quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM

Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/

Emprego…da tragédia à visão de futuro
Carlos Sezões

Quarta, 29 Fevereiro 2012 09:55
Os números do desemprego, vindos a público na última semana, são um flagelo de proporções alarmantes. A taxa de desemprego total teve uma subida significativa, no quarto trimestre de 2011, chegando aos 14%. A taxa de desemprego jovem (isto é, até aos 24 anos) atingiu os 35,4% no final do ano passado. Situação trágica nos números, dramática na perspectiva pessoal e familiar de quem a vive.
Penso que a questão é demasiado séria para demagogia fácil ou preconceitos ideológicos. As causas são muitas e variadas e dificilmente se pode apontar um responsável único – sejam os governos, a União Europeia ou o FMI. O caminho a seguir, numa óptica de terapêutica, são receitas de curto prazo, promovendo a mais fácil criação de emprego e de médio longo prazo, mais focadas nas qualificações, competências e empregabilidade. Como, perguntar-me-ão? Acreditem que muito vai mudar nos nossos sistemas educativos e formativos – terá mesmo de mudar. Os antigos modelos de fornecer conteúdos, uniformizar saberes, definir processos, formatar comportamentos estão obsoletos – na prática, investindo no ensino, desprezando a aprendizagem. Quantos jovens vêm o seu potencial criativo desaproveitado por um sistema educacional muitas vezes inflexível e redutor? Quantos estudantes se arrastam pelas universidades em cursos que não lhes proporcionam competências ou empregabilidade? Quantos profissionais se sentem improdutivos das 9 às 6, sem motivação, sem noção do significado do seu trabalho ou sem aplicarem nem metade do seu potencial, seja por causa de organizações arcaicas ou por causa de chefes incompetentes? Quantos, sem formação continuada, estagnam, com o tempo, na obsolescência técnica ou tecnológica?
A capacidade de cada um adquirir e actualizar determinadas competências aumenta o seu nível de empregabilidade e reduz, como tal, as probabilidades de desemprego de longa duração. Hoje as competências críticas não são apenas o conhecimento técnico: precisam-se profissionais com capacidade para trabalhar em equipa, rigorosos na gestão de projectos, eficazes a comunicar e liderar, eficientes a avaliar os riscos, gerir prioridades e tomar decisões e que saibam lidar com os momentos de maior pressão. E que possam assumir com o tempo a sua autonomia e ser criativos e inovadores, no sentido de melhorarem os processos e resultados. E que saibam fazer tudo isto por conta de outrem, integrados, numa pequena ou grande organização e, principalmente, envolvidos em projectos pessoais, como empreendedores. Que possam, portanto criar valor onde estão inseridos e não estarem sujeitos a serem meros números, alvos fáceis de cortes cegos. Os sistemas de formação ao longo da vida terão esta missão. Esta é uma visão de futuro, para ter impacto a 5 ou 10 anos. Até lá, temos de agir no curto prazo…e de forma eficaz!
Carlos Sezões

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