segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA FM


Esta semana a crónica não é minha
Miguel Sampaio

Segunda, 27 Fevereiro 2012 11:02
Esta semana a crónica não é minha, transmito apenas o grito de revolta, mais um, de um concidadão, que como muitos por este país fora se viu privado do seu sustento:

Com 32 anos de idade, ontem vi e senti na pele, a crueldade, a falta de escrúpulos e a verdadeira falta de respeito pela condição humana em que a nossa sociedade está mergulhada nos dias que correm! Trabalhei durante 8 anos para Fidelidade/Mundial (Grupo Caixa Geral de Depósitos), sector Call Center em Évora e passei por várias empresas de trabalho externo e “temporário”, esta última com designação RedWare! Nestes anos vi o trabalho e grupo e crescer, ou não houvessem cerca de 50 trabalhadores quando iniciei a minha colaboração e hoje em dia existam mais de 300!
Ontem, numa manobra que só identifico como suja, sem carácter, cruel e ignorante, eu e vários colegas fomos “dispensados” dos nossos postos de trabalho. Pessoas com vidas e dependentes a cargo, a maioria com mais de 30 anos de idade, outras com incapacidades físicas (eu, com 70% de invalidez comprovada em atestado de incapacidade), trabalhadores empenhados e que nos últimos anos ajudaram o grupo a crescer, (afinal está mais que comprovado que houve crescimento) estavam no seu normal dia de trabalho, quando fomos, do nada e sem qualquer sinal nem aviso prévio, convidados a parar imediatamente o que estávamos a fazer e a reunirmo-nos numa sala, onde numa explicação muito simples nos foi dito que não estávamos a ser “rentáveis” na óptica empresarial (?) e como tal partir daquele momento não contavam mais com os nossos préstimos (faço a leitura pessoal de que lhes é mais rentável e interessante o trabalho precário, salários desumanos e volumes de trabalho escravistas, sempre pautados pela perseguição, pela falta de discernimento e opinião critica, por pessoas robots que não falem e principalmente não tenham poder de contestação) … A crueldade envolvida na manobra é digna de nota, o egoísmo e o sarcasmo utilizado foram, no mínimo, revoltantes, no entanto vivemos períodos em que víboras fazem o que querem, o ser humano é tratado como um simples lixo reciclável, o bastião do capitalismo permite que se destruam vidas (no verdadeiro sentido da palavra), para algum XULO de accionista possa adquirir um BMW topo de gama novo ou ter uma vida regrada de luxos. Deixou de interessar a espécie, só cantam números e o egoísmo!
Sinto-me na obrigação moral de declarar publicamente que abomino completamente este tipo de atitudes, sei que pertenço à classe superior, pertenço ao grupo dos altruístas, daqueles que se preocupam e respeitam o próximo! Episódios destes deviam ser condenados em praça publica e da forma mais inquisitória possível, são atentados à liberdade e aos direitos, não só dos trabalhadores, como do ser humano! Em período de pseudo-crise, os esforços para a solução magna, são contrariados por estes grupos venenosos e parciais e principalmente, mal geridos, resultado da existência de seres baixos e inqualificáveis nas suas fileiras!
Já passei por dificuldades e situações que a maioria não sonha e sei que neste momento, estou (e também os meus colegas) na pior de todas elas e o único alivio que me aquece a alma é saber que não vou voltar a olhar para aqueles rostos mesquinhos e ignorantes e ter de concordar com tomadas de decisões que são hinos à ignorância!
(Jaime A.)
Évora, 25.2.2011

Miguel Sampaio

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