terça-feira, 28 de junho de 2011

AO CORRER DO TECLADO - TEXTOS DO JOÃO PEDRO

BURROS

- Os burros não têm sido muito apreciados, ao que se sabe. Pouco interesse tem havido na sua criação, desenvolvimento e utilização, por variadíssimas razões, ao que parece, por serem pouco atreitos a trabalho profícuo, pouco rentável para o preço que hoje em dia se paga pela a alimentação ou ração, pois á cabeça contabilizam na sua manutenção, e outros incómodos face ao retorno que daí advêm.
Animal meigo, e dócil de tratar na generalidade, gosta de ser bem tratado como qualquer ser, tal como muita gente nesta vida que gosta que os tratem o melhor possível e lhe dêem aquilo que necessitam e se conseguirmos ser entendidos, muitas birrinhas são anuladas e tornadas meiguices.
Contudo eles continuam a ser criados e utilizados em funções que outrora não se pensava. Em vez de consumidos na alimentação, pois como se sabe a sua carne foi largamente consumida pelos humanos, sabendo-se que Heródoto e os Persas consumiam carne de burro assada em dias de festividade familiar. Sei no entanto por experiência própria, quando mais novo, na horta de meu avô Isaac me convidava para o ajudar, que estes animais merecem admiração pela afabilidade que demonstram no seu relacionamento com o homem: são pachorrentos no trabalho árduo: a tirar água na nora, andando horas de olhos vendados apenas só sabendo cumprir uma missão importante para o dono, ou por vezes, em pleno Verão, atrelados a um carro de sol a sol carregando os produtos do campo.
Hoje é diferente, para além do leite de burra que bebíamos, os asininos são hoje apreciados, fazendo-se criação deles com outro intuito que não a alimentação do leite e da carne, mas aproveitando as qualidades como animais de sela e de tiro, sem esquecer o seu comportamento perante bebés ou doenças, onde foi provada a sua acção benéfica como tratamento.
O bom acolhimento a estes animais praticado na vila de Antenor, com criação e apuramento da raça asinina, ao que parece, com inegáveis resultados na prática de terapia infantil, tal como resulta igualmente nos EU, Suíça, Itália, Inglaterra e França, desde há anos.
Vamos manter os cuidados, mas certamente são animais não para fazer mal, outros haverá de cuidar, visto que os seus coices, são piores que alguns asininos, de que tantos receios e preocupações neles colocamos.
J.P.B.R.

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