Mudança e imobilismo
Carlos Sezões
Quarta, 26 Janeiro 2011 10:44
Mudar custa muito...é uma verdade universal! Mas começo a ficar convencido que, seja por motivos genéticos ou culturais ou apenas por acaso, mudar algo em Portugal custo mais do que devia. Temos, efectivamente, uma tendência para mantermos uma sólida e convicta "zona de conforto", baseada em mantermos o que sempre tivemos, fazermos como sempre fizemos e olhar com desconfiança quem se atreve a sugerir o contrário.
Na política, já perdi a conta aos anúncios de reformas estruturais que, geralmente com muito boa vontade, ambição e alguma ingenuidade, são iniciadas mas raramente concluídas. O motivo é sempre o mesmo: resistência à mudança, seja pelas chamadas "corporações de interesses", pelas manifestações de rua ou pela pressão política das oposições.
Lembrei-me de tudo isto após fazer um balanço da campanha eleitoral para as recentes eleições presidenciais e sobre os fantasmas que foram lançados em nome do nosso "Estado Social". Apesar de, objectivamente, não ter havido um único candidato com uma agenda dita liberal, os candidatos de esquerda criaram uma barreira ideológica que proíba pensarmos sequer num Estado mais pequeno e eficaz, liberdade de escolha dos cidadãos na saúde e na educação e mercado de trabalho mais flexível e aberto, essencialmente a quem está fora dele. Constrói-se uma resistência crispada, sem qualquer argumento minimamente válido, insulta-se o FMI e os ditos "mercados" e fazem-se promessas vãs, garantindo tudo a todos. A quem se atrever a contestar, a resposta é o ataque personalizado e desproporcionado, o agitar de fantasmas como o "liberalismo selvagem" e a montagem de uma autêntica "trincheira ideológica".
Ora qualquer cidadão minimamente inteligente compreende que este Estado actual é insustentável: não se podem ter as mordomias de um país nórdico com a economia e a administração pública de um país latino, combinadas com a demografia do século XXI. Como dizia um célebre primeiro-ministro, "é fazer as contas!". Como tal, muitas propostas de mudança que têm vindo para cima da mesa são uma possível solução para manter uma sociedade com níveis aceitáveis de qualidade de vida, simultaneamente, competitiva e mais justa em termos de igualdade de oportunidades. Se existirem outros caminhos, que sejam apresentados que serão bem-vindos. Mas não se defenda um imobilismo desesperado e suicida apenas porque sim, porque apetece ou porque ainda não se acordou do sono em que este "Estado providencial e pronto-socorro" dos últimos 15 anos nos induziu.
Carlos Sezões
Gestor

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