segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AO CORRER DO TECLADO - RÚBRICA DO AL-KALATY

1959 - TEMPO PARA RECORDAR (1º JUMPIN’G INTERNACIOMAL DE LISBOA)



É bom recordar dias idos de criança, é bom recordar aquela Escola altaneira e empolada no tempo, tendo sabido resistir a tudo e a todos. E, mesmo que abandonada por um sistema de convulsões, com aquela simplicidade que outrora não lhe reconhecíamos, apesar do bem que lhe dávamos reconhecidos pelo valor que dela tirávamos, com competentes professores que para além da régua e do sistema em uso, sabiam colocar-se ao nosso lado, ainda que num plano diferente e ocupar o nosso lugar, em situações imperiosas e benéficas, isto é… sabiam distinguir aquilo que era uma ardil fleuma, ou o que era desconhecimento ou ignorância da mocidade.
Uma ideia transparecia em cada aluno: o dever exigido no obedecer aos mais velhos, na construção de um mundo melhor para todos, iniciando-nos assim ao estímulo e á educação indispensável naquela idade, onde o respeito era mantido a todo o custo e as aprendizagens por aí eram mantidas, sem embustes ou percalços das partes.
Dirão hoje, muitos mais do que se possa supor, isso foi o tempo da outra Senhora…que já não volta… era o que faltava, não o conheço de parte nenhuma, nem nada lhe devo, para vir aqui mandar vir postas de pescada…
Hoje, direi eu, que nem tudo seria assim e nem todos faziam o pretendido, sem responsabilidade assegurada, ou vivendo á custa de falsários refúgios e habilidades de bom gosto duvidoso.
O concreto era apanágio dos sérios, e lá dizia a moenga da época, com ditados que nos habituámos a cumprir – quem mente uma vez mente sempre, aos quais hoje não lhe dão a mínima importância, nem se pensa um pouco para matutar em pequenas coisas e realidades. Empecilhos de outros tempos….
Vou tentar mudar o palavreado e o sentido destas linhas, dado não pretender obrigar o blogue, nem as pessoas que habitualmente por aqui passam, impondo-lhe o meu sentir e sem a opinião generalizada, sobretudo dos mais novos.
Assim, direi que uma dúzia de apaixonados pelos cavalos de equitação teve uma ideia inicial de trabalhar em todos os aspectos possíveis no treino com os animais, aproveitando o pavilhão da Junqueira - Pavilhão da Feira Internacional de Lisboa, em 1959/1960.
A nave da Feira das Industrias, pelo espaço livre existente entre colunas, prestava-se á gala de cavalos, a prova de obstáculos, provas hípicas de carácter desportivo, muitas ideias com base no cavalo e reaproveitamento do espaço, não só para a equitação tradicional portuguesa, como para a realização internacional de espectáculos diversos, com a participação até circense.
Dada a necessidade de espaço para a equitação, nomeadamente para os mestres de Equitação da Escola da Mafra, os cossacos da G.N.R., o Esquadrão dos Cavalos Russos do Regimento de Cavalaria, a alta-escola, os caçadores de lebres, os desfiles de carruagens, os cavaleiros tauromáquicos, as provas de obstáculos, seria a prova ideal e completa para o espectáculo a organizar.
Com idade escolar, muito se começou a ouvir falar e a escrever sobre o 1º Jumpin’g até hoje, de que nunca mais me esquecerei, dadas as fantasiosas e ordenadas manobras executadas por animais amestrados, vistas a longa distancia por um rapazito de treze anos, sobretudo vivendo na província..
Bem me recordam as variadas fotos do evento, realizado em Fevereiro de 1960, onde a fanfarra a cavalo da G.N.R manobrou naquele picadeiro, debaixo de uma luz férrea dos metais e das fardas, com arreios dignos de se poderem vislumbrar ao vivo, onde o esplendor e o garbo dos soldados em presença, num silêncio do público, ao som dos acordes iniciais se manifestavam com honra e admiração
Pela intensidade vivida no 1º Concurso Hípico e impecáveis execuções e pelo entusiasmo generalizado, não posso deixar de recordar muita gente, onde destaco o tenente-coronel Henrique Calado, incluindo o seu salto magnífico.
110220 Jpbr

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