Atravessar o deserto ou ficar a meio?
Carlos Sezões
Quarta, 25 Janeiro 2012 11:55
Apesar de algumas poucas vozes incomodadas, por sinal as do costume, a maioria do País aplaudiu ou pelo menos compreendeu o acordo de concertação social celebrado na semana passada.
Foi uma prova de maturidade de vários agentes políticos e sociais, que tiveram a flexibilidade de sair das suas trincheiras para se encontrarem num ponto de acordo, que poupará o país a uma agitação social como a que temos visto noutras paragens.
Traz notícias incómodas, é certo. Mas traz também o potencial de quebrar alguns dos bloqueios da sociedade portuguesa. É mais fácil despedir, é verdade, seja por extinção do posto de trabalho ou por inadaptação. É mais barato despedir, é também verdade. As empresas vão pagar menos pelos despedimentos. Teremos menores subsídios de desemprego. Termos menos férias e feriados - quatro menos, mais concretamente. Outros factores como a mobilidade geográfica, a flexibilidade funcional, o tempo de trabalho e retribuição passam a ser reguladas ao nível da empresa.
Ao contrário do que alguns apregoam, isto não é uma conspiração de patrões e governo para castigar os trabalhadores indefesos – como se esta linguagem ainda se adaptasse às relações laborais do século XXI. O que foi feito foi trazer alguma racionalidade e equidade num mercado de trabalho disfuncional, onde centenas de milhares não conseguem entrar, onde outros estão imóveis e onde as empresas, especialmente as PME’s têm, objectivamente, medo de contratar.
Naturalmente, isto não será a panaceia de todos os males e muito ainda há a fazer. Para a produtividade, importa também agir sobre as qualificações e competências de empresários e gestores, de modo a tornar as empresas mais eficazes – e aqui reside uma das grandes lacunas da economia portuguesa.
Estamos num processo de transformação que demorará tempo. Passar de um modelo de economia estatizante, dependente do Estado e dos investimentos em infra-estruturas para uma economia orientada para bens transaccionáveis, para a inovação e para as exportações. Tal pressupõe que dentro de certos limites, as empresas tenham mais flexibilidade para gerirem o seu capital humano. Este caminho, feito de mudança, será como atravessar um deserto…por muito que demore, há que chegar a um destino, nunca ficar a meio!
Carlos Sezões
Gestor

1 comentários:
Gerir o seu capital humano???O sr saiu de que filme ????Veja se acorda homem.
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