quarta-feira, 27 de julho de 2011

MEMÓRIAS DA INFÂNCIA

Já que estamos no tempo delas e nos acompanham em quase todas as refeições, lembrei-me de republicar esta história verídica passada na minha infância (juventude, idade do armário, etc).

Evidentemente que os nomes são fictícios, e quem “conta um conto, acrescenta-lhe um ponto” mas o essencial está lá.

O GOSMA E AS MELANCIAS

Ainda hoje estou convencido, que o Gosma não fez aquilo com a intenção que na altura lhe deram. Foi até levado pelo exemplo do pai que em casa e antes de partir uma melancia costumava dizer: Vamos lá galar esta para ver se não fui enganado. Chama-se galar uma melancia tirar um pedacinho da mesma, para provar e ver se a mesma está madura e vermelhinha.
Naquela quente tarde de Verão o Gosma, na sua vadiagem habitual foi até ao melancial do Manel Perdigoto, e como a sede apertava e a navalhinha estava ali mesmo no bolso, vá de fazer um buraquinho na melancia, tirar uma falhinha para provar e matar a sede, e depois por a casquinha no mesmo sítio e ninguém dava por nada. Só que na altura os seus verdes anos começaram a fazer-se sentir, e começou como se costuma dizer a picar-lhe a cevada na barriga, e o buraquinho na melancia era uma tentação, mais que  estava mesmo quente. Não esteve com meias medidas e então no sentido literal da palavra galou mesmo a melancia. O pior é que gostou e passou a ser o seu divertimento diário. Ao fim de uma semana tinha feito um considerável estrago no melancial até porque as mesmas começaram a apodrecer, e como não podia deixar de ser uma tarde foi apanhado, e devidamente zurzido.
Mas o pior estava ainda para vir quando há hora do jantar o criado do Manel Perdigoto apareceu à porta do pai com um carrinho de caixa cheio de melancias podres a exigir da parte do patrão que as mesmas fossem pagas.
O Gosma levou tal sova, que até inchou, e o pai ainda não satisfeito esfregou-lhe as melancias na cara uma por uma.
A partir daí e no que toca a melancias o Gosma ficou mestre pois alem de fornicar as melancias ainda ficou a saber o que é masoquismo e sexo oral com melancias.
Xico Manel

1 comentário:

Helder Salgado disse...

Esta recordação do F. Manuel e o ter estado o Bráulio há pouco em minha casa, onde almoçámos um gaspacho com tomate e pepino, plantado e semeoado por mim na tapada da vimha em Terena, o que deu um especial e duplo sabor á comida acrescida com azeitonas colhidas e temperadas também pelas minhas mâos, fêz-me recordar um uma históriazita similiar.
O meu pai comprara uma carrinha de caixa aberta e de marca Austin, para ajudar a rentabilizar o pequeno negócio que possuia. Comprou um aboberal perto de Reguengos de Monsaraz, para além da ribeira da Azemota e ia vendendo, umas vezes ás carradas e outra a retalho para engorda de porcos ou para o gado vacum. Naquele dia fomos carregar a carrinha de abóboras e, por entre as aboboreiras havia umas melamcieiras já com grandes frutos.
A mim cabia-me receber a fruta em cima da carroçaria. Prátiva que foi forçado a aperfeiçoar por desafio de uma rapariga ao carregar melão marmelinho, num meloal para lá de Mourão. O melão daquela qualidade é pequeno e tem a casca lisa logo escorregadia. A rapariga atirava-me dois a dois e eu quando no ar os melões iam juntos lá os ia apanhando, mas quando afastados deixava-os cair.
O meu pai bem me deitava uns olhos, por deixar escapar a fruta e magoá-la, mas como não era eu o causador aguentou-se sem dizer nada. A rapariga deveria ser da minha idade 14 ou 15 anos. Fizémos olhinhos e conseguimos trocar nomes e direcções, enquanto as contas eram feitas, sem que os nossos pais dessem por isso.
Passados 4 ou 5 dias recebi uma carta com este verso:
A ti te escrevo esta carta
e o meu amor te entreguei
o meu coraçâo, por ti, se mata
o teu, por mim não sei.
Ainda no meu peito uma ferida sangrava, não respondi.
Sucede-me sempre isto, esqueci-me do Bráulio. Ele e o meu pai cortavam os pés das abóboras e eu arrumava-as no carroçaria. A determinada altura aparece uma melancia galada, estranhámos, depois outra. O meu primo começa a procurar as melancias e encontra mais naquela condição. O dono do aboberal, o senhor Chicau, diz - deve ser o gaiato que anda com as ovelhas. De cima da camioneta observo as cenas e digo - Bráulio olha se o rapaz cá te apanhasse - Resposta pronta do Bráulio - se calhar galava-me.
Obrigado. Companheiro pelas oportunidades que nos ofereces.
Um abraço.
Helder Salgado.