Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/
É o que penso das Presidenciais
Francisco Costa
Terça, 25 Janeiro 2011 10:18
Os que temiam uma segunda volta nas eleições presidenciais respiraram de alívio. Os que temiam mudanças ou surpresas fizeram coro e os que as ansiavam esmoreceram com os factos.
Enfim, manteve-se o regime mesmo que no fio da navalha.
Senão vejamos: a abstenção bateu nestas presidenciais um recorde de 53%. Cavaco Silva perdeu em 5 anos cerca de meio milhão de votos e foi eleito por 23% dos portugueses inscritos nos cadernos eleitorais. Por isso só formalmente pode achar que é um Presidente capaz de unir os portugueses. A sua frustração foi evidente no discurso zangado da vitória.
Portugueses que voltaram a demonstrar não gostarem de campanhas negativas por muito legítimas que tenham sido as questões colocadas. É que se as campanhas se centram nas dúvidas levantadas em relação à honorabilidade de cada um dos candidatos, alimenta-se o desinteresse na participação. Ao contrário dos que defendem que este tipo de ataques favorece a vítima (e eu até acredito que sim quando é evidente que a vítima é atacada sem fundamento e de forma gratuita), não posso deixar de ligar os factos com os níveis de abstenção.
Até porque a política é feita de ideias mas a forma de as comunicar aos eleitores parece tão condicionada que todos os candidatos fizeram prova da subjugação ao sound-bite. O que e para o momento que vivemos já não é suficiente para convencer quem tem de ser convencido.
Outro dado relevante foi a dispersão de votos de quem vota PS, pelo menos em três dos candidatos. O oficial do PS, o oficioso e o candidato regional regionalista.
Fica-se com a impressão que Manuel Alegre acabou por sofrer um pouco o que imputou a Mário Soares em 2005. E não deixa de ser dramático que desta vez e apoiado por dois partidos políticos, Alegre tenha descido o seu score de 2006.
Parece claro que a estratégia de federar socialistas e bloquistas falhou. Como essa estratégia pareceu sempre interessar mais ao Bloco do que ao PS, é natural que sejam os bloquistas os mais prejudicados com estes resultados.
Quanto a Nobre, não se pode dizer que os seus resultados sejam de ignorar. E o seu discurso ensaiou um segundo round para 2016. Já o conseguir afirmar-se será outra conversa.
Escuso de comentar o voto de descontentamento concentrado em Coelho. Ele só será preocupante para Alberto João Jardim.
Por fim e quanto ao PCP ficamos a saber que mesmo o voto empedernido esboroa-se. Em Évora ficou à frente por uma unha de Fernando Nobre. Francisco Lopes não terá condições para substituir Jerónimo do Sousa à frente do PCP. Ou terá mas com dano semelhante ao provocado pela liderança de Carlos Carvalhas.
Razoável foi Pedro Passos Coelho ao clarificar que estas eleições não são as primárias das legislativas. A mim pareceu-me que este também serviu de recado para acalmar as hostes. Já o CDS provou que se tivesse apresentado candidato a história seria bem diferente e provavelmente estaríamos em plena segunda volta neste momento. Veremos como será premiado.
Deixo para o fim a mensagem inteligente de José Sócrates. Optou por sublinhar a vontade de estabilidade dos portugueses, revelada na reeleição de Cavaco Silva e prometeu cooperação leal ao Presidente reeleito. Cavaco Silva até pode ensaiar a versão actuante mas terá condições limitadas para antecipar a saída do Primeiro-Ministro. E muitos começam mesmo a duvidar que Cavaco Silva o quererá.
Contudo as coisas só aparentemente ficaram como estavam.
Francisco Costa
Sem comentários:
Enviar um comentário