quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CRÓNICA DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA/FM


 As presidenciais
Eduardo Luciano

Quinta, 27 Janeiro 2011 09:17
Passado o período eleitoral será sempre de bom-tom deixar por aqui algumas reflexões sobre a campanha e os resultados contabilizados.
A campanha para as presidenciais foi uma experiência estranha para quem andou envolvido noutras (em todas) com o mesmo fim.
Lembro-me de todas e em todas elas era visível o empenho de militantes partidários e outros cidadãos sem partido no apoio ao candidato da sua preferência.
Eram dias intensos em que nos cruzávamos nas ruas, nos mercados, nas portas das empresas e serviços públicos, disputando espaço e eleitores para a afirmação do que seria, na opinião de cada um, o melhor para o país.
É verdade que nem sempre corria bem e uma ou outra escaramuça lá ia acontecendo, sublinhando o empenho que cada um colocava no apoio ao candidato da sua preferência.
Nestas presidenciais nada disso aconteceu. A campanha da quase totalidade dos candidatos limitou-se ao espaço mediático e ao acompanhamento do próprio nas visitas que iam fazendo na famosa volta a Portugal.
Com excepção da candidatura de Francisco Lopes, não vi na nossa região qualquer acção digna de campanha eleitoral fora do enquadramento das visitas dos candidatos.
Um extra terrestre que caísse na região durante a campanha ficaria a pensar que Francisco Lopes seria candidato único à Presidência da República.
Por onde andou o empenho e entusiasmo dos apoiantes dos outros candidatos, em particular dos que eram apoiados por estruturas partidárias?
Se percebo que PSD e CDS não necessitavam de fazer campanha porque o seu candidato usava e abusava do facto estar no exercício do cargo para se fazer omnipresente no espaço mediático, já não entendo a falta de empenho, para não lhe chamar indiferença, com que PS e BE encararam o apoio ao seu candidato.
Percebo a dificuldade de uns e outros. O PS não queria Alegre e o BE não conseguiu sair da contradição de apoiar um candidato que tinha o apoio do partido do governo que ia criticando na Assembleia da República.
O resultado foi o que se viu. Uma enorme abstenção do "eleitorado natural" desse espaço político e a fuga de muitos para candidaturas de carácter populista que encontraram nestas eleições terreno fértil para se implantarem.
A consequência de tudo isto é grave. Cavaco foi eleito à primeira volta, agravando-se ainda mais as condições em que as próximas batalhas de resistência contra as políticas deste governo se irão realizar.
Bem andou o PCP ao apresentar uma candidatura própria, independente de compromissos com a política levada à prática por PS, PSD e CDS, contribuindo com esse esforço para colocar na agenda do dia os problemas que afectam a maioria dos portugueses, apontando o dedo aos responsáveis, sem tibiezas nem incompreensíveis jogos de cintura.
Foi de facto uma campanha notável realizada por milhares de apoiantes por todo o país e que obteve um resultado que reafirma a exigência da ruptura necessária com os últimos 35 anos de políticas sempre no mesmo sentido, contrárias aos interesses do país.
Foram 300 mil votos (7,2%) que contam para o reforçar a mobilização para as lutas que se seguem. São votos que nunca se perdem. São sempre votos úteis.
Até para a semana... quem sabe
Eduardo Luciano

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