-lhe a caixa a tiracolo, e as baquetas nas mãos. Riu-se da sua graça, e ferrou o sono num dos bancos da Igreja.
Aglomeravam-se os fiéis à porta da Igreja, para assistirem à Santa Missa e depois à Procissão do seu Padroeiro, quando o Padre abre a porta da Igreja e dá com aquela cena!
A indignação foi geral, e quando assim é, todos são culpados. A banda foi logo devolvida ao remetente, não sem antes alguns músicos sentirem na pele a fúria de uma população indignada.
Perante tal façanha o Tira – Picos foi de imediato suspenso das suas funções, e marcada uma Assembleia-geral com o fim de ditar a expulsão definitiva do Tira – Picos da Sociedade da Música.
Quem não achou graça foi a Pardaleira que não deixou passar a oportunidade para lhe “xingar” os miolos, até porque o tempo que passava na Música não a estava a “moer” além de que o dinheirinho dos serviços sempre dava uma ajuda!!!
Ao fim e ao cabo quem pagou “as favas” foi a mulher, e assim se somou mais uma “briga” no casal.
Saudações Marroquinas
Xico Manel
(Continua p´rá semana)
3 comentários:
Obs.
Estou mesmo muito enfarruscado!Vou ser curto.Pois é,está deveras frio.
Faço-o porque tenho quase a certeza de que o Padroeiro (como lhe chamas)até deve ter achado bastante graça e companheirismo à ideia genial do Tira Picos. Como estou aqui muito justamente a comentar.
Dizendo que, assim como o Tira Picos, se achou cheio de graça, assim o Padroeiro deve ter-se rido, e deve também ter perdoado visto que ali só ELe é que tinha esse poder único vindo do céu.
Não percebo, é a reacção dos restantes crentes e da assembleia perante uma tamanha comunhão de boa disposição entre o santo festivo e o descrente musico .E, muito menos, percebo o feitio xungoso da Pardaleira.
Se, os dois, desatinaram depois à porrada ambos teriam alguma razão.
Mas ambos estiveram a perder tempo porque senão este episódio não estava aqui a ser tão bem contado. Tantos anos,tanta música e tantas festas depois.
Não achas? E não achas que era o que acharia hoje o Tira Picos?
Abraço
Anb
Conforme já deves ter reparado o Tira Picos foi uma personagem que eu criei para por seu intermédio relatar certas "façanhas" de gente que deixou algo de pitoresco na vida do Alandroal e que muitos ainda recordam.
ESte facto "da fardamentação do Santo" ainda que empolado por mim aconteceu com uma personagem que ainda há pouco tempo aqui foi relembrada pelo nosso comum amigo "Tói da Dadinha". Vê lá se te lembras quem foi o autor da façanha?
Um abraço
Chico
Obs.
Claro que me lembro mas não digo o nome que é para não estragar o ambiente de maravilhoso recambolesco que criaste à volta do criativo Tira Picos.
Mas que grande nome,oh Chico.
Abraço
Anb
Nota:Acho que a Pardaleira não tinha asas para acompanhar os voos do Tira Picos;ou se tinha não era música.
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