É evidente que a escrever estas memórias não pretendo de maneira alguma que as mesmas possam corresponder à realidade dos factos relatados, Talvez até a descrição de casos relacionados não correspondam à verdade. Foi assim que os vivi. É assim que os relato . Apenas assumo a veracidade de todos aqueles que a mim dizem respeito.
Se houver correcções a fazer eu agradeço.
MEMÓRIAS RELACIONADAS COM O CASTELO
Há tantas coisas narradas sobre o nosso secular Castelo…Eu sei lá, desde moiras encantadas, descobertas de “bicharocos” medonhos, guerras a brincar, amores escondidos …tantas histórias, que os blogues se têm encarregado de divulgar no intuito de deixar para as gerações vindouras pedaços da história do Alandroal.
Hoje vou recordar um “cantinho” do nosso Castelo, que de entre várias utilidades (esconderijo, mijadouro) também servia para ver cinema à bolra.
Ainda haverá muitos que se lembram dos “Casarões”. Os Casarões foram durante muitos anos uma das partes mais degradadas do Alandroal. Sempre ouvi dizer que ali se projectava a Sede da Sociedade Artística, mas que por qualquer motivo as obras ficaram a meio. (Um aparte: os mesmos foram vendidos, em boa hora, pela Direcção da S.A.R.A, presidida pelo Luís Balsante por 50 contos, o que deu azo a que a S.A.R.A, na altura por mim presidida se abalançasse na organização das Festas de Setembro, nesse ano em vias de acabarem). Cabe aqui uma palavra de apreço a quem teve a coragem de uma das zonas mais desengraçadas do Alandroal a tornar numa das mais bonitas da nossa terra.
Mas o tema era o Castelo, e os Casarões apenas vieram à baila porque do pouco ou nada que se aproveitava era o local onde o Domingos Peças (tantas vezes aqui referido) projectava o CINEMA.
Num ecrã em tijoleira e sobre um buraco (talvez premeditado para fosso de orquestra, mas onde as silvas e o mato abundavam, o que dava azo a que muitas vezes os bicharocos, osgas, ratos e quejandos, julgando-se protagonistas do filme apareciam com frequência).
Pois, já na altura, quem tinha dinheiro entrava e sentava-se nas cadeiras de ferro… quem tinha algum entrava e ia para os bancos de madeira…mas quem não tinha?
Em princípio ia para as escadas da Igreja, (o problema foi resolvido com um pano de tijolo a cobrir a visibilidade) mas depressa se achou uma maneira de ver cinema à bolra (até que não aparecia A G.N.R. e a debandada era geral).
É que havia um socalco na muralha pegado ao torreão da entrada norte (que dá acesso à Igreja Matriz) que embora necessitasse de grande equilíbrio, e mesmo com o cheiro a mijo daqueles que utilizavam o recanto para tal necessidade, a malta ali se equilibrava para “fintar” o Peças,
Só em jeito de finalizar: Foi ali (aguentando estoicamente) que eu e o meu amigo Fraquezas conseguimos ver em vésperas do exame da 4ª classe o “Máscaras de Cera”.
Ele confessou-me que não conseguiu dormir… eu também não…mas safámo-nos
Chico Manuel

5 comentários:
Lembro-me bem dessas cenas do socalco da muralha... inicialmente ainda tinha que me pôr em bicos de pés para conseguir ver a metade superior do ecrã. O meu pai, frequentador do "cinema maravilha",
ameaçava com algumas proibições se nos soubesse em tal sítio. Também me recordo bem do Domingos Peças, um homem baixo, meio calvo, de verão usava umas calças largas com suspensórios...
Tenho a agradecer-te, caro Chico, este momento de libertação do espírito para se encontrar com outro tempo.
Um abraço grande pela amizade, por sermos conterrâneos e por termos memória.
AC
Lembro-me perfeitamente das minhas idas ao cinema.
Elas gravaram na minha memória grandes Obras de autores famosos.
Recordo o filme "Os Miseráveis" extraído do romance de Victor Hugo e outros tantos como Miguel Strogof, Ana Carinina e os alegres com o Pedro Infante e Sarita Montiel, o raminho de violetas...
Tenhou a sensação que estou a ouvir a música, um tango mexicano, e ao mesmo tenho a caminhar do monte do meu avô Salgado para o cinema. O dia do cinema coincidia com a minha ida à farinha para a padaria, à Sofal e aprovetava para ir ver os filmes. Depois veio o meu tempo de colégio e claro não perdia um, até porque o meu falecido parente Rato, por vezes ia ao monte buscar-me.
Os filmes contribuiram para a nossa cultura geral, nomeadamente os dramas eram focos de grandes exemplos. O cinema italiano foi fértil em dramas. Quem não se recorda da Ginna Lolobrigida?
Um dia passado muitos anos apareceu um programa na televisão que dava a música de filmes e o cocorrente teria, pela música advinhar o nome do filme. Estava aí em Terena e a minha filha já casada assistia ao programa. Respomdi a uma grande percetagem de perguntas a ponto da minha dela se surpreender e perguntar como é que eu sabia tanto de filmes. Recordo, neste momento, uma música do programa cujo o filme era "Um homem e uma mulher" e cerebralmente estou a trotear a sua música. Mas além deste acto cultural, estão outros tantos que nos foram unindo numa amizade duradoura, que felizmente não foi esquecida e é recordada frequentemente. Quem não se lembra dos "agitadores" do cinema. Arnaldo, Becas, Desidério e companhia. E quando nós nos sentávamos nas cadeiras de ferro, no intervalo e após este vinha o dono do lugar. Só apanhei um vegonhaso e nunca mais repeti.
Quantas e quantas vezes o saudoso Arnaldo ordenou à malta para me levarem até ao Choupal.
Caríssimo amigo, um OBRIGADO, do tamanho da amizade que nos une por me possibilitares estas linhas de recordações.
Nota
O choupal era composto por meia dúzia àrvores seculares, que se situava à saída do Alandroal para Terena, junto ao Centro Médico e com a remodelação da àrea foram insensívelmente, pela cegueira governativa, assasinadas.
Helder Salgado
24-08-2011
oh! gentes da minha terra, agora é que eu percebi, as saudades que trago, foi de vós que as recebi...
Caros AMIGOS !!! Também me lembro e de que maneira dos "CASARÕES" do velhote PEÇAS, dos filmes que por lá vi, eu era dos que tinha a benece, de entrar de borla graças a influência de meu PAI,pois quando era preciso, lá tinha o motor a trabalhar mais uns minutos, afim de termos luz e podermos ver o filme até ao fim...recordo imensos filmes, por vezes, com o meu grande Amigo J.R.falamos horas a fio acerca deste assunto, que belas recordações!!!em boa verdade, alguma coisa da nossa maneira de ser e estar hoje na vida, foi alicercada naquelas noites de filme, pois eram motivos para as nossas discussões e debates...aprendemos ali, algumas das dificuldades da vida, depois confirmadas ao lomgo das nossas vivências...Só fomos tramados nas entradas, quando apareceu o distico, maiores de 18 anos...Facilmente resolvido, com a subida aos torreões do castelo, para vermos o ARROZ amargo!!!etc.etc.etc. isto sem a GNR saber,se bem me lembro,era o cabo SUBTIL,bons tempos...
Um abraço para todos,
Manel Augusto
As noites de cinema na Praça até nos fazem recuar na memória do tempo. Um bom sinal para estes novos tempos...
DOMINGOS MARIA PEÇAS
Penso já ter referido o desempenho deste homem através da sua actividade cinematográfica no Alandroal.
Se foi bom o "assédio" aos livros da Itinerante Biblioteca da Gulbenkian, que estacionava regularmente junto à Fonte,não foi menor ao espaço da Sociedade Artística e dos Casarões pelo Cinema.
Não esqueço que "papava" dois filmes por semana (Terças e Quintas-Feiras).
Penso ainda que o Domingos Peças deve ter esgotado o aluguer de todos os western's que a Filmes Castelo Lopes tinha em arquivo (Jonh Wain, Kirk Douglas, Rock Hudson, Humphrei Bogart, Peter Otoole, Yul Bryner, etc., etc.).
Mais os dramas (Silvana Mangano, Sofia Loren, Amadeo Nazari, etc.,etc.); os policiais (Edie Constantine; Louis de Funée - para o humor; Jack Palance;Jean Marais, etc.,etc.); as ficções (Viagem ao Centro da Terra); os Musicais (Diogo Infante e Los Paraguaios; Los Panchos, Javier Cugat, etc.,etc.); os Cómicos (Tótó, por ex. Imperador de Capri; Cantinflas - Carteiro; de novo Louis de Funée - en tantos) PARA JÁ NÃO FALAR NOS NOSSOS.
Ás vezes as projecções não eram bem conduzidas.
Começavam no The End. Mas isso eram coisas do Pádoca, do Baldoneiro e do Buga.
"NADA FOI COMBINADO" com o C. Manel quanto ao que vou desvendar:Ele e eu almoçámos um dia com o Sr. Domingos Peças (no Arco-Iris) para "fecharmos o negócio da compra, para os Bombeiros, da sua máquina de projectar". Assim aconteceu.
Ainda operou nas instalações do antigo Quartel, manobrada pelo Zé Pedro.
Lá está guardada.
Olhem!!! se não acreditam perguntem ao C. Manel.
Abraços para todos
Tói da Dadinha
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